quinta-feira, julho 28, 2005

AINDA OS 13 DO INVESTIMENTO PÚBLICO

Abaixo segue o comentário do Vírus, ao meu texto de ontem, com honras de 1ª página. Porquê? Porque vale a pena ler.

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Ah! Aqui está um assunto que já posso mandar uns toques, apesar de não ser um iluminado economista! O curioso disto tudo é que tudo o que esses Srs. dizem agora já eu ando a dizer à anos. Não há é nenhum jornal que me dê espaço nem sequer no correio do leitor para o escrever quanto mais na primeira página. De qualquer forma como é lógico concordo com quase tudo o que ali está escrito (podiam era ter nomeado os pontos em questão mas neste país com a cultura da desresponsabilização que há cada vez mais ninguém quer esticar o pescoço).

Além dos pontos referidos ainda se poderão acrescentar:

1- A tecnologia para implementar ambos os projectos vais ser, se não 100%, pelo menos 95% estrangeira = $$$ vai para fora;

2- As empresas que vão estar envolvidas no desenvolvimento/construção dos projectos também vão forçosamente ser essencialmente estrangeiras = $$$ vai para fora;

3- Os técnicos especializados que vão coordenar os projectos vêm das empresas com o "know-how", logo também serão estrangeiros (lembram-se da Pte. Vasco da Gama)= $$$ vai para fora;

4- A mão de obra que vai construir o projecto vai ser estrangeira (legal ou não), isto é brasileiros, africanos e europeus do leste = $$$ vai acabar por ir para fora;


Bom como resumo, a maior parte do investimento público para desenvolver estes projectos só vai beneficiar as ditas empresas estrangeiras, e como é óbvio os políticos envolvidos nestes projectos que também lá irão criar as suas "empresitas" de consultoria, informática, etc. e tal, através de primos, tios e amigos (ou off-shores como eu estou a considerar fazer) para "ajudar" a desenvolver o projecto e a dividir irmamente o $$$. Resumindo: 80% do dinheiro do investimento vai para fora do país, 15% fica nas mãos das "empresitas" de consultoria e 5% vai para pagar a mão de obra...e agora vocês perguntam ENTÃO E A NÓS QUE LÁ METEMOS O DINHEIRO?

Bom...A nós cabe-nos a satisfação de pagar para andar de TGV, ou de demorar cerca de 60-75 mn. (para quem sai de Lisboa) para poder apanhar um avião para fugir deste país!

Enfim...pode ser que depois de tudo construído sempre haja a oportunidade de arranjar um postos de trabalho para os portugueses nos balcões de atendimento do aeroporto e a servir almoços no TGV (o que já não é mau)!

Mas animem-se...podia ser pior... o Governo podia querer gastar uns milhões de EUR para deitar abaixo coisas, género o Prédio Coutinho (?!) em Viana do Castelo, em vez de gastá-los para construir coisas...NÃO É SR. PRIMEIRO-MINISTRO????...

quarta-feira, julho 27, 2005

INVESTIMENTO PÚBLICO NÃO FAZ MILAGRES – in DN de 27/07/2005

O texto hoje publicado no Diário de Notícias (versão online), relativa manifesto dos novos apóstolos da economia começa assim:

"Parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas, sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes." "Porque a situação é séria e o País não pode, sem grandes custos, embarcar em mais experiências fantasistas, importa dizer (...) que a sua eventual concretização poderá ser desastrosa para o País."

Bom, é assim, eu não percebo rigorosamente nada de economia. Não é essa a minha formação de base e definitivamente não estou habilitado para falar sobre esse tema. Contudo, isto não significa que nunca tenha tido disciplinas de Economia política e que nunca tenha lido nada sobre o assunto. Por isso, tenham em conta que o que se segue é apenas a perspectiva de quem tem uns conhecimentos muito rudimentares sobre o assunto em debate, mas que sabe descodificar textos muito bem.

Para começar, sou contra a construção de um aeroporto na Ota e contra a história do TGV (pelo menos no que respeita à ligação Lisboa-Porto). Mas voltemos ao texto do DN antes que me perca para aqui em deambulações que não têm nada a ver. Vamos fingir que estamos numa aula de português (ou numa aula de Direito na universidade a analisar artigos), e vamos ver o texto por partes:

«Parece ter emergido uma corrente de pensamento que acredita que a superação da crise pode estar no investimento em obras públicas»

- O autor desta citação diz que ao que “parece” (não no sentido de semelhança, mas sim no sentido de qualquer coisa que ainda não pôde efectivamente ser verificada), surgiram algumas pessoas que “acreditam” ( no sentido de que têm fé numa crença), “poder superar” (ou seja, numa possibilidade de ultrapassar), a “crise” (esta sim, verificada e comprovada por factos e números, embora quem venha na auto-estrada do Algarve ao fim-de-semana não se note muito), através do investimento em obras públicas.

Isto é, quem começa um discurso com uma frase destas está, à partida, a usar algumas figuras de estilo da língua portuguesa como por exemplo a ironia. Mas acima de tudo não está a falar a sério, nem pode ser levado como tal uma vez que não faz mais do que aventar possibilidades ainda não comprovadas. E não estão comprovadas porquê? Porque até à data, não há nenhum economista capaz de fazer previsões a longo prazo sem o auxílio de uma bola de cristal ou de um baralho de cartas de tarôt. O máximo que poderão fazer é estabelecer e analisar cenários hipotéticos. E no campo das teorias e das hipóteses, cada um tem o direito de achar e de concordar com o que quiser. Mais, se eu, que não sou um economista, sei que o investimento público é um pau de dois bicos, eles, que são mais esclarecidos do que eu nessa área, também têm a obrigação de o saber.

«sobretudo se envolvendo grandiosos projectos convenientemente apelidados de estruturantes»

- Continua o autor da citação, ao ataque, dizendo que aqueles que acreditam ser possível ultrapassar a crise através do investimento público, acreditam principalmente (a.k.a sobretudo), no investimento em projectos grandiosos (a.k.a versão mais soft de megalómanos), também apelidados (ou seja, chamados) de projectos estruturantes (isto é, que estruturam) apesar de na perspectiva do autor esta história do “estruturante” ser apenas uma conveniência política para se justificarem perante o contribuinte (modéstia à parte, é tão boa justificação como outra qualquer)

Bem, assim de repente os únicos dois projectos de tendência duvidosa são, de facto, a Ota e o TGV. Mas não acho que sejam grandiosos ou megalómanos. Precisamos de um novo aeroporto, isso já se sabe à anos e não é novidade nenhuma, agora colocá-lo a 130 km de Lisboa é que me parece verdadeiramente imbecil. Para além disso, também dava jeito que colocassem uma estação de metro ou de comboios à porta do aeroporto da Portela, porque até o outro aeroporto estar concluído temos de nos aguentar com o que existe.

Relativamente ao TGV, penso que este projecto resvala um bocado para o campo da megalomania e da patologia psiquiátrica. Para que é que vão construir um TGV até ao Porto quando o Alfa Pendular serve perfeitamente? Se o trajecto fosse até Madrid, pronto, tudo bem, ainda se compreendia e lá tinha a Portugália que rever a política de preços para a capital espanhola. Para além disso, se o preço de um bilhete do TGV já é caro nos outros países, em Portugal será caríssimo (segundo dizem é porque somos uma Região periférica, curiosamente a Madeira e os Açores usam a mesma técnica em relação ao Continente mas dizem que são os custos da insularidade).

«Porque a situação é séria e o País não pode, sem grandes custos, embarcar em mais experiências fantasistas»

- O autor continua afirmando, de forma quase agressiva, que a situação é séria (ao utilizar o “Porque” no início da frase está a realçar e a sublinhar a ideia que se segue e que neste caso será, a situação económica do país que é séria) e que por ser “séria” (utilizada no sentido de grave, preocupante), o País não pode (no sentido estanque e sem margem de manobra), em embarcar em mais experiências do mundo da fantasia, sem que se pague um preço bastante alto.

Neste discurso o autor alerta para o facto de haverem várias experiências levadas a cabo e que todas pertencem ao mundo do faz de conta, através da utilização do “mais” antes das “experiências”. A pergunta maldosa que me saltou logo à cabeça foi: “De quantas terá o autor feito parte?”, por uma razão muito simples; Todos nós conhecemos estas experiências, mas o leque de individualidades que lucram com isso são sempre as mesmas por muito que as fachadas das empresas que representam mudem. Por isso, as únicas pessoas que vivem no mundo da fantasia são eles. Os grandes cérebros cuja única coisa que fazem é botar discurso nas Universidades. Ficam trancados lá no mundinho deles e meia volta dão um pulinho cá fora para ver como andam as coisas. Mas não pensem que fico agastado com isto, não fico. Acho que essas pessoas trabalharam (seja de que forma for), para chegar onde chegaram por isso não as contesto. Agora, posso contestar a análise de uma realidade que não é a deles, mas sim a realidade de uma pessoa comum.

«importa dizer (...) que a sua eventual concretização poderá ser desastrosa para o País.»

- Conclui o autor que é importante que se diga que a sua “eventual” (ou seja continuamos no campo das hipóteses sem certezas), concretização “poderá” (no sentido de possibilidade futura), ser desastrosa para o país.

Isto é, estas afirmações têm a validade cientifica das consultas mediúnicas do Professor Karamba. Não há uma delimitação temporal, apenas dá a entender que é no futuro mas não diz quando. O que até é conveniente para salvaguardar carreiras e reputações, pois mesmo os ignorantes na matéria (como eu), sabem que os ciclos económicos existem (daí a história do tempo da vacas magras e do tempo das vacas gordas), por isso, no fim deste ciclo, só é necessário aguardar que passem mais dois para que se possa verificar - ou não - o “eventual desastre para o país”.

Este “pequeno” artigo é apenas o que se pode descodificar da citação. A notícia tem mais cinco parágrafos que se podem resumir na seguinte ideia: O problema desta gente é o pensar no “agora”, é a política do penso rápido e do apagar fogos à medida que vão surgindo. Por isso é que a perspectiva de um futuro generalista e não delimitado no tempo é negra, e será sempre negra.

terça-feira, julho 26, 2005

E AINDA AS PRESIDENCIAIS

Isto é, ainda nem vieram as eleições Autárquicas e já se debatem as eleições Presidenciais. Ou seja, numa altura do ano em que as notícias sérias não abundam há que arranjar tema de conversa. Por isso, alguém se lembrou que era uma boa ideia lançar para o teatro da política, uma nova candidatura do Dr. Mário Soares a Belém (as hostes precisavam de ser animadas e havia que retirar da boca dos jornalistas aquele pequeno escândalo que envolve as declarações do IRS do novo Ministro das Finanças).

Para o efeito, não há nada melhor do que pôr o «tio» M.S na corrida contra uma eventual candidatura do Prof. Cavaco que, por sinal, ainda não se manifestou embora quase todos já o tenham feito por ele (o que não deixa de ser interessante, pois pode ser uma forma de pressão que pode falhar redondamente). Amiguinhos, poços de luz intelectual infindável... ao contrário do que imaginais, o «tio» C.S não necessita do protagonismo político que cega o outro candidato. Nunca precisou. Até porque, normalmente, quem deixa obra feita (ou quem pretende deixar), não tem tempo para se dedicar a aparecer na televisão porque tem mais do que fazer e a última coisa que precisa é de aturar gente tonta.

Perguntava-me o amigo Crack, se não seria uma saída apoteótica para o M.S. Acho que não. Não seria. Neste caso, a minha perspectiva é a de olhar para um palhaço que se esgotou e deixou de ter graça. Aludindo à imagética do futebol, faz lembrar aqueles jogadores que não têm a consciência de que a sua carreira chegou ao fim e que a partir de um determinado momento, o movimento será sempre descendente. Não por falta de vontade da pessoa ou porque esta não tenha mais para dar, mas porque tudo tem o seu tempo. E o tempo do «tio» M.S já passou. Como sabem não sou adepto da doutrina Marxista-Leninista, nem tão pouco sou (ou alguma vez fui) grande fã do Dr. Álvaro Cunhal, mas reconheço que foi um homem que para além de coerente com os seus princípios, soube gerir o seu tempo.

Da mesma forma, o «tio» C.S também já teve o seu tempo e por muito que muita gente gostasse que ele voltasse, tipo D. Sebastião (grupo de gente no qual eu me incluo, há que clarificar aqui a minha posição que é para não haver confusões), a verdade é que o seu tempo já passou. Tudo bem que ele nunca foi Presidente da República, mas com toda a franqueza, também não precisa de o ser e se calhar até é preferível que não o seja.

Agora, é conveniente que as pessoas tenham a percepção disso (claro que não vão ter), antes de embarcarem em histórias do género “se o prof. Cavaco não se candidatar é porque está a fugir do combate político.” Isto é um engano, meus caros. Em primeiro lugar questão é; porque é que ele haveria de se candidatar? Só porque há alguns ilustres do PSD que acham que é uma boa ideia? Que se saiba, o senhor não está reformado e tem mais do que fazer, logo as justificações terão de ser um pouco mais desenvolvidas.

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NOTA AO VIRUS : Você veja lá se arranja tempo para começar a botar discurso que há aqui gente curiosa para ler os seus artigos.

segunda-feira, julho 25, 2005

OS PÂNDEGOS*

O Fórum para a Liberade de Educação continua a fazer as delícias dos "miúdos" (como eu, por exemplo), com estas comunicações brilhantes.
Dizem eles: " Solicitamos particular atenção para o facto de o Fórum considerar que a única solução verdadeiramente democrática e que simultaneamente retirará a educação das crianças e dos jovens das tentações de controlo das consciências pelos "inimigos da liberdade de escolha" e pelas “vanguardas iluminadas”, ao mesmo tempo que garantirá uma educação de qualidade para todos, é a de TODAS as escolas, quer as estatais quer as não-estatais, serem obrigadas a elaborar e apresentar o seu projecto educativo, com propostas claras em todas as matérias a leccionar, e, sendo esses projectos do conhecimento dos pais, o Estado garanta a todas as famílias os necessários recursos financeiros para que estas sejam livres de escolher a escola que entenderem para os seus filhos, incluindo entre escolas estatais, sem prejuízo da preferência para as crianças da vizinhança de cada escola."
É lindo!!!
Ai ai... são uns pandegos. O que vale é que estão sempre bem dispostos.
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* A silly season já chegou à Educação.