Absolutamente fabuloso :))
"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
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terça-feira, abril 03, 2012
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
Este é o look de 2012
Pois é, este será o look do blogue em 2012.
Bem sei que costumo presentear a blogosfera com prolongadas ausências. Estas não são mais do que períodos de recolhimento e introspecção. Tentativas frustradas de controlar uma língua viperina e uma vontade predatória e sanguinária de dizer mal.
Mas um lobo é sempre um lobo e até a mais santa das paciências tem os seus limites. Não é possível assistir a um verdadeiro massacre nacional, sem que o sangue ferva. Podemos fazer de conta que não vemos, podemos fazer de conta que não ouvimos, podemos fazer de conta que não falamos e podemos fazer de conta que o lobo está domesticado. Mas não está. Aguarda apenas e pacientemente a oportunidade de se revelar.
Quando se revela, está sedento e começa a caçada.
sexta-feira, dezembro 31, 2010
2011
Andava pela internet à procura de uma imagem que achasse adequada a este desejo cínico de votos de um bom ano de 2011 e das que vi seleccionei esta, que me parece adequada.
Gostaria de desejar a todos um bom ano de 2011 mas quando, logo às 7:30 da manhã, ouvimos a senhora das notícias dizer que a partir de amanhã o IVA sobe para 23%, as portagens nas pontes 25 do A. e Vasco da Gama vão aumentar, as portagens das autoestradas vão aumentar, o pão vai aumentar, os impostos vão aumentar e os salários vão diminuir logo seguida da notícia sobre as promoções na Segurança Social (que não são bem promoções porque não há aumento de salário..."cough, cough"... "bullshit"), a modos que o espírito festivo murcha um bocado.
É claro que poderia ver isto pelo seu lado positivo e dizer que "podia ser pior", mas estaria a aldrabar-vos. 2011 não só podia ser pior, como também, vai ser pior e estar a celebrar algo que, à partida sabemos que vai ser mau parece-me, vá... parvo.
Por isso, a única coisa que vos posso desejar é que se divirtam como nunca se divertiram antes. Apanhem uma bebedeira gigantesca que só termine daqui a 12 meses, por esta altura. Porque para lidar com o que temos pela frente, com um sorriso nos lábios, só estando sob a influência do alcóol ou de estupefacientes.
Divirtam-se!
sábado, dezembro 18, 2010
PONTAS SOLTAS
Estava aqui a ouvir a entrevista com dois candidatos presidenciais e dei comigo a pensar: "Já não há cu para ouvir esta gente". Não por se tratar do candidato A ou do candidato B, é simplesmente porque não há. Cada vez que olho para eles parecem-me que estão numa entrevista para um emprego e todos sabemos como é que essas funcionam (ou não) em Portugal.
Vem-me à cabeça um episódio da Odisseia, mais precisamente aquele em que Circe transforma Ulisses e os seus marinheiros em porcos. Assim de repente, é o que me parecem. Porcos. É claro que sabemos o que acontece a Circe no fim deste capítulo, mas enquanto o pau vai e volta, folgam as costas.
Vem-me à cabeça um episódio da Odisseia, mais precisamente aquele em que Circe transforma Ulisses e os seus marinheiros em porcos. Assim de repente, é o que me parecem. Porcos. É claro que sabemos o que acontece a Circe no fim deste capítulo, mas enquanto o pau vai e volta, folgam as costas.
quarta-feira, novembro 03, 2010
REGRA N.º 1 – NUNCA SUBESTIMAR O NÚMERO DE INDÍVIDUOS ESTUPIDOS EM CIRCULAÇÃO
Aqui há uns tempos atrás transpus para este blogue as regras da estupidez humana do Carlo M. Cipolla. Bem sei que se trata de um texto de difícil leitura desde logo porque se encontra em inglês (o que, por si só, levanta a questão da barreira linguística dado que nem todos dominam os meandros de uma língua estrangeira assim tão bem).
De qualquer forma, a dificuldade da leitura do texto não assenta somente no domínio da língua, mas também, na quase obrigatoriedade de olharmos para nós próprios com um espírito crítico. Será que o conseguimos fazer?
Na minha humilde opinião somos muitas coisas por natureza, inclusive, estúpidos mas depois existem aqueles que são capazes de dosear a estupidez com conta, peso e medida. O meu professor de gestão de inovação costumava dizer que “a estupidez é um direito, não uma obrigação” e de facto tem razão. O exercício da estupidez é uma escolha individual, ninguém é obrigado a tal se assim o entender.
Por exemplo, ao abrigo de não ferir susceptibilidades fazemos muitas coisas estúpidas e criamos situações perfeitamente ridículas. Por outras palavras, fazemos figura de parvos. Acontece-me a mim, acontece ao A ao B ao C e por aí adiante. Às vezes estamos conscientes disso, outras vezes nem por isso e quando a situação tem origem num acto que é inconsciente tende a ser desculpável embora, por natureza, continue a ser estúpido. Por outro lado, quando a situação é deliberadamente estúpida, podemos efectivamente estar perante o exercício de um direito se, pelo menos, formos honestos connosco e com terceiros. No entanto, quando nos escudamos atrás de um argumento oco e vazio para incorrermos numa determinada situação - caracterizada de estúpida - além de estúpidos, estamos a ser hipócritas e irresponsáveis.
Estúpidos; porque deliberadamente transformamos um direito numa obrigação.
Hipócritas; porque não vivemos de acordo com os princípios que defendemos.
Irresponsáveis; porque não somos capazes de assumir as consequências dos nossos actos.
Estes três itens têm, normalmente, origem no medo irracional que se tem de se ser julgado pelas regras de convivência social. Ou pelo menos, naquilo que alguns acreditam ser as regras de convivência social. É quase como se estivéssemos de volta ao recreio da escolinha secundária em que é imperativo pertencermos ao mesmo grupinho de meninas e meninos populares. Ora, qual é o problema disto? Em primeiro lugar, a fase da escolinha secundária já passou há algum tempo e em segundo lugar há pessoas que entretanto cresceram e se estão, literalmente, a cagar para a existência grupinhos popularuchos que não acrescentam qualquer tipo de mais-valia ou benefícios para os mesmos ou para a sociedade em geral.
Chocante? Talvez. Mas infelizmente a sociedade portuguesa está pejada de indivíduos infantilizados.
quarta-feira, outubro 20, 2010
ACÇÕES DE SOLIDARIEDADE E PEDITÓRIOS AFINS
Desde o passado domingo, pelo menos, que ali no centro comercial Twin Towers estão a fazer uma campanha para angariar fundos para a luta contra o cancro da mama.
Nada a opor. É perfeitamente legítimo estas associações conduzirem este tipo de campanhas e chamarem a atenção para uma doença que vítima inúmeras mulheres todos os anos e que, na conjuntura económica e financeira actual, torna o trabalho destas instituições difícil. Mas as coisas são assim. A vida está difícil para todos e não é com vinagre que se apanham moscas.
À pouco fui até ao supermercado para comprar umas coisas que me faltavam para o jantar e lá veio um senhor com o discurso do "quer dar uma ajuda para o cancro da mama?" ao qual eu respondi com um peremptório "Por agora ainda não" e a contra resposta mal humorada foi "Felizmente não precisa". Por breves segundos considerei a possibilidade de lhe responder à letra e à falta de humildade de quem pede, mas optei por me calar e seguir caminho pois podem existir inúmeros motivos pelos quais o senhor me deu aquela resposta e que, para mim, são desconhecidos.
Confesso-vos que me foi difícil ficar calada, tenho um temperamento inflamável e às vezes as palavras soltam-se mesmo sem pensar, mas a verdade é que se lhe tivesse respondido na mesma moeda teria apenas contribuído para o agravamento do seu mau humor e ninguém iria para casa mais feliz.
Não dei porque não posso e quando posso a minha solidariedade obedece a regras, a prioridades que defini exactamente porque não me é possível ajudar todos ao mesmo tempo e a primeira regra delas todas é ajudar a combater a fome de crianças e idosos. Porquê? Primeiro porque saco vazio não se aguenta de pé e segundo porque as crianças e os idosos são os segmentos da população mais vulneráveis.
No passado sábado contribuí, como pude, para o peditório das Irmãzinhas dos Pobres porquê? Porque não estavam a pedir dinheiro, estavam a pedir comida e outro tipo de produtos (como sacos do lixo por exemplo) e porque trabalham com pessoas idosas que a sociedade actual esqueceu. Não me quiseram impingir pins, ursinhos ou t-shirts. Entregaram-me apenas um papelinho com o tipo de bens que necessitavam e digo-vos, aquele papelinho teve muito mais força e muito mais significado do que qualquer artigo de merchandising barato. Não sou católica, como costumo dizer: "Eu sou tudo e não sou nada", mas o que aquelas Irmãzinhas desconhecem é que me fizeram sentir muito feliz no sábado e isso vale mais do que qualquer t-shirt, pin ou ursinho.
Aliás, não consigo perceber a partir de quando é que - algumas associações - acharam que vender merchandising (porque na realidade é disso que se trata estas angariações de fundos) era uma boa maneira de arranjar dinheiro. Terá sido a história do Pirilampo Mágico? Amiguinhos... Pirilampos à parte, nos tempos que correm, não vos auguro grande futuro na venda de brindes. Isso é mais digno dos grandes falcões humanitários para quem a solidariedade é apenas mais um negócio.
A verdadeira solidariedade não está à venda e não se compra com... pins, ursinhos ou t-shirts. Averdadeira solidariedade é aquela que vem do coração e nos deixa felizes apenas porque nos deram um pedacinho de papel.
quinta-feira, agosto 26, 2010
AINDA NÃO ME APETECE FALAR DE POLÍTICA
Principalmente porque não há realmente nada de novo para dizer.
Assistir ao desenrolar da política portuguesa é como assistir constantemente a re-runs de maus filmes. O mesmo filme, diferentes actores. Ainda por cima não há nenhum político português que se pareça com o Brad Pitt!
Ok, temos agora o Pedro Passos Coelho vá, menos mal... mas, quer dizer, daqui a uns 6 meses deve parecer um trambolho enrugado.
Bom, enfim... Quem escreve os guiões para o filme da política portuguesa é muito fraquinho, pouco original e pouco criativo. Não admira que nos telejornais só falem de futebol, apesar do tema, o guião deve ser melhor... e os actores também.
segunda-feira, agosto 09, 2010
SE PUDESSE ESCREVER UMA CARTA...
A todas aquelas pessoas que se alimentam da morte dos outros, a mensagem seria muito curta.
Seria tão curta que teria apenas uma imagem:

Grab a new Myspace 2.0 Layout

Seria tão curta que teria apenas uma imagem:
Grab a new Myspace 2.0 Layout
segunda-feira, julho 12, 2010
domingo, abril 11, 2010
O FIM DAS FÉRIAS DA PÁSCOA
A menos de 24 horas do término das minhas férias da Páscoa sinto-me como os putos que vão regressar às escola para o início do 3º período e penso cá para os meus botões: " Putos! Se acham que a escola é uma seca e nunca mais acaba, esperem só até entrarem no mundo do trabalho... se entrarem no mundo do trabalho porque do jeito que isto vai, cheira-me que vão ficar a viver em casa dos pais até aos 50 anos."
Eu podia dizer-vos que saudades do tempo de escola, mas na realidade não tenho saudades nenhumas, se o dissesse seria só para acrescentar mais drama à ideia e não acho que isso seja necessário.
Sabem, trabalhar é igual a estar na escola. Se num lado aturávamos os colegas, os professores ou os auxiliares de educação (que no meu tempo davam por outro nome), no trabalho aturamos as mesmas figurinhas, com as mesmas birrinhas e com o mesmo comportamento de grupo. Não existem grandes diferenças entre um ambiente e outro. Poderiam dizer-me "Ah e tal mas quem vai para a escola vai para aprender." e essa seria a parte em que me escangalharia a rir à gargalhada. Exceptuando alguns casos que o fazem, ninguém vai para a escola aprender. Vão para a escola conviver e socializar, aprender e trabalhar não é a principal prioridade. Se está certo ou está errado não sei, mas sei que é uma característica cultural dos povos do sul da Europa. Claro está que quando se chega ao mundo do trabalho o posicionamento é praticamente o mesmo.
Pois é, mas cá estou eu às oito da manhã a escrever um texto sobre o meu regresso ao trabalho... infâmia!.. ok, fui passear o cão e agora não tenho sono.
Antes de entrar de férias de Páscoa, lá no burgo houve uma reunião sobre o estado da nação e - agora pasmem - o burgo está igual ao País! Aquele burgozito minúsculo está um caos! Se fossemos uma empresa privada, a esta altura já teríamos declarado a insolvência. Todavia, não é coisa que me espante muito. Já devia ter acontecido em 2007 durante a gestão magnífica de uma besta jacobina que para lá havia sido nomeada. A actual gestão conseguiu ganhar 2 anos mas, ainda assim não chegou.
Pergunta:
Será a actual gestão melhor que a anterior?
Resposta:
São apenas mais simpáticas, o que já não é nada mau.
E depois daquele discurso sobre o estado miserável da nação, descansem em Paz. Nunca, na minha vida, tinha ouvido algo tão inadequado por parte de uma Direcção. Incomodou-me bastante (como aliás dá para ver) e até tive oportunidade de comentar, posteriormente, com alguns gestores (sim, gestores mesmo. Daqueles que gerem empresas há já algum tempo), que se começaram a rir e depois disseram que o que havia sido praticado fora uma espécie de harakiri. Disseram muitas outras coisas também mas que ficarão para outra altura, até lá apenas me resta esperar que o governo caia.
Bom, vou mas é tomar o pequeno almoço antes que me saia daqui uma critica corrosiva.
sexta-feira, janeiro 22, 2010
AH A LEI...
... é como um círculo. Não tem princípio. Não tem fim. Nem tem ponta por onde se lhe pegue. É assim com a lei em geral e com a lei dos vinculos, carreiras e remunerações da Administração pública em particular. De seguida perguntam-me se conheço a lei. Respondo, conheço. Penso; é geral e abstracta e pior... sujeita a diversas interpretações. Acção; agarrar nos "tarecos" e enviá-los a um advogado para uma 2º opinião bastante mais educada do que a minha é certo. Desenganem-se aqueles que ainda pensam que justiça é = a lei, que o Pai Natal existe e que o Coelhinho da Páscoa é um coelho engraçado que vive na Ilha da Páscoa e põe uns ovos coloridos.quinta-feira, outubro 08, 2009
BRILHANTE
"Isto significa algo que toda a gente sabe muito bem: desde há séculos que Portugal tem uma elite mentecapta, incapaz de dirigir o País. Felizmente o povo é excelente e sempre compensa o disparate dos nobres". - João César das Neves in Semi-sistema, jornal Destak, p. 19.
sexta-feira, agosto 28, 2009
terça-feira, agosto 25, 2009
"MUDA DE VIDA, ESTÁS SEMPRE A TEMPO DE MUDAR"
Já dizia António Variações com uma certa razão.
Mudar de vida é iniciar um ciclo e terminar outro. A afirmação é um lugar comum e um mero exercício de lógica.
Mudamos porque queremos, mudamos porque não queremos, mudamos porque sim, mudamos porque não.
Mudar é testar os nossos limites, a nossa capacidade de adaptação. Mudar é partir à descoberta, é aprender coisas novas, é conhecer novas pessoas, é olhar o mundo com outros olhos.
Mudar é crescer.
Mudar não é fácil, se o fosse não existiam aquelas pessoas que insistem e persistem naquela imutabilidade estúpida e ignorante de quem marra contra uma parede na crença de que, mais marrada menos marrada, vai aparecer ali uma porta.
Asnos?
Talvez.
Julgá-las é fácil por ser algo demasiado simplista e compreendê-las requer um exercício complexo no qual se torna necessário reduzir a actividade intelectual a um nível mínimo, de modo a conseguir uma espécie de plataforma de comunicação, geralmente, do tipo pré-verbal. Demasiado esforço para tão poucos resultados. Não constituem, propriamente, um desafio e a vantagem de se ter ultrapassado, largamente, a fase da adolescência é o facto de não termos de executar tal exercício a menos que tenhamos alguma curiosidade intelectual sobre o sujeito.
Na maior parte das vezes, trata-se de um propósito meramente lúdico, confesso.
Mas mudar é preciso e estamos sempre a tempo de o fazer, quer seja superficialmente como mudar o visual de um blogue, quer seja profundamente como mudar a nossa atitude perante o mundo tendo por certo que, qualquer que seja o caminho que se escolha, vão existir sempre contrariedades.
Dito isto, e terminado o necessário período de silêncio, eis-me de regresso com um novo visual e uma nova atitude.
segunda-feira, julho 13, 2009
JULGAR PELAS APARÊNCIAS

"A beleza é uma forma de Génio... diria mesmo que é mais sublime do que o Génio por não precisar de qualquer explicação. É um dos grandes factos do mundo, como a luz do sol ou a Primavera, ou o reflexo nas escuras águas dessa concha de prata a que chamamos lua. É inquestionável. Tem um direito de soberania divino. Eleva os seus possuidores à categoria de príncipes. Está a sorrir ? Ah, quando a tiver perdido com certeza que não há-de sorrir... às vezes as pessoas dizem que a Beleza é apenas superficial, e pode bem ser. Mas pelo menos não é tão superficial como o Pensamento. Para mim, a Beleza é a maravilha das maravilhas. Só as pessoas frívolas é que não julgam pelas aparências. O verdadeiro mistério do mundo é o visível e não o invisível... "
Oscar Wilde, in 'O Retrato de Dorian Gray'
quinta-feira, julho 09, 2009
AS ETERNAS CRIANÇAS
Não querendo chocar os leitores mais assíduos devo dizer-vos que por vezes é, bestialmente, interessante ter conhecimento - em primeira mão - sobre o que outros povos pensam de nós e contrariamente à percepção que o vulgar turista possa ter, aquilo que pensam de nós é francamente negativo.
A caracterização mais soft é aquela em que nos caracterizam como pessoas que nunca cresceram e que não têm qualquer respeito ou preocupação por aquilo que não tenha a ver com o próprio. Nada mais importa a não ser o seu próprio umbigo, sendo que esse é um comportamento generalizado que se manifesta em, praticamente, tudo do dia-a-dia e que vai desde a atitude desleixada e irresponsável da classe política até à condução irresponsável e criminosa dos condutores portugueses que, diariamente, colocam em perigo a segurança rodoviária, passando pela forma descuidada como tratam a coisa pública.
Somos então:
- crianças grandes,
- invejosas,
- mal educadas,
- desorganizadas,
- atribuímos sempre as culpas aos outros meninos,
- estamos sempre à espera (e quase que exigimos) que alguém tome conta de nós,
- estamos sempre a queixarmo-nos,
- e funcionamos à base do sentimento da pena (um bocado como aqueles putos ranhosos que andam a pedir na rua).
Para quem está de fora, isso é algo tão notório que só não vê quem não quer.
A mim, perguntaram-me o que é que estava aqui a fazer uma vez consideraram que não me enquadrava, exactamente, neste tipo perfil e porque seria muito mais bem sucedida noutro sítio. Honestamente, esta é uma pergunta que me colocam frequentemente, mas eu nunca sei o que responder. Tenho perfeita consciência de que seria muito mais bem sucedida noutro sitio, mas este é o meu país e acredito que todas as crianças podem ser educadas, podem crescer e podem transformar-se em adultos responsáveis. Sei também que não sou a única a pensar assim e talvez seja por isso que ainda estou aqui. Por vezes caímos, perdemos a motivação e é dificil encontrar aquela força que nos faz levantar. Mas encontramos e então erguemo-nos outra vez e continuamos a lutar por aquilo em que acreditamos. Marcamos a diferença e destacamo-nos da multidão da E.B 2/3 mesmo que seja em pequenas coisas.
Acho que isso por si só é um bom indicador de que é possível mudar... ou pelo menos eu acredito que sim.
terça-feira, junho 16, 2009
sexta-feira, junho 12, 2009
O GÉNIO DE BORIS

"Le pluriel d'un maréchal, c'est des maraîchers. Le pluriel d'un général, c'est des générés" - por Boris Vian
sexta-feira, maio 15, 2009
RUPTURAS (I)
São sempre um drama.
Anda tudo à estalada, puxam-se cabelos, insultam-se as partes, atiram-se os putos de um lado para o outro à laia de bolinhas de ping pong, atiram-se os amigos, cerram-se fileiras num campo de batalha escandalosamente imbecil.
É uma guerra.
Não há espaço para civilidade, nem tempo para limpar armas e quando não as há, atiram-se pedras ao estilo de intifada privada, pessoal.
Quando se verifica uma ruptura num relacionamento pessoal é porque a mesma está associada a um sentimento de insatisfação numa das partes. Sentimento esse que cresce ao longo do tempo e que culmina numa divergência de posições quanto àquilo que outrora fora comum. Identificado a tempo poderá ocorrer algum tipo de conciliação, mas não é coisa fácil perceberem-se os sinais, até porque na maior parte das vezes esses aproximam-se, pé ante pé, de pantufas e quando se dá por eles já está o caldo entornado.
Será, então, seguro dizer-se que um sentimento de insatisfação conduz à ruptura. Se assim é para tantas outras coisas da vida de um individuo, porque deveriam ser os relacionamentos pessoais uma excepção? Não será o sentimento de insatisfação, aquele que conduz à procura de outras oportunidades em termos profissionais? Não será o sentimento de insatisfação, na sua forma massificada, aquele que conduz às mudanças de regimes políticos ou de governos? Não será o sentimento de insatisfação, aquele que conduz ao avanço científico?
No âmbito das relações sociais os indivíduos olham para as rupturas com uma certa suspeição. Olham para as rupturas como algo naturalmente mau que interrompe um determinada ordem pré-estabelecida. É normal. Um indivíduo que olhe para uma ruptura como um início e não como um fim está, sem qualquer dúvida, tolinho.
As rupturas são um fim.
Toda a gente sabe disso. Somos treinados desde pequeninos a aceitar e a respeitar essa espécie de ordem social pré-estabelecida que nos diz, que tudo aquilo que implica uma ruptura com algo que está para trás é, naturalmente, mau. Negativo. A evitar. Porém, raramente alguém pergunta se esse algo que está para trás é, naturalmente, bom.
É do conhecimento geral que o ser humano tende para procurar aquilo que lhe traz estabilidade, conforto e segurança quer a nível profissional, quer a nível pessoal. Contudo, dizem alguns especialistas internacionais, que ao longo da vida, deve o indivíduo procurar diversas experiências profissionais. Deve, portanto, mudar. Adquirir novos conhecimentos, novas aptidões, novas competências. Deve ser capaz de se adaptar a um mundo em constante mudança, em constante evolução. No entanto, a aplicação do mesmo ao nível pessoal dá origem a alguma controvérsia. Não é visto com bons olhos.
À generalidade dos olhos, as mudanças nos relacionamentos pessoais são como que uma espécie de pecado capital. Por assimilação de verdades universais, hipocrisias sociais ou a velhinha, mas sempre actual, pressão cultural – cada um desculpa-se como quer face à sua própria limitação ou incapacidade de articulação intelectual – um relacionamento pessoal é uma cruz que cada um deve carregar. E qual Cristo a caminho do Calvário! A cruzinha é que não pode faltar nas costinhas de cada um.
Quando alguém diz; «Foda-se! Carrega-a tu se quiseres que eu já ‘tou farto!», é o fim da macacada. Há chiliques, afrontamentos, taquicardias, hiper-ventilação e lágrimas com fartura. Do rol fazem também parte vingancinhas, ameaçazinhas e outras coisinhas comezinhas, cujo interesse é manifestamente nulo. A verdade, é que o herege teve a lata de mandar a cruz às urtigas e agora quem quiser que lá vá buscá-la.
Eu, herege, me confesso.
Uma ruptura é um início mais do que um fim e a vida não é um fardo, nem uma cruz que deva ser carregada a caminho de um Calvário. O livre arbítrio dota-nos da capacidade de escolher entre os diversos caminhos que se nos apresentam, cabendo-nos a liberdade de optar.
Certamente que há aqueles que amam carregar cruzes e fardos e que se lamentam alegremente por tal feito. Embrulham o seu discurso pseudo-moral num tom de papel solene, colocam uma fitinha dourada à volta e acham que estão a fazer uma grande coisa. Conheço casos assim e fico feliz por eles. Quer saibam, quer não esse encantamento que tem pelo sofrimento de carregar uma cruz torna-os felizes. Se estão felizes estão, consequentemente, satisfeitos e como tal não sentem o apelo da mudança.
(continua).
sexta-feira, abril 24, 2009
O GÉNIO DE PESSOA (IV)

"A Inutilidade dos Sindicatos
A sindicação, saída da liberdade como o monopólio espontâneo, é igualmente inimiga dela, e sobretudo das vantagens dela; é-o com menos brutalidade e evidência e, por isso mesmo, com mais segurança. Um sindicato ou associação de classe — comercial, industrial, ou de outra qualquer espécie — nasce aparentemente de uma congregação livre dos indivíduos que compõem essa classe; como, porém, quem não entrar para esse sindicato fica sujeito a desvantagens de diversa ordem, a sindicação é realmente obrigatória. Uma vez constituído o sindicato, passam a dominar nele — parte mínima que se substitui ao todo — não os profissionais (comerciantes, industriais, ou o que quer que sejam), mais hábeis e representativos, mas os indivíduos simplesmente mais aptos e competentes para a vida sindical, isto é, para a política eleitoral dessas agremiações. Todo o sindicato é, social e profissionalmente, um mito. "
Fernando Pessoa, in 'Ideias Filosóficas'
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