terça-feira, dezembro 13, 2005

OS JANTARES DE NATAL



Aqui no tasco onde trabalho, é todos os anos a mesma coisa, chega a esta altura e toca de promover um jantarito de Natal para animar os indígenas. A maior parte das pessoas acha o máximo e andam com um sorrisinho idiota nos lábios enquanto dizem: "lá tem de ser", como isto se tratasse de mais um esforço que se tem de fazer para não parecer mal.

Nestes anos que tenho passado ali no Gulag, só por duas vezes participei nestes jantares. O 1º, porque foi o primeiro, nunca tinha havido nenhum antes disso. O 2º foi no ano passado porque não consegui arranjar, atempadamente, nenhuma desculpa.

Este ano, não preciso de arranjar desculpas. Tenho, de facto, outras coisas para fazer. Mas mesmo que não tivesse, decidi que nunca mais arranjaria desculpas para não participar nestas reuniõezitas hipócritas. Porquê? Esta é fácil:

1º Andam os 12 meses do ano a tratar as pessoas como débeis mentais e com 4 pedras na mão e depois ainda organizam jantares de Natal?

PQP (estas siglas não vou traduzi-las e também não vou dizer onde é que podiam enfiar o jantarito enquanto cantam o Jingle Bells).

2º Trabalho, cerca de, oito horas por dia, os 12 meses do ano (excepto quando estou de férias), onde tenho que os aturar quer queira, quer não queira, porque diabos haveria eu de querer aturá-los fora dessas horas?

Não me parece! Aturo o que tiver de aturar dentro do meu horário de trabalho e porque me pagam para isso (e até aí há limites), fora do meu horário de trabalho aturo quem eu quero.

Como podem ver, esta história dos jantares de Natal desperta o espírito natalício que há em mim.

AFINAL SOMOS UM PAÍS DE ESCRITORES...

... e eu não sabia.

Pois sim, é verdade. Hoje descobri que somos um país de escritores. Líricos? Talvez. Depende do contexto, mas lá que há muita criatividade por aí escondida, lá isso há, embora não seja nada que não se suspeitasse.

É claro que para mim isto é, não só, uma novidade, como também constitui motivo de espanto. Porquê? Porque há quase 10 anos que ando a praticar escrita criativa em inglês e porque nunca encontrei ninguém que o fizesse em português. Hoje, bastou-me fazer uma busca sobre o tema “escrita criativa” para me aparecerem uma série de websites em português (sem ser do Brazil).

Daqueles em que estive a navegar, há dois que creio terem sido muito bem conseguidos:

http://www.escritacriativa.com

É um site bastante interessante, pelo qual vale a pena navegar e é relativamente recente. Ou seja, não existia à 10 anos atrás quando me comecei a interessar pelo tema.

http://www.escreva.com

Sendo interessante, não é tão interessante como o anterior. Não porque não tenha o seu mérito, mas porque a página principal do site não explica os objectivos do mesmo. No entanto, registe-se que conta com 387 membros, de várias zonas do país e nem que seja só por isto, já é uma excelente iniciativa. É claro que também este é um site recente (porque não existia há 10 anos atrás, óbvio).

Bom, aqui fica a nota e os parabéns para os autores destes sites que, num momento em que a língua portuguesa anda tão por baixo, bem o merecem.

segunda-feira, dezembro 12, 2005

TORTURA

“Ay amor me duele tanto Me duele tanto
Que te fueras sin decir a donde
Ay amor, fue una tortura perderte
Yo se que no he sido un santo
Pero lo puedo arreglar amor
No solo de pan vive el hombre Y no de excusas vivo yo. “
in La Tortura, Shakira y Alejandro Sanz

Gosto muito deste clip musical. Esta moça, a Shakira, fica muito bem toda besuntada com aquele óleo preto.

Tirando isso, há que falar de Tortura. Isto a propósito de uma chamada de atenção que o Professor Massano Cardoso fez aqui no 4ª República.

Tortura é chato. Tanto para aqueles que torturam, como para aqueles que são torturados. Para aqueles que torturam porque é um trabalho desagradável, para aqueles que são torturados porque, ao fim ao cabo, aquilo é capaz de doer um bocado.

Independentemente da sua definição, todos compreendem o seu conceito de diferentes formas. É como a declaração dos direitos humanos, todos a assinaram e todos a respeitam, cada um à sua maneira e quem não tiver telhados de vidro, pois que faça o favor de atirar a primeira pedra.

De hoje em dia está na moda falar mal dos americanos, tal como nos séculos passados estava na moda falar mal da potência hegemónica da altura fosse ela qual fosse. A diferença é que em tempos idos, a informação demorava mais tempo a chegar e quando chegava, passava primeiro pelas esferas de decisão e só depois chegava às massas. De hoje em dia, a Comunicação Social deu cabo do arranjinho e o que se passa, é que na maior parte das vezes a informação chega mais depressa às massas por via informal, do que às esferas de decisão por via formal, ou pelo menos assim parece. No entanto, há que atentar que nem tudo o que parece, realmente é. Por isso dizer que os americanos não respeitam isto ou aquilo e fazer aquelas acusações inflamadas de pôr a chorar as pedras da calçada, é apenas a arma de quem nada pode, isto é, dos fracos. É como os lobos numa alcateia, ou se submetem ao macho dominante e aceitam o status quo. Ou se não aceitam, podem sempre lançar um desafio para ver qual será o próximo alfa, mas aí ou têm força, ou se não têm, então terão um problema.

O problema da informação chegar depressa às massas é o mesmo que se passa no futebol. De um momento para o outro todos são excelentes treinadores de bancada e percebem, a rodos, de futebol. Na política externa e em questões de segurança internacional é a mesma coisa. Aterra um avião que se suspeita ser da CIA e toda a gente passa a especialista em matéria de política externa dizendo que lá estão os americanos a tratar mal os terroristas coitadinhos.

Por mim, deviam lançar uma campanha de Natal “Adopte 1 Terrorista”. Se funciona com os animais do Jardim Zoológico, também deve funcionar com estas criaturas afáveis.

Bom, mas a «cena» aqui é a tortura.

O que é que é mais torturante? 20-30 minutos de anúncios publicitários no meio de um bom filme ou um tipo a espetar pauzinhos pontiagudos debaixo das nossas unhas? Sinceramente não sei. Mas se calhar os 20-30 minutos de anúncios publicitários, porque o mais provável é que um indivíduo desmaie ao fim de 5 minutos no cenário dos pauzinhos. É claro que depende do indivíduo, se for muito resistente à dor pode levar mais tempo a perder a consciência. No cenário dos anúncios publicitários são 20 a 30 minutos de tortura non-stop no qual, o indivíduo nem sequer tem o direito de desmaiar.

De facto, meter imigrantes ilegais dentro de um contentor é mau e um verdadeiro atentado contra a dignidade humana. Pessoalmente, penso que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras devia usar o dinheiro dos contribuintes para lhes proporcionar uma estadia num hotel de cinco estrelas enquanto decorrem as diligências de extradição.

O vídeo das praxes dos soldados britânicos é um escândalo e um atentado contra a dignidade humana. Eu também acho que sim e o facto de se tratarem de soldados e de se saber que, caso sejam apanhados pelo inimigo terão de passar por situações muito piores, não interessa nada para o caso.

A proibição da eutanásia, é uma boa medida porque não tortura pessoas. Defende o direito à vida e enquanto há vida, há esperança, independentemente das circunstâncias.

É claro que o conceito de tortura é geralmente entendido como algo que se faz a outro, de uma forma consciente e perversa. Uma maldade. Mas será que é mesmo?

A título meramente pessoal, penso que a tortura é apenas mais um instrumento ao serviço de qualquer coisa. Pode ser utilizado para obter coisas bastante objectivas, ou pode ser utilizado para fins de cariz mais lúdico. No fundo penso que é um instrumento igual a um carro, tanto pode ser utilizado como meio transporte, como pode ser utilizado enquanto arma letal. E como qualquer outro instrumento, é desprovido do elemento da perversão ou da maldade, visto que esses são elementos inerentes à condição humana.

sábado, dezembro 10, 2005

RUDOLF THE RED-NOSED REINDEER

Rudolph, the red-nosed reindeer had a very shiny nose.
And if you ever saw him, you would even say it glows.

All of the other reindeer used to laugh and call him names.
They never let poor Rudolph join in any reindeer games.

Then one foggy Christmas Eve Santa came to say:
"Rudolph with your nose so bright, won't you guide my sleigh tonight?"

Then all the reindeer loved him as they shouted out with glee,
Rudolph the red-nosed reindeer, you'll go down in history!