segunda-feira, dezembro 17, 2007

O MEU CADERNINHO

Ontem estava a ver, no canal Fox Live, aquela série chamada "Nip Tuck" e dei comigo a pensar cá para os meus botões: «Gostava de ser estupidamente fútil, seria tão mais feliz...». É claro que isto foi sol de pouca dura visto que na maior parte do tempo, penso «Como eu gostava de ter um Q.I acima de 180» (note-se, este é um desejo tão válido como outro qualquer. Se há quem desejasse ganhar o euromilhões, porque é que não poderia haver alguém que desejasse ter um Q.I elevado?)

Obviamente, não sou estupidamente fútil, nem tenho um Q.I de 140 (quanto mais um de 180) mas, a verdadeira questão é que uma pessoa nunca está contente com aquilo que tem e além disso ainda por cima é dificil saber-se o que realmente se quer, pelo que concluí que tal situação constitui sempre um obstáculo ao desenvolvimento pessoal. Posto isto, a dedução mais lógica que me ocorre é que quando andamos sem rumo é porque estamos ligeiramente perdidos.
Mas também há outra interpretação possível. A interpretação que nos diz, que isso pode ser um sinal de que estamos a precisar de mudar e que se não mudamos é porque não nos estamos a esforçar o suficiente.

É tão boa possibilidade como outra qualquer e não é coisa que já não me tenha ocorrido.
Sabem, nestas últimas férias arranjei um caderninho onde colo e escrevo várias coisas de que gosto e outras que gostava de ter (mas não tenho). Pespeguei-lhe um título, na capa, que diz: "Invest in what you love" e meia volta vou-lhe acrescentando palavras e imagens que vou recolhendo daqui e dali. Ontem, depois de ter estado a ver aquela série, fui olhar para o caderninho e cheguei à conclusão que não lhe tenho estado a prestar muita atenção, caso contrário não desperdiçaria tanta energia em andar para aqui armado em "naufrago do destino", ou qualquer coisa assim bastante piegas.

O referido caderninho é suposto funcionar como uma espécie de mapa. Um mapa que nos diz quem somos, o que queremos e o que gostamos. Não podemos tirar nada do que já lá está, mas podemos ir sempre acrescentando mais coisas e nada impede essas novas coisas de alterar outras mais antigas, mesmo assim, as antigas continuam lá. Fazem parte do caderninho. Olhar para o caderninho faz sempre bem. Relembra-nos do que somos, do que queremos e do que gostamos, muito embora nunca diga como é lá chegamos... mas também é verdade que se dissesse como é que lá chegávamos, tudo seria muito mais fácil e tudo se tornaria uma grande seca, sem qualquer valor.

Todavia, e agora que penso nisso, creio que o Caderninho padece de um outro pequeno lapso, além do "não dizer como lá chegamos". O Caderninho pode dizer-nos quem somos, o que queremos e o que gostamos mas, não valoriza o que já temos e muitas vezes aquilo que já temos tem tanto, ou mais, valor do que as nossas aspirações. Devia acrescentar-lhe este capítulo, pois se não soubermos valorizar o que já temos como é que vamos dar valor ao que desejamos?

É um Caderninho lixado, este!

No entanto, continua a ser um bom ponto de referência. Principalmente para quando andamos mais distraídos, o que me leva à consideração seguinte; muito pouca gente sabe que escrevo - para aí - desde os meus 14 anos. Aliás, tenho montes de papel escrito guardado em caixas. Montes de rascunhos, paletes de personagens com as suas próprias histórias em sitios que não existem. Estes escritos estão para mim tal como o anel está para o Gollum. "My preciousssss". Meu, meu , meu e só meu, e ninguém tasca!

Sinceramente, acho que a maior parte daqueles escritos são um cócó (ora cá está a parte da valorização), mas não importa. São só meus e é muito raro deixar alguém lê-los. Considero tal acto como uma invasão do meu espaço territorial e consequentemente sujeito a medidas violentas de retaliação. Racionalmente, confesso que isto até pode parecer um bocado parvo, principalmente quando escrevo num blogue mas, na realidade, não consigo ver a utilidade de partilhar com os outros algo que é mesmo só meu. Enfim, que coisa doida.

Assim, no meio disto tudo concluí que 2008 será o ano em que vou trabalhar este meu lado mais criativo e por isso decidi que vou fazer algo por ele [o lado criativo]. Além disso, ele merece que eu lhe dê atenção e eu mereço que lhe seja dada atenção. Só não sei ainda como é que vou lidar com a parte do "não deixar ninguém ler"... é que eu fico um bocado histérico com isto... bom, seja como for, nada melhor do que lidar com uma coisa de cada vez.

Alguém sabe onde é que se ensina a escrever argumentos? Gostava de aprender a escrever isso.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

UMA SESSÃO DE «TEAM BUILDING»

Os ingleses - nossos congéneres - têm.

Nós, não.

Ok, mas vamos saltar as partes que não interessam, como por exemplo:

- O facto deles serem uma equipa de 30 (bastante bem organizados) a fazerem o trabalho que aqui é feito por uma equipa de 5 pessoas (em auto-gestão);

- O facto deles serem 30 para gerirem, mais coisa menos coisa, 1800 projectos;

- O facto de nós sermos 5 para gerir cerca de 1100 projectos (também mais coisa menos coisa);

- O facto de eles fazerem um retiro por ano para "team building" e nós somos avaliados negativamente porque não temos espírito de equipa;

- O facto de nós termos actividades previstas em plano de trabalho que envolvem a troca de experiências entre organismos da mesma natureza e depois vem uma criatura, que a propósito de um jantar incluído no programa de trabalho, despacha qualquer coisa como "o dinheiro das autoridades nacionais não serve para pagar eventos sociais" (mas entre outras coisas, e já excluindo a parte em que o dinheiro não é das autoridades nacionais e a parte em que só nos levantaram problemas à concretização de actividade prevista no Plano de Trabalho, aparentemente as autoridades nacionais já servem para pagar o jantarito de natal que, sublinhe-se, não é um evento social);

- O facto deles [ingleses] enviarem uma mensagem dizendo: "Não se preocupem, a vossa equipa é nossa convidada. Nós pagamos os vossos jantares".

- O facto de na Comitiva estarem presentes os Directores e da nossa parte, nem sinal da criatura;

Bem... digo-vos uma coisa, uma vez ultrapassado o embaraço de serem os representantes da instituição britânica a pagarem as despesas dos representantes da instituição portuguesa (porque era nessa condição que ali estávamos), aquele jantar no Clube do Fado foi um espectáculo! É claro que a noite foi longa e hoje anda tudo um bocado torto mas, eles ficaram num estado muito mais deplorável do que nós.

Foi ou não foi um bom trabalho de "team building"?

segunda-feira, dezembro 03, 2007

ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE A GREVE DA FUNÇÃO PÚBLICA NA PASSADA 6ª FEIRA

Consideração # 1: Dá muito jeito fazer greves à 6ª Feira. Não se ganha a diária mas, ganha-se um fim-de-semana prolongado onde se pode gastar o subsídio de natal. Pensam os dirigentes sindicais que assim aumentam o n.º de grevistas. Talvez seja assim. No entanto, o reverso da medalha parece-me bem pior e neste caso, o reverso da medalha consubstancia-se na descredibilização de um direito e de um instrumento que os trabalhadores têm para se manifestarem quando estão descontentes. Não é com vinagre que se apanham moscas e não é marcando greves para as 6ª Feiras e vésperas de feriados que se defendem, seriamente, os direitos dos outros.

Não pensem que sou contra as greves. Não sou. Sou apenas contra a desacreditação de um direito que nos assiste e sou contra a existência de sindicatos inoperantes que permitem a perca de poder de compra enquanto batem tachos e panelas só para a comunicação social. Isto, meus caros, não pode ser uma coisa séria e como tal, também não é possível levá-los a sério.

Consideração # 2: Para grande parte da sociedade, os funcionários públicos são o grande cancro do país. Concordo. O foco primário é o governo, o resto são metástases.

Relativamente a este aspecto, temos de admitir que o governo ganha aos pontos. E ganha aos pontos porquê? Porque joga com a volatilidade da Opinião Pública. Parece-me bastante lógico que, se numa entrevista de rua forem perguntar a um indíviduo que esteja numa fila para transportes públicos, há horas, porque estão em greve, que esse mesmo indíviduo não vá achar muita piada ao facto de ali estar. É claro que se estivesse do outro lado da barricada, poderia ter uma percepção diferente. De qualquer forma, tal como já foi dito por diversas vezes, o maior problema da Função Pública não são os seus funcionários mas, os seus dirigentes. Muitos deles até são boas pessoas, no entanto, por vezes têm o detalhe de não terem nem o perfil, nem a competência adequada aos cargos para os quais são nomeados. Depois, há também os trastes. Os que são absolutamente intragáveis e deviam ser enviados numa missão humanitária para as montanhas do Afeganistão ou, em alternativa, para os mercados de Bagdade onde a esperança média de vida é bem baixinha. Portanto, aquilo que a opinião pública vê nos Serviços Públicos são apenas os resultados da gestão de quem dirige. Contudo, como é o funcionário que está à frente, é este que passa por incompetente mesmo que não o seja.

Nota: Isto não significa que não existam funcionários incompetentes. É claro que os há mas, e daí, a incompetência e a irresponsabilidade são características transversais numa sociedade e podem encontrar-se manifestações das mesmas em diversos sectores que não, exclusivamente, o público. Logicamente, esta parte a opinião pública já não vê uma vez que tal seria admitir que todos nós temos falhas em algumas áreas e - como é sabido - em termos individuais, todos nós somos um espectáculo em tudo (se assim não fosse, como haveríamos de justificar o elevado número de treinadores de bancada?) são os outros que são burros. É claro que os outros também pensam o mesmo.

Consideração # 3: Dizia o jornalista de economia da SIC, o Programa Opinião Pública, que haviam muitos dirigentes na Adminsitração Pública, que o governo tinha conseguido reduzir o seu número e que isso era bastante positivo. Sim Senhor! Muitos aplausos para este feito inédito! Aplaudam e encoragem a bela merda que fizeram. A questão nunca foi a quantidade mas a qualidade dos mesmos e o problema é que se antes haviam muitos, agora há poucos e continuam a ser uma merda (maior do que a anterior, porque não conseguem dar conta do recado). Mas ei! Exactamente porque estamos a falar de uma excelente medida é que temos serviços na Administração Pública que estão absolutamente desgovernados e nos quais se assistem a coisas do arco da velha, no entanto, pouparam-se uns trocos.

Relativamente a isto, a única coisa que posso dizer é que; se querem fechar serviços porque há serviços a mais, então fechem! Mas assumam todas as consequências que advém do seu encerramento, incluindo as sociais. Tenham tomates e não se comportem como uns eunucozinhos invertebrados e irresponsáveis que acham que podem ter o melhor de dois mundos. Quando não dá, não dá e tenho a certeza que a população compreenderia, afinal as sondagens continuam a ser favoráveis ao governo.

Consideração # 4: À noitinha, apareceu um marmelo qualquer do governo a dizer que a greve não tinha tido grande expressão e que até as lojas do cidadão tinham estado a funcionar.

Amiguinho...

Espero que não pense que é a única criaturinha inteligente à face da terra. É claro que as lojas do cidadão não fecharam! A maior parte dos seus funcionários são contratados e não têm vinculo à função pública. Dependesse de mim e V.Exa. era um dos primeiros a encabeçar um grupo de missão humanitária para um qualquer mercado de Bagdade onde está mais quentinho.

Para concluir, não sou grande adepto de greves. Demasiado vermelho para o meu gosto. Sou adepto de formas alternativas de protesto, preferencialmente, aquelas que consomem recursos e/ou que se demarcam pelo seu carácter de desobediência. São muito mais engraçadas.