
"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
quarta-feira, setembro 28, 2005
OS MANDAMENTOS DO ABADE DE TRAVANCA

terça-feira, setembro 27, 2005
A BATALHA DO BUÇACO - em reconstituição histórica


As fotografias mostram as comemorações que decorreram hoje no Buçaco (não sei porquê, não estava lá o representante francês).
A primeira fotografia mostra os soldados de infataria de linha do 16º Regimento.
A segunda fotografia mostra um fusileiro do 6º Regimento de Caçadores a fazer uma demonstração aos alunos de uma escola ( a minha fonte não se recorda de qual era a escola).
Para os interessados nestas andanças ficam o website da Associação Napoleónica Portuguesa.
http://www.a-napoleonica.org
segunda-feira, setembro 26, 2005
O "NÚCLIO" DURO

Desta afirmação podemos verificar uma série de coisas quer quanto ao "Núclio", quer quanto ao duro. Senão, vejamos:
1º Podemos estar perante um erro ortográfico. Na realidade eu poderia quer dizer Núcleo e não "Núclio". Núcleo no sentido - definido no dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora - ponto essencial; sede principal; grupo.
2º Podemos estar perante uma palavra inventada (se o Mia Couto pode inventar palavras eu também posso), que significa o Nú de Clio, a musa da História, mas aí já estávamos a atirar um bocado para o soft core (que nem de propósito core=núcleo - "núclio").
3º Quanto ao duro, podemos estar perante a ideia de consistência de determinado material.
4º Podemos estar perante um sentido figurado que diz respeito a condições agrestes. Etc.
Assim, uma simples afirmação que - à partida - não suscita qualquer dúvida, pode transformar-se num bicho de sete cabeças com uma vastidão de significados.
É um bocado como a confusão que se pode gerar em torno das palavras "Multidisciplinar" e "Pluridisciplinar" que, na maior parte das vezes, as pessoas usam como se traduzissem o mesmo significado. No entanto, são palavras com significados diferentes.
Multidisciplinar é a mesma coisa que estarmos a falar de um "multifunções". Imaginem que querem comprar uma impressora e que depois acabam por trazer mais um scanner, mais um fax, mais uma copiadora e (se o vendedor for bom) ainda trazem um telefone para fazerem chamadas via internet, tudo isto integrado num único equipamento. Com a multidisciplinaridade é a mesma coisa. Uma única pessoa é capaz de fazer várias gracinhas ao mesmo tempo.
A Pluridisciplinaridade, já é outra coisa completamente diferente. Imaginem um grupo de pessoas, todas elas com funções e backgrounds diferentes a trabalharem para alcançar um objectivo comum, tipo laboratório do C.S.I. Todos têm funções diferentes e cada um faz o que tem de fazer contribuindo para a resolução dos diferentes casos.
Conclusão, quando ouvirem falar em equipas "muldisciplinares" perguntem se é algum tipo de equipamento novo. Quando ouvirem falar em "Núclio" Duro, para além de todos os significados possíveis, lembrem-se que tudo o que é duro, mais cedo ou mais tarde, parte-se.
domingo, setembro 25, 2005
MUDAR LISBOA
Ok, o candidato do PS, Manuel Maria Carrilho, propõe-se a mudar Lisboa. Contudo, ainda não sabemos muito bem o que é que ele quer mudar uma vez que ainda não há programa. Não há, mas vai haver brevemente – o que é sempre útil e dá jeito antes das eleições – para que não haja prognósticos só no fim do jogo.
quinta-feira, setembro 22, 2005
Encontro de Educação e Formação de Adultos
Podem encontrar mais informação no website http://www.encontro-efa.com.pt
O DIA EUROPEU SEM CARROS
quarta-feira, setembro 21, 2005
OS IRMÃOS METRALHA CANDIDATOS A CÂMARAS MUNICIPAIS
Pois é, não pude deixar de reparar no regresso triunfal da Dra. Fátima Felgueiras.
É verdade... Só posso concluir que os irmãos Metralha estão todos a candidatarem-se às Câmaras Municipais pelo país fora. É em Oeiras, é em Amarante, é em Gondomar, é em Felgueiras, isto é lindo é o que é! Mas o mais grave, não é o candidatarem-se. É o ganharem, porque todos eles estão em excelentes posições para ganharem nos seus municípios.
Bom, mas olhando para as coisas pelo lado positivo (o que desde já é bastante difícil), ainda assim dos quatro, talvez o Município de Oeiras , seja o menos provinciano (e com muitas reticências porque há ali zonas que enganam bem), porque todos os outros é uma verdadeira viagem à terra da fantasia (também designada por la la la land).
Realmente... os meios pequenos sofrem de um isolamento geográfico que acarreta consequências desatrosas, inclusive, ao nível das limitações intelectuais da população residente que, como se já não bastasse o facto de parecerem uns albaneses (i.e. é dificil encontrar alguém com os dentes todos, sendo que aqueles que eventualmente os tenham, serão certamente daquelas placas que se colocam nos copinhos de água, à beira da cama, à noite), ainda têm a capacidade intelectual de uma amíba. Mas também aqui há um aspecto positivo. Apesar de muitas vezes não parecer, já conseguiram ultrapassar a fase da pré-verbalização (embora não todos), e conseguem dizer uma frase de três palavras sem se babarem (o que já não é mau embora a industria dos babetes possa ter sofrido um pequeno revés. Este problema pode ser resolvido se deslocarem a fábrica de fraldas da "Lindor" para as localidades em causa).
Ai, ai... É o Portugal que temos. A política autárquica está cada vez mais jeitosa. Está, está.
terça-feira, setembro 20, 2005
AINDA A PROPÓSITO DA MINHA PROMOÇÃO
Imagino... Creio que aqui no “tasco” houve alguém que ficou com um grande GALO e com a crista muito baixinha depois do telefonema de ontem.
segunda-feira, setembro 19, 2005
CURISOSIDADES
Penso que é de conhecimento geral que o sr. Armando Vara não era licenciado até há bem pouco tempo (pelo menos quando eu andava na Universidade e ele estava na CM da Amadora, sabia que não era). Contudo, algo fenomenal aconteceu (um milagre da Nossa Senhora de Fátima certamente). 3 dias antes de tomar posse na administração da Caixa, apareceu com uma licenciatura e uma pós-graduação.
Agora digam lá que a educação em Portugal funciona mal.
sábado, setembro 17, 2005
sexta-feira, setembro 16, 2005
É VERDADE! ESQUECI-ME DO CARRILHO!
Se querem saber, não sei porque estão todos (inclusive eu), a comentar aquela cena triste. Porque se trata de uma cena verdadeiramente triste. Pois se um peca por comportamento, o outro peca por uso do vocabulário, o que no fim faz com que o comportamento de ambos seja repreensível.
Por experiência própria, sei que tanto um como o outro terão os seus motivos e, certamente, serão válidos. Mas eu não sou uma figura pública e posso extravasar as minhas emoções como bem entender (e.g. tipo aquela de querer dar com uma cadeira na cabeça meu big boss que, apesar de admitir que tem os seus encantos, continua a ser “mau”). Eles não. Aqueles dois estarolas são figuras públicas e não podem dar-se ao luxo de se comportar daquela forma.
Aqui há uns dias atrás o djustino escrevia no 4ª Republica que, o último Programa dos Prós & Contras tinha sido um ataque descabelado aos políticos, mas com cenas destas como é que esperam reabilitar a imagem negativa que essa classe tem e que piora de dia para dia?
FUI PROMOVIDO!!!
É... estou a desempenhar funções no país errado.
Bom, mas pelo menos já me fartei de rir e note-se que tenho o meu ego nos píncaros.
quarta-feira, setembro 14, 2005
A REVOLTA DOS MILITARES
Compreendo os motivos dos seus protestos, mas não posso concordar com o facto de se terem manifestado fardados. São militares e acima de tudo, os seus deveres são para com o País e para com as Instituições que representam. Não são meros funcionários públicos, porque se o querem ser, então devem abdicar das suas carreiras militares.
No que respeita à manifestação prevista para ontem e que acabou por não se concretizar, penso que a decisão (quer do Governo Civil, quer do Tribunal), foi bastante acertada.
Tal como já tive oportunidade de referir, por diversas vezes, há muitas formas de protestar e quem não tem cão, caça com gato. Por isso, também acho que foram muito imaginativos no que toca à solução encontrada para realizar o protesto. Mas há muitas outras maneiras de protestar.
Lembrem-se do que são e do que representam. Lembrem-se que a “populaça” ( de um modo geral ignorante em assuntos militares), acha que vocês gastam muito dinheiro ao Estado e que esse dinheiro, deveria ser usado para outros fins (e.g. construir hospitais, e escolas como se as que existem não estivessem a fechar por falta de alunos). Logo, se utilizarem os métodos do funcionalismo público, não vão fazer com que o resto das pessoas adiram ao vosso discurso. Muito pelo contrário, vão preocupá-los um bocadito.
Lembrem-se também que, há por aí uns deficientes mentais que acham que o dinheiro da Defesa Nacional devia ir para a “Ajuda Humanitária” (ou seja para dar de comer aos Falcões), e que por isso é que Portugal não evolui. Estas, são as mesmas pessoas que, por sofrerem de algumas limitações intelectuais, costumam “chiar” à brava, escandalizadas, quando os pescadores portugueses são agredidos no Algarve e depois ainda perguntam onde estão os barcos da Guarda Costeira ou da Polícia Marítima?
São também estas, as pessoas que ficam muito chocadas quando se passam reportagens na televisão tipo; EcoTurismo versus Ambientalistas e também perguntam, onde estão os barcos?
Estas, são também aquelas que se insurgem contra a redução da nossa zona económica exclusiva porque isso vai afectar as economias locais, mas porque o ‘tico e o teco’ já abandonaram aqueles cérebros há algum tempo, não conseguem perceber que a dimensão da zona é incompatível com os meios disponíveis para garantir a segurança da mesma.
Estão a ver, na pequena cabecita desta gente, a Defesa Nacional e consequentemente os militares, são perfeitamente dispensáveis (e eu só abordei algumas questões internas. Que faria se me pusesse para aqui a falar da Guerra do Iraque?), por isso quando protestarem, façam-no inteligentemente.
terça-feira, setembro 13, 2005
COMO SABEMOS QUE PORTUGAL ESTÁ DE PERNAS PARA O AR?
quinta-feira, setembro 08, 2005
O INDIVIDUO OU O TODO - Uma discussão à séria
O que é que é determina o sucesso de um grupo? Será o sucesso individual que contribui para o sucesso do grupo, ou por outro lado, será o grupo que determina o sucesso individual?
A perspectiva do meu amigo, é a de que o sucesso do grupo determina o sucesso do individuo. Isto é, é o Todo que determina o sucesso das Partes.
A minha perspectiva, é exactamente a contrária. É o sucesso individual que determina o sucesso do grupo. Ou seja, o sucesso das Partes é determinante para o sucesso do Todo.
Qual é a vossa perspectiva?
terça-feira, setembro 06, 2005
PRÓS & CONTRAS – ontem
É assim, posso não perceber nada de economia mas acho que ainda sei quando é que me estão a enfiar uma grandessíssima tanga. Os Profs. Vítor Martins e António Borges – duas grandes carolas da economia portuguesa – pareciam o Tico e o Teco. O primeiro acha que a solução da economia portuguesa passa pelo investimento nas grandes obras públicas (tipo TGV e OTA), o segundo acha que a solução da economia portuguesa passa pela redução das despesas públicas.
Ou seja, trocando isto por miúdos, o Dr. Vítor Martins parece aquelas famílias para quem o ideal é ultrapassar em larga escala o plafond estabelecido pelo cartão de crédito e esperando que o amanhã seja menos mau que o hoje porque mais cedo ou mais tarde alguém vai ter de pagar aquilo. O Dr. António Borges acha que o ideal é cortar nas despesas do Estado e cortar nas despesas do Estado significa, logo à partida, cortar no pessoal que por sua vez implica despedimentos. Ora, tal como o Dr. António Borges sabe, despedir pessoas que trabalham no Estado pode conduzir a duas situações: 1º lança os desempregados no fundo de desemprego; 2º faz com que pessoas mais velhas se reformem. «Portantos», isto na realidade não reduz rigorosamente despesa nenhuma, visto que se está apenas engrossar as fileiras da Segurança Social. Que eu saiba, a Segurança Social faz parte do Estado e o bolo orçamental é o mesmo.
Da mesma maneira que, quando se falou no endividamento das autarquias, não estamos a falar de uma outra coisa completamente diferente do Estado. Aqui, parece-me que o Dr. Vítor Martins meteu água ainda que salvaguardasse o seu discurso dizendo que não era a Administração Central que estava endividada. Tem razão, não é a administração Central. É a local. Mas que eu saiba continua a ser Estado e ou se olha para as coisas como um corpo único ou não. E não se olhando para as coisas como um corpo único, corre-se o risco de quando o corpo entra em colapso não se sabe qual é a parte que não está a funcionar.
No que respeita ao Prof. Medeiros Ferreira (ou vice-versa), confesso que jamais me imaginaria a concordar com alguém cujas tendências pendem mais para o lado esquerdo, contudo ele e a Dra. Helena “qualquer-coisa” foram os únicos que me pareceram razoáveis. No caso do Prof. Medeiros Ferreira (ou vice-versa), não me choca a ideia que ele defendeu de transformar Portugal num país de eventos. Concordo que é, de facto, uma saída. Inclusive também já tinha comentado isso com alguns amigos. Parecendo que não, transformar Portugal num país tipo ‘Las Vegas’ da Europa, pode ser uma ideia bastante boa. É claro que iriam aparecer para aí os moralistas todos a chiar, mas muito honestamente ninguém chia de barriga vazia.
Enfim... A verdade é que neste momento estamos «bué» lixados e sem perspectivas nenhumas de um futuro risonho.
segunda-feira, setembro 05, 2005
A MINHA VIAGEM A DUBLIN

Pois é, foi em trabalho. Não deu para ver grande coisa, tudo o que me foi possível ver foi graças à disponibilidade do meu colega irlandês que me andou a passear de carro.
A primeira constatação quando cheguei foi a de que, os rapazes conduzem ao contrário (tal como os ingleses). Como o meu colega foi-me buscar ao aeroporto, aproveitei a oportunidade para lhe perguntar porque razão conduziam ao contrário. Ele respondeu que a culpa tinha sido dos ingleses. Retorqui que isso era coisa do passado e eles como irlandeses tinham o dever e a obrigação de já ter modificado a forma de conduzir. Disse-lhe também que o coitado do Michael Collins devia andar aos tombos no túmulo por ainda não terem revisto esta história.
A segunda constatação foi a de que, era tudo muito verde. É um facto. Aquela ilha é toda muito verde. O meu colega disse-me que, realmente, devia ser um grande contraste com as cores de Portugal. E eu disse-lhe que era mesmo. As nossas cores andavam entre o castanho e o bege antes dos incêndios, e o preto e o cinza após os incêndios. Um cenário muito animador como ele devia calcular.
Nessa noite fui jantar a um restaurante no bairro de Malahite e pude constatar mais duas coisas. A primeira é que em Dublin não há prédios (no sentido de prédios altos, os que existem não terão mais de 5 andares e o resto são casas) e a segunda é que a carne que eles comem é muito, mas muito boa (até borrego comi e ora aí está uma carne que detesto). A propósito dos prédios comentei com o meu anfitrião que a comunidade portuguesa ali estabelecida ou era inexistente ou era muito pequena, ao que ele respondeu que sim, era pequenita. Retorqui que se notava para além de que, nenhum devia pertencer à classe dos construtores civis. Perguntei-lhe também porque é que não haviam prédios com mais andares. Ele respondeu que no final da década de 70 ainda tentaram aderir à moda das alturas, contudo a experiência correra mal. Os prédios que tinham construído, rapidamente, se tornaram um antro de marginais por isso acabaram por mandá-los demolir e agora não há cá dessas coisas.
Outro aspecto bastante interessante é que, aquela história de não se fumar é levada muito a sério. Ninguém fuma em estabelecimentos públicos e privados. Para os bares essa foi a pior notícia do século. Muito acabaram por falir visto que deixaram de ter clientela e os que não faliram adoptaram o modelo do cinzeiro-à-porta. Assim, quando se frequenta a zona de Temple Bar, assiste-se a uma coisa engraçadíssima. Os bares vazios e um aglomerado de pessoal à porta (ao pé do cinzeirito). Quando querem beber qualquer coisa, correm até lá dentro, bebem um cerveja e voltam cá para fora (mas sem a cerveja porque não deixam trazer os copos para a via pública). A opinião generalizada é a de que esta medida não é muito popular, principalmente, no inverno.
No que respeita aos nativos, achei que na sua maneira de ser eram iguaizinhos a nós. A excepção é que têm mais dinheiro. O ordenado mínimo deles é de 1.000,00 € e ainda assim queixam-se que o nível de vida é muito caro. Escangalhei-me a rir.
O nível de vida deles é igual ao nosso, excepto no que toca ao ordenado mínimo e se nós conseguimos sobreviver, não cheguei a perceber completamente quais eram os motivos das queixas deles (haviam de viver aqui durante 6 meses para ver o que era bom para a tosse).
Ainda no primeiro dia à noite, o meu colega irlandês comentou: “Então o que é que vos aconteceu? Vão ter um candidato presidencial de 81 anos? Não conseguiram arranjar ninguém mais novo ou estão a pagar alguma promessa que fizeram?”.
Olhei para ele com ar de poucos amigos e respondi: “Bolas que as más notícias correm depressa e não respeitam fronteiras.”
No dia seguinte lá estava eu enfiado na Conferência, no Castelo de Dublin. Correu bem. Mas se julgam que a conversa das Presidenciais tinha acabado, enganam-se. Depois do jantar e mais um colega norueguês e um francês, encetámos o nosso périplo pelos bares. Tudo corria bem até o francês se começar a queixar que estava farto dos franceses e que achava que eram estúpidos por terem votado contra o Tratado Constitucional. Virou-se para mim e disse que se calhar ia mudar-se para Portugal. Rapidamente o norueguês vira-se para ele e responde: “Não faças isso que eles vão ter um Presidente de 80 anos.” Depois vira-se para mim e diz; ”Não é?”.
Fiquei boquiaberto a olhar para ele e às tantas respondi-lhe: “FOGO! Até vocês já sabem!”
O meu colega norueguês começou a rir-se e a dizer: “Acho que já toda a gente sabe. Mas o que é que vos aconteceu? Não conseguem arranjar ninguém mais jovem que seja mais dinâmico e mais competente?”
O francês assentia com a cabeça e dizia: “Por acaso é verdade, deviam escolher alguém mais jovem que vos desse uma perspectiva mais orientada para o futuro.”
Eu só encolhia os ombros e dizia: “Mas eu não posso fazer nada! Não tenho culpa que a classe política portuguesa seja atrasada mental!”
Nessa mesma noite, durante o jantar e antes da cena do bar, já um participante da Irlanda do Norte (que eu já tinha conhecido em Maio quando organizámos um seminário cá em Portugal), tinha-me perguntado se Portugal era um bom país para se viver. Eu dissera-lhe que sim, desde que ignorássemos o governo e os políticos. No fim da conversa, ele disse-me que eu devia sair de Portugal e ir trabalhar para outro lado (já me disseram isto tantas vezes que, um dia destes começo a acreditar que têm razão e não estão a dizer estas coisas só por dizer). Se por um lado a sensação de ser reconhecido pelo meu trabalho é boa. Por outro, é também uma sensação um bocado amarga porque aqueles que deveriam reconhecer o nosso trabalho em primeira mão, não o fazem. Ficam fechaditos no seu mundinho a delirar à volta do seu umbigo.
Bom, como vou ter de acabar por aqui, posso-vos dizer – à laia de conclusão – duas coisas:
1º Toda a gente, em todo o lado, sabe que andámos por aí a arder.
2º Toda a gente, em todo lado, sabe que temos um candidato presidencial de 81 anos e só se riem.
Esta imagem que os outros têm de nós, incomodou-me muito.



