segunda-feira, fevereiro 28, 2005

AS AVENTURAS E DESVENTURAS DE UMA LARANJA QUE UM DIA FOI MECANICA MAS AGORA JÁ NÃO É.

Isto há coisas que não lembram ao demónio e muito menos ao careca... Isto é, se calhar se ele (demo/trebufu/ mafarrico/ chifrudo / vermelhinho / etc) se lembrasse delas ainda assim conseguia ser o menor dos males.

Realmente, o PSD é um partido que está todo escangalhado e quanto mais surgem ideias brilhantes, iluminadas e movidas a energia nuclear quando a maior parte do mundo civilizado já anda à caça de energias alternativas, ainda que um pouco menos em conta (mas também lá diz o ditado que o barato sai caro), mais escangalhada a coisa fica. É assim, eu não vi muitas notícias durante o fim-de-semana, mas o que vi pôs-me a rir á gargalhada.

A primeira ideia delas todas foi a de que se deve sancionar os militantes que contribuíram para a derrota do partido (que na realidade está feito em cacos), com a sua língua viperina e maledicente (nesta óptica eu diria que estou lixado, mas e daí ‘who cares?’ faz um tempão que não pago cotas!). E querem saber que mais? Pois eu concordo com estas cabecitas brilhantes e inteligentes, eu acho que se devem livrar destes párias o mais depressa possível porque a democracia só tem é a ganhar com isso. Aliás não há nada mais democrático do que uma sociedade de asnos, se for tudo nivelado pela burrice é mais fácil adoptar o esquema de quando um burro fala os outros baixam as orelhas, na sua verdadeira acepção. Ou seja, depois é apenas uma questão de hierarquia entre burros e todos se comprometem a fazer «IÓN» cada vez que o burro-chefe mandar. Os burros discordantes ou vão zurrar para outra freguesia ou investem numa progressão de carreira que os transforme em cavalos.

A segunda ideia é a de deixar o caminho aberto para uma candidatura presidencial do PSL. Ou seja, é a eterna vontade de perder também conhecida por disparar dois tiros de caçadeira na cabeça só para o caso da primeira munição não encontrar o cérebro que é suposto atingir. Jogar nesta estratégia é jogar com um pau de dois bicos que de certeza vai acabar por furar alguém por muito boas intenções que se tenha, pois se o pessoal não votou nele para as legislativas porque diabos haviam de votar nele para as presidenciais? (Já para não dizer que se conduzirem a campanha para as presidenciais da mesma maneira como conduziram a campanha para as legislativas, bem podem começar a comprar os lenços de papel à RENOVA porque vão-se fartar de chorar. Mas como tudo tem o seu lado positivo, a RENOVA agradece a potencial contribuição dos seus potenciais clientes e adverte que também produzem rolos de papel higiénico e rolos de papel de cozinha super-absorventes. Parecendo que não é um bom contributo para a retoma económica). Estrategicamente até poderia nem ser muito mau, se o rapaz não tivesse ficado feito em churrasquinho crocante mas a figura dele, neste momento, está absolutamente queimada e vai demorar um bom bocado até a conseguirem recuperar. E o PSL que, independentemente dos afectos de cada um, de parvo até nem tem assim tanto, devia ser o primeiro a ter consciência de que terá de se manter à margem durante uns tempos porque a sua imagem está esgotada. Para além disso (e para reabilitar a imagem de qualquer um), não há nada melhor do que aproveitar o reinado de um governo socialista. Só que para isso, têm de se deixar de mariquices e mesquinhices internas e preparar-se para o que aí vem, em vez de bater o pé e fazer birra na onda do « agora vou agarrar nos meus brinquedos e vou para casa porque os outros meninos não gostam de mim»... Mas que raio de complexo de Calimero!

A estas duas ideias eu só tenho uma coisa a dizer “GROW UP”!

Bem sei que é saudável libertar a criança que existe dentro de nós, mas isto toca as raias do ridículo. Estes senhores são suposto serem profissionais da política, por isso ajam como tal, porque não há nada pior do que o amadorismo camuflado de profissionalismo.

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

NÃO TENHO TEMPO!!!!

Isto é que é uma gaita! Não tenho tido tempo para escrever nada de jeito... Que coisa!

... Quer dizer, é que sem tempo, não há inspiração que resista. Por isso, fiquem lá com uma citação de Albert Einstein sobre o tempo.

"The only reason for time is so that everything doesn't happen at once "

terça-feira, fevereiro 22, 2005

CORRECÇÃO DE ALGUMAS INJUSTIÇAS

Hoje resolvi pôr a mão na consciência (de vez em quando há que fazer isso para não deixar-mos que o nosso lado selvagem tome conta de nós), e corrigir alguns comentários que, de alguma forma, até foram injustos. Por isso, hoje vou tentar não lançar nem punhais e adagas, nem toda a artilharia pesada contra aqueles que já estão politicamente de rastos (até porque seria um desperdício de recursos). Neste caso em concreto estou a falar do CDS/PP de Paulo Portas.

De todas as pessoas com quem pude conversar ontem, nenhuma partilhava da minha ideia de que, a demissão de Paulo Portas da presidência do Partido Popular tinha sido mais uma manobra política (o que me deixou incrivelmente frustrado, porque ainda por cima essas pessoas eram quase todas de cor vermelha). Pelo meu lado eu continuo a acreditar que a hipótese da manobra continua a constituir uma grande probabilidade e com muito boas hipóteses de sucesso. Só acreditarei que não é assim quando no fim do respectivo congresso surgirem com um novo presidente.

Também continuo a acreditar que o falhanço da coligação se ficou a dever ao facto (não única e exclusivamente é claro, mas com um peso muito importante), de muitos militantes do PSD (e do CDS/PP), não concordarem com a existência desta aliança pelas mais diversas razões, incluindo o facto do presidente do PP ser o Paulo Portas (e aqui as querelas mal resolvidas ganham extrema importância porque não se esquecem, nem se perdoam).

Nesta mesma lógica, também continuo a acreditar que no CDS/PP há imensos “Soldadinhos de Chumbo”. Gente nova, entusiasmada, aguerrida e cheia de coragem para enfrentarem as “guerras políticas”, mas que não têm a mais pequena noção da realidade. O mundo que conhecem está longe de ser o mundo em que a maior parte das pessoas vive e isso nota-se no tipo de discurso por eles proferido. Vejam bem, não pode ser admissível que um secretário de estado (ou lá o que o rapaz era), diga para o país inteiro qualquer coisa como: “Ah quando cheguei à secretaria de estado, a única coisa que percebia sobre o Mar era a mesma coisa que o resto dos portugueses quando vai para a praia andar de barco”. Declarações destas são altamente penalizadas por vários motivos; primeiro porque está a dizer que não percebia nada do assunto, segundo porque a maior parte dos portugueses não costuma ir para a praia andar de barco. No máximo os barcos em que andam, todos os dias, são os da Transtejo que fazem a ligação entre Lisboa e a Margem Sul.

Aquilo que o rapaz disse até pode ser a mais completa verdade, mas esta é uma daquelas verdades que nunca se podem dizer, à frente de uma televisão, a um país inteiro. Esta foi uma daquelas declarações que demonstra a fraca percepção da realidade em que a maior parte dos portugueses vive, porque ‘ir para a praia andar de barco’ pode ser a realidade dele (e não tem absolutamente nada de mal nisso), mas não é a realidade dos outros e por isso os outros não se identificam com o discurso. Poderá eventualmente ser uma aspiração, mas não é essa aspiração que reflecte o imediato e por isso, também, é que as pessoas que ocupam esses cargos políticos devem ter muito cuidado com aquilo que dizem. É verdade que os jornalistas não ajudam nada (eu diria mesmo que são tramados), mas é essa a função deles e quem ocupa esses cargos tem de estar preparado para lidar com isso.

Ao contrário do que pensam os nossos analistas mais colunáveis, eu não quero acreditar nas previsões de que o CDS/PP corre o risco de se diluir nas alas do PSD até porque acho que o CDS/PP tem um eleitorado (que tem sido muito negligenciado). Estes senhores, a única coisa que precisam de fazer é definir, objectivamente, quem é o seu público-alvo e quais são as suas características. A partir daqui estabelecem uma estratégia que vá ao encontro das necessidades deste público.

Não seria tolo de todo, dizer que o eleitorado deste partido é a classe média (aliás há cartazes da última campanha que apontam nesse sentido, vieram foi tarde demais), mas para tornarem isto numa realidade não podem ser incoerentes nos objectivos nem no discurso e muito menos nas acções. Apelar aos votos dos pobrezinhos até pode ser extremamente interessante, mas não são esses que votam no PP. A doutrina social da Igreja até pode ser muito engraçada, mas é da competência da Santa Casa da Misericórdia, não de um partido. Aquilo que neste momento pode assegurar a sobrevivência do CDS/PP é apelar à coesão da classe média (aquela que resta pelo menos), e defender os seus interesses. Associarem-se aos ideais de instituições seculares é bonito, mas deve ser gerido com muito bom senso porque nem todos aqueles que pertencem a essa classe, se identificam com esses princípios.

Há uma coisa que nunca se devem esquecer, independentemente de muitos entendidos acharem que isto já está ultrapassado, Aristóteles (é verdade, adoro o homem, vou lá saber porquê!), dizia que a classe média é o sustentáculo da democracia. Se não houver classe média (ou esta estiver em vias de extinção, como é o caso), existe a tendência para as coisas degenerarem em autocracias. No caso do CDS/PP é esta, no meu ponto de vista, a única classe que pode assegurar a sobrevivência do partido, mas para isso têm de existir uma compatibilidade entre os objectivos políticos do partido e os interesses da mesma. Sem demagogias, nem ideias de como seria bom se todos pudéssemos ir para a praia andar de barco. Quem pode, pode, quem não pode, não pode. Mas ninguém é mais, nem menos por isso.

Quanto aos pobrezinhos, esses não pagam impostos porque estão isentos. Quanto aos milionários, esses pagam o que lhes der na cabeça e o resto está numa conta nas Ilhas Cayman. A classe média é a única que está a arcar com todas as despesas e não acha grande graça quando os políticos dizem que, uma família com um rendimento de 2.000,00€ brutos é rica. Tal como já disse no meu comentário de ontem, eu não sou ninguém para dar conselhos (e muito menos a um partido), mas penso que devem repensar também o vosso modelo económico e financeiro.

No que respeita á segurança social e à história das reformas, em vez de se estarem a preocupar com o aumento ou diminuição da idade da mesma porque é que não optam por um modelo mais livre? A partir de uma determinada idade a pessoa reforma-se quando quiser, se voltar a entrar no mercado de trabalho, se tiver um negócio próprio ou se trabalhar por conta própria, suspende-se a reforma e volta a pagar impostos. Esta é uma daquelas coisas que funciona lindamente no Reino Unido, não estou a ver porque razão não haveria de funcionar aqui. Seria muito mais justo para todos.

«Prontos», era isto que eu queria dizer aos PP’zinhos que maltratei. Vocês são um exército de gente nova (com a grande desvantagem de ter pouca experiência em muitas áreas, mas estão sempre a tempo de aprenderem e ninguém morre por isso, acreditem), que perdeu uma batalha mas estão longe de perder a guerra, ainda que a cacetada tenha sido bastante grande. É claro que nessas andanças haverão sempre mortos e feridos, mas não é altura para baixar os braços ou esmorecer e às vezes vale muito a pena dar um passo atrás para depois dar dois para a frente.

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

A GRANDE CACETADA – ONE DOWN, ANOTHER TO GO!

Apraz-me cantar uma musiquinha infantil:

Humpty Dumpty sat on the wall;
Humpty Dumpty had a great fall;

Bem… Foi cá uma destas cacetadas! E devem ter usado uma grande moca de Rio Maior! É que eu já esperava que perdessem, mas nunca esperei é que perdessem tanto!

All the King’s horses;
And all the King’s men;
Couldn’t put Humpty together again.

Ora aí têm o resultado da vossa incompetência meus caros senhores. Os resultados que obtiveram são a manifestação do descontentamento dos portugueses (aqueles a quem andaram a chamar estúpidos durante o vosso breve mandato).

Eu não queria dizer ‘I told you so’, até porque – muito honestamente – não sou ninguém importante que valha a pena ser tido em conta, mas a verdade é que foram avisados. Os sinais estavam por todo o lado e os senhores fecharam os olhos porque não os queriam ver.

Mais, não contentes com a asneirada que andaram a fazer durante 3 anos, ainda vieram dar mais um ar da sua estupidez natural pela boca da Ministra da Educação nas suas declarações de ontem à noite. Aquilo foi apenas um pequeno exemplo de parte das razões que vos levaram á derrota. A outra parte diz respeito à maneira desastrosa como foi conduzida a campanha eleitoral do PSD (não quer dizer que não tivessem perdido na mesma, apenas quer dizer que poderiam ter perdido menos).

A responsabilidade da direita ter sido derrotada da forma como o foi, é única e exclusivamente dos dois partidos que constituíam a coligação. Não venham agora dizer que a culpa foi do PR porque convocou eleições antecipadas, ou das grandes figuras do PSD que não apoiaram o PSL, porque a partir do momento em que o Durão Barroso fugiu para Bruxelas deviam ter-se preparado para agir num cenário de eleições antecipadas. Estes senhores sabiam que poderiam estar a prazo. Sabiam que o PR poderia aproveitar a primeira argolada que metessem, para fazer aquilo que não fizera anteriormente e mesmo assim, continuaram leves e frescos. Por isso eu não posso dizer outra coisa senão: A derrota caiu-vos muito bem.

Não fiquei comovido com o discurso do ‘tio’ Portas. Penso que foi uma bela encenação dramática ao estilo ‘la Féria’, teve muito de emoção e extraordinariamente pouco razoabilidade, excepto no caso do senhor estar a considerar candidatar-se novamente à liderança do partido. No entanto, convém recordar às jovens criaturinhas do PP que, há antigas querelas que não morrem nem se esquecem e como diriam os ‘amaricanos’ «What goes around, comes around.», principalmente na política embora a tendência seja a de alargamento a outras áreas.

No que respeita ao PSD (para o qual ontem deve ter sido a noite das facas longas), têm agora 4 anos para se recuperarem. Isto é, têm 4 anos para se livrarem da corja de incompetentes (parte deles oriundos do departamento de Relações Internacionais da Universidade Lusíada que, por mero acaso nunca fizeram mais nada na “P” da vida do que dar aulinhas e que por acaso – também – costumam ter o cérebro directamente ligado ao intestino grosso), e laranjinhas espanholas que, a única coisa que têm é uma casquita grossa e reluzente mas que na realidade não prestam para nada, inundaram o partido.

Depois de resolverem o problema interno da liderança (que espero não demore muito tempo visto que há muita coisa para fazer e o tempo também não é assim tanto), têm também 4 anos para estabelecer e executar uma estratégia inteligente e eficaz, para recuperar TUDO o que perderam ontem (e sem coligações). Para isto não se podem colocar na posição de coitadinhos (até porque neste momento nem sequer têm credibilidade para isso), nem podem perder tempo com guerrinhas intestinas e imbecis que não servem para nada.

Tal como já disse anteriormente, eu sou um mero técnico, anónimo e de pouco interesse para a estrutura do PSD. Custa-me ver o que fizeram ao partido mas considero-o como um mal necessário. Ao contrário do amigo Crack, não acredito que tivesse sido melhor votar no PSL e afastá-lo diplomaticamente. Isso seria criar mais uma situação que nunca ficaria resolvida e que poderia dar muito mau resultado a médio e longo prazo porque os portugueses adoram vingancinhas. Penso que é preferível que as coisas fiquem bastante claras ( mesmo assim, ainda não há garantias de que seja possível correr com ele), e sem qualquer hipótese de retorno.

quarta-feira, fevereiro 16, 2005

O GRANDE DEBATE

Adoro estas cenas porque o pessoal pode inventar ‘bué’! Assim sendo vamos inventar ao sabor da nossa imaginação e criatividade.

Ontem, como não podia deixar de ser, estive a ver o debate...

Quer dizer, a ver mesmo a ver do principio ao fim, de uma ponta à outra não vi porque, entretanto o horário do debate coincidia com as séries, “The Agency” e “C.S.I”, no canal AXN e isto uma pessoa tem as suas prioridades. Entre as séries e o debate, quer dizer nem é preciso pensar muito no que é que se escolhe. É a mesma coisa que ter de escolher entre comer papas de aveia e um belo de um bifão, sendo que já todos sabemos quem são as papas de aveia.

Bom, mas adiante. Vi partes do debate – no intervalo das séries mudava para a RTP 1 para ver como estavam as coisas – e cheguei à conclusão que eu devia era votar no Jerónimo de Sousa. Porquê? Por vários motivos:

1º Porque o PSL parecia o Tico;

2º Porque o Sócrates parecia o Teco;

3º Porque o «tio» Paulo não devia ter defendido a coligação;

4º Porque o Francisco Louçã é do BE e não precisa de mais nenhuma justificação.

Por exclusão de partes, a única pessoa normal é o Jerónimo de Sousa que teve a sorte de ficar afónico ( e devia ter ficado surdo também, que era para não ouvir nem ficar contagiado pelas asneiradas dos outros), e de não poder participar no debate. O único handicap que este senhor tem, é ser do Partido Comunista. Isto é que é um azar do caraças, porque só por causa deste detalhe eu não posso votar nele!! Está mal!

E porque este senhor é do PCP, eu volto ao meu problema inicial. Não sei em quem votar, porque é assim:

- Votar no PSD, está fora de questão enquanto PSL’s, Sarmentos e corjas afins estiverem no partido. Não posso aceitar que os maiores responsáveis pela crise económica em que o país se encontra, passem o tempo a acusar o executivo anterior por asneiras que foram eles que cometeram e não conseguiram resolver.

- Votar no PS, é como dar um tiro na cabeça. É impossível de aceitar que aqueles que foram os responsáveis pela crise financeira em que deixaram o país, se voltem a sentar na cadeira do poder. Para quê? Para fazerem mais estudos? Isto é assim, não é preciso estudar mais nada, é preciso é que façam alguma coisa. Estudos já há com fartura.

- Votar no PP, é como assinar um cheque em branco. Não se sabe para que lado é que a coisa vai cair. Arriscar uma nova coligação é como estar a dar um voto de confiança ao PSD e isso nem pensar. É verdade que, na minha perspectiva, votar no PP seria a coisa mais inteligente a fazer desde que, não houvesse o risco de se coligarem com o PSD. Havendo este risco, não só aumenta as possibilidades do PSD regressar ao governo, como aumenta as possibilidades de não se conseguir correr com o PSL da liderança do partido.

- Votar no BE, não é uma opção.

- Votar no PCP, também não é uma opção.

Resumindo, estamos todos lixados com um ‘F’ grande... que tristeza.

terça-feira, fevereiro 15, 2005

Por um Sistema Educativo ao Serviço dos Portugueses – Fórum para a Liberdade da Educação

Hoje recebi esta carta aberta do Fórum para a Liberdade da Educação e como se trata de uma carta aberta (tal como o nome indica), resolvi publicá-la no meu blog (sim, porque este blog é meu e não o dou a ninguém), com uns comentários adicionais.

No entanto, devo alertar os meus estimados leitores que, estes moços – ainda que não sejam nenhuns tontinhos – andam de mãos dadas com os moços da Causa Liberal (contra os quais não tenho absolutamente nada, excepto o facto de que quando se é independente, é-se independente e não se vive à pala do O.E, porque se é para se viver à pala do O.E então eu também sou super-liberal).

Começa assim a carta:

«Todos conhecemos as enormes deficiências que desde longa data caracterizam o nosso sistema de ensino, por mais investimentos e esforços que sucessivos Governos, de diferentes orientações políticas, realizem. Os sintomas mais evidentes da doença crónica de que padece são a altíssima taxa de abandono e o elevado nível de insucesso escolar, com pouco mais de metade da população estudantil a completar o ensino secundário

- Pois é verdade. Infelizmente os números não mentem. As taxas de insucesso e de abandono escolar são catastróficas e não se resolvem nem com mais injecções de financiamento, nem com o passar de ano as criancinhas que são burras que nem portas. É de facto chato ouvir chamar as criancinhas de burras e estúpidas como penedos, a maior parte dos pais prefere depositar toda a responsabilidade na qualidade dos professores e escudar-se na ideia de que se os seus rebentos não aprendem é porque o professor não presta. É também verdade, mas os professores estão longe de ser os únicos responsáveis pela catástrofe. Desde pequenino que sempre ouvi dizer que a Educação começa em casa, logo está identificado o primeiro foco de conflito. Eu não sei se já ouviram dizer, mas no Reino Unido os pais das criancinhas vão passar a ser responsabilizados criminalmente pelo mau comportamento dos seus pequenos hooligans.

«Todos sabemos que o futuro de Portugal exige uma profunda mudança no nosso sistema de ensino. A mudança que se exige é colocar o sistema de ensino totalmente ao serviço dos seus destinatários, i.e. dos alunos. Isso significa tornar a liberdade de educação no primeiro e mais importante princípio organizativo do sistema. Só assim poderemos ter um sistema educativo livre e responsável, onde os alunos possam exercer o seu direito de opção e os professores oferecer projectos educativos em que acreditem e que simultaneamente satisfaçam os requisitos de uma educação de qualidade. Só assim poderemos garantir a igualdade de oportunidades a todos os portugueses no exercício do direito à educação

- Como diriam os americanos: “I’m not followin’ it”... Concordo que o sistema de ensino deva ser colocado ao serviço dos seus destinatários, mas igualdade de oportunidades pela diferença não estou a ver como funciona, a não ser que apenas se estejam a referir ao facto de todos terem igual oportunidade de poder escolher o projecto que consideram ser o melhor para os seus ‘chuchuzinhos’. No entanto, não é isso que está escrito no parágrafo acima referido.

«Nesta conformidade, o Fórum para a Liberdade de Educação vem apelar aos candidatos a deputados dos partidos para quem a liberdade de escolha é condição da dignidade humana, para clarificarem o seu pensamento acerca das seguintes prioridades de acção:

1.Cumprir os preceitos constitucionais que reconhecem aos cidadãos (e às famílias, no caso dos menores) o direito e o dever de livremente escolher o estabelecimento de ensino que preferem, incluindo entre escolas estatais — i.e. o fim do zonamento das escolas, sem prejuízo da manutenção da prioridade aos alunos que vivam na vizinhança e aos irmãos


- Não discordo, por vários motivos sendo que, logo à cabeça, sou um grande defensor da Liberdade de escolha e este é um principio que aplico quer se trate do tema da educação, quer se trate do tema do aborto ou quer se trate do tema da eutanásia (por este motivo também é que eu detesto os tipos do telemarketing que, tentam condicionar à força a escolha das pessoas. Cada vez que me aparece um pela frente só me apetece dar-lhe pontapés na cabeça).

«2. Assegurar a todos os cidadãos os necessários meios para poderem optar livremente entre qualquer escola. »

- É assim, se este segundo ponto não desse tanto pano para mangas eu até poderia dizer, de caras, que concordo. Só que como se verá nos pontos a seguir, este segundo tópico de inocente tem muito pouco, logo em primeiro lugar porque não explicam o que entendem por “necessários meios” e se partirmos do princípio que aquilo que um considera como um meio necessário, não é o que outro considera como um meio necessário, já temos aqui um belo caldinho montado.

«3. Separar as funções do Estado de garante da liberdade de educação a todos os cidadãos — através da regulação, avaliação, inspecção, acreditação e financiamento dos cidadãos sem recursos económicos, de acordo com o princípio da subsidiariedade — das funções de gestão do Estado enquanto “dono” das escolas estatais

- Eu não disse!... Isto é tudo muito giro e até falam do principio da subsidariedade (o que é muito bonito e consta dos Tratados da U.E), mas vamos lá a ver uma coisa ou há liberdade de escolha efectiva ou há uma hipocrisia mascarada de Liberdade de escolha. Porque é que não são um pouco mais claros e distinguem claramente a esfera pública, da esfera privada? É que se por um lado defendem que os estabelecimentos de ensino devem ser livres de criar e seguir os seus projectos educativos (principio com o qual eu concordo), então depois não venham pedir ‘batatinhas’ e também não é, criar escolinhas privadas com os excedentes das escolas públicas para sacar mais uns ‘tustos’ ao Estado, porque há uma série de estabelecimentos de ensino que – se dizem privados e - vivem única e exclusivamente disto. Isto é a mesma coisa que, a Ilha da Madeira querer ser independente e depois querer também continuar a receber fundos de Portugal Continental. Assim qualquer um consegue encher-se de ar quente e dizer aos sete ventos que é independente. O Estado não tem que sustentar estabelecimentos de ensino privados, principalmente porque já tem muito trabalho em sustentar os públicos.

« 4. Fortalecer a gestão nas escolas do Estado, com plena autonomia administrativa, financeira e pedagógica e correspondente responsabilização, acompanhada da estabilização do corpo docente e de avaliações externas exaustivas do serviço prestado e de uma forte exigência na prestação de contas

- Por acaso concordo com este ponto apesar de ter algumas dúvidas quanto ao que é que querem dizer com “plena autonomia”. Se a “plena autonomia” significa “plena autonomia” no âmbito dos objectivos estratégicos estabelecidos pela política de educação, então concordo.

«5. Desenvolver programas experimentais de concessão da gestão de escolas do Estado

- Mas é que nem pensem nisso! Já chega de experiências com a educação. É que cada vez que vem um imbecil com uma ideia nova, é uma geração que fica hipotecada. Querem programas experimentais? Vão ao Totta e abram uma escolinha privada e com o vosso dinheiro onde possam fazer todas as experiências que quiserem. Agora com o meu dinheiro e com o dinheiro do resto dos contribuintes não há cá joguinhos do tipo “Vamos brincar à Escolas”.

« 6. Todo e qualquer aumento por iniciativa do Estado da rede de serviço público de educação ser obrigatoriamente feito em regime de concessão por concurso público, à semelhança do que tem vindo a ser feito com sucesso em diversos países europeus e não-europeus»

- E que tal o rabiosque lavado com água de rosas? Gostava de saber quais são os “diversos países europeus”, porque dos Sistemas Educativos que conheço (e que ainda são alguns e que estão disponíveis no EURYDICE), não vem lá nenhuma referência a isso e mesmo que viesse, não deixava de ser uma ideia imbecil. O que é público é público, o que é privado é privado e as concessões só servem para gerir bares nas praias e portagens nas auto-estradas, porque se me vierem falar na porcaria que os hospitais de gestão privada estão a fazer eu mando-vos pastar e é porque estou bem disposto.

« 7. Flexibilizar os currículos, com redução da componente obrigatória aos conhecimentos e competências verdadeiramente essenciais, de forma a permitir que as escolas desenvolvam currículos próprios adaptados às necessidades de cada aluno e sejam responsabilizadas pelo respectivo percurso escolar

- Flexível sim, mas a flexibilização tem limites.

«8. Alterar os parâmetros de financiamento das escolas, introduzindo como aspectos centrais o número de alunos e respectiva caracterização sócio-cultural, os níveis de abandono escolar e o grau de sucesso educativo atingido.»

- Não discordo. No entanto, não me parece que os níveis de abandono escolar e grau de sucesso educativo sejam necessários, por uma razão muito simples: se houver abandono escolar, há menos alunos, se há menos alunos, há menos dinheiro. Fácil e não tem muita ciência. E é a mesma coisa com o grau de sucesso educativo.

«9. Integrar plenamente as escolas profissionais na rede de serviço público de educação, garantindo o seu financiamento nos mesmos termos que as restantes

- Então porquê? Já se lhes acabou o dinheiro dos fundos europeus, foi? Já não há dinheiro para comprar mais jipes? Estão com a cordita na garganta é? É chato... Mas é assim, não fiquem aborrecidos, com a corda na garganta está a maioria da população portuguesa. Sejam solidários, ou então promovam uma iniciativa para angariação de fundos.

«10. Aprovar uma nova Lei de Bases da Educação que defina apenas os princípios fundamentais do sistema educativo português e deixe a concretização destes para posterior regulamentação, de acordo com o espaço de liberdade de decisão que caracteriza as verdadeiras democracias

- Havia de ser lindo! O pessoal já não se consegue orientar com as coisas todas escritas e à frente do nariz, que faria se só tivessem os princípios fundamentais! É assim, a ideia do precedente é gira e funciona bem nos países anglo-saxónicos. Nós não somos anglo-saxónicos, aquilo que funciona bem nos outros, pode não funcionar assim tão bem quando aplicado à realidade portuguesa. Portanto, é conveniente ter dois dedinhos de testa antes de abrir a boca para dizer asneiras (algo que costumo fazer constantemente... dizer asneiras).

Quanto aquilo que caracteriza “as verdadeiras democracias”, aqui a doutrina diverge. Se considerarmos que a ‘Democracia’ é, na perspectiva de Aristóteles, é consequência da degeneração de um regime perfeito, não sei se terá assim tanto interesse defender a ideia de “verdadeiras democracias”.

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

RESUMO DA ACTIVIDADE POLÍTICA DA SEMANA

Segunda-feira: Vi o tempo de antena na televisão. Chorei de tanto rir e confirmei que estamos todos mesmo tramados.

O partido Humanista, não se sabe muito bem o que é que é mas ao menos dizem que não são políticos (o que aliás se nota muito bem, não havendo necessidade de tal afirmação). Ideias, ideias... enfim, continuem a mandar postais.

O partido nacional renovador, eu sei o que é que é (são os amigos de Olivença em formato undercover), mas duvido que mais alguém saiba. São uns épicos, adeptos do Portugal tradicional do século XVIII conservado a bolas de naftalina. É até uma perspectiva romântica não fora o facto de estarem um pouco desactualizados. Se para começar, se inscrevessem numa pós-graduação de Ciência Política até poderiam conseguir alguma expressividade no futuro.

O Partido na Nova Democracia; Ai o tio Manuel Monteiro!.... Perdeu-se o homem. Defendem umas ideias curiosas, das quais eu jamais esquecerei a moça que perguntava aos eleitores: “Numa altura em que se discute o aborto, quem é que defende os direitos das mulheres que querem dedicar a sua vida a ter filhos?”. E eu dei comigo a pensar... Esta «gaija» deve estar a brincar certamente! A vir para a classe média com esta conversa, deve achar que o pessoal ganha ‘muita’ bem para andar p’rá aí a largar rebentos a torto e a direito. Para além disso, no entretanto as mulheres emanciparam-se e as suas prioridades mudaram, ainda que continue a haver pressão social por parte do núcleo familiar para que a mulher assuma o seu papel tradicional. E é por causa destas e outras que, continua a existir discriminação entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Uma coisa é incentivar a constituição de famílias, outra coisa é aparecer uma tipa na televisão a manifestar uma ideia absurda daquelas.

A CDU; o 25 do A já foi há tanto tempo e eles continuam a funcionar na mesma frequência. Há coisas que nunca mudam... isto é, assim mudar mudar, não mudam, mas quando se assiste a um Partido Comunista a apelar aos católicos não deixa de ser interessante (lá se vai a ideia de que a religião é o opium do povo), o tio Marx deve andar ás voltas na tumba... Se bem que ele já deve andar com azia desde a revolução bolchevique, coitado...

O BE; Têm uns spots fabulosos. Mas depois abrem a boca e estragam tudo. Paciência, ninguém é perfeito.

O PS; Têm uns bons assessores de imagem e de marketing político, mas o barco tem uns valentes rombos no casco. São um bocado como o Titanic, são todos muito giros e muito frescos, mas quando começam a meter água já só acabam quando afundarem completamente. Dizem que não mandam mais homens para o Iraque, pois não... O nosso compromisso nessa área já terminou, porque é que haveriam de mandar mais homens? Para além disso, estes senhores são uns mestres na arte da fuga (sim, apesar de não haver alternativa na escolha, o pessoal não tem a memória curta), e devem ter dado formação profissional a alguns elementos do PSD. Um programa de intercâmbios, talvez.

O PSD; é um partido que foi tomado de assalto por um bandinho de gente mal-amada e frustrada. Eles bem querem passar a ideia de que são competentes, mas competentes são aqueles que desempenham o seu trabalho com um profissionalismo irrepreensível. Têm um sentido e uma postura de Estado e as suas fotografias não aparecem escarrapachadas na primeira página dos cadernos do ‘New York Times’ da semana passada, com o título de “Como chegaram a isto”. Competentes, são aqueles que aceitam os erros cometidos e cuidam para que não voltem a comete-los. Não se vitimam constantemente, nem choram sobre o leite derramado porque isso não resolve porcaria nenhuma. Por isso, quando optam por uma música de campanha que apela ao sentimento do coitadinho e da auto-comiseração na onda do «eu também sou muito frágil, pobre de mim», eu só digo uma coisa: “Ide pastar!”. Se não aguentam o tranco, não se metam nele, ou como diriam os nossos amigos ‘amaricanos’; «If you can’t stand the heat, stay out of the kitchen».

Mais, os portugueses olham para o Estado como este se tratasse de uma figura paternal. Um pai é, por norma, a figura masculina que representa a autoridade e o respeito, e um pai que não se dá ao respeito, nunca ou muito dificilmente ganha o respeito dos seus filhos (para além de que a história da autoridade é a primeira a ir com os porcos). Um pai que não protege os seus filhos, também não serve para nada, porque se os seus filhos têm de se dotar de mecanismos de defesa próprios então, não há necessidade de haver um pai. O que acontece nestes casos, é que depois quando o pai precisa dos seus filhos o mais certo é que irá acabar, a definhar, num lar escolhido pelos seus meninos. Daí que a lei de Murphy advirta os leitores para a máxima: «Cuidado com a forma como trata os seus filhos, pois serão eles a escolher o seu lar».

O CDS/PP; têm uma estratégia eleitoral bastante inteligente. Têm uma boa postura de Estado e têm a grande vantagem de não terem sido os responsáveis pela queda do governo. Na primeira fase tiveram azar com a ministra da Justiça (aqui meteram água), e na segunda fase tiveram azar com o ministro das finanças (lamento mas não consigo engolir a doutrina social da igreja mas nem á lei da bala), apesar de continuar a achar que o senhor tentou controlar as coisas da melhor forma possível. No que respeita à política de defesa, em termos gerais não tenho nada a apontar. Na minha óptica tio Portas fez um bom trabalho, houve alguns deslizes – tudo bem – mas não foram assim tão graves.

É claro que há (e haverão), sempre aquelas criaturas que acham que o dinheiro que se gasta em Defesa é sempre mal gasto porque o país tem outras prioridades. A estas a única coisa que lhes posso dizer é: “Leiam Aristóteles”, não há nada melhor do que começar pelos clássicos e depois de reflectirem um pouco sobre a temática, poderão sempre passar para obras mais avançadas e um pouco mais complexas. Existem duas áreas sobre as quais as pessoas comuns se devem abster de falar quando não sabem; a primeira é a Defesa, a segunda são as Relações Externas. Em ambas se defende algo que está muito acima das paixões que movem o comum mortal na sua vida do dia a dia.

Para concluir, há no entanto uma coisa comum a todos eles. Ninguém discute os verdadeiros problemas do país. E eu continuo sem saber em quem votar... Lindo.

segunda-feira, fevereiro 07, 2005

O PORTUGAL MISTERIOSO

Portugal é um país de mistérios, esta é uma característica que nos persegue desde a nossa fundação e não há como escapar a ela. Nós bem tentamos dar a volta e disfarçar coisa, mas não há meio... Dizem as más línguas que o maior mistério de Portugal é o de não saber como é que isto ainda não estoirou tudo e digo-vos que, tentativas para estoirar com o nosso país é coisa que não falta.

Portugal é uma antítese de tudo aquilo que é normal. Por um lado, existe a noção de liberdade (que anda sempre na boca de toda a gente), por outro não existe a noção de responsabilidade (seja ela individual ou institucional). Ou seja todos somos livres, mas ninguém é responsável. Assim quando partimos desta premissa, tudo se torna absolutamente possível seja em que esfera for.

Por exemplo, uma coisa simples. No jornal Expresso desta semana vinha uma notícia com a qual eu quase que chorei a rir. A notícia era sobre um aluno da (ou de uma), Universidade do Porto que foi expulso de uma universidade Finlandesa por ter copiado num exame e para além disso, como ele era um estudante Erasmus, o protocolo de intercâmbio com a universidade portuguesa foi suspendido pela universidade finlandesa.

Aposto que a maior parte de vocês acham que isto é um exagero. Coitado do rapaz, não fez nada de mal. Toda a gente faz isso. Mas é assim... toda a gente faz isso, aqui. Porque a ideia que aqui prevalece é que nós não vamos para a universidade para estudar. Nós vamos para a universidade para tirar um curso, não interessa qual, nem se gostamos, nem se temos apetência para, interessa tirar o curso porque ouvimos alguém dizer que esta era a nossa ferramenta de trabalho. Porque ouvimos alguém dizer que ser Dr. é porreiro para arranjar um emprego onde se ganha bem. Porque ouvimos alguém dizer que é uma questão de condição social. Ou seja, é uma questão de status. Quer dizer, podemos não saber nada do que é que andámos a fazer durante 4 anos da nossa vida (exceptuando a parte das borgas), podemos ser desempregados e não ter onde cair mortos, podemos ser burros que nem uma porta, mas somos Dr’s. E para alcançar este objectivo, não interessa o que é que nós sabemos. Interessa sim, se passamos a todas as cadeiras no final do ano e se para isso tivermos de copiar. Paciência. Não é um crime e se formos apanhados o máximo que pode acontecer é ficarmos com o teste anulado. É de facto um aborrecimento muito grande, até porque normalmente estraga as férias de verão a um tipo.

E de quem é a responsabilidade? Mistério...

Não é por acaso que os finlandeses são os melhores do mundo a nível da educação. O estudante português foi expulso e foi muito bem expulso.

Dir-me-ão, mas foi só um caso. Não se pode generalizar. Pois foi. Foi só um caso. Mas um caso destes mais depressa destroi a nossa imagem junto dos outros, do que dez bons exemplos contribuem para uma boa imagem junto dos outros. É só essa a diferença.

Já leram alguma coisa sobre o perfil do empresário português? Se tiverem oportunidade leiam. Mas leiam de dia, ou então se for à noite leiam com as luzes todas acesas. É que aquilo é um verdadeiro filme de terror. Como é que eles sobrevivem? Mais um mistério...

Infelizmente, ainda não vi nada desse género escrito sobre o perfil dos políticos portugueses mas, deve andar muito na onda do dos empresários (empresários... quer dizer, patrões ou assim, porque aquilo lá não são empresários mas nem que vistam um fato Armani. Aliás, como eu tanto gosto de dizer: A monkey in an Armani suit, is still a monkey). No caso dos políticos é a mesma coisa, por isso é que hoje é dia 7 de Fevereiro e eu continuo sem saber em quem é que vou votar. É que votar à esquerda (ou naqueles que se identificam enquanto tal), é impensável. Não me considero uma pessoa de esquerda. Votar à direita (ou naqueles que quando dá jeito se identificam como tal, exceptuando o PP), está completamente fora de questão embora me considere uma pessoa de direita.

No entanto, confesso que já ponderei a hipótese de votar no CDS/PP. Contudo, existem aqui alguns aspectos negativos que, para mim são difíceis de ultrapassar sendo que o pior deles todos é a doutrina social da igreja agarrada à economia e ás finanças públicas. É assim que os pobrezinhos sejam pobrezinhos, enfim, toda a gente tem os seus problemas. Agora perder os meus benefícios, para aumentar os benefícios dos pobrezinhos, vão mas é pastar!! Vão nivelar pela pobreza lá para casa deles. Se quiserem fazer caridade, façam... adoptem um ou dois, levem lá casa deles e sustentem-nos. Não façam é caridade à pala dos outros. E este é um dos principais motivos pelo qual eu não voto no PP. Porque de resto, mesmo em termos de governo souberam gerir a sua participação muito bem.

É... mais um mistério, tentar descobrir em que partido vou votar.

Mas que dia mais estúpido para se estar a trabalhar!

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

AFINAL AINDA HÁ COISAS BOAS NESTE PAÍS

Pois é, hoje decidi que não ia destilar veneno (não muito pelo menos). Antes pelo contrário, prefiro referir uma coisa boa que vi ontem na SIC Noticias.

Ora então, ontem quando cheguei a casa liguei a televisão e fui pôr-me a ver o jornal de negócios que costuma dar no canal em questão. Assim quando liguei estavam a passar uma pequena reportagem, de um senhor que era o dono de uma fábrica têxtil (não sei aonde porque essa parte não cheguei a apanhar), e que não estava nada preocupado com a concorrência asiática.

A sua fábrica tinha 38 trabalhadores e contrariamente ao que acontece noutros locais (em que os donos chiam porque não têm dinheiro e querem a intervenção do governo, os empregados chiam porque estão à beira do desemprego e querem a intervenção do governo, os sindicatos chiam porque tomam as dores do empregados e querem a intervenção do governo, ou seja toda a gente chia), este senhor resolveu fazer outra coisa. Antevendo que a sua vida (e a dos outros), ía ficar mais complicada se não arranjasse novos clientes, fez as suas malitas, agarrou na sua mulher e toca de ir para os Estados Unidos à procura de quem lhe comprasse aquilo que vendia.

E então o que é que ele vendia? Toalhas de praia com o símbolo da Playboy. O homenzito, tomou a iniciativa de fazer uma toalha de praia – de boa qualidade – com as cores e o símbolo da Playboy e depois resolveu ir bater à porta da capelinha do senhor Hugh Hefner para perguntar se ele estava interessado no negócio.

Moral da história: A sua pequena empresa de 38 pessoas, produz agora toalhas de Praia para a Playboy.

Mas a coisa não ficou por aí. Porque para além disso, agora produzem também artigos para bébé, da Disney.

Quando confrontado com a pergunta de se temia ou não a concorrência dos Asiáticos, aquele homem (com um ar de uma simplicidade incrível), respondeu que não porque acreditava que o seu trabalho era de boa qualidade e que era nos produtos de qualidade que se devia apostar uma vez que, essa era a melhor ‘arma’ que os europeus tinham.

Este homem não precisou de uma licenciatura para chegar a esta conclusão. Este homem não precisou do governo para assegurar a sobrevivência da sua fábrica, da sua família e dos seus empregados.

É claro que acredito que haja outros bons exemplos espalhados pelo país, mas este teve a sorte de ir parar à televisão. Se calhar deviam ir à procura de mais exemplos como este para mostrar às pessoas, quanto mais não seja para lhes dizer que é possível ter esperança. Ao invés de estarem sempre a mostrar desgraças, se começassem a injectar um pouco de optimismo talvez os portugueses não andassem sempre com aquele seu ar macambúzio... É claro que este ‘macambuzismo nacional’ é bom para o negócio das farmácias que, vendem mais anti-depressivos e têm um lobby brutal, mas nem sempre se pode agradar a gregos e troianos.

Enfim....

Já viram, hoje não falei mal de ninguém. Bom, não se habituem que isto é uma vez sem exemplo.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

FALTA DE MULHER!!

É o que eu acho. Acho que aos três estarolas – protagonistas principais da Campanha eleitoral – falta-lhes uma mulher em casa e não estou cá a falar da figurinha maternal.

Eu não sei se já repararam mas tanto o PSL, como o Sócrates, como o Paulo Portas são uns jovens solteirões inconsequentes. Não desfazendo nas orientações pessoais de cada um que, para além do mais, não são para aqui chamadas, a verdade é que qualquer um destes tipos reflecte a sociedade descaracterizada e sem valores em que nós vivemos. Aquele modelo, de família tradicional que os povos do sul tanto prezam, não está presente nas figuras destes três fantásticos candidatos. Dir-me-ão vocês, ninguém é perfeito. Pois não, estes são mais do género “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.

No fundo, penso que era esta a ideia que o Francisco Louçã queria passar quando se saiu com aquela barbaridade a propósito do Paulo Portas não ter filhos e logo não ter legitimidade para poder falar sobre o aborto ou a ausência dele. Infelizmente o tiro ter-lhe-á saído pela colatra.

Este é também o motivo pelo qual se estão a dar as presentes escaramuças entre PSD e PS que, combinado com alguma falta de chá de lado a lado só pode descambar na vergonha que se vê. Se um pode ser acusado de ter orientações diferentes das tradicionais, o outro peca pelo mesmo motivo e assim sendo de uma maneira ou de outra, os dois seguem opções diferentes daquelas que o comum mortal considera como socialmente normal e aceitável.

Será que é este o tipo de confronto pelo qual pretendem entrar? É que se for avisem com alguma antecedência que, é para o pessoal fazer de conta que está a assistir a uma telenovela mexicana... Isto para não dizer que, apenas estão a reforçar a ideia de que para além de nos entreterem com as novelas, não servem para absolutamente mais nada. E o pior no meio disto tudo é que nós não precisamos que nos reforcem esta ideia. Já percebemos isto há algum tempo ok?

Enfim, vou trabalhar para não ter de pensar como seria bom emigrar para a antárctica e viver no meio dos pinguins.