segunda-feira, novembro 28, 2005

FUGA AO FISCO – CRIME OU DEVER PATRIÓTICO?

Há uns anos atrás, pensava que aqueles que fugiam ao pagamento das contribuições fiscais deviam ser punidos exemplarmente. Nesta época, eu ainda achava que o Estado tinha o dever de olhar pelos seus cidadãos porque era esse o seu papel.

Depois comecei a dar-me conta de pequenas coisas que iam acontecendo e gradualmente a minha posição foi-se alterando. Dei-me conta que:

- Se quero usufruir de serviços de Saúde, ou tenho um seguro ou estou arrumado porque não resolveria o meu problema em tempo útil.

- Se quero usufruir de uma reforma, ou faço um PPR ou não há garantias que a Segurança Social não estoire antes de me reformar.

- Se passo recibos verdes e fico desempregado (que não é uma coisa assim tão estapafúrdia), não recebo subsídio de desemprego.

- Se quero comprar uma casa, tenho de pedir um empréstimo ao banco e pagá-la.

- Se quero ter acesso a uma boa educação, tenho de a pagar.

- Se quero ter acesso à Justiça, tenho de pagar.

Ou seja, se quero alguma coisa, tenho sempre de pagar.

Assim, instituiu-se a ideia do utilizador-pagador.

Estou absolutamente de acordo. Quem utiliza deve pagar. É justo.

Agora a questão que se levanta é; Então e quem não usa? Se quem não usa tem de pagar na mesma, é injusto.

Logo nesta lógica, o que nós temos é um Estado injusto e se o que temos é um Estado injusto, então o que aparentemente parece um crime, transforma-se, na realidade, num dever. Porque se o Estado não cumpre com as suas obrigações, porque haveriam os indivíduos de cumprir com as deles?

sexta-feira, novembro 25, 2005

REGRAS BÁSICAS DE REDACÇÃO (enviado por e-mail)

1. Deve-se evitar ao máx. a utiliz. excess. de abrev., etc..

2. É desnecessário fazer-se emprego de um estilo de escrita demasiadamente rebuscado. Tal prática advém de esmero excessivo que raia o exibicionismo praticamente narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.

4. não esqueça as maiúsculas no inicio das frases.
5. Evite lugares-comuns como o diabo foge da cruz
6. O uso de parêntesis (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. -- Troque por travessão.
8. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in. Lideradas por futebol.
9. Evite o emprego de gíria, mesmo que pareça tudo, falô?
10. Palavras de baixo calão podem transformar o seu texto numa merda.
11. Nunca generalize: generalizar é um erro em todas as situações.
12. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
13. Não abuse das citações. Como costuma dizer um amigo meu: "Quem cita os outros não tem idéias próprias". Parafraseie.
14. Frases incompletas podem causar...
15. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez, ou por outras palavras, não repita a mesma idéia várias vezes.
16. Seja mais ou menos específico.
17. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
18. A voz passiva deve ser evitada.
19. Utilize a pontuação correctamente, o ponto e a vírgula especialmente. Será que já ninguém
sabe utilizar o ponto de interrogação.
20. Para quê perguntas retóricas?
21. Conforme recomenda a A.G.O.P., nunca use siglas desconhecidas.
22. Exagerar é cem milhões de vezes pior do que a moderação.
23. Evite mesóclises. Repita comigo: "mesóclises: evitá-las-ei!"
24. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
25. Não abuse das exclamações! Nunca! O texto fica horrível!
26. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia nelas contida, e, por conterem mais que uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçam desta forma, o pobre leitor a separá-la nos seus diversos componentes, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
27. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a lingúa portuguêza.
28. Seja incisivo e coerente, ou não.
29. Não fique escrevendo no gerúndio. Você vai deixando seu texto pobre -- causando ambiguidade -- e esquisito, ficando com a sensação de que as coisas ainda estão acontecendo.
30. Outra barbaridade que você deve evitar é usar muitas expressões que acabem por denunciar a região onde tu moras, tchê!

quarta-feira, novembro 23, 2005

CIA, AVIÕES E PORTUGAL

Estava eu a ver o telejornal quando eis que de repente... fui acometido duma louca vontade de me rir.

Assim de chapa, começa o locutor dizendo: "Aviões da CIA em Portugal." e eu pensei "Eh lá! Já descobriram que o Sócrates vai construir um aeroporto novo na OTA e vieram testar as pistas!". Mas não. Afinal, ao que dizem os jornalistas, os moços andavam a transportar terroristas.

Novamente pensei para comigo "Ainda se transportassem alguma coisa de jeito... tipo diamantes, droga, sei lá! Qualquer coisa importante que a PJ pudesse apreender e fazer um brilharete, agora terroristas?!... Mas quem é que quer apreender essa cena?! Ainda se candidatavam a alguma autarquia e era o fim da picada."

A notícia acabou e eu fiquei a pensar no que é que a mesma tinha contribuído para a minha felicidade. Concluí que nada, porque aquilo que na realidade queria ouvir para Portugal, era o que disseram da Espanha, isto é, que continua em crescimento económico. Mas nós andamos preocupados mesmo, é com os aviões .

terça-feira, novembro 22, 2005

A BÓSNIA NA U.E

Ora aqui está mais um tema sobre o qual eu até nem ia escrever. Na realidade, ia escrever sobre o 1 ano de Presidência do Durão Barroso à frente da União Europeia e fazer daquelas críticas levianas dizendo (tal como disse a um colega espanhol da Comissão); “Estão a ver, isto é que é uma verdadeira dimensão europeia. Tínhamos um problema cá, exportámo-lo e agora é um problema de todos. Isto não há nada como partilhar experiências.”. Mas entretanto deparei-me com esta notícia, no DN, assim bem escondidinha, sobre o inicio das conversações para a entrada da Bósnia na União.

Fiquei perplexo. Fiz um refresh à página para ver se aquilo era mesmo verdade e para minha surpresa, era mesmo.

Bom, em verdade vos digo que nada tenho contra a Bósnia excepto o facto de ter passado a existir enquanto Estado. Mas enfim, o território da Bósnia juntou-se ao território da Herzegovina e constituiu-se o Estado da Bósnia-Herzegovina. De um lado temos os bósnios – anteriormente designados por albaneses que fugiram da Albânia, mas como um Estado para além de território tem de ter um povo, os albaneses tiveram de mudar de designação e passaram a bósnios – e do outro temos, certamente, os herzegovinos venham lá eles de onde vierem, não faz mal porque agora também já não interessa.

A criação da Bósnia levanta-me dúvidas quanto ao respeito pelos princípios de formação dos Estados, para além disso a criação de Estados “por decreto” costuma acabar mal e se não acreditam, olhem para o continente Africano que, foi dividido a régua e esquadro. Certamente que a questão da régua e do esquadro não se coloca no que toca aos territórios da ex-Jugoslávia, mas coloca-se sim na perspectiva inversa. Isto é, se por um lado os Estados Africanos foram criados sem se ter em conta os seus povos, por outro lado a criação do Estado da Bósnia foi criado tendo apenas em conta uma população que mudou de nome para se adaptar ao território. Sim, sim, estão a ver bem. No caso africano falei de povos e no caso dos territórios da ex-Jugoslávia falei de população. Porque um e outro são diferentes.

De qualquer forma, esta questão já foi ultrapassada e agora, situado no meio do continente europeu, ficámos com um menino nos braços que ainda por cima, nos está a bater à porta.
As razões que me levam a rejeitar a possível entrada deste Estado na U.E, são exactamente as mesma que me levam a rejeitar a entrada da Turquia. A matriz cultural é diferente. Digo isto, porque sou politicamente correcto, caso contrário diria que eles são muçulmanos e nós não. Logo cooperação tudo bem, adesão não.

A juntar a tudo isto, há ainda outra questão que tende a preocupar-me e a questão é; olhando para trás na história, podemos verificar que o Império Romano estendeu as suas fronteiras muito para além do que a sua capacidade de gestão de territórios o permitia, como consequência desmoronou-se. Temo que a U.E esteja a seguir o mesmo caminho, isto é, esteja a alargar para além daquilo que tem capacidade para gerir.