Por cada dia que passa mais me convenço que o povo português deve padecer de alguma maleita mental que nos impede de avançar e quando chegamos à época de eleições parece que ficamos mais parvos do que o costume.
Atente-se então no formato televisivo dos debates políticos em que toda a informação é dada a correr... depois de ter visto dois, concluí que, neste caso, "debate" está a ser utilizado como uma espécie de nome artístico, tipo "Gigi" ou "Xuxa", para designar algo que ainda ninguém sabe muito bem o que é que é. Ora, quem pretende fazer uma coisa séria, para públicos cuja faixa etária é superior a 13 anos, não usa formatos com "nomes artísticos" pouco credíveis. As "Gigis" e as "Xuxas" são formatos que funcionam bem em públicos infantis.
Isto levanta-nos, então, uma outra questão que é a de nos estarem a chamar estúpidos dado considerarem-nos demasiado básicos para assimilar grandes quantidades de informação, diversificada, num limite de tempo superior a 15 minutos. Tanto quanto eu saiba, não há nenhuma aula - na escola ou na universidade - de duração inferior a 50 minutos. Mas isto sou só eu a pensar é claro.
A situação torna-se tanto mais caricata quando depois de nos chamarem "estúpidos" ainda nos incitam a ir votar, com uma campanha elementar, dizendo; «Não deixe que escolham por si». Pergunto: Mas escolher o quê? Os "debates" não esclarecem um boi e além disso, não há paciência para andar a saltar de canal em canal. Zapping pratico-o quando quero e as "Gigis" e as "Xuxas" não são assim tão interessantes que me façam querer praticá-lo.
Que queiram vender gelados aos esquimós, por mim tudo bem, mas eu não sou um esquimó e aquela coisa a que chamam "debates" não o são, nem contribuem para esclarecer o que quer que seja.
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