segunda-feira, fevereiro 27, 2006

A CULTURA DO 25 DO A. EM PORTUGAL


Assim de repente e a julgar pelo título até parece que vou entrar numa dissertação académica sobre os "25 de Abril, sempre!". Amiguinhos... mas é que nem pensem nisso. Tinha 2 anos à época e as recordações que tenho, para além de poucas, estão reduzidas a um gravador antigo, com um microfone, onde havia uma cassete com aquela musiquinha da Gaivota que voava e ía para não-sei-onde e eu repetia tipo papagaio. Se havia mais alguma coisa que a Gaivota fazia, não sei porque não me lembro da letra, mas digo-vos que se naquela altura ela poderia voar à vontade, de hoje em dia, é apenas mais uma candidata a abate não vá a bicha estar constipada.
De qualquer forma, não estou aqui para falar de gaivotas potencialmente constipadas. Estou aqui para reclamar contra os pseudo-revolucionários do 25 do A. que ainda acham que estamos a viver a fase do PREC. Amiguinhos, "GET OVER IT"! Essa fase já passou e nós estamo-vos eternamente gratos por nos terem concededido mais um feriado, mas é só isso. De resto, não nos peçam para andar em manifestações com o punho no ar e etc, porque temos mais do que fazer, nem que seja dormir até tarde.
Também já não há paciência para discursos. Nem do PR, nem do Governo, nem dos restantantes membros da AR. Esqueçam os cravos vermelhos, estão demodé, seria preferível que oferecessem orquídeas e dentro de um vasinho para que se aguentem mais tempo.
Chega de Revolução Francesa! Essa história da "Liberdade, Igualdade e Fraternidade", já era só conversa na altura e continua a ser só conversa de hoje em dia. Que eu saiba, já naquela altura, os pobres continuaram pobres e aquele tipo que se chamava Napoleão - e que era tão revolucionário - auto-proclamou-se Imperador (ora aqui está o principio da igualdade a funcionar em pleno).
Também chega de comunismo seja qual for a sua vertente. O muro de Berlim já caiu, lembram-se? Deu na televisão e tudo. E se nem os tipos que o tinham o quiseram, é porque a vida não lhes estava a correr bem, certo? Então não venham para aqui dizer que aquilo era muito bom, porque se o tivesse sido ainda hoje andavam a "comer ananases na lua". Querem defender os direitos dos trabalhadores, óptimo, eu também acho que é preciso, mas actualizem-se e estabeleçam prioridades (contestar códigos de vestuário, não só não é uma prioridade como, por outro lado, é um paradoxo ao discurso da igualdade pois, ou bem que querem que as pessoas sejam iguais, ou bem que querem que as pessoas sejam diferentes. Iguais e diferentes, ao mesmo tempo, é que não dá. Por isso decidam-se).
Bem, por agora já chega de tanta reclamação. Se entrentanto me lembrar de mais qualquer coisa, eu aviso.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

POR FALAR EM DESOCUPAÇÃO...

De acordo com o Diário de notícias de hoje, parece que, em Portugal, anda muita gente desocupada. No entanto, como somos um país civilizado a designação técnica para esta desocupação é desemprego. Ou seja, parece que há 611 mil desempregados (vejam o lado bom das coisas, já podíamos estar no 2º semestre de 2006 e em vez de 611 mil, termos 800 ou 900 mil desempregados. Amiguinhos, ainda a procissão vai no adro).

Tal como por diversas vezes já tive oportunidade de referir, há coisas que efectivamente não percebo e economia é uma delas, mas sei que quanto maior for a taxa de desemprego, menor é a taxa de inflacção (foi o que me disseram nas minhas poucas aulas de economia e isto pareceu-me fácil de decorar. Tão fácil de decorar como o teorema de Pitágoras que deve ser uma das poucas coisas que me lembro das aulas de matématica no secundário). Qual a relação de uma coisa com a outra também não sei, mas a explicação deve andar algures pelo lado do "No money, no business", ou seja se o pessoal não tem "guito", também não o pode gastar (a não ser que o banco empreste) e isso deve fazer alguma coisa à inflação.

Ok, até aqui tudo bem. Acho que é relativamente fácil de perceber, não há emprego - não há dinheiro - não há consumo. Por outro lado, não há emprego - não há descontos para os impostos - não há consumo - não há IVA (nem outros impostos afins)- não há receitas para o Estado.

O que realmente há é 400-e-tal mil desempregados a receber subsídio de desemprego (que eu acho muito bem, pois se trabalharam e descontaram têm direito a ele), e mais não-sei-quantos mil que ou estão, efectivamente, isentos de tributação ou fazem por estar isentos de tributação (o que eu também acho muito bem, pois cada um luta com as armas que tem e se um tipo que está a recibos verdes, desconta para a segurança social - e não é pouco - e depois não tem direito a nada, então está no seu direito de escapar por onde puder porque os deveres e as obrigações funcionam sempre nos dois sentidos e nunca ninguém dá nada, sem querer receber algo em troca ).

Por isso, ainda bem que a Segurança Social está com saldo positivo porque bem que vai precisar dele nos próximos tempos... gosto muito destas medidas para promover uma economia dinâmica. Os moços do governo são muito inteligentes. Quando for grande quero ser como eles.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

E OS PROTESTOS...

... continuam.

Ele é a Ásia.

Ele é o Médio Oriente.

Ele é a África.

Isto é uma maravilha, nunca tanta gente demonstrou ser tão desocupada. A culpa, sim, é do Ocidente que lhes dá comida, lhes dá dinheiro e ainda tem a lata e o descaramento de, internamente, apelar à "tolerância" (se for preciso ainda baixam as calcinhas e pedem desculpas). Sustentamos, basicamente, uma imensidão de inúteis.

Ser inútil, por si só já é mau. Ser inútil e pretensioso ainda consegue ser pior. Sim, porque aquelas criaturas, para além de inúteis são também pretensiosas. Têm pretensão a ser donos de uma verdade universal. São tolos e patéticos, portanto.

Que canseira. Já não há paciência para tanta falta de higiene.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

MUNIQUE

Ontem fui, finalmente, ver o Munique. Inicialmente havia pensado que sairia da sala, do cinema, chocado com qualquer coisa nova. Qualquer coisa do género inovador, algum ponto de vista alternativo, alguma perspectiva menos penalizadora dos mouros ou assim. Penso que estava à espera de uma história que, no fundo, incutisse um aspecto mais moderado na maneira como vejo aqueles rapazes que passam mais tempo de rabo para o ar a rezar, do que a trabalhar para construir qualquer coisa.

Enganei-me. Não só se manteve a minha opinião, como também cheguei à conclusão que a lista, dos 11 nomes, apresentada estava um bocado incompleta e que a operação levada a cabo por aqueles senhores que, não existiam, não trabalhavam para ninguém conhecido, mas que por mera coincidência eram judeus, também não teve assim tanto sucesso quanto isso.

Tudo bem que aos 11 nomes (incompletos sublinhe-se sempre que necessário), foram subtraídos 9, mas isso só equivale a uma taxa de sucesso de 81,8% , para além de que não ficou muito claro de quanto tempo dispunham para executar a tarefa e perderam 60% da equipa.

Ora bem, estas coisas, se é para se obter algum resultado mais ou menos imediato, não podem ser geridas à la longue, nem podem ser executadas sempre pela mesma equipa. Porque se assim for, é lógico que a esperança média de vida, da equipa em geral, tende a diminuir drasticamente.

É sempre conviniente ter a noção que, na base da constituição destas equipas, estão recursos humanos altamente especializados (ou tão altamente especializados quanto o possível), e é do conhecimento geral que a mão-de-obra especializada custa muito dinheiro (excepto em Portugal onde a tendência geral é a de pensar que o pessoal curte mesmo é trabalhar para aquecer). Assim, se a esperança média de vida destes recursos diminui radicalmente, é a mesma coisa que estar a atirar dinheiro pela janela fora.

Pior, se conduzirmos estes recursos à exaustão, ainda se corre o risco de ter que se lhes pagar os tratamentos dos esgotamentos nervosos. Conclusão, esgotamos os recursos, gastamos o dinheiro e os objectivos não são cumpridos.

Isto, meus senhores, é uma má gestão de equipas (e falta de uma análise S.W.O.T), e uma fraca gestão de situações de crise. Ou seja, os principios estavam certos (consoante a óptica de cada um), a gestão foi errada (também consoante a óptica de cada um uma vez que, se calhar, foi a gestão possível).

O ideal talvez tivesse sido a utilização de 5 equipas a trabalhar em simultâneo, cada uma com dois nomes tirados à sorte. Assim poupava-se dinheiro, recursos e aumentava-se a probabilidade de alcançar os objectivos a 100%, no mais curto espaço de tempo possível.

Mas enfim, também não vamos chorar sobre o leite derramado, afinal sempre conseguiram acertar em 9 caramelos da lista e em mais alguns extras (sendo que os extras não contam porque não faziam parte dos objectivos). Ia dizer que poderia ter sido pior, porque tudo pode ser sempre muito pior haja criatividade, mas na realidade acho que perder 60% de mão-de-obra especializada é mesmo muito mau.

E foi isto que eu achei do filme, se estavam à espera que me pusesse para aqui com lamechisses, paciência, não sou muito de perder tempo com essas cenas... se bem que fiquei muito comovido com a morte do King Kong no final do filme com o mesmo nome, mas aí estamos a falar de gorilas e sempre são uma espécie protegida ... mas este não era o King Kong e os animais eram diferentes.