Eu, sou daquelas pessoas que gosta muito de estar sempre a fazer alguma coisa e muitas vezes dou comigo a fazer "nada".
A primeira vez que me apercebi disto fiquei, naturalmente, preocupado. A ideia de fazer "nada" era um bocado assustadora, porém, depressa percebi que estava a misturar duas ideias distintas. "Fazer nada" é muito diferente de "não fazer nada", desde já porque quando dizemos "fazer" partimos do princípio que estamos a fazer alguma coisa e quando dizemos "não fazer", partimos do princípio que não estamos a fazer alguma coisa. Assim, fazer alguma coisa - mesmo que seja nada - é sempre mais positivo do que não estar a fazer nada.
A parte boa de fazer nada é a possibilidade de assistir a diálogos, absolutamente, fenomenais entre o Tico e o Teco (os dois neurónios). Muitos deles são absolutamente idiotas, outros nem por isso e noutros ainda, pegam-se os dois ao tabefe, mesmo assim todos eles são importantes.
No outro dia, ia eu para a estação de combóios de Alcântara-Terra quando, de repente, o Tico e o Teco iniciam mais um debate. Desta feita, o tema era ó "Fenómeno Jack Bauer e a Teoria dos Jogos". Então, começou assim a discussão:
Tico: Sabes de uma coisa mano, estive a ler umas coisas sobre a série 24h.
Teco: Ah sim? E qual é a importância disso?
Tico: Qual é a importância disso? É muita, pois claro, caso contrário não estaria a falar dela!
Teco: Não percebi.
Tico: Eu explico. Se ignorarmos todos os aspectos técnicos subjacentes ao formato do programa e nos debruçarmos, unicamente, sobre os aspectos relacionados com a personagem do Jack Bauer", vamos descobrir, acima de tudo, uma personagem bi-dimensional e isso é importante.
Teco: Não percebi... *breve pausa*... Além disso, personagens bi-dimensionais são demodés, ultrapassadas e muito, muito básicas. De hoje em dia, utilizar personagens bi-dimensionais para retratar o que quer que seja é demasiadamente redutor da condição humana.
Tico: Mas não neste caso. Repara, estamos a falar da retratação de situações extremas...
Teco: Não mano. Estamos a falar de um programa de entretenimento que retrata situações extremas e em que a personagem principal tem duas funções: 1- põe o dedo no gatilho; 2- tira o dedo do gatilho.
Tico: Lamento muito mas tenho de discordar. O "pôr o dedo no gatilho" e o "Tira o dedo do gatilho", só aparece na sequência de qualquer coisa.
Teco: Sim, aparece na sequência das cenas descritas no script.
Tico: Não, estúpido! * prega uma testinha no irmão* Aparece na sequência de um objectivo que se pretente alcançar e nesse contexto tem de se tomar a decisão de pôr, ou não, o dedo no gatilho... Que mania tens tu de simplificar tudo!
Teco: Eu não tenho a mania de simplificar tudo! Tu é que tens a mania de complicar tudo! Onde é que está o problema de uma personagem que põe e tira o dedo no gatilho?
Tico: O problema não está no pôr e no tirar o dedo do gatilho, mas sim numa questão prévia a essa e que é; o que é que se pode ganhar e o que é que se pode perder quando se põe, ou não, o dedo no gatilho?
Teco: Fácil. Se põe o dedo no gatilho é porque pretende ganhar alguma coisa, o problema está no falhar a pontaria. Se falhar a pontaria, aí perde.
Tico: Também, mas o ponto que referes ele só vai saber depois de premir o gatilho e nunca antes. Anterior a isso é a consciência de que quer ele ponha, ou não, o dedo no gatilho, a personagem vai sempre perder.
Teco: Então estamos a falar de uma personagem idiota.
Tico: Não. Estamos a falar na diferença entre serem muitos a perder, ou ser só um a perder. Se ele não puser o dedo no gatilho, muitos vão perder. Se ele puser o dedo no gatilho, é só ele que perde. Porque quando ele põe o dedo no gatilho, fá-lo para o bem de todos. Naquele caso, nunca estamos perante uma situação de "win-win", estamos sempre numa situação em que um ganha e outro perde.
Teco: Um jogo de soma zero, portanto.
Tico: Exacto.
Teco: Então toda a série deve ser vista na óptica de um jogo de soma zero. E não haverá espaço para um outro tipo de jogo?
Tico: Há. Há espaço para um jogo de soma -1. Ambos perdem, mas estas partes correspondem às secções dramáticas e uma vez ultrapassadas, no fim a soma é sempre zero. O herói ganha, o vilão perde, the end.
Teco: Então e os meios que ele utiliza para lá chegar. Não falaste neles. Porque convém referir que o herói ganha recorrendo a muitas patifarias pelo meio.
Tico: Quando falamos de um jogo de soma zero, em que a intenção dos intervenientes é ganhar, o meio pelo qual se chega à vitória é irrelevante. Não importa o meio que se usa desde que se ganhe.
Teco: Mas então o que é que separa o herói do vilão? Até porque ao atribuir-lhes estas designações corremos o risco de estar enganados nas identificações de cada um. E há que nunca esquecer que podemos estar perante dois heróis ou dois vilões, consoante a perspectiva.
Tico: Verdade. Mas as denominações de cada um pertencem a outro domínio que não o dos jogos. No jogo, há um que ganha e outro que perde. É só isso que é importante.
Teco: Então e a história do bem e do mal, não pode entrar aí?
Tico: Não, porque esse é um outro assunto completamente diferente sobre o qual haveremos de discutir da próxima vez que estivermos a fazer nada.
"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
sexta-feira, julho 14, 2006
quarta-feira, julho 12, 2006
UM DIA MEMORÁVEL
Pela 1ª vez na história do meu burgo, vi a minha equipa comportar-se como um todo, a trabalhar em conjunto para o mesmo objectivo.
Estou tão orgulhoso!! :)))
Mas tão orgulhoso, que até o amigo Crack - que conhece as peças em questão - ficaria orgulhoso se tivesse assistido.
Enfim, foi um dia memorável. Amanhã já passou tudo, mas isso não importa.
Estou tão orgulhoso!! :)))
Mas tão orgulhoso, que até o amigo Crack - que conhece as peças em questão - ficaria orgulhoso se tivesse assistido.
Enfim, foi um dia memorável. Amanhã já passou tudo, mas isso não importa.
terça-feira, julho 11, 2006
NÃO HÁ 2 SEM 3
Tal como eu disse num post atrás, o exercício da inteligência é algo extenuante. Mas tal como o exercício físico faz bem ao "esqueleto" e às componentes afins, também o exercício da inteligência faz bem ao cérebro (mesmo nos casos em que este é do tamanho de uma ervilha anã).
Depois de muita pressão, finalmente conseguimos que nos disponibilizassem os documentos essênciais à produção dos indicadores da qualidade (sim, é a maldita qualidade outra vez). Assim, talvez por hábito ou, quiçá, por mau feitio, passei o dia todo a lê-los.
Digo-vos, este exercício foi muito útil porque nos obriga a lidar com uma série de emoções diversas que se afloram à medida que nos deparamos com imbecilidades colocadas em texto. Perguntar-me-iam, não estará o Anthrax a exagerar? Pois concerteza que estou. Afinal, levar as coisas ao ridículo é uma terapia tão boa como cantar para espantar os nossos males.
De início, não adoptei uma postura crítica. Não era esse o objectivo e como tal, também não seria esse o meu papel. No entanto, a partir do momento em que começam a insultar a minha inteligência, a coisa muda de figura. À medida que as páginas (e o tempo) íam passando, sentía-me cada vez mais insultado. Quando chegou ao meio-dia, pedi à minha colega que fechasse a porta, pedi-lhe desculpas antecipadas, abri o diccionário de calão e lá foi disto que amanhã não há!
Já houve alturas em que disse muitas asneiras, mas até hoje não me lembro de ter dito tantas, num espaço de tempo tão curto e sentir-me tão bem, tão aliviado, depois de o ter feito. A única coisa que eu dizia (depois das asneiras é claro), era que se aquilo fosse um projecto que eu tivesse de subvencionar, chumbava-o. E chumbava-o porque, logo à partida, quando se apresenta um projecto a terceiros, há que garantir que até uma criancinha de 4 anos seja capaz de o compreender e o que eu ali estava a ler, era uma espécie de uma amálgama de ideias em que, no fim, não bate a bota com a perdigota!
Eu, que nem sou professor, nem sou destas coisas, dei comigo de lápis em punho, a riscar, a fazer anotações e a fazer perguntas básicas do tipo «Como? Quando? Porquê? Quem?». É que já estava a ficar um bocado doente com aquilo... Também dei comigo a perguntar se seria eu o «problema». Se era eu, que por algum motivo extraordinário (ou não), não estivesse a perceber alguma coisa. É claro que fiquei mais descansado quando percebi que não estava sozinho. Mesmo assim, não deixa de constituir motivo de preocupação aqueles documentos terem tido o aval da antiga Directora e terem tido o OK da nova (sem esta última os ter lido).
A sério, às vezes penso que sou eu que estou a levar estas coisas demasiado a sério. Se calhar sou eu que estou a dar importância demais a estas questões da gestão (pelas quais não me pagam para pensar). Eu não devia dar importância a isto! Eu nem sei se em Janeiro de 2007 ainda ali estou!!
Detesto ser uma criatura inteligente e responsável!!! DETESTO!!!
Eu quero ser um rabanete! Uma couve! Um tomate! Um vegetal qualquer ou mesmo uma amíba!!... mas não consigo.
Que post tão idiota... esta porcaria pega-se.
Depois de muita pressão, finalmente conseguimos que nos disponibilizassem os documentos essênciais à produção dos indicadores da qualidade (sim, é a maldita qualidade outra vez). Assim, talvez por hábito ou, quiçá, por mau feitio, passei o dia todo a lê-los.
Digo-vos, este exercício foi muito útil porque nos obriga a lidar com uma série de emoções diversas que se afloram à medida que nos deparamos com imbecilidades colocadas em texto. Perguntar-me-iam, não estará o Anthrax a exagerar? Pois concerteza que estou. Afinal, levar as coisas ao ridículo é uma terapia tão boa como cantar para espantar os nossos males.
De início, não adoptei uma postura crítica. Não era esse o objectivo e como tal, também não seria esse o meu papel. No entanto, a partir do momento em que começam a insultar a minha inteligência, a coisa muda de figura. À medida que as páginas (e o tempo) íam passando, sentía-me cada vez mais insultado. Quando chegou ao meio-dia, pedi à minha colega que fechasse a porta, pedi-lhe desculpas antecipadas, abri o diccionário de calão e lá foi disto que amanhã não há!
Já houve alturas em que disse muitas asneiras, mas até hoje não me lembro de ter dito tantas, num espaço de tempo tão curto e sentir-me tão bem, tão aliviado, depois de o ter feito. A única coisa que eu dizia (depois das asneiras é claro), era que se aquilo fosse um projecto que eu tivesse de subvencionar, chumbava-o. E chumbava-o porque, logo à partida, quando se apresenta um projecto a terceiros, há que garantir que até uma criancinha de 4 anos seja capaz de o compreender e o que eu ali estava a ler, era uma espécie de uma amálgama de ideias em que, no fim, não bate a bota com a perdigota!
Eu, que nem sou professor, nem sou destas coisas, dei comigo de lápis em punho, a riscar, a fazer anotações e a fazer perguntas básicas do tipo «Como? Quando? Porquê? Quem?». É que já estava a ficar um bocado doente com aquilo... Também dei comigo a perguntar se seria eu o «problema». Se era eu, que por algum motivo extraordinário (ou não), não estivesse a perceber alguma coisa. É claro que fiquei mais descansado quando percebi que não estava sozinho. Mesmo assim, não deixa de constituir motivo de preocupação aqueles documentos terem tido o aval da antiga Directora e terem tido o OK da nova (sem esta última os ter lido).
A sério, às vezes penso que sou eu que estou a levar estas coisas demasiado a sério. Se calhar sou eu que estou a dar importância demais a estas questões da gestão (pelas quais não me pagam para pensar). Eu não devia dar importância a isto! Eu nem sei se em Janeiro de 2007 ainda ali estou!!
Detesto ser uma criatura inteligente e responsável!!! DETESTO!!!
Eu quero ser um rabanete! Uma couve! Um tomate! Um vegetal qualquer ou mesmo uma amíba!!... mas não consigo.
Que post tão idiota... esta porcaria pega-se.
segunda-feira, julho 10, 2006
ESPANTO, MAS NEM TANTO.
Hoje, andava eu à procura de cursos online - afinal, o Tico e o Teco andam outra vez à procura de estimulo - e qual não é o meu espanto quando não encontro uma única Universidade Portuguesa que tenha um, qualquer, cursito online. Nem "uminha"!... A única coisa que têm é - pasmem - candidaturas online!! ... Digam lá que os moços não são ousados.
«Gandas Malucos», têm candidaturas online.
Em compensação vamos a sites como o worldwidelearn, ou aos sites das universidades de Stanford, Yale, Oxford ou Barcelona e o que não falta são cursos, licenciaturas, pós-graduações, mestrados, doutoramentos, etc, totalmente online.
Ora, está-nos aqui a escapar qualquer coisita, mas que posso eu dizer?... Olhem, ainda bem que falo e escrevo bem inglês.
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