"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
sexta-feira, novembro 05, 2010
quarta-feira, novembro 03, 2010
REGRA N.º 1 – NUNCA SUBESTIMAR O NÚMERO DE INDÍVIDUOS ESTUPIDOS EM CIRCULAÇÃO
Aqui há uns tempos atrás transpus para este blogue as regras da estupidez humana do Carlo M. Cipolla. Bem sei que se trata de um texto de difícil leitura desde logo porque se encontra em inglês (o que, por si só, levanta a questão da barreira linguística dado que nem todos dominam os meandros de uma língua estrangeira assim tão bem).
De qualquer forma, a dificuldade da leitura do texto não assenta somente no domínio da língua, mas também, na quase obrigatoriedade de olharmos para nós próprios com um espírito crítico. Será que o conseguimos fazer?
Na minha humilde opinião somos muitas coisas por natureza, inclusive, estúpidos mas depois existem aqueles que são capazes de dosear a estupidez com conta, peso e medida. O meu professor de gestão de inovação costumava dizer que “a estupidez é um direito, não uma obrigação” e de facto tem razão. O exercício da estupidez é uma escolha individual, ninguém é obrigado a tal se assim o entender.
Por exemplo, ao abrigo de não ferir susceptibilidades fazemos muitas coisas estúpidas e criamos situações perfeitamente ridículas. Por outras palavras, fazemos figura de parvos. Acontece-me a mim, acontece ao A ao B ao C e por aí adiante. Às vezes estamos conscientes disso, outras vezes nem por isso e quando a situação tem origem num acto que é inconsciente tende a ser desculpável embora, por natureza, continue a ser estúpido. Por outro lado, quando a situação é deliberadamente estúpida, podemos efectivamente estar perante o exercício de um direito se, pelo menos, formos honestos connosco e com terceiros. No entanto, quando nos escudamos atrás de um argumento oco e vazio para incorrermos numa determinada situação - caracterizada de estúpida - além de estúpidos, estamos a ser hipócritas e irresponsáveis.
Estúpidos; porque deliberadamente transformamos um direito numa obrigação.
Hipócritas; porque não vivemos de acordo com os princípios que defendemos.
Irresponsáveis; porque não somos capazes de assumir as consequências dos nossos actos.
Estes três itens têm, normalmente, origem no medo irracional que se tem de se ser julgado pelas regras de convivência social. Ou pelo menos, naquilo que alguns acreditam ser as regras de convivência social. É quase como se estivéssemos de volta ao recreio da escolinha secundária em que é imperativo pertencermos ao mesmo grupinho de meninas e meninos populares. Ora, qual é o problema disto? Em primeiro lugar, a fase da escolinha secundária já passou há algum tempo e em segundo lugar há pessoas que entretanto cresceram e se estão, literalmente, a cagar para a existência grupinhos popularuchos que não acrescentam qualquer tipo de mais-valia ou benefícios para os mesmos ou para a sociedade em geral.
Chocante? Talvez. Mas infelizmente a sociedade portuguesa está pejada de indivíduos infantilizados.
terça-feira, novembro 02, 2010
quarta-feira, outubro 20, 2010
ACÇÕES DE SOLIDARIEDADE E PEDITÓRIOS AFINS
Desde o passado domingo, pelo menos, que ali no centro comercial Twin Towers estão a fazer uma campanha para angariar fundos para a luta contra o cancro da mama.
Nada a opor. É perfeitamente legítimo estas associações conduzirem este tipo de campanhas e chamarem a atenção para uma doença que vítima inúmeras mulheres todos os anos e que, na conjuntura económica e financeira actual, torna o trabalho destas instituições difícil. Mas as coisas são assim. A vida está difícil para todos e não é com vinagre que se apanham moscas.
À pouco fui até ao supermercado para comprar umas coisas que me faltavam para o jantar e lá veio um senhor com o discurso do "quer dar uma ajuda para o cancro da mama?" ao qual eu respondi com um peremptório "Por agora ainda não" e a contra resposta mal humorada foi "Felizmente não precisa". Por breves segundos considerei a possibilidade de lhe responder à letra e à falta de humildade de quem pede, mas optei por me calar e seguir caminho pois podem existir inúmeros motivos pelos quais o senhor me deu aquela resposta e que, para mim, são desconhecidos.
Confesso-vos que me foi difícil ficar calada, tenho um temperamento inflamável e às vezes as palavras soltam-se mesmo sem pensar, mas a verdade é que se lhe tivesse respondido na mesma moeda teria apenas contribuído para o agravamento do seu mau humor e ninguém iria para casa mais feliz.
Não dei porque não posso e quando posso a minha solidariedade obedece a regras, a prioridades que defini exactamente porque não me é possível ajudar todos ao mesmo tempo e a primeira regra delas todas é ajudar a combater a fome de crianças e idosos. Porquê? Primeiro porque saco vazio não se aguenta de pé e segundo porque as crianças e os idosos são os segmentos da população mais vulneráveis.
No passado sábado contribuí, como pude, para o peditório das Irmãzinhas dos Pobres porquê? Porque não estavam a pedir dinheiro, estavam a pedir comida e outro tipo de produtos (como sacos do lixo por exemplo) e porque trabalham com pessoas idosas que a sociedade actual esqueceu. Não me quiseram impingir pins, ursinhos ou t-shirts. Entregaram-me apenas um papelinho com o tipo de bens que necessitavam e digo-vos, aquele papelinho teve muito mais força e muito mais significado do que qualquer artigo de merchandising barato. Não sou católica, como costumo dizer: "Eu sou tudo e não sou nada", mas o que aquelas Irmãzinhas desconhecem é que me fizeram sentir muito feliz no sábado e isso vale mais do que qualquer t-shirt, pin ou ursinho.
Aliás, não consigo perceber a partir de quando é que - algumas associações - acharam que vender merchandising (porque na realidade é disso que se trata estas angariações de fundos) era uma boa maneira de arranjar dinheiro. Terá sido a história do Pirilampo Mágico? Amiguinhos... Pirilampos à parte, nos tempos que correm, não vos auguro grande futuro na venda de brindes. Isso é mais digno dos grandes falcões humanitários para quem a solidariedade é apenas mais um negócio.
A verdadeira solidariedade não está à venda e não se compra com... pins, ursinhos ou t-shirts. Averdadeira solidariedade é aquela que vem do coração e nos deixa felizes apenas porque nos deram um pedacinho de papel.
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