segunda-feira, julho 06, 2009

APRENDER COM AS GALINHAS OU A TEORIA DE DARWIN E O SIADAP


"David Sloan Wilson considera que a teoria de Darwin não só é válida no campo da biologia, como tem aplicação a imensos domínios da ciência e da vida – ética, política e religião incluídas. Mais: defende que não é necessária formação na área de biologia para a entender e que, uma vez assimilada, aclara o raciocínio e potencia a capacidade analítica.
A teoria evolutiva pode, por exemplo, ser aplicada aos aviários. Wilson recorre a uma experiência de William Muir que ilustra duas vias na criação selectiva de galinhas para aumentar a produção de ovos:
1) Identificar a galinha mais produtiva em cada gaiola (cada gaiola contém nove galinhas) e usar essas galinhas “de topo” para reprodução.
2) Identificar quais as gaiolas mais produtivas e usar todas as galinhas dessa gaiola para reprodução.
O senso comum dirá que o primeiro método é o que permite optimizar a produtividade – porém, aplicando-o durante seis gerações, Muir obteve uma gaiola com três galinhas carecas, que tinham matado as colegas de gaiola e passavam mais tempo a arrancar penas umas às outras do que a pôr ovos. Percebeu que a boa performance das “galinhas-alfa” era conseguida pela opressão das colegas de gaiola e quando se colocavam essas “campeãs” na mesma gaiola o resultado era o conflito permanente.
As gaiolas obtidas pelo segundo método de selecção apresentavam, em contrapartida, nove galinhas saudáveis e pacatas, cada uma delas com capacidade poedeira boa mas não “de topo” – mas que, multiplicada por nove, batia todas as outras gaiolas. O segundo método seleccionara conjuntos de galinhas com propensão para a coexistência harmoniosa, factor nada despiciendo no espaço sobrelotado do aviário.
Dando seguimento aos conceitos de Wilson e livre curso à extrapolação, torna-se evidente que a experiência com as galinhas tem trágicas afinidades com o Sistema Integrado de Avaliação do Desempenho da Administração Pública (SIADAP). Os indivíduos são valorizados pela performance individual e é irrelevante que sejam execráveis como pessoas, criem um ambiente insuportável, se aproveitem do esforço dos colegas para construir currículo e em vez de trabalhar passem a vidinha em “acções de formação”. Note-se que o SIADAP, ao impor quotas às boas classificações que um chefe pode atribuir aos subordinados, torna semelhantes todas as “gaiolas”. O Estado não quer saber de gaiolas produtivas, quer é identificar e promover as galinhas-alfa de cada uma – ou seja, opta pelo primeiro método de selecção. E assim, em vez de “premiar o mérito” e tornar a Administração Pública mais eficaz, acabará com três galinhas carecas à bulha, rodeadas de galinhas exangues e pilhas de processos por despachar.
Análise de José Carlos Fernandes ao livro de David Sloan Wilson
“A Evolução para Todos” publicado na TimeOut. "
Agora digam lá se é, ou não é adequado?

BAD BOYS (I)

No seguimento do tiroteio de ontem na Amadora (que surpresa), diz o DN de hoje: "PSP montou caça ao homem no Bairro de Santa Filomena" . É caso para dizer:

sexta-feira, julho 03, 2009

A MOSTARDA CHEGOU-LHE AO NARIZ



Mas a fotografia ficou tão gira que também tive de a publicar.
Bem sei que todos desaprovam a atitude do ex-Ministro da Economia (que já vinha acumulando gaffes atrás de gaffes), mas o homem cansou-se. Fartou-se. Além disso estava a ser um tanto ou quanto achincalhado pelo outro senhor do PCP.
Vá lá foram só uns "corninhos"! Não achei muito mal dado que a linguagem gestual obscena (que é também universal) compreende uma ampla diversidade de gestos e alguns ligeiramente mais insultuosos do que este.
Esteve mal. É verdade. A AR não é sítio para utilizar esse tipo de gestos.
Se tivesse sido ao volante de um carro (para insultar o condutor do lado), ou num estádio de futebol (para insultar um árbitro, ou um jogador da equipa adversária) a coisa tinha sido mais contextualizada, mais enquadrada. Agora sair-se com uma destas no meio de tanta gente de fatinho, quer dizer... é um bocado como vestir um fato todo bonito (em tons de azul escuro ou cinzento) e depois calçar um par de sapatos castanhos (ou de outra cor qualquer) todos baços, vincados e sujos é... enfim... um bocadinho brega... um bocadinho suburbano.
De qualquer forma, não me parece que devam mostrar-se tão chocados com a manifestação do senhor. Está ao mesmo nível daquilo que se costuma ver nas ruas em Portugal (e.g. cuspir para o chão, ajeitar ou coçar partes baixas, falar ao telemóvel em altos berros, destruir e/ou vandalizar o espaço público, etc).