Adoro estas cenas porque o pessoal pode inventar ‘bué’! Assim sendo vamos inventar ao sabor da nossa imaginação e criatividade.
Ontem, como não podia deixar de ser, estive a ver o debate...
Quer dizer, a ver mesmo a ver do principio ao fim, de uma ponta à outra não vi porque, entretanto o horário do debate coincidia com as séries, “The Agency” e “C.S.I”, no canal AXN e isto uma pessoa tem as suas prioridades. Entre as séries e o debate, quer dizer nem é preciso pensar muito no que é que se escolhe. É a mesma coisa que ter de escolher entre comer papas de aveia e um belo de um bifão, sendo que já todos sabemos quem são as papas de aveia.
Bom, mas adiante. Vi partes do debate – no intervalo das séries mudava para a RTP 1 para ver como estavam as coisas – e cheguei à conclusão que eu devia era votar no Jerónimo de Sousa. Porquê? Por vários motivos:
1º Porque o PSL parecia o Tico;
2º Porque o Sócrates parecia o Teco;
3º Porque o «tio» Paulo não devia ter defendido a coligação;
4º Porque o Francisco Louçã é do BE e não precisa de mais nenhuma justificação.
Por exclusão de partes, a única pessoa normal é o Jerónimo de Sousa que teve a sorte de ficar afónico ( e devia ter ficado surdo também, que era para não ouvir nem ficar contagiado pelas asneiradas dos outros), e de não poder participar no debate. O único handicap que este senhor tem, é ser do Partido Comunista. Isto é que é um azar do caraças, porque só por causa deste detalhe eu não posso votar nele!! Está mal!
E porque este senhor é do PCP, eu volto ao meu problema inicial. Não sei em quem votar, porque é assim:
- Votar no PSD, está fora de questão enquanto PSL’s, Sarmentos e corjas afins estiverem no partido. Não posso aceitar que os maiores responsáveis pela crise económica em que o país se encontra, passem o tempo a acusar o executivo anterior por asneiras que foram eles que cometeram e não conseguiram resolver.
- Votar no PS, é como dar um tiro na cabeça. É impossível de aceitar que aqueles que foram os responsáveis pela crise financeira em que deixaram o país, se voltem a sentar na cadeira do poder. Para quê? Para fazerem mais estudos? Isto é assim, não é preciso estudar mais nada, é preciso é que façam alguma coisa. Estudos já há com fartura.
- Votar no PP, é como assinar um cheque em branco. Não se sabe para que lado é que a coisa vai cair. Arriscar uma nova coligação é como estar a dar um voto de confiança ao PSD e isso nem pensar. É verdade que, na minha perspectiva, votar no PP seria a coisa mais inteligente a fazer desde que, não houvesse o risco de se coligarem com o PSD. Havendo este risco, não só aumenta as possibilidades do PSD regressar ao governo, como aumenta as possibilidades de não se conseguir correr com o PSL da liderança do partido.
- Votar no BE, não é uma opção.
- Votar no PCP, também não é uma opção.
Resumindo, estamos todos lixados com um ‘F’ grande... que tristeza.
"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
quarta-feira, fevereiro 16, 2005
terça-feira, fevereiro 15, 2005
Por um Sistema Educativo ao Serviço dos Portugueses – Fórum para a Liberdade da Educação
Hoje recebi esta carta aberta do Fórum para a Liberdade da Educação e como se trata de uma carta aberta (tal como o nome indica), resolvi publicá-la no meu blog (sim, porque este blog é meu e não o dou a ninguém), com uns comentários adicionais.
No entanto, devo alertar os meus estimados leitores que, estes moços – ainda que não sejam nenhuns tontinhos – andam de mãos dadas com os moços da Causa Liberal (contra os quais não tenho absolutamente nada, excepto o facto de que quando se é independente, é-se independente e não se vive à pala do O.E, porque se é para se viver à pala do O.E então eu também sou super-liberal).
Começa assim a carta:
«Todos conhecemos as enormes deficiências que desde longa data caracterizam o nosso sistema de ensino, por mais investimentos e esforços que sucessivos Governos, de diferentes orientações políticas, realizem. Os sintomas mais evidentes da doença crónica de que padece são a altíssima taxa de abandono e o elevado nível de insucesso escolar, com pouco mais de metade da população estudantil a completar o ensino secundário.»
- Pois é verdade. Infelizmente os números não mentem. As taxas de insucesso e de abandono escolar são catastróficas e não se resolvem nem com mais injecções de financiamento, nem com o passar de ano as criancinhas que são burras que nem portas. É de facto chato ouvir chamar as criancinhas de burras e estúpidas como penedos, a maior parte dos pais prefere depositar toda a responsabilidade na qualidade dos professores e escudar-se na ideia de que se os seus rebentos não aprendem é porque o professor não presta. É também verdade, mas os professores estão longe de ser os únicos responsáveis pela catástrofe. Desde pequenino que sempre ouvi dizer que a Educação começa em casa, logo está identificado o primeiro foco de conflito. Eu não sei se já ouviram dizer, mas no Reino Unido os pais das criancinhas vão passar a ser responsabilizados criminalmente pelo mau comportamento dos seus pequenos hooligans.
«Todos sabemos que o futuro de Portugal exige uma profunda mudança no nosso sistema de ensino. A mudança que se exige é colocar o sistema de ensino totalmente ao serviço dos seus destinatários, i.e. dos alunos. Isso significa tornar a liberdade de educação no primeiro e mais importante princípio organizativo do sistema. Só assim poderemos ter um sistema educativo livre e responsável, onde os alunos possam exercer o seu direito de opção e os professores oferecer projectos educativos em que acreditem e que simultaneamente satisfaçam os requisitos de uma educação de qualidade. Só assim poderemos garantir a igualdade de oportunidades a todos os portugueses no exercício do direito à educação.»
- Como diriam os americanos: “I’m not followin’ it”... Concordo que o sistema de ensino deva ser colocado ao serviço dos seus destinatários, mas igualdade de oportunidades pela diferença não estou a ver como funciona, a não ser que apenas se estejam a referir ao facto de todos terem igual oportunidade de poder escolher o projecto que consideram ser o melhor para os seus ‘chuchuzinhos’. No entanto, não é isso que está escrito no parágrafo acima referido.
«Nesta conformidade, o Fórum para a Liberdade de Educação vem apelar aos candidatos a deputados dos partidos para quem a liberdade de escolha é condição da dignidade humana, para clarificarem o seu pensamento acerca das seguintes prioridades de acção:
1.Cumprir os preceitos constitucionais que reconhecem aos cidadãos (e às famílias, no caso dos menores) o direito e o dever de livremente escolher o estabelecimento de ensino que preferem, incluindo entre escolas estatais — i.e. o fim do zonamento das escolas, sem prejuízo da manutenção da prioridade aos alunos que vivam na vizinhança e aos irmãos.»
- Não discordo, por vários motivos sendo que, logo à cabeça, sou um grande defensor da Liberdade de escolha e este é um principio que aplico quer se trate do tema da educação, quer se trate do tema do aborto ou quer se trate do tema da eutanásia (por este motivo também é que eu detesto os tipos do telemarketing que, tentam condicionar à força a escolha das pessoas. Cada vez que me aparece um pela frente só me apetece dar-lhe pontapés na cabeça).
«2. Assegurar a todos os cidadãos os necessários meios para poderem optar livremente entre qualquer escola. »
- É assim, se este segundo ponto não desse tanto pano para mangas eu até poderia dizer, de caras, que concordo. Só que como se verá nos pontos a seguir, este segundo tópico de inocente tem muito pouco, logo em primeiro lugar porque não explicam o que entendem por “necessários meios” e se partirmos do princípio que aquilo que um considera como um meio necessário, não é o que outro considera como um meio necessário, já temos aqui um belo caldinho montado.
«3. Separar as funções do Estado de garante da liberdade de educação a todos os cidadãos — através da regulação, avaliação, inspecção, acreditação e financiamento dos cidadãos sem recursos económicos, de acordo com o princípio da subsidiariedade — das funções de gestão do Estado enquanto “dono” das escolas estatais.»
- Eu não disse!... Isto é tudo muito giro e até falam do principio da subsidariedade (o que é muito bonito e consta dos Tratados da U.E), mas vamos lá a ver uma coisa ou há liberdade de escolha efectiva ou há uma hipocrisia mascarada de Liberdade de escolha. Porque é que não são um pouco mais claros e distinguem claramente a esfera pública, da esfera privada? É que se por um lado defendem que os estabelecimentos de ensino devem ser livres de criar e seguir os seus projectos educativos (principio com o qual eu concordo), então depois não venham pedir ‘batatinhas’ e também não é, criar escolinhas privadas com os excedentes das escolas públicas para sacar mais uns ‘tustos’ ao Estado, porque há uma série de estabelecimentos de ensino que – se dizem privados e - vivem única e exclusivamente disto. Isto é a mesma coisa que, a Ilha da Madeira querer ser independente e depois querer também continuar a receber fundos de Portugal Continental. Assim qualquer um consegue encher-se de ar quente e dizer aos sete ventos que é independente. O Estado não tem que sustentar estabelecimentos de ensino privados, principalmente porque já tem muito trabalho em sustentar os públicos.
« 4. Fortalecer a gestão nas escolas do Estado, com plena autonomia administrativa, financeira e pedagógica e correspondente responsabilização, acompanhada da estabilização do corpo docente e de avaliações externas exaustivas do serviço prestado e de uma forte exigência na prestação de contas.»
- Por acaso concordo com este ponto apesar de ter algumas dúvidas quanto ao que é que querem dizer com “plena autonomia”. Se a “plena autonomia” significa “plena autonomia” no âmbito dos objectivos estratégicos estabelecidos pela política de educação, então concordo.
«5. Desenvolver programas experimentais de concessão da gestão de escolas do Estado.»
- Mas é que nem pensem nisso! Já chega de experiências com a educação. É que cada vez que vem um imbecil com uma ideia nova, é uma geração que fica hipotecada. Querem programas experimentais? Vão ao Totta e abram uma escolinha privada e com o vosso dinheiro onde possam fazer todas as experiências que quiserem. Agora com o meu dinheiro e com o dinheiro do resto dos contribuintes não há cá joguinhos do tipo “Vamos brincar à Escolas”.
« 6. Todo e qualquer aumento por iniciativa do Estado da rede de serviço público de educação ser obrigatoriamente feito em regime de concessão por concurso público, à semelhança do que tem vindo a ser feito com sucesso em diversos países europeus e não-europeus»
- E que tal o rabiosque lavado com água de rosas? Gostava de saber quais são os “diversos países europeus”, porque dos Sistemas Educativos que conheço (e que ainda são alguns e que estão disponíveis no EURYDICE), não vem lá nenhuma referência a isso e mesmo que viesse, não deixava de ser uma ideia imbecil. O que é público é público, o que é privado é privado e as concessões só servem para gerir bares nas praias e portagens nas auto-estradas, porque se me vierem falar na porcaria que os hospitais de gestão privada estão a fazer eu mando-vos pastar e é porque estou bem disposto.
« 7. Flexibilizar os currículos, com redução da componente obrigatória aos conhecimentos e competências verdadeiramente essenciais, de forma a permitir que as escolas desenvolvam currículos próprios adaptados às necessidades de cada aluno e sejam responsabilizadas pelo respectivo percurso escolar.»
- Flexível sim, mas a flexibilização tem limites.
«8. Alterar os parâmetros de financiamento das escolas, introduzindo como aspectos centrais o número de alunos e respectiva caracterização sócio-cultural, os níveis de abandono escolar e o grau de sucesso educativo atingido.»
- Não discordo. No entanto, não me parece que os níveis de abandono escolar e grau de sucesso educativo sejam necessários, por uma razão muito simples: se houver abandono escolar, há menos alunos, se há menos alunos, há menos dinheiro. Fácil e não tem muita ciência. E é a mesma coisa com o grau de sucesso educativo.
«9. Integrar plenamente as escolas profissionais na rede de serviço público de educação, garantindo o seu financiamento nos mesmos termos que as restantes.»
- Então porquê? Já se lhes acabou o dinheiro dos fundos europeus, foi? Já não há dinheiro para comprar mais jipes? Estão com a cordita na garganta é? É chato... Mas é assim, não fiquem aborrecidos, com a corda na garganta está a maioria da população portuguesa. Sejam solidários, ou então promovam uma iniciativa para angariação de fundos.
«10. Aprovar uma nova Lei de Bases da Educação que defina apenas os princípios fundamentais do sistema educativo português e deixe a concretização destes para posterior regulamentação, de acordo com o espaço de liberdade de decisão que caracteriza as verdadeiras democracias.»
- Havia de ser lindo! O pessoal já não se consegue orientar com as coisas todas escritas e à frente do nariz, que faria se só tivessem os princípios fundamentais! É assim, a ideia do precedente é gira e funciona bem nos países anglo-saxónicos. Nós não somos anglo-saxónicos, aquilo que funciona bem nos outros, pode não funcionar assim tão bem quando aplicado à realidade portuguesa. Portanto, é conveniente ter dois dedinhos de testa antes de abrir a boca para dizer asneiras (algo que costumo fazer constantemente... dizer asneiras).
Quanto aquilo que caracteriza “as verdadeiras democracias”, aqui a doutrina diverge. Se considerarmos que a ‘Democracia’ é, na perspectiva de Aristóteles, é consequência da degeneração de um regime perfeito, não sei se terá assim tanto interesse defender a ideia de “verdadeiras democracias”.
No entanto, devo alertar os meus estimados leitores que, estes moços – ainda que não sejam nenhuns tontinhos – andam de mãos dadas com os moços da Causa Liberal (contra os quais não tenho absolutamente nada, excepto o facto de que quando se é independente, é-se independente e não se vive à pala do O.E, porque se é para se viver à pala do O.E então eu também sou super-liberal).
Começa assim a carta:
«Todos conhecemos as enormes deficiências que desde longa data caracterizam o nosso sistema de ensino, por mais investimentos e esforços que sucessivos Governos, de diferentes orientações políticas, realizem. Os sintomas mais evidentes da doença crónica de que padece são a altíssima taxa de abandono e o elevado nível de insucesso escolar, com pouco mais de metade da população estudantil a completar o ensino secundário.»
- Pois é verdade. Infelizmente os números não mentem. As taxas de insucesso e de abandono escolar são catastróficas e não se resolvem nem com mais injecções de financiamento, nem com o passar de ano as criancinhas que são burras que nem portas. É de facto chato ouvir chamar as criancinhas de burras e estúpidas como penedos, a maior parte dos pais prefere depositar toda a responsabilidade na qualidade dos professores e escudar-se na ideia de que se os seus rebentos não aprendem é porque o professor não presta. É também verdade, mas os professores estão longe de ser os únicos responsáveis pela catástrofe. Desde pequenino que sempre ouvi dizer que a Educação começa em casa, logo está identificado o primeiro foco de conflito. Eu não sei se já ouviram dizer, mas no Reino Unido os pais das criancinhas vão passar a ser responsabilizados criminalmente pelo mau comportamento dos seus pequenos hooligans.
«Todos sabemos que o futuro de Portugal exige uma profunda mudança no nosso sistema de ensino. A mudança que se exige é colocar o sistema de ensino totalmente ao serviço dos seus destinatários, i.e. dos alunos. Isso significa tornar a liberdade de educação no primeiro e mais importante princípio organizativo do sistema. Só assim poderemos ter um sistema educativo livre e responsável, onde os alunos possam exercer o seu direito de opção e os professores oferecer projectos educativos em que acreditem e que simultaneamente satisfaçam os requisitos de uma educação de qualidade. Só assim poderemos garantir a igualdade de oportunidades a todos os portugueses no exercício do direito à educação.»
- Como diriam os americanos: “I’m not followin’ it”... Concordo que o sistema de ensino deva ser colocado ao serviço dos seus destinatários, mas igualdade de oportunidades pela diferença não estou a ver como funciona, a não ser que apenas se estejam a referir ao facto de todos terem igual oportunidade de poder escolher o projecto que consideram ser o melhor para os seus ‘chuchuzinhos’. No entanto, não é isso que está escrito no parágrafo acima referido.
«Nesta conformidade, o Fórum para a Liberdade de Educação vem apelar aos candidatos a deputados dos partidos para quem a liberdade de escolha é condição da dignidade humana, para clarificarem o seu pensamento acerca das seguintes prioridades de acção:
1.Cumprir os preceitos constitucionais que reconhecem aos cidadãos (e às famílias, no caso dos menores) o direito e o dever de livremente escolher o estabelecimento de ensino que preferem, incluindo entre escolas estatais — i.e. o fim do zonamento das escolas, sem prejuízo da manutenção da prioridade aos alunos que vivam na vizinhança e aos irmãos.»
- Não discordo, por vários motivos sendo que, logo à cabeça, sou um grande defensor da Liberdade de escolha e este é um principio que aplico quer se trate do tema da educação, quer se trate do tema do aborto ou quer se trate do tema da eutanásia (por este motivo também é que eu detesto os tipos do telemarketing que, tentam condicionar à força a escolha das pessoas. Cada vez que me aparece um pela frente só me apetece dar-lhe pontapés na cabeça).
«2. Assegurar a todos os cidadãos os necessários meios para poderem optar livremente entre qualquer escola. »
- É assim, se este segundo ponto não desse tanto pano para mangas eu até poderia dizer, de caras, que concordo. Só que como se verá nos pontos a seguir, este segundo tópico de inocente tem muito pouco, logo em primeiro lugar porque não explicam o que entendem por “necessários meios” e se partirmos do princípio que aquilo que um considera como um meio necessário, não é o que outro considera como um meio necessário, já temos aqui um belo caldinho montado.
«3. Separar as funções do Estado de garante da liberdade de educação a todos os cidadãos — através da regulação, avaliação, inspecção, acreditação e financiamento dos cidadãos sem recursos económicos, de acordo com o princípio da subsidiariedade — das funções de gestão do Estado enquanto “dono” das escolas estatais.»
- Eu não disse!... Isto é tudo muito giro e até falam do principio da subsidariedade (o que é muito bonito e consta dos Tratados da U.E), mas vamos lá a ver uma coisa ou há liberdade de escolha efectiva ou há uma hipocrisia mascarada de Liberdade de escolha. Porque é que não são um pouco mais claros e distinguem claramente a esfera pública, da esfera privada? É que se por um lado defendem que os estabelecimentos de ensino devem ser livres de criar e seguir os seus projectos educativos (principio com o qual eu concordo), então depois não venham pedir ‘batatinhas’ e também não é, criar escolinhas privadas com os excedentes das escolas públicas para sacar mais uns ‘tustos’ ao Estado, porque há uma série de estabelecimentos de ensino que – se dizem privados e - vivem única e exclusivamente disto. Isto é a mesma coisa que, a Ilha da Madeira querer ser independente e depois querer também continuar a receber fundos de Portugal Continental. Assim qualquer um consegue encher-se de ar quente e dizer aos sete ventos que é independente. O Estado não tem que sustentar estabelecimentos de ensino privados, principalmente porque já tem muito trabalho em sustentar os públicos.
« 4. Fortalecer a gestão nas escolas do Estado, com plena autonomia administrativa, financeira e pedagógica e correspondente responsabilização, acompanhada da estabilização do corpo docente e de avaliações externas exaustivas do serviço prestado e de uma forte exigência na prestação de contas.»
- Por acaso concordo com este ponto apesar de ter algumas dúvidas quanto ao que é que querem dizer com “plena autonomia”. Se a “plena autonomia” significa “plena autonomia” no âmbito dos objectivos estratégicos estabelecidos pela política de educação, então concordo.
«5. Desenvolver programas experimentais de concessão da gestão de escolas do Estado.»
- Mas é que nem pensem nisso! Já chega de experiências com a educação. É que cada vez que vem um imbecil com uma ideia nova, é uma geração que fica hipotecada. Querem programas experimentais? Vão ao Totta e abram uma escolinha privada e com o vosso dinheiro onde possam fazer todas as experiências que quiserem. Agora com o meu dinheiro e com o dinheiro do resto dos contribuintes não há cá joguinhos do tipo “Vamos brincar à Escolas”.
« 6. Todo e qualquer aumento por iniciativa do Estado da rede de serviço público de educação ser obrigatoriamente feito em regime de concessão por concurso público, à semelhança do que tem vindo a ser feito com sucesso em diversos países europeus e não-europeus»
- E que tal o rabiosque lavado com água de rosas? Gostava de saber quais são os “diversos países europeus”, porque dos Sistemas Educativos que conheço (e que ainda são alguns e que estão disponíveis no EURYDICE), não vem lá nenhuma referência a isso e mesmo que viesse, não deixava de ser uma ideia imbecil. O que é público é público, o que é privado é privado e as concessões só servem para gerir bares nas praias e portagens nas auto-estradas, porque se me vierem falar na porcaria que os hospitais de gestão privada estão a fazer eu mando-vos pastar e é porque estou bem disposto.
« 7. Flexibilizar os currículos, com redução da componente obrigatória aos conhecimentos e competências verdadeiramente essenciais, de forma a permitir que as escolas desenvolvam currículos próprios adaptados às necessidades de cada aluno e sejam responsabilizadas pelo respectivo percurso escolar.»
- Flexível sim, mas a flexibilização tem limites.
«8. Alterar os parâmetros de financiamento das escolas, introduzindo como aspectos centrais o número de alunos e respectiva caracterização sócio-cultural, os níveis de abandono escolar e o grau de sucesso educativo atingido.»
- Não discordo. No entanto, não me parece que os níveis de abandono escolar e grau de sucesso educativo sejam necessários, por uma razão muito simples: se houver abandono escolar, há menos alunos, se há menos alunos, há menos dinheiro. Fácil e não tem muita ciência. E é a mesma coisa com o grau de sucesso educativo.
«9. Integrar plenamente as escolas profissionais na rede de serviço público de educação, garantindo o seu financiamento nos mesmos termos que as restantes.»
- Então porquê? Já se lhes acabou o dinheiro dos fundos europeus, foi? Já não há dinheiro para comprar mais jipes? Estão com a cordita na garganta é? É chato... Mas é assim, não fiquem aborrecidos, com a corda na garganta está a maioria da população portuguesa. Sejam solidários, ou então promovam uma iniciativa para angariação de fundos.
«10. Aprovar uma nova Lei de Bases da Educação que defina apenas os princípios fundamentais do sistema educativo português e deixe a concretização destes para posterior regulamentação, de acordo com o espaço de liberdade de decisão que caracteriza as verdadeiras democracias.»
- Havia de ser lindo! O pessoal já não se consegue orientar com as coisas todas escritas e à frente do nariz, que faria se só tivessem os princípios fundamentais! É assim, a ideia do precedente é gira e funciona bem nos países anglo-saxónicos. Nós não somos anglo-saxónicos, aquilo que funciona bem nos outros, pode não funcionar assim tão bem quando aplicado à realidade portuguesa. Portanto, é conveniente ter dois dedinhos de testa antes de abrir a boca para dizer asneiras (algo que costumo fazer constantemente... dizer asneiras).
Quanto aquilo que caracteriza “as verdadeiras democracias”, aqui a doutrina diverge. Se considerarmos que a ‘Democracia’ é, na perspectiva de Aristóteles, é consequência da degeneração de um regime perfeito, não sei se terá assim tanto interesse defender a ideia de “verdadeiras democracias”.
sexta-feira, fevereiro 11, 2005
RESUMO DA ACTIVIDADE POLÍTICA DA SEMANA
Segunda-feira: Vi o tempo de antena na televisão. Chorei de tanto rir e confirmei que estamos todos mesmo tramados.
O partido Humanista, não se sabe muito bem o que é que é mas ao menos dizem que não são políticos (o que aliás se nota muito bem, não havendo necessidade de tal afirmação). Ideias, ideias... enfim, continuem a mandar postais.
O partido nacional renovador, eu sei o que é que é (são os amigos de Olivença em formato undercover), mas duvido que mais alguém saiba. São uns épicos, adeptos do Portugal tradicional do século XVIII conservado a bolas de naftalina. É até uma perspectiva romântica não fora o facto de estarem um pouco desactualizados. Se para começar, se inscrevessem numa pós-graduação de Ciência Política até poderiam conseguir alguma expressividade no futuro.
O Partido na Nova Democracia; Ai o tio Manuel Monteiro!.... Perdeu-se o homem. Defendem umas ideias curiosas, das quais eu jamais esquecerei a moça que perguntava aos eleitores: “Numa altura em que se discute o aborto, quem é que defende os direitos das mulheres que querem dedicar a sua vida a ter filhos?”. E eu dei comigo a pensar... Esta «gaija» deve estar a brincar certamente! A vir para a classe média com esta conversa, deve achar que o pessoal ganha ‘muita’ bem para andar p’rá aí a largar rebentos a torto e a direito. Para além disso, no entretanto as mulheres emanciparam-se e as suas prioridades mudaram, ainda que continue a haver pressão social por parte do núcleo familiar para que a mulher assuma o seu papel tradicional. E é por causa destas e outras que, continua a existir discriminação entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Uma coisa é incentivar a constituição de famílias, outra coisa é aparecer uma tipa na televisão a manifestar uma ideia absurda daquelas.
A CDU; o 25 do A já foi há tanto tempo e eles continuam a funcionar na mesma frequência. Há coisas que nunca mudam... isto é, assim mudar mudar, não mudam, mas quando se assiste a um Partido Comunista a apelar aos católicos não deixa de ser interessante (lá se vai a ideia de que a religião é o opium do povo), o tio Marx deve andar ás voltas na tumba... Se bem que ele já deve andar com azia desde a revolução bolchevique, coitado...
O BE; Têm uns spots fabulosos. Mas depois abrem a boca e estragam tudo. Paciência, ninguém é perfeito.
O PS; Têm uns bons assessores de imagem e de marketing político, mas o barco tem uns valentes rombos no casco. São um bocado como o Titanic, são todos muito giros e muito frescos, mas quando começam a meter água já só acabam quando afundarem completamente. Dizem que não mandam mais homens para o Iraque, pois não... O nosso compromisso nessa área já terminou, porque é que haveriam de mandar mais homens? Para além disso, estes senhores são uns mestres na arte da fuga (sim, apesar de não haver alternativa na escolha, o pessoal não tem a memória curta), e devem ter dado formação profissional a alguns elementos do PSD. Um programa de intercâmbios, talvez.
O PSD; é um partido que foi tomado de assalto por um bandinho de gente mal-amada e frustrada. Eles bem querem passar a ideia de que são competentes, mas competentes são aqueles que desempenham o seu trabalho com um profissionalismo irrepreensível. Têm um sentido e uma postura de Estado e as suas fotografias não aparecem escarrapachadas na primeira página dos cadernos do ‘New York Times’ da semana passada, com o título de “Como chegaram a isto”. Competentes, são aqueles que aceitam os erros cometidos e cuidam para que não voltem a comete-los. Não se vitimam constantemente, nem choram sobre o leite derramado porque isso não resolve porcaria nenhuma. Por isso, quando optam por uma música de campanha que apela ao sentimento do coitadinho e da auto-comiseração na onda do «eu também sou muito frágil, pobre de mim», eu só digo uma coisa: “Ide pastar!”. Se não aguentam o tranco, não se metam nele, ou como diriam os nossos amigos ‘amaricanos’; «If you can’t stand the heat, stay out of the kitchen».
Mais, os portugueses olham para o Estado como este se tratasse de uma figura paternal. Um pai é, por norma, a figura masculina que representa a autoridade e o respeito, e um pai que não se dá ao respeito, nunca ou muito dificilmente ganha o respeito dos seus filhos (para além de que a história da autoridade é a primeira a ir com os porcos). Um pai que não protege os seus filhos, também não serve para nada, porque se os seus filhos têm de se dotar de mecanismos de defesa próprios então, não há necessidade de haver um pai. O que acontece nestes casos, é que depois quando o pai precisa dos seus filhos o mais certo é que irá acabar, a definhar, num lar escolhido pelos seus meninos. Daí que a lei de Murphy advirta os leitores para a máxima: «Cuidado com a forma como trata os seus filhos, pois serão eles a escolher o seu lar».
O CDS/PP; têm uma estratégia eleitoral bastante inteligente. Têm uma boa postura de Estado e têm a grande vantagem de não terem sido os responsáveis pela queda do governo. Na primeira fase tiveram azar com a ministra da Justiça (aqui meteram água), e na segunda fase tiveram azar com o ministro das finanças (lamento mas não consigo engolir a doutrina social da igreja mas nem á lei da bala), apesar de continuar a achar que o senhor tentou controlar as coisas da melhor forma possível. No que respeita à política de defesa, em termos gerais não tenho nada a apontar. Na minha óptica tio Portas fez um bom trabalho, houve alguns deslizes – tudo bem – mas não foram assim tão graves.
É claro que há (e haverão), sempre aquelas criaturas que acham que o dinheiro que se gasta em Defesa é sempre mal gasto porque o país tem outras prioridades. A estas a única coisa que lhes posso dizer é: “Leiam Aristóteles”, não há nada melhor do que começar pelos clássicos e depois de reflectirem um pouco sobre a temática, poderão sempre passar para obras mais avançadas e um pouco mais complexas. Existem duas áreas sobre as quais as pessoas comuns se devem abster de falar quando não sabem; a primeira é a Defesa, a segunda são as Relações Externas. Em ambas se defende algo que está muito acima das paixões que movem o comum mortal na sua vida do dia a dia.
Para concluir, há no entanto uma coisa comum a todos eles. Ninguém discute os verdadeiros problemas do país. E eu continuo sem saber em quem votar... Lindo.
O partido Humanista, não se sabe muito bem o que é que é mas ao menos dizem que não são políticos (o que aliás se nota muito bem, não havendo necessidade de tal afirmação). Ideias, ideias... enfim, continuem a mandar postais.
O partido nacional renovador, eu sei o que é que é (são os amigos de Olivença em formato undercover), mas duvido que mais alguém saiba. São uns épicos, adeptos do Portugal tradicional do século XVIII conservado a bolas de naftalina. É até uma perspectiva romântica não fora o facto de estarem um pouco desactualizados. Se para começar, se inscrevessem numa pós-graduação de Ciência Política até poderiam conseguir alguma expressividade no futuro.
O Partido na Nova Democracia; Ai o tio Manuel Monteiro!.... Perdeu-se o homem. Defendem umas ideias curiosas, das quais eu jamais esquecerei a moça que perguntava aos eleitores: “Numa altura em que se discute o aborto, quem é que defende os direitos das mulheres que querem dedicar a sua vida a ter filhos?”. E eu dei comigo a pensar... Esta «gaija» deve estar a brincar certamente! A vir para a classe média com esta conversa, deve achar que o pessoal ganha ‘muita’ bem para andar p’rá aí a largar rebentos a torto e a direito. Para além disso, no entretanto as mulheres emanciparam-se e as suas prioridades mudaram, ainda que continue a haver pressão social por parte do núcleo familiar para que a mulher assuma o seu papel tradicional. E é por causa destas e outras que, continua a existir discriminação entre homens e mulheres no mercado de trabalho. Uma coisa é incentivar a constituição de famílias, outra coisa é aparecer uma tipa na televisão a manifestar uma ideia absurda daquelas.
A CDU; o 25 do A já foi há tanto tempo e eles continuam a funcionar na mesma frequência. Há coisas que nunca mudam... isto é, assim mudar mudar, não mudam, mas quando se assiste a um Partido Comunista a apelar aos católicos não deixa de ser interessante (lá se vai a ideia de que a religião é o opium do povo), o tio Marx deve andar ás voltas na tumba... Se bem que ele já deve andar com azia desde a revolução bolchevique, coitado...
O BE; Têm uns spots fabulosos. Mas depois abrem a boca e estragam tudo. Paciência, ninguém é perfeito.
O PS; Têm uns bons assessores de imagem e de marketing político, mas o barco tem uns valentes rombos no casco. São um bocado como o Titanic, são todos muito giros e muito frescos, mas quando começam a meter água já só acabam quando afundarem completamente. Dizem que não mandam mais homens para o Iraque, pois não... O nosso compromisso nessa área já terminou, porque é que haveriam de mandar mais homens? Para além disso, estes senhores são uns mestres na arte da fuga (sim, apesar de não haver alternativa na escolha, o pessoal não tem a memória curta), e devem ter dado formação profissional a alguns elementos do PSD. Um programa de intercâmbios, talvez.
O PSD; é um partido que foi tomado de assalto por um bandinho de gente mal-amada e frustrada. Eles bem querem passar a ideia de que são competentes, mas competentes são aqueles que desempenham o seu trabalho com um profissionalismo irrepreensível. Têm um sentido e uma postura de Estado e as suas fotografias não aparecem escarrapachadas na primeira página dos cadernos do ‘New York Times’ da semana passada, com o título de “Como chegaram a isto”. Competentes, são aqueles que aceitam os erros cometidos e cuidam para que não voltem a comete-los. Não se vitimam constantemente, nem choram sobre o leite derramado porque isso não resolve porcaria nenhuma. Por isso, quando optam por uma música de campanha que apela ao sentimento do coitadinho e da auto-comiseração na onda do «eu também sou muito frágil, pobre de mim», eu só digo uma coisa: “Ide pastar!”. Se não aguentam o tranco, não se metam nele, ou como diriam os nossos amigos ‘amaricanos’; «If you can’t stand the heat, stay out of the kitchen».
Mais, os portugueses olham para o Estado como este se tratasse de uma figura paternal. Um pai é, por norma, a figura masculina que representa a autoridade e o respeito, e um pai que não se dá ao respeito, nunca ou muito dificilmente ganha o respeito dos seus filhos (para além de que a história da autoridade é a primeira a ir com os porcos). Um pai que não protege os seus filhos, também não serve para nada, porque se os seus filhos têm de se dotar de mecanismos de defesa próprios então, não há necessidade de haver um pai. O que acontece nestes casos, é que depois quando o pai precisa dos seus filhos o mais certo é que irá acabar, a definhar, num lar escolhido pelos seus meninos. Daí que a lei de Murphy advirta os leitores para a máxima: «Cuidado com a forma como trata os seus filhos, pois serão eles a escolher o seu lar».
O CDS/PP; têm uma estratégia eleitoral bastante inteligente. Têm uma boa postura de Estado e têm a grande vantagem de não terem sido os responsáveis pela queda do governo. Na primeira fase tiveram azar com a ministra da Justiça (aqui meteram água), e na segunda fase tiveram azar com o ministro das finanças (lamento mas não consigo engolir a doutrina social da igreja mas nem á lei da bala), apesar de continuar a achar que o senhor tentou controlar as coisas da melhor forma possível. No que respeita à política de defesa, em termos gerais não tenho nada a apontar. Na minha óptica tio Portas fez um bom trabalho, houve alguns deslizes – tudo bem – mas não foram assim tão graves.
É claro que há (e haverão), sempre aquelas criaturas que acham que o dinheiro que se gasta em Defesa é sempre mal gasto porque o país tem outras prioridades. A estas a única coisa que lhes posso dizer é: “Leiam Aristóteles”, não há nada melhor do que começar pelos clássicos e depois de reflectirem um pouco sobre a temática, poderão sempre passar para obras mais avançadas e um pouco mais complexas. Existem duas áreas sobre as quais as pessoas comuns se devem abster de falar quando não sabem; a primeira é a Defesa, a segunda são as Relações Externas. Em ambas se defende algo que está muito acima das paixões que movem o comum mortal na sua vida do dia a dia.
Para concluir, há no entanto uma coisa comum a todos eles. Ninguém discute os verdadeiros problemas do país. E eu continuo sem saber em quem votar... Lindo.
segunda-feira, fevereiro 07, 2005
O PORTUGAL MISTERIOSO
Portugal é um país de mistérios, esta é uma característica que nos persegue desde a nossa fundação e não há como escapar a ela. Nós bem tentamos dar a volta e disfarçar coisa, mas não há meio... Dizem as más línguas que o maior mistério de Portugal é o de não saber como é que isto ainda não estoirou tudo e digo-vos que, tentativas para estoirar com o nosso país é coisa que não falta.
Portugal é uma antítese de tudo aquilo que é normal. Por um lado, existe a noção de liberdade (que anda sempre na boca de toda a gente), por outro não existe a noção de responsabilidade (seja ela individual ou institucional). Ou seja todos somos livres, mas ninguém é responsável. Assim quando partimos desta premissa, tudo se torna absolutamente possível seja em que esfera for.
Por exemplo, uma coisa simples. No jornal Expresso desta semana vinha uma notícia com a qual eu quase que chorei a rir. A notícia era sobre um aluno da (ou de uma), Universidade do Porto que foi expulso de uma universidade Finlandesa por ter copiado num exame e para além disso, como ele era um estudante Erasmus, o protocolo de intercâmbio com a universidade portuguesa foi suspendido pela universidade finlandesa.
Aposto que a maior parte de vocês acham que isto é um exagero. Coitado do rapaz, não fez nada de mal. Toda a gente faz isso. Mas é assim... toda a gente faz isso, aqui. Porque a ideia que aqui prevalece é que nós não vamos para a universidade para estudar. Nós vamos para a universidade para tirar um curso, não interessa qual, nem se gostamos, nem se temos apetência para, interessa tirar o curso porque ouvimos alguém dizer que esta era a nossa ferramenta de trabalho. Porque ouvimos alguém dizer que ser Dr. é porreiro para arranjar um emprego onde se ganha bem. Porque ouvimos alguém dizer que é uma questão de condição social. Ou seja, é uma questão de status. Quer dizer, podemos não saber nada do que é que andámos a fazer durante 4 anos da nossa vida (exceptuando a parte das borgas), podemos ser desempregados e não ter onde cair mortos, podemos ser burros que nem uma porta, mas somos Dr’s. E para alcançar este objectivo, não interessa o que é que nós sabemos. Interessa sim, se passamos a todas as cadeiras no final do ano e se para isso tivermos de copiar. Paciência. Não é um crime e se formos apanhados o máximo que pode acontecer é ficarmos com o teste anulado. É de facto um aborrecimento muito grande, até porque normalmente estraga as férias de verão a um tipo.
E de quem é a responsabilidade? Mistério...
Não é por acaso que os finlandeses são os melhores do mundo a nível da educação. O estudante português foi expulso e foi muito bem expulso.
Dir-me-ão, mas foi só um caso. Não se pode generalizar. Pois foi. Foi só um caso. Mas um caso destes mais depressa destroi a nossa imagem junto dos outros, do que dez bons exemplos contribuem para uma boa imagem junto dos outros. É só essa a diferença.
Já leram alguma coisa sobre o perfil do empresário português? Se tiverem oportunidade leiam. Mas leiam de dia, ou então se for à noite leiam com as luzes todas acesas. É que aquilo é um verdadeiro filme de terror. Como é que eles sobrevivem? Mais um mistério...
Infelizmente, ainda não vi nada desse género escrito sobre o perfil dos políticos portugueses mas, deve andar muito na onda do dos empresários (empresários... quer dizer, patrões ou assim, porque aquilo lá não são empresários mas nem que vistam um fato Armani. Aliás, como eu tanto gosto de dizer: A monkey in an Armani suit, is still a monkey). No caso dos políticos é a mesma coisa, por isso é que hoje é dia 7 de Fevereiro e eu continuo sem saber em quem é que vou votar. É que votar à esquerda (ou naqueles que se identificam enquanto tal), é impensável. Não me considero uma pessoa de esquerda. Votar à direita (ou naqueles que quando dá jeito se identificam como tal, exceptuando o PP), está completamente fora de questão embora me considere uma pessoa de direita.
No entanto, confesso que já ponderei a hipótese de votar no CDS/PP. Contudo, existem aqui alguns aspectos negativos que, para mim são difíceis de ultrapassar sendo que o pior deles todos é a doutrina social da igreja agarrada à economia e ás finanças públicas. É assim que os pobrezinhos sejam pobrezinhos, enfim, toda a gente tem os seus problemas. Agora perder os meus benefícios, para aumentar os benefícios dos pobrezinhos, vão mas é pastar!! Vão nivelar pela pobreza lá para casa deles. Se quiserem fazer caridade, façam... adoptem um ou dois, levem lá casa deles e sustentem-nos. Não façam é caridade à pala dos outros. E este é um dos principais motivos pelo qual eu não voto no PP. Porque de resto, mesmo em termos de governo souberam gerir a sua participação muito bem.
É... mais um mistério, tentar descobrir em que partido vou votar.
Mas que dia mais estúpido para se estar a trabalhar!
Portugal é uma antítese de tudo aquilo que é normal. Por um lado, existe a noção de liberdade (que anda sempre na boca de toda a gente), por outro não existe a noção de responsabilidade (seja ela individual ou institucional). Ou seja todos somos livres, mas ninguém é responsável. Assim quando partimos desta premissa, tudo se torna absolutamente possível seja em que esfera for.
Por exemplo, uma coisa simples. No jornal Expresso desta semana vinha uma notícia com a qual eu quase que chorei a rir. A notícia era sobre um aluno da (ou de uma), Universidade do Porto que foi expulso de uma universidade Finlandesa por ter copiado num exame e para além disso, como ele era um estudante Erasmus, o protocolo de intercâmbio com a universidade portuguesa foi suspendido pela universidade finlandesa.
Aposto que a maior parte de vocês acham que isto é um exagero. Coitado do rapaz, não fez nada de mal. Toda a gente faz isso. Mas é assim... toda a gente faz isso, aqui. Porque a ideia que aqui prevalece é que nós não vamos para a universidade para estudar. Nós vamos para a universidade para tirar um curso, não interessa qual, nem se gostamos, nem se temos apetência para, interessa tirar o curso porque ouvimos alguém dizer que esta era a nossa ferramenta de trabalho. Porque ouvimos alguém dizer que ser Dr. é porreiro para arranjar um emprego onde se ganha bem. Porque ouvimos alguém dizer que é uma questão de condição social. Ou seja, é uma questão de status. Quer dizer, podemos não saber nada do que é que andámos a fazer durante 4 anos da nossa vida (exceptuando a parte das borgas), podemos ser desempregados e não ter onde cair mortos, podemos ser burros que nem uma porta, mas somos Dr’s. E para alcançar este objectivo, não interessa o que é que nós sabemos. Interessa sim, se passamos a todas as cadeiras no final do ano e se para isso tivermos de copiar. Paciência. Não é um crime e se formos apanhados o máximo que pode acontecer é ficarmos com o teste anulado. É de facto um aborrecimento muito grande, até porque normalmente estraga as férias de verão a um tipo.
E de quem é a responsabilidade? Mistério...
Não é por acaso que os finlandeses são os melhores do mundo a nível da educação. O estudante português foi expulso e foi muito bem expulso.
Dir-me-ão, mas foi só um caso. Não se pode generalizar. Pois foi. Foi só um caso. Mas um caso destes mais depressa destroi a nossa imagem junto dos outros, do que dez bons exemplos contribuem para uma boa imagem junto dos outros. É só essa a diferença.
Já leram alguma coisa sobre o perfil do empresário português? Se tiverem oportunidade leiam. Mas leiam de dia, ou então se for à noite leiam com as luzes todas acesas. É que aquilo é um verdadeiro filme de terror. Como é que eles sobrevivem? Mais um mistério...
Infelizmente, ainda não vi nada desse género escrito sobre o perfil dos políticos portugueses mas, deve andar muito na onda do dos empresários (empresários... quer dizer, patrões ou assim, porque aquilo lá não são empresários mas nem que vistam um fato Armani. Aliás, como eu tanto gosto de dizer: A monkey in an Armani suit, is still a monkey). No caso dos políticos é a mesma coisa, por isso é que hoje é dia 7 de Fevereiro e eu continuo sem saber em quem é que vou votar. É que votar à esquerda (ou naqueles que se identificam enquanto tal), é impensável. Não me considero uma pessoa de esquerda. Votar à direita (ou naqueles que quando dá jeito se identificam como tal, exceptuando o PP), está completamente fora de questão embora me considere uma pessoa de direita.
No entanto, confesso que já ponderei a hipótese de votar no CDS/PP. Contudo, existem aqui alguns aspectos negativos que, para mim são difíceis de ultrapassar sendo que o pior deles todos é a doutrina social da igreja agarrada à economia e ás finanças públicas. É assim que os pobrezinhos sejam pobrezinhos, enfim, toda a gente tem os seus problemas. Agora perder os meus benefícios, para aumentar os benefícios dos pobrezinhos, vão mas é pastar!! Vão nivelar pela pobreza lá para casa deles. Se quiserem fazer caridade, façam... adoptem um ou dois, levem lá casa deles e sustentem-nos. Não façam é caridade à pala dos outros. E este é um dos principais motivos pelo qual eu não voto no PP. Porque de resto, mesmo em termos de governo souberam gerir a sua participação muito bem.
É... mais um mistério, tentar descobrir em que partido vou votar.
Mas que dia mais estúpido para se estar a trabalhar!
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