quinta-feira, novembro 18, 2004

TV CABO/NETCABO = FRAUDE

Pois é caros amigos, já sei que não vos estou a dar novidade nenhuma. A TV Cabo/Netcabo são um logro, uma fraude pegada e depois é suposto deixar as coisas andar e não se fazer nada como é costume... ERRADO!

No mês passado, foi solicitado à TV cabo para que instalassem as fichas para a televisão no meu novo apartamento. Como queríamos internet também, foi fantástico, aproveitámos a promoção em que a instalação da tomada era gratuita aquilo que adquirimos foi o equipamento mediante o pagamento de um determinado valor, porque o resto não era suposto ser pago. E assim foi, inclusive no próprio contrato, consta que não existem despesas adicionais.

Qual não é o espanto geral quando eis que nos chega a conta a casa e no papelucho lá vinha incluído o preço da instalação. Granel. No dia 12 de Novembro, telefona-se para a Netcabo a reclamar. Ficam com a reclamação e dizem que entrarão novamente em contacto... Até hoje, não o fizeram.

Ora qual é a manobra destes chicos-espertos? Fácil, fácil. A ideia desta gente (ao contrário do que seria normal numa empresa digna de seu nome), não é anular a presente factura e elaborar uma nova com os valores corrigidos. A ideia destes cretinos incompetentes é: Diz-se ao cliente que o valor que está a mais será deduzido na próxima factura. Pois é... Este cenário é todo muito idílico não fora o pequeno detalhe destes tipos serem uns escroques e estarem-se nas tintas para os clientes, sendo que na próxima factura não deduzem gaita nenhuma e escudam-se por detrás de consumos que, para o cliente, são muito mais difíceis de provar que não foram gastos.

Se nós fossemos uns tipos porreiros, até aceitávamos embarcar na cantiga do bandido. Mas nós não somos uns tipos porreiros, nós somos uns tipos que por acaso queremos fazer as coisas certas. Ou seja, se a TV cabo/Netcabo fosse uma empresa decente (que não é), procedia a emissão de uma nova factura que reflectisse os valores correctos e não há discussão, porquê? Não só porque o cliente tem sempre razão, mas também porque é o cliente que lhes paga os salários ao fim do mês, porque é o cliente que lhes assegura os postos de trabalho e os impede de ficarem – pelo menos – 7 meses à espera do subsidio de desemprego.

A filosofia desta empresa não é servir o cliente, mas sim servir-se do cliente, senão vejamos; no site www.queixas.co.pt até a esta altura existem cerca de 6104 queixas, que divididas pelas 13 categorias dá uma média de 470 queixas por categoria. Nestas 13 categorias, uma delas diz respeito aos serviços de internet. Dentro da Categoria internet, encontramos 42 páginas e em média encontramos 8 queixas, por página, contra os serviços da TV cabo/Netcabo. Se multiplicarmos esta média de 8 pelo número de páginas, 42, verificamos que esta empresa tem uma média de cerca de 336 queixas contra os seus serviços. Se esta categoria tem cerca de 470 queixas, 336 das quais são contra os serviços TV Cabo/Netcabo, então temos que dentro desta categoria esta empresa tem 71% das queixas.

Eu não sei o que é que os administradores desta empresa acham, mas eu acho que uma empresa que tem um nível de reclamações de 71%, ao qual não é dada qualquer resposta, tem um problema, que só não é maior porque é sustentada artificialmente pelo facto de ser uma subsidiária de uma empresa estatal.

No entanto e no que depender da minha pessoa, estou disposto a fazê-los contribuir para o enriquecimento da indústria farmacêutica e vou dar-lhes uma dor de cabeça inesquecível. Mas vamos encarar isto como um factor pedagógico, estes senhores vão aprender porque é que é preciso saber gerir reclamações.

terça-feira, novembro 02, 2004

OS BLOGUES CAUSAM ENFARTES ÀS AUTARQUIAS E NÃO SÓ

E eis que quando todos nós pensávamos que isto já estava ultrapassado, surge um novo foco de incêndio.

Abaixo segue a versão completa do e-mail que recebi hoje a propósito da censura

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Exmo. Sr. ou Sr.ª:

Vem isto a propósito do caso Prof. Marcelo Rebelo de Sousa.

Nasci e tenho vivido num pequeno concelho (Pombal) do Litoral-Centro (Distrito de Leiria). Não milito em nenhum grupo partidário. Sou um simples cidadão nascido seis anos antes do 25 de Abril de 1974.

E como cidadão, ingénuo a pensar que haveria liberdade de expressão e de opinião, criei em Julho passado um "blog" na Internet que pretendia ser um espaço de reflexão e de debate de ideias, com críticas construtivas, sobre o que está a acontecer na minha Terra. Nomeadamente sobre a actividade da respectiva Câmara Municipal e outras instituições. Esse "blog" num espaço de dois meses registou mais de 6.700 visitas, tendo sido comentado em grande número por outros cidadãos/munícipes.

A respectiva autarquia, presidida pelo social-democrata Eng. Narciso Mota, nunca usou o princípio do contraditório. Apesar de reconhecer que alguns dos temas abordados tinham a sua veracidade, alterou alguns procedimentos, dando razão ao que por lá se escrevia.

Reconhecendo que o "blog" era incómodo para o Poder (leia-se, Câmara Municipal), o senhor presidente entendeu que a melhor forma de usar o "contraditório" era acabar com o mesmo. Vai daí, entrou em contacto com
a direcção/administração da empresa onde eu trabalhava e denunciou a sua
existência, fazendo ver que o "blog" era "gerido" em horas de expediente.

A direcção da empresa de imediato, e justificando que aquela situação lesava a relação institucional com a Câmara Municipal, até porque necessitava desta para legalizar algumas situações pendentes, despediu-me. Isto, não argumentando com falta de profissionalismo ou de produtividade. Mas sim, porque o senhor presidente da Câmara assim os contactou para o efeito.

Esclareci a situação e comprometi-me a eliminar de imediato o "blog", o
que foi feito e aceite. Precisamente um mês depois, e pelo meio alguns
encontros realizados entre o presidente da Câmara e a direcção/administração da empresa, fui novamente confrontado com o despedimento. E perante duas
opções: instauração de processo disciplinar ou demissão voluntária, optei
pela segunda. Ou seja, a intervenção do senhor presidente da Câmara Municipal de Pombal neste processo é um facto. Tanto o é que um dos seus vereadores
afirmou perante algumas pessoas "já acabámos com o blog".

Esta situação é notoriamente idêntica à que aconteceu com o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Na sua proporção, obviamente. Mas, com um senão. o meu futuro. Estou desempregado, com duas crianças de 20 meses para criar, casa e carro para pagar. E esposa também desempregada.

E tanto mais que, ainda há dias, ouvi da boca de um eventual empregador: "reconheço que és a pessoa indicada para o meu projecto, mas quando o senhor presidente da Câmara soubesse, caía o Carmo e a Trindade. E eu não quero ter problemas com esse senhor".

É triste que 30 anos depois de uma revolução, ainda haja quem de uma forma nojenta e vergonhosa, censure as vozes discordantes para que estas não expressem livremente as suas opiniões.


Com os melhores cumprimentos

Atentamente

Orlando Manuel S. Cardoso
E-mail: orlando.cardoso@zmail.pt
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E agora o meu comentário:

Para além do facto de que os blogues são indigestos para qualquer instituição de cariz governamental, devo confessar que o Sr. Orlando Cardoso foi um tanto ou quanto ingénuo nas suas lides internéticas.

A internet tem o potencial do anonimato e isso não foi tido em conta por este cidadão atento e interessado. Pensou que podia desafiar a autoridade instituída (personificada no excelso Presidente da Câmara de Pombal), e sair impune. Meu caro, estamos em Portugal, como já tive oportunidade de exprimir em textos anteriores, aquilo que nos diferencia da América Central e do Sul é a localização geográfica.

Poderia dizer-se que a internet permite o anonimato, mas pode sempre encontrar-se o rasto do utilizador. É verdade. Mas para isso a Câmara Municipal e a Empresa empregadora de objectivos dúbios teriam de um especialista a trabalhar para eles e esses especialistas (desde que não sejam da P.J), fazem-se pagar muito caro e se não fazem, então são tontos de certeza absoluta.

Relativamente às opções que tinha pela frente, o amigo escolheu a pior delas todas. Quando se trata da defesa de princípios, vale a pena enfrentar qualquer processo disciplinar. Assim, não só acabou com o blogue (algo que jamais deveria ter feito, até porque lhe seria muito útil neste momento. 6700 visitas não é algo que se deve atirar á rua, são muitos votos que contam para a eleição de um autarca), como acabou por se despedir voluntariamente, sem direito ao subsídio de desemprego. Foi uma má jogada. Uma ingenuidade que pagou a preço elevado. E agora, encontrar emprego numa terreola onde todos têm rabos-de-palha é dramático, só podia ser. A melhor solução é agarrar nas suas coisas e refazer a vida noutro local, algo que nunca é uma opção para o típico português porque mobilidade é uma daquelas palavras que não faz parte do vocabulário pessoal.

É claro que, se estiver muito aborrecido mesmo e não quiser sair de Pombal, existem outras maneiras de expressar o descontentamento (a greve de fome não é uma delas visto que já ninguém se comove com isso). Uma dessas maneiras é arranjar um tractor cheio de estrume (de preferência daquele fresco, o seco não tem tanta graça), e despejá-lo na Câmara Municipal (não batam palmas porque esta ideia não é minha, tem autor e o seu dono é um velhote escocês que a utilizou como forma de protesto. Vi isto uma vez na RTP2 e achei lindo, para além de inovador e criativo).

Meu caro amigo, errar é humano, mas baixar os braços e calar-se é muito pior. Você tem uma cabeça e um cérebro, faça uso deles.