Recentemente descobri que a minha maior missão na vida é ser feliz. Mas atingir este objectivo nem sempre é tão simples quanto parece e nem sempre é tão díficil quanto nos querem fazer crer. No fundo, resume-se a uma questão de atitude perante a vida em geral e as forças de bloqueio em particular.Perante a vida, em geral, há que abraçá-la com optimismo e alegria, sem medo de andar para a frente, sem medo de arriscar, sem medo de mudar, porque tudo vale sempre a pena. Perante as forças de bloqueio, há que esticar o braço direito (ou esquerdo, consoante der mais jeito na altura), esticar o dedo do meio e encolher os outros, manifestando - clara e inequivocamente - o que nos vai na alma a propósito das mesmas.
Feita esta pequena introdução, confesso-me apaixonada por motos. Nunca tive nenhuma, nunca conduzi nenhuma, o máximo que consegui concretizar neste plano foi andar à pendura nas motos dos meus amigos e ser propietária de um fantástico triciclo quando tinha quatro ou cinco anos... bom, acho que também tive uma bicicleta pequenina, com umas rodinhas de lado, mas tirando isso a verdade é que depois dos 10 anos nunca mais tive nada disso dado o exercício da autoridade parental que considerava perigoso qualquer deslocação em veículos de duas rodas mas que, curiosamente, considerava totalmente inofensivo a condução sob efeito do alcóol.
Depois disso, à medida que crescemos é fácil perdermo-nos na vida que nos inventaram. Pior, é muito fácil ser um mero espectador na vida que nos inventaram e que passivamente aceitámos.
Para mim, 2009 é o ano da mudança. Com crise, ou sem ela, viva a felicidade e abaixo as forças de bloqueio! Vou comprar uma Vespa! Porquê? Porque me faz sorrir, porque me torna alegre, porque me faz feliz. Porque sim e não preciso de mais razão nenhuma. É claro que não é nenhum motão! É uma Vespazita de 50 cc e um capacete cor-de-rosa. Já está!... É claro que também preciso de aprender a andar com ela mas isso resolve-se.
Todavia, enquanto a minha euforia se expandia com a ideia da Vespa, eis que me bate à porta uma força de bloqueio. Não tenho carta de moto, não tenho licença, não tenho nada, só tenho carta de condução categoria B. Como devem calcular isto preocupou-me um bocado e fui pesquisar e quanto mais pesquisei mais confusa fiquei porque, aparentemente, há alguma divergência na doutrina. Ora quando isto acontece há, também, duas opções. A primeira é ler a legislação sobre o assunto, a segunda é telefonar a uma amiga que trabalha na antiga DGV. Optei pelas duas.
A legislação; DL n.º 209/98 de 15 de Julho de 1998, art.º 49, n.º 1 e 2. Diz, expressamente, no n.º 1 que titulares de carta de condução válida para a categoria B, cuja habilitação tenha sido obtida até 30 de Março de 1998, consideram-se habilitados para a condução de ciclomotores e no n.º 2 que titulares de licença de condução de ciclomotores cuja habilitação tenha sido obtida até 30 de Março de 1998, consideram-se habilitados para a condução de motociclos de cilindrada não superior a 50 c.c.
A amiga na antiga DGV; confirma que desde que a carta de condução - categoria B - tenha sido obtida até 30 de Março de 1998, o seu titular encontra-se habilitado a conduzir veículos de 2 rodas até 50 c.c. De qualquer das formas, é conveniente andar com uma fotocópia do Decreto-Lei porque, meia-volta, os senhores agentes da autoridade tendem a ter lapsos de memória pelo que necessitam de um estimulo visual para se recordarem.
Claro está que fui a correr olhar para a minha carta de condução. É de 23 de Março de 1998. Ó Felicidade! As danças estúpidas e os pulinhos que uma pessoa faz e dá quando se verifica uma coisa destas. E o sorriso? Daqueles que ficam ali pregadinhos aos beiços e não saiem?! Amanhã, vou a correr à procura de uma capacete cor-de-rosa para fazer pandam com a minha carta de condução, que ainda é das antigas.
Nunca prescindam daquilo que vos faz feliz, nem nunca adiem a busca da felicidade. Não faz bem a ninguém.
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