"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
terça-feira, julho 03, 2012
3,96
sábado, junho 30, 2012
Meus queridos amigos: isto é um pequeno resumo ;)
quinta-feira, fevereiro 24, 2011
DO BOLSO ESQUERDO PARA O DIREITO
segunda-feira, outubro 22, 2007
O TERRÍVEL PESO DAS CONSTATAÇÕES.
No que toca aos nossos colegas britânicos, em nada lhes ficamos atrás. Muito pelo contrário, ao nível do conhecimento dos procedimentos e regras definidas pela Comissão Europeia, temos um know-how que excede, claramente, o deles mas em termos práticos isto não nos serve para - rigorosamente - nada porque somos boicotados por aqueles que nos estão imediatamente acima. Ora, isto é uma coisa que não acontece com eles graças ao modelo de organização e capacidade de coordenação que os britânicos detêm. Além disso, eles têm uma coisa que nós efectivamente não temos (além das outras coisas essenciais que nós também não temos). Pessoal. O termo correcto para designar esta questão relacionada com a falta de pessoal é understaffed. Não é possível desempenhar um bom trabalho se não existirem recursos humanos suficientes para dar resposta ao trabalho existente (nem é possível desempenhar um bom trabalho se os recursos existentes estiverem mal organizados e coordenados). Da mesma maneira, a falta de recursos humanos vai - inevitavelmente - traduzir-se numa maior probabilidade de erro por parte daqueles que estão a trabalhar.
Outra constatação verdadeiramente atroz, que consta do relatório, é a questão da avaliação de desempenho. O burgo britânico utiliza aquilo que é por eles designado por Performance Management System e que tem como objectivo «assegurar e maximizar o desenvolvimento dos recursos humanos, numa perspectiva de melhoria pessoal contínua para o bem comum da equipa/instituição. De 3 em 3 meses cada funcionário reúne-se com a sua chefia directa e debate os seus objectivos específicos para os próximos 3 meses; adicionalmente procede-se à identificação de necessidades de formação. Esta entrevista é registada num plano de trabalho individual (Job Plan). Na reunião seguinte, reavalia-se a situação relativamente ao progresso definido na anterior e formula-se o plano para a reunião seguinte. No final do ano há 4 planos de trabalho que, em conjunto com as notas (Review) tiradas nas 4 reuniões pela chefia responsável por esse funcionário, permitem a avaliação anual (Anual Review) do desempenho e do desenvolvimento do funcionário».
É tal e qual como cá.
Nós aqui temos o Manual do SIADAP, que à excepção da questão das quotas, até está muito bem elaborado e teria uma implementação bastante positiva conseguissem os dirigentes abstrair-se da questão dos afectos. A grande maioria, se não todos, é incapaz de gerir a questão dos afectos e isto aliado à imposição de quotas é a catástrofe generalizada. Daí a desconfiança dos funcionários públicos - e com toda a legitimidade - em relação às avaliações. No entanto, o assunto das avaliações de desempenho não se esgota na incapacidade da gestão de afectos. Este é apenas um dos elementos porque a ele há que juntar a incapacidade de estabelecer objectivos, mesmo que o dito manual diga como é que se faz. Aquilo que os dirigentes britânicos são capazes de compreender e os dirigentes portugueses não, é que existem pelo menos 2 tipos de objectivos:
- aqueles que são os objectivos gerais da instituição, da política ou de um determinado programa;
- aqueles que são os objectivos especificos de cada funcionário e que se prendem, única e exclusivamente, com o job description do mesmo.
Isto não tem a ver com quantas vezes vamos tomar café com o "chefe/a" (e ficamos pelo café para não me dar para a ordinarice), nem com quantas vezes sorrimos para os colegas e muito menos com quantas vezes ficamos a trabalhar depois de cumprido o horário de trabalho. Isto tem a ver com coisas objectivas e mensuráveis num determinado período de tempo, que pode e deve ser desmultiplicado em horas, dias, semanas ou meses.
Como devem calcular, isto não é coisa que deva agradar aos dirigentes portugueses caso contrário a quem poderiam eles atribuir o fraco desempenho de um determinado organismo senão aos próprios? Seria a mesma coisa que se rotularem de incapazes e pior, enquanto numa empresa privada a questão ficaria resolvida por uma má aposta do departamento de recursos humanos que seria prontamente corrigida, no caso da Administração Pública como os dirigentes são colocados por nomeação seria a mesma coisa que dizer que um ministro não sabia seleccionar os seus dirigentes (o que não deixa de ser verdade na maior parte dos casos). Assim, enquanto para os britânicos se trata de uma questão de profissionalismo, para os portugueses trata-se de uma questão de amadorismo.
É este amadorismo, que se verifica na função pública, aliado a uma arrogância sem limites que me revolta. Quando se gere o que quer que seja não pode haver espaço para amadorismo. Um director da Vodafone, por exemplo, não pode ser amador, porque se for amador a Vodafone tem um problema. Da mesma maneira, um dirigente de um serviço público não pode ser amador, porque se for amador o desempenho do serviço que dirige tem um problema cujo único responsável é o próprio.
Portanto, e para concluir, quando me vêm falar da pouca produtividade e que Portugal tem um problema de produtividade e não-sei-quê-não-sei-que-mais, digo-vos, Portugal tem um problema sim. Tem um problema de produtividade relacionado com a má gestão, com a ausência de gestão, com a incapacidade de organização e com a incapacidade de coordenação dos meios e dos recursos, que ainda assim vamos tendo e que lá vão funcionando ora mal, ora menos mal. Portugal tem também um problema de irresponsabilidade dos dirigentes que nunca são responsáveis por nada e que na maior parte das vezes têm uma mentalidade terceiro-mundista tipo “Chefe da Junta”. São pequeninos armados em grandes que não descansam enquanto não reduzem os outros à sua própria insignificância e quando deviam ambicionar ser tão grandes como aqueles que visam reduzir.
É terrível saber disto, ver isto a acontecer e não poder fazer nada a não ser expressar a minha “inconformidade” através destes escritos. Não pertenço aos quadros da função pública e ainda bem, não é algo que ambicione. Para o bem e para o mal, antes ser um mercenário com princípios.
terça-feira, maio 29, 2007
MAIS NOVIDADES CÁ DO BURGO
quinta-feira, maio 17, 2007
DECISÕES
quarta-feira, maio 09, 2007
A PRODUTIVIDADE DA FUNÇÃO PÚBLICA
Isto até teria a sua graça se não se tratasse de uma palhaçada mas, como o é deve ser tratado enquanto tal. Sei que vos passo o tempo a falar dos dramas deste pequeno burgo onde exerço funções mas, tenham paciência, é o único exemplo que tenho (porque os outros pertencem ao sector privado e não são geridos por portugueses). Bom, de qualquer forma, para terem uma ideia do que actualmente produzimos digo-vos o seguinte; estou desde ontem a «jogar à batalha naval» com os meu colegas. Perguntar-me-iam vocês? O amigo não tem nada para fazer, não é?
Pois é, meus caros amigos, a resposta é que tenho pilhas de coisas para fazer e o equipamento não coopera, senão vejam o seguinte:
Na parte informática
- Não temos informático desde Fevereiro,
- A rede entra em colapso de 15 em 15 minutos,
- O servidor tem de ser reiniciado de 20 em 20 minutos,
- Os computadores não têm espaço em disco (logo, não temos outro remédio senão trabalhar na rede),
- Os computadores têm de ser reiniciados cada vez que a rede vai abaixo,
- Um computador demora cerca de 10 minutos a iniciar (quando não mais),
- Desde sexta-feira que não temos bases de dados (foi um ar que se lhes deu),
- As impressoras não imprimem (umas porque deram o berro, outras porque entopem com a quantidade de gente que dá ordens de impressão e outras porque esgotam os toners e não temos outros para a substituição, o que faz com que estejamos - pelo menos - 2 dias à espera que venha um novo),
Na parte Administrativa e Financeira
- O correio chega-nos com 3-4 dias de atraso,
- As transferências bancárias demoram cerca de 15 a 20 dias úteis a serem efectuadas (quando anteriormente demoravam, no pior cenário, 8 dias úteis),
- A direcção demora entre 30 a 60 dias úteis, após terminar o prazo de entrega, para despachar relatórios (sendo que já houve casos em que demorou 90 dias e quando anteriormente nós cumpríamos os prazos estabelecidos e quando isso não acontecia, procedíamos à entrega nos 2 dias seguintes),
- A direcção demora, em média 5 dias, para despachar informações pouco complexas sendo que este número aumenta exponencialmente consoante a complexidade do assunto (anteriormente, estas informações eram despachadas no próprio dia ou, no máximo, na manhã seguinte independentemente do grau de complexidade).
Conclusão, só à pala do mau funcionamento do equipamento informático, em cada 1 hora de trabalho nós perdemos entre 25 a 30 minutos (sendo que em várias ocasiões os 30 minutos seguintes são para re-fazer o trabalho que estávamos a fazer antes do equipamento colapsar). Isto significa, que em 7 horas de trabalho diário perdemos entre 175 a 210 minutos e quando chegamos ao final da semana já perdemos, pelo menos, 7.350 minutos (imaginem quanto é que isso dá ao final do mês, sem contabilizar a questão das bases de dados e as impressoras que não imprimem).
No que respeita à parte administrativa e financeira, que tratam de assuntos cuja nossa capacidade técnica de resposta está absolutamente dependente do trabalho de terceiros, toda e qualquer resposta que tenha de ser dada a correspondência que não nos chegue por via de correio electrónico segue, grande parte das vezes, com cerca de 35 horas de atraso (e isto é não considerando que já não damos resposta a correspondência cujo prazo de resposta já passou, para aí há 2 dias), porquê? Porque nós próprios recebemos a correspondência com cerca de 21 a 28 horas de atraso e se, se tratar de um assunto que possa ser resolvido, unicamente, ao nível técnico, nós no prazo de 1 hora respondemos. Se por outro lado, se tratar de um assunto que careça de uma decisão superior, bom... aí está a burra nas couves e o tempo de resposta pode, perfeitamente, ultrapassar as 35 horas.
Já no que toca à obrigação contratual de entrega de relatórios (de actividades e financeiros) à Comissão Europeia, a situação piora substancialmente. Na melhor das hipóteses, e porque não podemos ser nós a assiná-los (o que é uma pena mas, pronto, compreende-se), a direcção demora 1.050 horas a despachar um relatório com cerca de 40 páginas (e quantas mais páginas tiver, pior é), podendo este número chegar às 3.150 horas (após ter terminado o prazo de entrega, e aqui eu não estou a contabilizar o facto de que nós temos por hábito terminar os relatórios com, pelo menos, 14 horas de antecedência porque achamos que é tempo mais do que suficiente para proceder a correcções caso seja necessário).
Como isto já vai longo, eu nem sequer vos vou falar da parte financeira mas, da próxima vez que começarem a ouvir as historietas sobre a produtividade da função pública, ou de qualquer outra coisa relacionada com as instituições públicas, lembrem-se de que na maioria das vezes a falta de produtividade é um problema de gestão (ou da falta dela) e é a má gestão que vos gasta o dinheirinho dos impostos. Como podem ver, pelo exemplo que vos dei acima, cada um de nós aqui no burgo, em 7 horas de trabalho diário, perde 3,5 horas só porque o equipamento não coopera. A estas 3,5 horas, acrescentem aquelas que dependem do trabalho de terceiros e vejam qual é o nosso nível de produtividade actual (ficam logo a perceber a minha recente fixação nos TIR australianos).
terça-feira, abril 24, 2007
A FORÇA DOS NÚMEROS
ACÇÃO #1
2004-2005
Nº Candidaturas recebidas: 115
Grau de satisfação face ao serviço prestado: Excelente: 74% / Bom: 26%
Grau de satisfação face ao valor: Apropriado: 53% /Suficiente: 43%
Taxa de execução da convenção financeira : 80%
2005-2006
Nº Candidaturas recebidas: 181 (+ 57% do que no ano anterior)
Grau de satisfação face ao serviço prestado: Excelente: 69% / Bom: 29% / Satisfatório: 2%
Grau de satisfação face ao valor: Apropriado: 47% / Suficiente: 36% /Insuficiente: 15%
Taxa de execução da convenção financeira : 83%
2006-2007
Nº Candidaturas recebidas: 139 (-23% do que no ano anterior*)
Grau de satisfação face ao serviço prestado: N/D
Grau de satisfação face ao valor: N/D
Taxa de execução da convenção financeira : 56% (até á data)
Notas: * Factores que mais influenciaram a quebra nos números em 2006/07:
1 – Divulgação tardia do Catálogo 2006-2007 por parte da CE;
2 – Antecipação do prazo de candidaturas, por parte da CE, de 1 de Junho 2006 para 1 de Maio de 2006.
ACÇÃO #1 – eventos organizados por Portugal (tendo em conta o n.º mínimo, de 5, imposto pela C.E)
Catálogo 2004/05
Nº de eventos organizados por instituições portuguesas: 9
Percentagem (relativa ao número mínimo de eventos a organizar por Portugal) : + 80%
Catálogo 2005/06
Nº de eventos organizados por instituições portuguesas: 6
Percentagem (relativa ao número mínimo de eventos a organizar por Portugal) : + 20%
Catálogo 2006/07
Nº de eventos organizados por instituições portuguesas: 10
Percentagem (relativa ao número mínimo de eventos a organizar por Portugal) : + 100%
Nota: A organização destes eventos não é subvencionada por fundos comunitários, nem por fundos nacionais (porque o Estado Português não os quer financiar), pelo que se depende da boa vontade de quem organiza.
ACÇÃO #2 (somente período 2006/07, visto que não a geria antes disso)
2006-2007
Nº candidaturas recebidas: 473*
Notificações aos candidatos(com mínimo de 10 semanas de antecedência face à data de inicio da actividade): 100%
Grau de satisfação face ao serviço prestado: N/D
Grau de satisfação face ao valor da subvenção: N/D
Taxa de execução da Convenção financeira: 99%
Nota: * +11,5% de candidaturas recebidas face ao ano anterior.
Isto que aqui vos mostro, foi feito pela minha livre iniciativa. É, basicamente, meu porque gosto de seguir os resultados do meu trabalho e gosto de saber se estou a caminhar na direcção certa ou não. Esta coisa básica (que roça as raias do rudimentar), nunca me foi pedida por nenhum dos dirigentes que passou por esta casa e devia ter sido pedida por todos aqueles que tivessem, pelo menos, um Q.I superior a 15, uma vez que espelha diversos elementos necessários para a gestão do público interno (no que respeita aos respectivos desempenhos por exemplo) e do público externo. Além disso, é possível esmiuçar, ainda mais, todos estes elementos e outros que aqui não se encontram referidos.
Mas não.
O Dirigente «publicuzinho» está-se a c#$&r para isto. Não interessa gerir, interessa ir gerindo e mandando assim umas bocas para fingir que até se percebe da coisa. É um faz de conta com o dinheiro dos outros. Qualquer treinador de futebol (mesmo os de bancada), sabe que em equipa que ganha não se mexe (If it's not broken, don't fix it). Depois há os ignorantes que ascendem porque há um amigo(a) que lhes pede muito e que, por detrás daquela pompa e arrogância de senhores do mundo, escondem uma mente volátil, pequenina, tacanha e provinciana. Escudam-se naquilo que acham ser o "comportamento" de uns para sublevar outros mas, nunca olham para aquilo que é a realidade e a força dos números quando se pretende obter resultados.
São básicos.
Por isso, meus caros amigos, em boa verdade vos digo. Objectivos e resultados são duas palavras que não fazem parte do acervo intelectual e linguístico da função pública ou de qualquer outro organismo público. São duas palavras que são uma mera ficção. Não existem porque os imbecis que eram suposto implementá-las não fazem a menor ideia do que seja mas, como são eles que mandam (e como agredi-los é crime) temos que os aguentar com um sorriso nos lábios e esperar que sejam atropelados por um TIR australiano (visto serem maiores que os americanos).

