segunda-feira, agosto 22, 2005

E NÓS POR CÁ... CONTINUAMOS A ARDER

3 comentários:

Trakinas disse...

Este comentário é cópia do que fiz no Blog "Periscópio-Quatro" sobre um artigo de José Gomes Ferreira que lá está referido e que achei de grande qualidade.
Aqui fica o link para quem quizer ler:
http://sic.sapo.pt/online/noticias/opiniao/20050804+-+A+industria+dos+incendios.htm

Deixo aqui uma achega sobre aquilo a que chamam floresta e que mais não é que uma seara.
Os senhores das papeleiras e os seus eucaliptais não têm nada a ver com política florestal.
Uma floresta não nasce e morre no mesmo dia. As fiadas de eucaliptos plantados com um metro de distência são feitas para serem abatidos todas no mesmo dia, deixando um cenário dantesco quando são cortados.
Outro pormenor que poderá passar ao lado dos mais distraídos é a moldura de pinheiro bravo que se deixa em torno dos eucaliptais e que serve de acendalha. Este pinheiro é ideal para queimar as pontas dos eucaliptos ainda jovens e permitir assim o abate de encostas inteiras.
Se chamam floresta a um eucaliptal, eu não o faço. É o modo mais rápido de produzir madeira, que usa o crscimento inicial da árvore para a matar em seguida. As varas longas e estreitas que são os troncos dos raquíticos eucaliptos que crescem sem espaço são a matéria-prima ideal para uma indústria altamente poluente, mas lucrativa.
O meu conceito de floresta implica que haja abate selectivo e sustentado, pelo que as encostas carecas que as papeleiras deixam nas nossas serras são um atentado paisagístico, e um crime contra a Nação.
O fogo serve apenas para provocar uma oferta exagerada e fixar assim o preço da madeira muito abaixo do que seria natural.
Até quando teremos de assistir Às lágrimas de crocodilo daqueles que mais lucram com a destruição do nosso Portugal?

Mais, muito mais haveria para contar sobre este e outros chicos-espertos mas...
...fica para outro dia.
:)

Virus disse...

De facto quem já andou por outros países e viu outras florestas não pode deixar de concordar a 100% com o que o nosso caro trakinas acabou de escrever...de facto a isto pode-se chamar tudo menos floresta.

Ainda assim não deixa de ser uma mancha "verde" que rápidamente está a mudar de côr.

Escutem o que vos digo à imenso tempo...os meios de combate a incêndios devem estar exclusivamente nas mãos dos bombeiros e da protecção civil, de mais ninguém.

Entretanto a única coisa que posso dizer é...deixa arder...pode ser que depois saia mais barato para vender aos espanhóis!!!

Anthrax disse...

Também estou de acordo com o Trakinas. O que não faltam em Portugal são chicos-espertos. Vivemos disso agora e sempre vivemos disso no passado. O lucro fácil é sempre apetecível, mas esta mesma conversa poderia ser feita em relação à prostituição.

Não são só as celuloses que têm responsabilidade com tipo de vegetação que produzem. São também os construtores civis e as Câmaras Municipais que lucram com estas negociatas obscuras. Por exemplo, quando é que foi a última vez que a serra de Sintra ardeu? Particularmente, aquela zona ali ao pé da praia do Abano? Ardeu mais alguma coisa desde que construiram aquele condomínio fantástico? Não ardeu pois não?

Aqui há uns tempos atrás, andava para aqui a brincar com a história da Teoria da conspiração, na qual relacionava o TGV com os incêndios, por acaso não estava a falar a sério, mas não me espantaria minimamente se, de alguma forma, fosse mesmo verdade.

Da mesma maneira que acho perfeitamente inconcebível, o facto de não haver nenhuma investigação sobre os aviões incendiários. De dia ou de noite, não há nenhuma aeronave que levante vôo, de qualquer aerodromo, sem autorização ou registo de vôo. Logo, se não investigam é porque não interessa saber quem é. E os jornalistas que são tão bons e andam sempre à procura de um bom escândalo - até vão para o meio das chamas! E filmam a desgraça de quem perde todos os seus bens! - não têm os ditos no sitio para investigar este tema e pôr tudo a descoberto.

É assim, espertos são os cães e o problema é que nós estamos entregues a uma matilha.

Estava agorinha a ver as notícias da BBC que, estavam a dar uma reportagem sobre os incêndios em Portugal e a falar nas "cidades que estão a ser destruídas pelas chamas" . Estavam também a falar no governo Português que, incapaz, de controlar a situação viu-se obrigado a pedir ajuda aos demais países Europeus (não estou a brincar os termos utilizados foram mesmo estes e no pior sentido possível que é o da depreciação).

Caramba, é que até nas notícias da Nova Zelândia nós entramos!