sexta-feira, março 27, 2009

DIÁRIO DE UMA VIAGEM ATRIBULADA

Normalmente, quando viajo em serviço, as viagens costumam ser bastante enfadonhas e nunca acontece nada de especial. Todavia e para quebrar este ciclo vicioso do "no pasa nada" nas deslocações em serviço, a minha primeira viagem do ano revelou-se um tanto ou quanto atribulada.

As emoções começaram logo no primeiro dia com uma tentativa de aterragem falhada devido ao mau tempo e ventos fortes que se abatiam sobre Salónica. A minha colega, que tem um horror danado de viajar de avião e estava branca como a cal, fincava as unhas na cadeira enquanto eu lhe dizia «Não te preocupes, isto é só um pouco de turbulência, vai correr tudo bem". Dizer uma coisa destas num momento daqueles parece-me, agora, um tantou ou quanto surrealista considerando que esse "pouco de turbulência" quase virava o avião ao contrário enquanto o resto dos passageiros berravam com quantas forças tinham. Confesso que ver o avião abanar ao sabor do vento e a aguinha picada do mar Egeu mesmo ali à nossa beira, não só, não é uma sensação agradável, como também, é um pouco assustador. A segunda tentativa de aterragem, com mais abanos ou menos abanos, foi bem sucedida e o piloto aplaudido. Seja como for, foi um susto daqueles.
Ao contrário das outras vezes, e como já devem ter depreendido pela descrição da aterragem, em Salónica estava vento, chuva e um frio de rachar. Posteriormente, verificou-se que ninguém estava preparado para apanhar aquele tempo na Grécia mesmo que constasse das informações práticas enviadas previamente, mas que ninguém leu. Felizmente a coisa compôs-se nos dias seguintes.

A reunião correu bem e o programa social também. A gastronomia grega é farta e fabulosa, o que causou algumas indigestões embora nada de preocupante e no último dia de reunião, depois de concluídos os trabalhos e já na parte do descanso, roubaram-me a carteira com cartões e bilhete de identidade lá dentro. Assim sendo, acabei o dia a visitar a esquadra da polícia da Praça Aristóteles.

Meus caros, aqueles polícias gregos são uma coisa espantosa! São giros, simpáticos, prestáveis e muito atenciosos mas digo-vos uma coisa... se acham que as nossas esquadras não têm condições, haviam de ver aquela. No entanto, eles foram tão simpáticos que nem houve oportunidade para se prestar muita atenção às ditas instalações. Passaram-me a declaração e pronto, lá fui eu para o hotel gastar dinheiro em roaming e entreter-me a cancelar cartões.

Nota: Quando se é roubado ou se perde a carteira com o bilhete de identidade lá dentro, pode-se viajar na mesma desde que se tenha e se apresente a declaração da polícia no aeroporto. Pude constatar isso em primeira mão e não há problema nenhum, mas atente-se que estava em território da U.E, não sei se é a mesma coisa em países terceiros. De qualquer modo, também é importante que se contacte a Embaixada para que se possa dar baixa do bilhete de identidade. Tentei contactar a nossa embaixada em Atenas na manhã do dia seguinte (que por azar era feriado nacional), dentro do horário que constava do site do MNE, mas ninguém atendeu (além de que alguns números de telefone estão desactualizados).

O regresso decorreu sem qualquer tipo de incidentes. Apesar do stress que estas situações possam gerar num determinado momento, esta foi uma viagem bastante animada com, absolutamente, nada de enfadonho. Gostei bastante desta viagem e foi bastante enriquecedora em termos de novas experiências mesmo que nem todas tivessem sido agradáveis.

Sem comentários: