segunda-feira, março 28, 2011

A REVOLUÇÃO PACÍFICA NA ISLÂNDIA E O SILÊNCIO DOS MÉDIA

Nota prévia: Este texto, não é meu. Foi-me remetido por e-mail e estou aqui a publicá-lo porque acredito que o caso islandês representa um caminho alternativo. Tanto quanto seja do meu conhecimento, o único órgão de comunicação social português que já se começou a debruçar sobre este assunto, foi o Jornal i na edição do passado fim-de-semana.

" Por incrível que possa parecer, uma verdadeira revolução democrática ocorre na Islândia neste preciso momento e ninguém fala dela, nenhum meio de comunicação dá a informação, quase não se vislumbrará um vestígio no Google: numa palavra, completo escamoteamento.

quinta-feira, março 10, 2011

O SOBRESSALTO CÍVICO

Triste por não ter ouvido o discurso de tomada de posse do nosso excelso PR e curiosa por saber porque motivo estavam todos os comentadores, residentes nas nossas estações de televisão, em tão grande alvoroço como que anunciando a chegada do apocalipse, resolvi ler o famigerado documento (que gentilmente me foi enviado por uma estimada colega). Confesso que estava à espera de algo mais à laia de ensaio académico, mas afinal o texto tem só 6 páginas e é bastante fácil de ler e de compreender.

A primeira coisa que se me escarrapachou no espírito foi a descoberta, um tanto ou quanto óbvia, de que Tróia está a arder. Honestamente sempre pensei que já tinham dado conta do cheiro a fumo e de que os Aqueus andavam à solta pela cidade, mas afinal não. Ao menos, em tempos idos, Príamo sempre teve uma desculpa; não tinha facebook, nem twitter e o acesso à informação era um bocadinho mais artesanal, senão mesmo rudimentar. O contacto com a plebe (que não se chamava assim na altura) também tinha as suas limitações, mas o que o levou à queda foi a sua pancada séria por cavalos. Acreditava que os bichinhos simbolizavam o divino, mas como para os gregos os cavalos eram mais… bom… um animal de quatro patas e a figura divina que protegia os seus interesses era outra, o pobre homem – que se escudava atrás do contexto internacional e que por sinal lhe era cada vez menos favorável – não se deu conta da armadilha.

De pouco lhe valeu a vantagem de ser pai de Cassandra, figura que – diziam as más-línguas - tinha o dom da profecia e lhe dava, assim, umas dicas com alguma antecedência. Mas, à época tal como agora, pessoas que falam com amigos invisíveis e balbuciam assim umas coisas, aparentemente, sem nexo eram consideradas um pouco, vá lá, tolinhas. Ela, a Cassandra, bem os avisou que a cena ia correr mal, mas tal aviso foi estoicamente ignorado e ao verem tão exímia obra de arte sob a forma de cavalo, toca de o rebocarem para dentro das muralhas cidade. Quando deram por ela, o cocó estava feito e no final das contas feitas e ajustadas, quem sobreviveu (com mais mazelas, menos mazelas e alguns atropelos aos direitos humanos pelo caminho) foi a maluca equanto que o Príamo teve um triste fim. Bom, na realidade toda a família teve um triste fim, apesar de adequado às práticas da época. Como os tempos mudam, actualmente seriam apenas exilados no Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos ou de outra qualquer Empresa proeminente.

O discurso do PR lembra-me as profecias de Cassandra, com a diferença de que o cavalo já cá está dentro há algum tempo. Foi bastante bom e toca, exactamente, nas feridas que deve tocar por isso, não admira que as marias do sistema andem agora à toa. Gostei particularmente da necessidade do sobressalto cívico 2 dias antes do 12 de Março. Resultará? Não sei. Talvez as pessoas estejam realmente a acordar, quem sabe? Vamos ver.

terça-feira, março 08, 2011

E NESTE DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Estive a ver o comentário do Miguel Sousa Tavares a propósito dos vencedores do festival da canção.

Bom, confesso que houve algumas coisas que me saltaram à vista e desde logo, a primeira delas todas foi o receio. Reparei que existe, efectivamente, um receio de que a manifestação do 12 de Março seja bem sucedida. Na sequência disto aparece então a tentativa de minimizar o evento e os seus objectivos, como se quem os apoia não tivesse razão para protestar e manifestar o seu descontentamento com a situação actual.

Chamam-lhe demagogia. Para mim tanto se me faz, chamem-lhe demagogia ou qualquer outra palavra acabada em "ia", as pessoas têm o direito de expressar o que lhes vai na alma. Têm o direito de expressar as suas preocupações e neste momento adquiriram, inclusive, o direito de acusar e responsabilizar a classe política pelo estado a que chegou o país.

Os nossos políticos, não só, estão a massacrar a classe média como também estão a hipotecar o futuro das gerações mais jovens. A geração à rasca não é um mito e para aqueles que tendem à comparação começando os seus discursos com "No meu tempo...", pois... os tempos mudam e aquilo que eram os padrões de vida há 50 anos atrás, não são os de agora. A mim, pouco me interessa que na década de 40 fossem preciso senhas para comer, ou que uma sardinha tivesse de ser dividida por 3, o que me interessa é que tal não volte a acontecer e a história não se repita. 

Quanto ao facto dos contribuintes alemães nos emprestarem dinheiro, ou não, a pergunta é: Porque haveriam de o fazer? Porque haveriam eles de pagar algo que não é da responsabilidade deles? Eles não têm culpa da má gestão levada a cabo pelo estado português ano após ano. Por isso, mais musiquinha, menos musiquinha, não será coisa que - certamente - abale as estruturas da sociedade germânica e usar isso à laia de argumento político parece-me um pouco imbecil. 

Anyway, uma vez emitido este meu pequeno parecer, vou avaliar candidaturas que esta cena tem um prazo para ser cumprido.

segunda-feira, março 07, 2011

WOOOOHOOOOOOO!!! - A LUTA É ALEGRIA

Só hoje é que descobri que os Homens da Luta ttinham sido os vencedores. No sábado confesso que desisti de ver o programa, até ao fim, quando percebi que ía ser a mesma cagada de sempre.

Agora, sinceramente, estou feliz. :)

Finalmente temos uma representação à altura e na terra da Sra. Merkel. Lindo!!


domingo, março 06, 2011

MEMO PARA "SELF"

O jornal expresso descobriu a wikileaks este fim-de-semana e os telejornais descobriram que o expresso descobriu a wikileaks.

Grande novidade!

Eu já li quase todas as comunicações sobre Portugal que lá estão! 

Bom quase todas é como quem diz... ainda são bastantes e algumas passamos à frente porque não são assim tããããão interessantes, mas outras têm pilhas de graça.

Ok, é (ou antes, era) informação classificada, mas paciência. Tá disponível, tá disponível e só lá não vai quem não quer. Além disso, os moços escrevem muito bem e têm uma perspectiva muito acertada. É, de um modo geral, um bom trabalho. 

terça-feira, março 01, 2011

CONSIDERAÇÕES DE VIAGEM

Nota: O presente texto foi escrito no dia 27/2 no aeroporto de Munique

Ao cabo de ter uma espera de - aproximadamente - 7 horas no aeroporto de Munique, muni-me desesperadamente de jornais e revistas a fim de passar melhor o tempo e numa esforçada tentativa de me manter afastada das lojas do freeshop que, ainda por cima, estão em saldos.

Numa luta desigual contra estes impulsos consumistas, afundei-me nesta literatura de ocasião e acabei por deparar-me com alguns artigos interessantes dignos de reflexão.

O primeiro, publicado na revista do semanário SOL, intitula-se "Produção de menores" e lança para o debate a polémica campanha da revista Vogue cadeaux, que utilizou crianças fotografadas em poses de adultos. Esta produção de mini-me's (como gosto carinhosamente de lhes chamar), custou o emprego - e a meu ver muito bem - à responsável pela revista. Sobre este assunto, haveria muito para dizer e inúmeros actores envolvidos, mas eu vou só manifestar-me sobre um dos principais actores que é a família nuclear, na figura dos progenitores. Actualmente, os paizinhos das criancinhas, entre os 0-5 anos de idade, têm uma visão distorcida da sociedade e daquilo que é o seu papel enquanto educadores da linha da frente. Muitos acham que aquelas pequenas criaturas não são mais do que pequenas versões deles próprios e que percepcionam o mundo da mesma forma que um adulto. Por isso, também acham que podem levá-las para todo o lado e que elas não se aborrecem e cooperam bastante bem com jantaradas até tarde e coisas afins... Neswflash!  As criancinhas, tal como o nome indica, são crianças não são troféus dahaaaa! E no caso português só adquirem personalidade jurídica aos 16 anos! Bom, muitos escudam-se atrás do argumento de que não têm com quem as deixar, ou não têm quem tome conta delas. Compreensível, mas quem tem criancinhas não se pode dar ao luxo de ser forreta (até porque não lhe serve de nada) e de facto há serviços que podem ser contratados para tomar conta delas. Na realidade, o que a maior parte destes progenitores não quer é assumir a responsabilidade de fazer uma opção, porque decidir custa.

O segunto artigo, "Quando o Egipto acordar", é escrito pelo José António Saraiva (Nota: que por acaso até foi meu professor na Universidade Católica, quando estava a tentar fazer o mestrado em Ciência Política e Relações Internacionais.... depois fiquei como a ONU, com falta de liquidez), e basicamente transmite-nos o mesmo cepticismo que já tive oportunidade de partilhar anteriormente relativo a estas manifestações nos países do Magrebe. E as outras duas notas que aqui gostaria de deixar, também relacionadas com este ponto são, por um lado o texto da Carla Hilário Quevedo sobre o ataque brutal a que a jornalista da CBS, Lara Logan, foi submetida e por outro lado, a publicação de uma das fotos vencedoras do World Press Photo, que retrata Bibi Aisha, uma rapariga de 18 anos, a quem cortaram o nariz e as orelhas por ter tido a audácia de fugir do seu marido violento. Ora, como devem compreender eu tenho algumas dúvidas com a aplicação do conceito de Democracia em países cujos elementos do sexo feminino são considerados e tratados como cidadãos de, vá lá, segunda. 

Bom... agora vou passear... literalmente. Depois logo voltarei.