Diz uma pequena notícia, na edição de hoje, do Jornal Destak:
" A Comissão Europeia está desiludida com os progressos registados na educação e formação dos cidadãos. Portugal é dos países com os resultados mais fracos, falhando quatro das cinco metas traçadas na Estratégia de Lisboa, em 2000. Quatro em cada dez jovens, entre os 18 e os 24 anos, abandonam os estudos sem concluir o ensino secundário, quando a média europeia é de 15,9%. Aliás, metade da população, entre os 20 e os 24 anos, completou o 12º Ano, quando na Europa esse valor chega aos 76,4%. Além disso, 22% dos jovens portugueses com menos de 15 anos tem fraco aproveitamento de leitura (...). Quanto aos adultos que fazem formação ao longo da vida, apena 4,8% cumpre esse requisito".
Bom, exceptuando o facto de que este petit article está escrito de uma forma um tanto ou quanto estranha, a verdade é que estes dados não são, propriamente, a coisa mais surpreendente do mundo. Apesar de haver muita gente boa empenhada em reverter esta situação, a Educação em Portugal contínua a ser uma mera paixão daquelas quesó dura enquanto houver fósforo. Éfemera «portantos».
Cada um que vai aparecendo ora pela 5 de Outubro, ora pela 24 de Julho (consoante gosta mais de vista para os Prédios ou da vista para zona portuária), traz uma ideia nova, com a certeza que será sempre mais peregrina do que a ideia anterior. Agora, a bem dizer, estratégia, estratégia não há.
Há é muita táctica. Se quisermos trocar isto por imagens mais engraçadas é como se tivessemos um exército em que não há Generais, só há Sargentos e soldados. Ou então, utilizando o futebol é como se tivessemos uma equipa de futebol sem treinador mas com muitos adeptos a fingirem que são treinadores.
Como eu costumo dizer, sempre citando o ilustre autor da frase cujo nome de momento me escapa, «a França perdeu a Guerra da Indochina a golpes de táctica excelentes» e nós também vamos perder esta guerra. O problema é que perdendo esta guerra, vamos perder todas as outras porque um dos pilares principais de uma sociedade é a Educação.
"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
quarta-feira, maio 17, 2006
terça-feira, maio 16, 2006
CURIOSIDADES FASCINANTES
Realmente há coisas que me deixam num grau de fascínio absoluto.
Como sabem, no burgo onde trabalho distribuímos dinheiros comunitários, é claro que isto não é feito de qualquer maneira caso contrário teríamos de prestar contas aos moços da Comissão o que é sempre um bocado mau. Assim, eu, enquanto pessoa responsável pela gestão de determinadas acções tenho de garantir isenção em todo o processo de avaliação e selecção de candidaturas.
Além disso, como trabalho há algum tempo com estas coisas, posso dar-me ao luxo de analisar todas as mudanças que ocorrem de uns anos para os outros. Assim, já pude verificar que a novidade nas candidaturas deste ano é que toda a gente fala Castelhano.
Digo-vos, isto é mesmo verdade. Toda a gente fala Castelhano e não é com um nível de fluência de 1 ou 2 (sendo estes os níveis mais fracos), é que anda tudo pelas casas do 4 e do 5! Ou seja, de um ano para o outro, parece que andaram a dar cursos de Castelhano à fartzana!
Sinceramente fiquei chocado com a verificação deste facto principalmente vindo do grupo-alvo que vem (o grupo-alvo é da área da educação), porque uma coisa é compreender o Castelhano (e mesmo assim depende das zonas), outra coisa é ser capaz de utilizar essa língua como meio efectivo de comunicação. Isto significa também, que a maior parte dos candidatos para além de estarem a mentir no que toca ao domínio das línguas, são também bastante irresponsáveis.
Mas nós, deparamo-nos todos os dias com situações caricatas. Hoje, coube-me a tarefa de ter de responder a uma senhora professora porque é que a candidatura dela era de má qualidade (na realidade aquela candidatura não tinha ponta por onde se lhe pegasse, aquilo era uma verdadeira catástrofe). A senhora ficou extremamente ofendida na sua dignidade pessoal e profissional quando no ofício que lhe mandámos dizia que a sua candidatura era de fraca qualidade.
Por azar, quem fez a avaliação daquela candidatura fui eu, logo era a mim que competia darlhe uma resposta pedagógica. Bom... penso que a esta hora ela ainda deve estar entupida a tentar digerir a resposta, porque a única coisa que me faltou dizer-lhe foi que se estivesse preocupada com a sua dignidade pessoal e profissional, nunca nos teria submetido uma porcaria daquelas... mas acho que ela é capaz de lá chegar sozinha.
É... acho que sou um bocado lixado.
Como sabem, no burgo onde trabalho distribuímos dinheiros comunitários, é claro que isto não é feito de qualquer maneira caso contrário teríamos de prestar contas aos moços da Comissão o que é sempre um bocado mau. Assim, eu, enquanto pessoa responsável pela gestão de determinadas acções tenho de garantir isenção em todo o processo de avaliação e selecção de candidaturas.
Além disso, como trabalho há algum tempo com estas coisas, posso dar-me ao luxo de analisar todas as mudanças que ocorrem de uns anos para os outros. Assim, já pude verificar que a novidade nas candidaturas deste ano é que toda a gente fala Castelhano.
Digo-vos, isto é mesmo verdade. Toda a gente fala Castelhano e não é com um nível de fluência de 1 ou 2 (sendo estes os níveis mais fracos), é que anda tudo pelas casas do 4 e do 5! Ou seja, de um ano para o outro, parece que andaram a dar cursos de Castelhano à fartzana!
Sinceramente fiquei chocado com a verificação deste facto principalmente vindo do grupo-alvo que vem (o grupo-alvo é da área da educação), porque uma coisa é compreender o Castelhano (e mesmo assim depende das zonas), outra coisa é ser capaz de utilizar essa língua como meio efectivo de comunicação. Isto significa também, que a maior parte dos candidatos para além de estarem a mentir no que toca ao domínio das línguas, são também bastante irresponsáveis.
Mas nós, deparamo-nos todos os dias com situações caricatas. Hoje, coube-me a tarefa de ter de responder a uma senhora professora porque é que a candidatura dela era de má qualidade (na realidade aquela candidatura não tinha ponta por onde se lhe pegasse, aquilo era uma verdadeira catástrofe). A senhora ficou extremamente ofendida na sua dignidade pessoal e profissional quando no ofício que lhe mandámos dizia que a sua candidatura era de fraca qualidade.
Por azar, quem fez a avaliação daquela candidatura fui eu, logo era a mim que competia darlhe uma resposta pedagógica. Bom... penso que a esta hora ela ainda deve estar entupida a tentar digerir a resposta, porque a única coisa que me faltou dizer-lhe foi que se estivesse preocupada com a sua dignidade pessoal e profissional, nunca nos teria submetido uma porcaria daquelas... mas acho que ela é capaz de lá chegar sozinha.
É... acho que sou um bocado lixado.
sexta-feira, maio 12, 2006
PIRÂMIDES NA BÓSNIA
Facto ou ficção, a verdade é que foram descobertas em Visoko (Bósnia-Herzegovina) 3 três estruturas, construídas pelo homem, que (assim a olho nú) parecem umas pirâmides.
Como é óbvio, e porque nestas coisas as comunidades académicas e científicas nunca se entendem, está instalada a controvérsia. Uns dizem que é a maior descoberta de todos os tempos capaz de revolucionar a história, outros dizem que é uma fraude.
Seja como for, estão três pirâmides na Bósnia e seja quem for que as construiu não o pode ter feito às escondidas, porque ninguém constrói umas estruturas gigantescas daquelas - note-se que a maior das três consegue ser ainda maior que a pirâmide de Keops - sem se dar por isso.
Assim, aqui ficam alguns links que descobri sobre o assunto:
http://www.bosnianpyramids.org/
http://www.livescience.com/history/060504_bosnia_controversy.html
http://www.blather.net/zeitgeist/archives/2006/04/giant_ancient_pyramid_found_in_1.html
http://www.bosnianpyramid.com/index_files/News.html
http://news.bbc.co.uk/1/hi/world/europe/4912040.stm
quarta-feira, maio 10, 2006
MAIS VALE «SELO» QUE «PARE...SELO»
Confesso que ainda não consegui perceber, «um boi», desta história dos selos. Mas há uma coisa que já percebi: Não é só cá que as finanças andam atrás do pessoal, tipo rafeirotes esfomeados atrás de um osso. Nem é só cá que há ressabiados (sendo que esta parece ser uma figura que se apresenta em várias culturas).
«Economics 101»: As coisas valem, aquilo que as pessoas estiverem dispostas a pagar por elas.
Este é um princípio aplicado a selos, cromos, berlindes, caricas, casas, terrenos, obras de arte, couves-de-bruxelas, torradas com a cara da virgem Maria, calhaus pré-históricos, pontas de flecha do séc. XV, bonequinhos da Dragon, etc, etc.
Tudo se compra, tudo se vende. É mais barato se a oferta for muita e a procura for pouca. É mais caro se a oferta for pouca e a procura for muita, blá blá blá, blá, blá blá.
Se eu quiser comprar uma gaiola, cheia de cócó de piriquito colocado em sítios, artisticamente, aleatórios, por achar que é um bom investimento e que vou conseguir vendê-la -pelo menos - pelo dobro do valor que me custou, «That's my business!». Nem o Banco de Portugal, nem a CMVM têm de regular o que quer que seja.
Da mesma maneira que, se eu quiser comprar uma série de Gaiolas decoradas com cócó de piriquito e começar a publicitar que investir nestas gaiolas é melhor do que investir em imobiliário, também ninguém tem nada a ver com isso. Além de que, se as gaiolas não prestarem, o mercado encarregar-se-á de se regular a si próprio sem precisar da intervenção paternal do Banco de Portugal ou da CMVM.
Todo o sistema financeiro em Portugal assenta na Banca, por isso é que a Bolsa portuguesa é uma anedota quando comparada com as suas congéneres dos outros países. Não se perde muito, não se ganha muito e todos ficam contentes como se isso fosse uma grande coisa e tudo funcionasse lindamente. Tipo Alice no País das Maravilhas. É muito bonito, se não fosse tão triste.
É assim, eu não percebo nada destas coisas, mas para mim investir é como um jogo em que se pode ganhar muito e em que se pode perder tudo. Quem decide jogar é porque decide correr o risco inerente a este jogo.
«Economics 101»: As coisas valem, aquilo que as pessoas estiverem dispostas a pagar por elas.
Este é um princípio aplicado a selos, cromos, berlindes, caricas, casas, terrenos, obras de arte, couves-de-bruxelas, torradas com a cara da virgem Maria, calhaus pré-históricos, pontas de flecha do séc. XV, bonequinhos da Dragon, etc, etc.
Tudo se compra, tudo se vende. É mais barato se a oferta for muita e a procura for pouca. É mais caro se a oferta for pouca e a procura for muita, blá blá blá, blá, blá blá.
Se eu quiser comprar uma gaiola, cheia de cócó de piriquito colocado em sítios, artisticamente, aleatórios, por achar que é um bom investimento e que vou conseguir vendê-la -pelo menos - pelo dobro do valor que me custou, «That's my business!». Nem o Banco de Portugal, nem a CMVM têm de regular o que quer que seja.
Da mesma maneira que, se eu quiser comprar uma série de Gaiolas decoradas com cócó de piriquito e começar a publicitar que investir nestas gaiolas é melhor do que investir em imobiliário, também ninguém tem nada a ver com isso. Além de que, se as gaiolas não prestarem, o mercado encarregar-se-á de se regular a si próprio sem precisar da intervenção paternal do Banco de Portugal ou da CMVM.
Todo o sistema financeiro em Portugal assenta na Banca, por isso é que a Bolsa portuguesa é uma anedota quando comparada com as suas congéneres dos outros países. Não se perde muito, não se ganha muito e todos ficam contentes como se isso fosse uma grande coisa e tudo funcionasse lindamente. Tipo Alice no País das Maravilhas. É muito bonito, se não fosse tão triste.
É assim, eu não percebo nada destas coisas, mas para mim investir é como um jogo em que se pode ganhar muito e em que se pode perder tudo. Quem decide jogar é porque decide correr o risco inerente a este jogo.
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