sexta-feira, abril 28, 2006

SOBRE BOICOTES

Como é de conhecimento geral, a Administração Pública anda na mais completa confusão por causa destas novas reformas (que de reforma tem apenas a designação), e aqui no burgo, apesar de nos mantermos firmes e hirtos como uma barra de ferro, também reina alguma dificuldade de apreensão de conceitos.
Como nestas coisas de nomeação política as primeiras cabeças a rolarem são sempre as da direcção, hoje foi o último dia da nossa actual e na próxima terça-feira, dia 2, uma nova virá. Ora, até aqui tudo bem e nós - indígenas - até estávamos pacíficos mesmo que a criatura designada para assumir o cargo, ainda cá não tivesse posto os «coutos» para dizer olá (porque a malta aqui curte estas cenas).
Contudo, hoje de manhã depois de uma pequena discussão ao telefone, entre a actual e a futura, sobre quem sobe e quem desce (no elevador note-se), aparece por aqui uma criaturinha empertigada, que nem sequer diz "bom dia" (o que na nossa linguagem quer dizer mal-educada e sujeita a levar uma corrida), à procura da actual.
Olhámos para ela, de alto abaixo, e dissemos "Bom dia".
Assim de um modo geral, não «curtimos nada a pinta da tipa» e achámos que hostlizar os autócnes (nós), é um mau começo. Principalmente quando não se conhece nada de um determinado assunto e se sabe que se quisermos paralizá-la, podemos não só fazê-lo, como também podemos arranjar-lhe um lindo 31 com a Comissão Europeia, à qual a criatura é obrigada a responder.
É claro que vamos dar-lhe o benefício da dúvida, até porque sabemos que mudanças são sempre complicadas. Assim, antes de partirmos para qualquer coisa menos simpática, vamos dar-lhe mais 1 oportunidade de nos dizer "bom dia".

quarta-feira, abril 26, 2006

A CATEDRAL DE ST. STEPHAN


Isto é que é uma CATEDRAL!...
O estádio da luz é apenas uma coisa onde se fazem jogos de futebol.


Isto é a parte lateral da CATEDRAL. Eu gostei mesmo foi da águia bicefala.
Além de ser o símbolo Austríaco, no mundo só há mais uma família cujo brasão também tem esta águia. O apelido dessa família é Romanov.

Isto é um púlpito construído por fora da CATEDRAL. Porquê?
São os primórdios da guerra psicológica, utilizados pelos austríacos durante o cerco Otomano a Viena... falando nisso, ora aí está uma coisa que os austríacos nunca nos agradeceram. Se não fossemos nós, a esta hora falavam turco.

KARLSKIRCHE

Isto é o que diz por cima da porta da igreja.


Isto é a igreja... entrei, discretamente, pela porta que dizia «ausgang» (sim, armei-me em turista que não percebe nada disto) e fiquei lá dentro a ouvir o coro durante a missa.

Da missa não percebi nada, mas a música era muito bonita.

DIE GLORIETTE


Mmmm... assim de repente, acho que não temos cá nada parecido com isto.

SCHLOSS SCHÖNBRUNN


Visto assim ao longe, até parece o Paço Ducal em Vila Viçosa.

UM CAFÉ EM VIENA - parte II


Mais qualidade de vida.

UM CAFÉ EM VIENA


Por 2.10 €, isto é qualidade de vida e de serviço.
Os portugueses têm muito a aprender com os austríacos.

terça-feira, abril 25, 2006

AEROPORTO DA PORTELA - UM EXEMPLO DE MAUS SERVIÇOS


Caros amigos, como sabem (até porque andei a anúnciar), no passado dia 22 de Abril fui para Viena. Como de Lisboa a Viena é um pouco mais de 400 quilómetros, tive de ir de avião e como a TAP não tem vôos diários para Viena, não tive outro remédio senão optar por uma modalidade da Lufthansa que fazia escala em Munique. Até aqui, tudo bem e o povo está pacífico.

Assim, no sábado logo pela fresquinha, levantei-me e toca de me dirigir ao aeroporto da Portela. Como é do conhecimento geral, para vôos dentro do espaço comunitário não é necessário estar no aeroporto com 2 horas de antecedência, por isso estar lá 1 hora de antes do vôo costuma chegar e sobrar para este tipo de deslocações.

Estão a ver a fotografiazita do check in? Pois é, às 08:30 ali estava este vosso amigo para fazer o check in para um vôo que partia às 09:30, havia no entanto um pequeno senão... Estão a ver bem a fotografiazita?... Agora imaginem a zona do check in, apinhada de gente como se ali estivessem a distribuir amendoíns à borla. E estava cheia de gente porquê?

Bom, a resposta é bastante simples. O check in estava cheio de gente, porque alguma criatura - cujo Q.I dificilmente será superior a 15 - acha, que o sistema da fila única é um bom modelo para gerir o espaço do check in.

NOTA 1 "post it ao senhor que gere ali a coisa": Amiguinho, no seu lugar eu dedicar-me-ia a outro tipo de trabalho porque gerir, parece ser uma tarefa que está um pouco além das suas competências. Isto não é nenhum drama, mas o senhor não tem perfil para desempenhar esta função, logo deveria procurar uma profissão mais adequada.

Adiante com a história. Ia na parte da fila única... 08:30, fila única, montanha de gente, pareceram-me três variáveis incompatíveis com o ter um avião para apanhar às 09:30, mas pelo sim pelo não, havia que me certificar. Ali perto de onde me encontrava a aguardar a minha vez, estava uma funcionária dos serviços de terra (se era da TAP ou da ANA, não sei, mas tinha ou uniforme da TAP ou aqueles uniformes são todos iguais). Saí da fila e fui perguntar-lhe se estava despachado antes da 09:30 uma vez que tinha vôo para Munique a essa hora.

A senhora funcionária, olhou para mim com um ar de desdém e de arrogância - típico das criaturas que trabalham na TAP - e respondeu «Certamente que sim". Bem... começou-me logo a tremer o olhinho... tive de lhe responder: " Certamente, não. Porque são 08:45 e a fila não se mexeu". Entretanto aquele estafermo lá respondeu que quando se aproximasse mais da hora, chamariam as pessoas e eu agradeci o amável e delicado serviço prestado e voltei para a fila.

Às 08:55, como se de repente tivessem acordado para a vida, começaram a chamar as pessoas que tinham vôo para Munique às 09:30 e disseram-nos para passar à frente.

PAUSA: Imaginem a cara de alegria das outras pessoas que aguardavam a sua vez, quando uma série de pessoas lhes começa a passar à frente.

Bom, mas lá passámos à frente. Por azar, o guichet 72 estava um bocado engatado. O rapaz que estava a atender, viu-se e desejou-se para se ver livre de um par de casais portugueses que lhe estavam a dar àgua pelas barbas. Foi de tal maneira, que 09:15 tive de me chegar à frente e dizer que havia mais gente na fila e que tínhamos vôo às 09:30. Entretanto chegou a nossa vez, entregámos BI's e bilhetes e o moço vira-se para nós e diz assim: "O vôo para Munique fechou às 09:00h.".

Eu que já estava a ferver, nesse momento saltou-me a tampa e só lhe digo assim: "Ai não fechou não, não!" e ele responde "Lamento mas fechou.". Nesta altura, a adrenalina começou a subir, eu comecei a ver tudo turvo e retorqui: "É assim amiguinho, às 08:55 chamaram-nos para passar à frente, você sabia que havia pessoas que tinham prioridade e esteve 20 minutos a atender aqueles senhores. Eu tenho de estar em Viena hoje, logo você vai resolver o problema."

Entretanto, aquele estafermo a quem me tinha dirigido incialmente, aparece logo a correr para saber o que se passa. Depois de explicarmos o que se passou, ainda teve o descaramento de dizer aos gritos que a culpa era nossa porque não tínhamos afastado os outros do balcão e passado à frente deles. Nesta altura, confesso que ía mesmo perdendo as estribeiras. Foi por muito pouco que não agredi a mulher e digo-vos que estou arrependido por não o ter feito.

NOTA 2 " Post it ao senhor que gere os recursos humanos ali da coisa": Amiguinho, não sei onde vai arranjar aqueles estafermos que já deviam estar reformados à, pelo menos, um século. Não sei, que diabo de testes vocês fazem para avaliar o perfil das pessoas que atendem ao público. Não sei, nem quero saber porque é a si que lhe pagam para desempenhar essa função, logo há que pelo menos ter a decência de a desempenhar como deve de ser. Aquela senhora funcionária cujo nome não fixei, mas que pode ir verificar na escala de serviço que todos têm, é incompetente para atendimento ao público. É do conhecimento geral, que quem atende ao público deve estar preparado para lidar com situações de stress e de muita tensão. Por acaso, não agredi a senhora, mas podia tê-lo feito independentemente das consequências e garanto-lhe uma coisa, se o tivesse feito de certeza que passariam a ter mais cuidado com as pessoas que ali colocam. Ao colocar ali pessoas incompetentes, está a passar uma má imagem do seu trabalho e a prestar um mau serviço à sua empresa.

Enfim, mas o que importa é que não bati em ninguém. Mandaram-nos para o balcão da TAP. Eu achei aquilo um bocado estranho, mas fui. Mais uma fila. Esperei um pouco e decidi passar à frente só para perguntar a uma das senhoras se estava no sítio certo. Responde-me a criatura, naquele tom já conhecido:

"Estou à 10 minutos a tentar atender este senhor. Volte para a fila."

Tive de responder: "Oiça lá, tem a certeza que está a trabalhar no sítio certo? É que pelo tom de voz se calhar devia estar a trabalhar no mercado da ribeira não?"

Ficou a criatura a olhar para mim, mas felizmente, entretanto percebemos que devíamos ir ao balcão da Groundforce, foi a sorte caso contrário tínhamos de estar à espera na fila errada.

NOTA 3 " Post it ao senhor que gere os recursos humanos ali da coisa": Amiguinho, amiguinho... andamos a prestar favores a quem? É que a alternativa a isto, é dizer que a falta de educação e incompetência para atender o público é a política da empresa. No que é que ficamos?... Também se pode dar o caso de os cortes orçamentais serem tão grandes que só é possível contratar incompetentes, seja como for a responsabilidade é sua.

O balcão da Groundforce estava pejadinho de pessoas que tinham perdido o vôo para Munique e para França (que era às 09:40). Felizmente, e ao contrário do restante pessoal, as senhoras daquele balcão esforçaram-se para resolver o problema e resolveram-no (ou então já estava tudo farto de me aturar). Às 10:10 estava tudo num vôo da TAP para Barcelona e depois Viena.

CONCLUSÃO: Este é o serviço que o aeroporto da Portela presta aos seus clientes. Esta a imagem de confusão, caos e incompetência que estes serviços transmitem para os outros. Eu não tive tempo para fazer uma reclamação, mas vou fazê-la e da próxima vez que acontecer outra destas, faço um «cagarim» ainda maior do que fiz desta vez e ainda amotino toda a gente que estiver naquele aeroporto. A prestação de maus serviços como aqueles, merece um motim a sério com direito a partir o tasco todo porque o que se passou no passado sábado, foi uma vergonha.

quarta-feira, abril 19, 2006

ADVINHEM PARA ONDE VOU NO SÁBADO?


Austria!!!

É verdade, o meu trabalho é uma canseira. Por isso, vou no fim-de-semana que é para descansar e estar fresquinho para a reunião de 2ª- feira.

segunda-feira, abril 17, 2006

AS FUNÇÕES DO ESTADO (1)

" O encanto das estátuas gregas, assenta no equilíbrio entre o ideal e a realidade. Entre o que há de espiritual e o que há de humano nas suas expressões e atitudes.

Nos planos do governo há também uma harmonia. A que resulta do equilíbrio entre as exigências da política e as imposições da economia. Entre a realização dos fins do Estado e a satisfação das aspirações individuais." - A. Valdez dos Santos in A terceira posição.

É... Tal e qual os planos do governo nos dias que correm.

DECISÕES INÉDITAS (2)

Como é óbvio, não poderia deixar passar despercebido o comentário do Vírus ao meu post anterior.
«Num país onde o próprio Estado não apoia de forma alguma as crianças portadoras de deficiências, ou qualquer outro tipo de dificuldades, não me espanta nada.Senão vejamos, existe nos Olivais (em Lisboa) uma dependência do Hospital Dona Estefânia dedicada ao apoio e acompanhamento de crianças que necessitam de apoio especial (por vários motivos), chamada UPI-Unidade de Primeira Infância.
O trabalho desenvolvido nesta unidade é feito em moldes algo bizarros, ou seja, de manhã é feito por profissionais pagos pelo Estado e a partir de uma certa hora (de tarde) é desenvolvido pelos mesmos profissionais nas ditas instalações, através de uma associação de apoio à criança mas é pago pelos pais que podem pagar, e em alguns casos que não podem pagar também!
Recentemente a Direcção do Hospital DªEstefânia mandou suspender as actividades desta associação e a entrada de novas crianças uma vez que estes serviços prestados pelos médicos e pelos auxiliares fazem parte da obrigação do Estado, sobretudo tendo lugar em instalações do Estado, logo é um serviço que deve ser gratuito para as famílias...CERTO????
Não...ERRADO!... A Direcção do Hospital Dª Estefânia quando questionada pela equipa que presta este serviço sobre os novos moldes de funcionamento e financiamento das actividades da UPI por forma a garantir que todas as pessoas continuassem a ter o apoio necessário para as crianças a resposta foi... NÃO HÁ DINHEIRO... LOGO SUSPENDEM-SE AS ACTIVIDADES...
Resumindo:Os pais que querem ver os seus filhos apoiados no seu desenvolvimento, seja a pagar ou gratuitamente, não podem vê-lo porque o Hospital Dª Estefânia não dá dinheiro para manter a UPI em funcionamento, mas se os pais até quiserem pagar para que isso aconteça também não o podem fazer porque é um serviço gratuito que tem de ser prestado pelo Estado...só que o Estado não dá dinheiro para que o serviço funcione!Se o Fernando Pessa estivesse por cá certamente diria "E ESTA HEIN?..."
Perante isto não me admira nada que o Tribunal tenha decidido o que decidiu...só serve é para aumentar a minha vergonha e tristeza de ser português... e dar graças a Deus porque os meus filhos são franceses (se bem que por lá as coisas também não andam lá muito bem)! »

DECISÕES INÉDITAS (3)

Medida: Reformados vão passar a pagar IRS (embora alguns já o paguem).
Pergunta 1: O IRS não é um imposto sobre o rendimento?
Pergunta 2: Então e reforma é = a rendimento?
Pergunta 3: Se reforma = rendimento, então estamos a pagar a pessoas que não produzem nada (embora já tivessem produzido). Assim sendo qual é a diferença entre reformados e trabalhadores activos?

quinta-feira, abril 13, 2006

DECISÕES INÉDITAS

Ontem fiquei perplexo com a decisão do Supremo Tribunal sobre os maus tratos infligidos a pessoas portadoras de deficiência.
A sério... eu nem queria acreditar no que estava a ouvir.
Por principio, sei que Tribunal é = aplicação das leis, mas é diferente de justiça. No entanto, neste caso em particular Tribunal é = a aberração total porque considera aceitável, infligir castigos corporais a quem, à partida, tem uma consciência limitada dos seus actos e/ou comportamentos. Isto, sustentando a sua argumentação no aspecto de que toda a gente sabe que por motivos de educação, à vezes é necessário distribuir tabefes.
Pois bem, sabem que mais? Estou perfeitamente de acordo. A distribuição de tabefes funciona nos dois sentidos e pode ser aplicada a toda a gente em geral. Por conseguinte - e por razões exclusivamente terapêutico-pedagógicas - é aceitável que um pai, zeloso pela boa educação da sua prol, também distribua tabefes por outros agentes educativos uma vez que toda a gente sabe que a educação começa em casa.

terça-feira, abril 11, 2006

O PESO DAS PERCENTAGENS

Agora dei para converter números em percentagens (estão a ver porque é que é mau andar a ler livros de economia, certo?) e então cheguei a conclusões estranhissímas, senão vejamos:

Diz o Crack, no Crackdown, que "2 em cada 3 protugueses nunca usaram a internet". Visto desta maneira, uma pessoa pode até nem ligar muito. Mas, se considerarmos que Portugal tem 11 milhões de habitantes, 2 em cada 3, significa que 66.6% da população nunca usou a internet.

Diz o Dr. Pinho Cardão, no Quarta República, " (...) Teatro Nacional de D. Maria II publicados no Expresso, o teatro teve 35.759 espectadores em 2005. Se a este número subtrairmos 14.107 convidados e 12.214 espectadores de duas peças infantis, restam 9.438 espectadores adultos pagantes." Assim de repente, 9.438 espectadores adultos pagantes até parece uma grande coisa, «bué da gente»! Mas na realidade 9.438 pessoas, coresponde a apenas 26,39% do número total de espectadores que foram ao Teatro D. Maria II e pagaram. Por outro lado, ficamos também a saber que 39,45% dos espectadores viram teatro à borla e 31,15% foram espectadores de duas peças infantis (não dizendo se pagaram ou não para assistir às peças). Não desfazendo na, certamente, brilhante gestão do teatro, até a criatura menos articulada podia perceber que, não é possível 26,39 % sustentarem financeiramente 70,6%. Isto significa que o dinheiro tem de vir de algum lado e que 26,39% dos espectadores contribuem para o teatro 2 vezes.

No meu comentário de resposta ao Crack, sobre "Os manuais escolares", disse que no outro dia tinha visto no telejornal a actualização do número de mortos num cenário de eventual pandemia da gripe das aves. De acordo com as fontes citadas na notícia, o número de baixas previstas no cenário é agora de 15 mil. Quandon ouvi aquilo pensei cá para os meus botões "Puxa, 15.000 é muita gente.". Mas como eu tenho a mania de ver as coisas pelo seu aspecto positivo, fui ver a que percentagem isso correspondia face ao número de desempregados em Portugal. Assim, 15.000 baixas hipotéticas correspondem a apenas 3,75% do número total de desempregados e a apenas 0,13% da população portuguesa e 0,13%, em termos políticos, é um número aceitável.

E agora, cada um entenda como quiser.

segunda-feira, abril 10, 2006

MANUAIS ESCOLARES

Diz a APEL que o Secretário de Estado da Educação é incompetente.

Grande Novidade!!!

terça-feira, abril 04, 2006

FREAKONOMICS - O estranho mundo da economia

Pois é verdade, eu, moi même, estou a ler (aliás faltam-me umas páginazitas para acabar), um livro que para além de se chamar "Freakonomics", é sobre economia. Economia! Sim, leram bem. Eu que não percebo nada disto, estou a ler um livro sobre economia... Tudo bem que é um pouco alternativo e não é, de certezinha absoluta, a mesma coisa que ler "A Introdução à Economia" do prof. João César das Neves e por muito que eu goste do Prof. JC das Neves, compreendo muito melhor a linguagem utilizada pelo Steven D. Levitt e pelo Stephen J. Dubner.

A quem não leu aconselho vivamente a ler, mas não se deixem perturbar por uma série de ideias que são demonstradas neste livro. É claro que para quem não é da área da economia ou da gestão, este livro lê-se na perspectiva de um ignorante, mas para quem é da área certamente que poderá fazer outro tipo de juízos que, como é óbvio, nunca poderiam ser os mesmos que os meus.

Muito resumidamente, achei o Levitt brilhante na forma como levanta as questões, acima de tudo porque a maneira como se coloca uma pergunta é tão ou mais importante do que a resposta em si e as perguntas que ele coloca, das duas uma:

- ou são tão absurdas que até têm lógica,

- ou são tão lógicas que até são absurdas.

Ainda não me consegui decidir.

No 1º capítulo, o autor estabelece as semelhanças entre os professores e os lutadores de sumo e por muito aberrante que isto possa parecer, a explicação é não só coerente como demonstrada e em ambas o resultado é o vício de resultados (no caso dos professores, os resultados que dizem respeito aos exames nacionais. No caso dos lutadores de sumo, os resultados do jogo).

No 2º capítulo, são estabelecidas as semelhanças entre o Ku Klux Klan e os agentes imobiliários, e apesar de não ter achado tanta graça a este capítulo, a explicação relativa às assimetrias de informação - que no fundo é o elemento que os une - está fabulosa.

O 3º capítulo questiona porque é que os traficantes de crack ainda vivem em casa dos pais. Mas à parte desta questão ainda revela outras coisas adicionais como por exemplo, porque é que uma prostituta ganha mais do que um arquitecto, sendo que mais depressa um arquitecto procura uma prostituta do que o contrário.

No que respeita ao 4º capítulo, acredito que algumas mentes possam ficar um bocado indignadas com o que é revelado. A pergunta que o autor levanta é, exactamente, o que é que é feito dos criminosos? Bom, sem entrar em juízos de valor, nem defesa de direitos destes ou daqueles, o que o autor vem demonstrar é , tão somente, o seguinte:

- Países onde o aborto é legal e onde a taxa de prática do mesmo é elevada, têm uma taxa de criminalidade muito inferior aos países, onde a prática do aborto é ilegal.

É claro que nesta matéria, cada um tirará as suas ilações tal como eu tirei as minhas

No 5º capítulo, fala-se de pais perfeitos. Aqui o autor lança uma pergunta bastante interessante que é: O que é que é mais perigoso? Uma arma ou uma piscina? Aqui, fica-se a saber que crianças que habitem em casas que têm uma arma e uma piscina, têm 100 vezes mais probabilidades de morrerem afogadas do que por causa de um acidente com uma arma de fogo.

Ainda não cheguei ao 6º capítulo... mas está quase, está quase!... Deviam existir mais professores destes.

segunda-feira, abril 03, 2006

POLÍCIAS EM APUROS

Numa semana, a Direcção da polícia judiciária ameaça demitir-se, na outra é demitida pelo Ministro.

Numa semana põe-se a descoberto um negócio de armas envolvendo alguns agentes da PSP. Na semana a seguir colocam um, dos supostos suspeitos, a tomar conta da biblioteca ou arquivo, ou lá o que é que é.

Confesso que não tenho nada contra estas polémicas, sempre é melhor do que abrir os noticiários com futebol, no entanto temo de pensar nas consequências que isso poderá trazer para a taxa de criminalidade.

Basicamente é assim, num país cuja economia está feita em fanicos, cuja taxa de desemprego em vez de diminuir, aumenta, onde os tribunais não funcionam e a classe média tende para a extinção, o que verdadeiramente nos faltava era um clima de instabilidade nas forças de segurança.

Sim senhor, vamos de vento em popa.

domingo, abril 02, 2006