segunda-feira, setembro 07, 2009

AS INCONGRUÊNCIAS DA INFORMAÇÃO

Por cada dia que passa mais me convenço que o povo português deve padecer de alguma maleita mental que nos impede de avançar e quando chegamos à época de eleições parece que ficamos mais parvos do que o costume.
Atente-se então no formato televisivo dos debates políticos em que toda a informação é dada a correr... depois de ter visto dois, concluí que, neste caso, "debate" está a ser utilizado como uma espécie de nome artístico, tipo "Gigi" ou "Xuxa", para designar algo que ainda ninguém sabe muito bem o que é que é. Ora, quem pretende fazer uma coisa séria, para públicos cuja faixa etária é superior a 13 anos, não usa formatos com "nomes artísticos" pouco credíveis. As "Gigis" e as "Xuxas" são formatos que funcionam bem em públicos infantis.
Isto levanta-nos, então, uma outra questão que é a de nos estarem a chamar estúpidos dado considerarem-nos demasiado básicos para assimilar grandes quantidades de informação, diversificada, num limite de tempo superior a 15 minutos. Tanto quanto eu saiba, não há nenhuma aula - na escola ou na universidade - de duração inferior a 50 minutos. Mas isto sou só eu a pensar é claro.
A situação torna-se tanto mais caricata quando depois de nos chamarem "estúpidos" ainda nos incitam a ir votar, com uma campanha elementar, dizendo; «Não deixe que escolham por si». Pergunto: Mas escolher o quê? Os "debates" não esclarecem um boi e além disso, não há paciência para andar a saltar de canal em canal. Zapping pratico-o quando quero e as "Gigis" e as "Xuxas" não são assim tão interessantes que me façam querer praticá-lo.
Que queiram vender gelados aos esquimós, por mim tudo bem, mas eu não sou um esquimó e aquela coisa a que chamam "debates" não o são, nem contribuem para esclarecer o que quer que seja.

sexta-feira, setembro 04, 2009

"NOVAS OPORTUNIDADES - A IGNORÂNCIA CERTIFICADA"

Artigo publicado no Correio da Educação, da autoria de Marta Oliveira Santos.

" O país encontra-se com uma taxa muito baixa de escolaridade em relação aos países da EU (União Europeia). Logo há necessidade de colmatar esta situação e, para isso foram criadas “As Novas Oportunidades”, uns cursinhos intensivos de três meses, no fim dos quais os “estudantes”(agora com o nome pomposo de formandos) obtêm o certificado de equivalência ao 9º ou 12º anos. Fantástico, se os cursinhos fossem a sério! ...

Perante a publicidade aos referidos cursos, aqueles que abandonaram a escola ou, por qualquer razão não concluíram um dos ciclos de escolaridade, esfregaram as mãos de contentes, uma vez que agora se lhes oferece a oportunidade de obterem um certificado de habilitações que lhes poderá vir a ser útil. E como diz o ditado”mais vale tarde do que nunca”, eles lá se inscreveram. Por outro lado, três meses das 7.00 às 10.00 horas, horário pós-laboral, uma vez por semana, era coisa fácil de realizar. Coitados daqueles que andam 3 anos (7º, 8º e 9º anos) para concluírem o 3º Ciclo!!! Isso é que é difícil!" (versão integral)



O JORNAL NACIONAL


Confesso que não fiquei grandemente surpreendida com o facto da "nova administração" da TVI ter suspendido o Jornal Nacional, é algo perfeitamente normal no âmbito do conceito de democracia Sul Americano ou mesmo Africano. Chamemos-lhe uma espécie de toque multicultural de quem ainda parece que salta de galho em galho, arrasta as mãos pelo chão e vai visitar os parentes distantes ao Jardim Zoológico de Lisboa... Ora, isto é muito bom para o Jardim Zoológico de Lisboa porque cobra mais entradas, dá trabalho à bicharada e um dia destes ainda começa a arrendar casas na aldeia dos macacos.
O que me surpreendeu foi a demissão da direcção de informação. Não é todos os dias que se assiste uma coisa destas. Na maior parte das vezes verifica-se, inclusivamente, o contrário. No local de trabalho não há, normalmente, espaço para a solidariedade e muito menos aquelas que colocam em risco o posto de trabalho. As pessoas têm medo. São medrosas (e algumas são merdosas também).
Pois deixem-me que vos diga o que é o medo; "O medo é um sentimento que proporciona um estado de alerta demonstrado pelo receio de fazer alguma coisa, geralmente por se sentir ameaçado, tanto fisicamente como psicologicamente" in Wikipédia (que era o que estava mais à mão).
Trata-se , portanto, de um mecanismo de defesa e quem não o tem, tem um problema gravíssimo. Por outro lado o medo também mata e mata de diversas maneiras, sendo a mais definitiva e menos figurativa aquela em que o sujeito - efectivamente - morre. Conclusão, se não temos medo temos uma neuropatologia grave, se temos demasiado medo temos uma psicopatologia grave também. Assim, a ideia aqui é dosear a coisa. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra porque quando levado ao extremo - por excesso ou defeito - o medo é um sentimento que impede o sujeito de viver.
Isto, basicamente, para dizer o quê?
Pois um grande bem haja para a antiga direcção de informação da TVI.
Quanto à nova administração da TVI :)))... Deixo aqui parte da letra de uma canção dos ICP:
«If I only could I'd set the world on fire
Say fuck the world! (Fuck the world!)
If I only could I'd set the world on fire
Fuck em all! (Fuck em all!)»
Nota: e fica mais giro quando estendemos o braço direito, com a palma da mão virada para nós, esticamos o dedo do meio e encolhemos os outros todos.