quarta-feira, outubro 20, 2010

ACÇÕES DE SOLIDARIEDADE E PEDITÓRIOS AFINS

Desde o passado domingo, pelo menos, que ali no centro comercial Twin Towers estão a fazer uma campanha para angariar fundos para a luta contra o cancro da mama. 

Nada a opor. É perfeitamente legítimo estas associações conduzirem este tipo de campanhas e chamarem a atenção para uma doença que vítima inúmeras mulheres todos os anos e que, na conjuntura económica e financeira actual, torna o trabalho destas instituições difícil. Mas as coisas são assim. A vida está difícil para todos e não é com vinagre que se apanham moscas.

À pouco fui até ao supermercado para comprar umas coisas que me faltavam para o jantar e lá veio um senhor com o discurso do "quer dar uma ajuda para o cancro da mama?" ao qual eu respondi com um peremptório "Por agora ainda não" e a contra resposta mal humorada foi "Felizmente não precisa". Por breves segundos considerei a possibilidade de lhe responder à letra e à falta de humildade de quem pede, mas optei por me calar e seguir caminho pois podem existir inúmeros motivos pelos quais o senhor me deu aquela resposta e que, para mim, são desconhecidos. 

Confesso-vos que me foi difícil ficar calada, tenho um temperamento inflamável e às vezes as palavras soltam-se mesmo sem pensar, mas a verdade é que se lhe tivesse respondido na mesma moeda teria apenas contribuído para o agravamento do seu mau humor e ninguém iria para casa mais feliz.

Não dei porque não posso e quando posso a minha solidariedade obedece a regras, a prioridades que defini exactamente porque não me é possível ajudar todos ao mesmo tempo e a primeira regra delas todas é ajudar a combater a fome de crianças e idosos. Porquê? Primeiro porque saco vazio não se aguenta de pé e segundo porque as crianças e os idosos são os segmentos da população mais vulneráveis.

No passado sábado contribuí, como pude, para o peditório das Irmãzinhas dos Pobres porquê? Porque não estavam a pedir dinheiro, estavam a pedir comida e outro tipo de produtos (como sacos do lixo por exemplo) e porque trabalham com pessoas idosas que a sociedade actual esqueceu. Não me quiseram impingir pins, ursinhos ou t-shirts. Entregaram-me apenas um papelinho com o tipo de bens que necessitavam e digo-vos, aquele papelinho teve muito mais força e muito mais significado do que qualquer artigo de merchandising barato. Não sou católica, como costumo dizer: "Eu sou tudo e não sou nada", mas o que aquelas Irmãzinhas desconhecem é que me fizeram sentir muito feliz no sábado e isso vale mais do que qualquer t-shirt, pin ou ursinho.

Aliás, não consigo perceber a partir de quando é que - algumas associações - acharam que vender merchandising (porque na realidade é disso que se trata estas angariações de fundos) era uma boa maneira de arranjar dinheiro. Terá sido a história do Pirilampo Mágico? Amiguinhos... Pirilampos à parte, nos tempos que correm, não vos auguro grande futuro na venda de brindes. Isso é mais digno dos grandes falcões humanitários para quem a solidariedade é apenas mais um negócio. 

A verdadeira solidariedade não está à venda e não se compra com... pins, ursinhos ou t-shirts. Averdadeira solidariedade é aquela que vem do coração e nos deixa felizes apenas porque nos deram um pedacinho de papel.

quinta-feira, setembro 09, 2010

GOVERNO NÃO TOLERARÁ A GREVE DA PSP

Ora deixem-me cá ver onde é que eu já ouvi isto antes?.... Mmmmm...Ah sim, foi aqui:



E a história ameaça repetir-se 21 anos depois, mas agora já na era da televisão em HD e 3D. Se transmitirem em 3D, espero que tenham a decência de não se esquecerem de vender os óculos senão a malta vê tudo desfocado e não é a mesma coisa.

Relativamente à legitimidade da polícia em fazer greve, haja tino. Compreende-se a razão pela qual não têm esse direito, no entanto, atendendo ao facto de que o trabalho dos senhores agentes é na maior parte das vezes  inglório (bófia = prende / tribunal = solta), convenhamos que mais um dia de greve menos um dia de greve não vai fazer grande diferença. No máximo haverá menos papel a ser preenchido o que apenas se traduz num rude golpe para os amantes da burocracia e além disso, os rapazes até têm razão para reclamar.

Pensem assim greve = - recursos gastos, logo é bom para o PEC. Qual é o problema de atropelarem um pouco a CRP? O governo e entidades públicas (e privadas) em geral  atropelam legislação todos dias e ninguém fica indignado, por isso larguem lá essa atitude de paladinos bacocos da moral e dos bons costumes porque isso, efectivamente, não são.