quinta-feira, dezembro 30, 2004

A PROPÓSITO DE TSUNAMIS…

Sabem, isto há coisas que me transcendem e que, de facto, me levam a acreditar que não existem limites para a estupidez humana...

É verdade, refiro-me aos brilhantes espécimes portugueses que não cancelaram as suas férias ali para os lados do sueste Asiático, mais concretamente, aqueles que as tinham marcado para as zonas que foram afectadas pela tragédia.

Confesso que não consigo compreender aqueles intelectos extraordinários. Ontem chegou-me, também, por e-mail a seguinte mensagem:

FORÇA DULCE, ESTAMOS CONTIGO!!!!



A estupidez de alguns ao máximo!



Na SIC Notícias deu uma reportagem onde entrevistaram portugueses que partiram depois da tragédia para a Tailândia, mantendo as férias marcadas como antes de tudo acontecer. Dulce Ferreira respondeu que já tinha as férias marcadas, que não tinha ficado nada preocupada com o que tinha acontecido, porque os pais, que lá estavam, tinham enviado uma msg a dizer que tinha havido "uns tsunamis e umas coisas", mas estavam bem. Quando a jornalista lhe pergunta se estava triste com toda a situação Dulce Ferreira respondeu "sim, claro, agora já não vou ter todas as condições de férias que iria ter se por acaso não tivesse acontecido nada disto. por outro lado, estou contente, porque vejo as coisas mais ao natural, como elas são.

E agora digam-me que esta criatura não sofre de uma deficiência mental? É que eu (que me farto de dizer mal de tudo e de todos), nem consigo encontrar palavras para descrever o poço de estupidez que é esta mulher. A única coisa que me ocorre é dizer que; acho que a devíamos mandar para o Iraque! Juntávamo-nos todos e oferecíamos-lhe uma viagem – só de ida – para a cidade das mil e uma noites ou seja, Bagdade. É que lá, coisas novas para ver não faltam e ainda tem o bónus de ver fogo de artifício todas as noites e poder conviver agradavelmente com os autócnes. Aquilo é que era uma animação! Aposto que ficaria muito contente também, porque era mais uma oportunidade de ver as coisas mais ao natural, como elas são.

Mas como sou um rapaz simpático (e agora cidadão do mundo), vou-lhe internacionalizar a estupidez porque acho que estas coisas devem ser partilhadas com toda a gente.

PENSAMENTO DO DIA - por Albert Einstein

"The intuitive mind is a sacred gift and the rational mind is a faithful servant. We have created a society that honors the servant and has forgotten the gift. "

quarta-feira, dezembro 29, 2004

COISAS DO ESTADO – por Anónimo e anotado pelo Anthrax

Nota 1: Recebi esta mensagem por e-mail. Que pena que eu tenho de não ter sido eu a escrever isto!...

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dezembro 07, 2004
-Coisas do Estado

De bradar aos Céus...Aos Infernos...Aos Purgatórios e aos Limbos!

Este país do faz-de-conta é cada vez mais uma anedota pegada; Ora atentai lá nesta coisa vinda no Diário da República nº 285 de 06 de Dezembro 2004:

No aviso nº 11 466/2004 ( 2ª Série ), declara-se aberto concurso no I.P.J. para um cargo de ACESSOR, cujo vencimento anda à roda de 500 contos.

Na alínea 7:..." Método de selecção a utilizar é o concurso de prova pública que consiste na apreciação e discussão do currículo profissional do candidato."

No Aviso simples da Pág.26922, a Câmara Municipal de Lisboa lança concurso
externo de ingresso para COVEIRO , cujo vencimento anda à roda de 70 contos mensais. "...Método de selecção: Prova de conhecimentos globais de natureza teórica e escrita com a duração de 90 minutos. A prova consiste no seguinte:

1. - Direitos e Deveres da Função Pública e Deontologia Profissional.
2. - Regime de Férias, Faltas e Licenças.
3. - Estatuto Disciplinar dos Funcionários Públicos.

Depois vem a prova de conhecimentos técnicos:
Inumações, cremações, exumações, trasladações, ossários, jazigos,
columbários o cendrários. Por fim, o homem tem que perceber de transporte e remoção de restos mortais.

Os cemitérios fornecem documentação para estudo.

Para rematar:

- Se o candidato tiver a escolaridade obrigatória somará + 16 valores
- " " " o 11º ano de escolaridade somará + 18 valores
- " " " 0 12º ano " " somará + 20 valores

No final haverá um exame médico para aferimento das capacidades físicas e psíquicas do candidato.


ISTO TUDO PARA UM VENCIMENTO DE 70!!! CONTOS MENSAIS!
Enquanto o outro, com 500!!! só precisa de uma cunha.


E que tal toda a gente se recusar a enterrar os mortos? Talvez os chamados " Acessores" tivessem eles que agarrar no caixão e na enxada!

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Nota 2: Chamem os tipos do C.S.I!!! Os moços têm resmas de experiência com mortos.

Nota 3: Eu também quero ser ‘Acessor’...

Nota 4:... mas já que estou a pedir, será que dava para ser ‘Acessor’ assim noutro sitiozinho sem ser na CML?... Eu sei que 2.500,00 €, são 2.500,00 €, mas é que a CML é um sítio um bocadito pindérico. É que já viram se me perguntam onde é que trabalho e eu respondo: “Ah e tal... na CML.”, logo me respondem: “Qu’é essa cena meu?! C’ó horror! CML...” ficava logo com a reputação estragada e já não me convidavam para ir a lado nenhum!

FUNGAGÁ DA BICHARADA – José Barata Moura com anotações do Anthrax

A música ainda não começou e já estão a pensar que vou falar da nossa política doméstica. Vocês, vocês...

É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la

«Prontos» está bem... Considerando o tema, se calhar até estou a falar de política doméstica.

Vamos falar de animais e de como eles são
Do piriquito do gato e do cão
E outros mais também virão
Talvez uma girafa um macaco ou um leão

O.k, estou mesmo a falar de política doméstica. É que esta música e esta letra são irresistíveis para o tratamento deste tema. É que é tão apropriada!

É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la

Vamos todos aprender como vive a bicharada
O que é um cardume e uma manada
Vamos ver não tarda nada
Quem é que afinal tem a voz bem afinada

Ah! Ah! Ah! Ah! Nenhum tem a voz afinada, preferem utilizar bandas sonoras alheias.

É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la

Vamos tambem descobrir uns amigos bestiais
Bem diferentes dos habituais
E vamos rir até não poder mais
Com as palhaçadas dos amigos animais

Isto é que é uma grande verdade! Os tipos são mesmo uns amigos BESTIAIS, não há dúvida. Mais uns tempinhos e não me espantaria nada ver um cavalo (animal de 4 patas), eleito deputado ou nomeado Director-Geral numa E.P. Se o Nero nomeou o seu cavalo como senador, não estou a ver qual é o problema de fazermos o mesmo... pelo menos dava com as bandas sonoras.

É o fungágá, fungágá da bicharada
É o fungágá, fungágá da bicharada
la la la la la la la la ra la la

Ora bolas! Acabou a música! Isto não está certo.

terça-feira, dezembro 28, 2004

O DIA DOS MARRETAS

Nota: qualquer semelhança com a realidade política portuguesa, é pura coincidência.

http://www.frogstar.com/wav/tv-muppets.asp

It's time to play the music
It's time to light the lights
t's time to meet the Muppets on the Muppet Show tonight.

It's time to put on makeup
It's time to dress up right
It's time to raise the curtain on the Muppet Show tonight.

Why do we always come here
I guess we'll never know
It's like a kind of torture
To have to watch the show

And now let's get things started
Why don't you get things started
It's time to get things started
On the most sensational inspirational celebrational Muppetational
This is what we call the Muppet Show!

(Gonzo blows his trumpet)

segunda-feira, dezembro 27, 2004

SOBRE BANDAS SONORAS

Também conhecidas por Original Sound Tracks.

Se há CD’s que me dão prazer comprar, são os de bandas sonoras. Sou capaz de gastar rios de dinheiro nessas coisas (e em livros também). O último que comprei foi no início de Dezembro e foi a banda sonora do “Alexandre o Grande” que, ao contrário do filme, até é bastante agradável.

No entanto, andam por aí umas amibas cujo o único prazer que têm na vida, é estragar os pequenos prazeres da vida dos outros. Senão, porque haveriam estas criaturas de transformar estes trabalhos musicais, produzidos com o único objectivo de dar ambiente aos filmes, em músicas de pseudo-intervenção?...

Pois é estou a falar das escolhas musicais das campanhas do PS e do PSD. Gladiador versus Alexandre o Grande... Mas estão a gozar com a malta ou quê?? Então, o pessoal gasta dinheiro a comprar CD’s para ouvir em casa e depois vêm estes marmelos e usam estas músicas em campanhas eleitorais? Mas que porcaria é esta? E ainda resta saber se têm autorização para o fazer, já que estes trabalhos têm direitos de autor. Se querem música, contratem um compositor que lhes crie um tema épico e arranjem alguma coisa original, não usem os trabalhos dos outros para fins que não têm nada a ver com o objectivo para o qual foram criados.

Já quando foi da campanha eleitoral do «tio» Guterres, o pessoal teve que gramar com a música do “1492” do Vangelis a torto e a direito, mas ao menos teve a decência de escolher uma temática do século XV. Agora estes dois tontos, que mais parecem os dois velhos dos marretas, foram escolher temáticas relacionadas com a antiguidade clássica, quer dizer, só podem estar a brincar! Ainda por cima estamos a andar para trás!

Mas se fosse somente o facto de estarmos a regredir na cronologia, pronto tudo bem, uma pessoa fechava os olhos, tapava os ouvidos e fazia de conta que não estava a acontecer nada. Mas não... A situação é muito pior do que isso. É que um, pensa que é o General Maximus. E o outro pensa que é o Alexandre. Sendo que é mais fácil simpatizar com a personagem do general romano, principalmente por causa do seu percurso de vida, do que simpatizar com a personagem do Alexandre, cuja primeira ideia que vem à cabeça é que aquilo era uma bichanice pegada.

«Portantos», afinal esta história dos épicos tem muita mais coisas que se lhe diga, do que pensar que o simples facto de escolher uma música do Vangelis garante uma vitória nas eleições. Mas para compreender melhor aquilo que estou a tentar dizer, vamos analisar esta história das bandas sonoras por partes.

Comecemos então pelo ‘Gladiador’; ora tal como já mencionei num dos parágrafos anteriores, é mais fácil simpatizar com a personagem do General Maximus, porquê? Em primeiro lugar porque a ideia que o homem transmite é de que é bom naquilo que faz. É um homem que ganhou o respeito dos seus homens através das batalhas que comandou, é um homem que apesar de estar longe é dedicado à sua família. É um homem que ganhou o respeito do Imperador romano, de tal forma que este antevendo a sua morte e não querendo que o poder caísse nas mãos do seu filho, preferiu incumbir o seu General da tarefa de passar o poder para o Senado e este é o motivo pelo qual o nosso intrépido General cai em desgraça quando o filho do Imperador mata o próprio pai. O.K, vamos parar um pouco nesta parte. Quais poderão ser os efeitos que esta ideia tem nos portuguesinhos?

Logo para começar, o pessoal adora a ideia de poder distinguir aqueles que são bons daqueles que são maus. O General pertence à categoria dos bonzinhos, o filho do Imperador pertence à categoria dos pérfidos malvados, ou seja dos vilões. De seguida, o mais comum dos mortais identifica-se, bem ou mal, com o percurso de vida do General. Todos querem ser bonzinhos, gostam de ser reconhecidos pelo seu trabalho, gostam de defender os ideais de família, gostam de conquistar o reconhecimento por parte dos seus superiores e também caem em desgraça quando são traídos.

Continuando com a versão cinematográfica, o nosso General cai em desgraça e a vida corre-lhe muito mal a partir daí. Fica sem casa, sem família e ainda por cima é vendido como escravo. Mas eis que é aí que começa o seu novo percurso ascendente. De escravo passa a Gladiador e aos poucos (e outra vez à pala do seu trabalho), começa a recuperar poder. Este poder nunca será igual ao que tinha tido antes, mas serve perfeitamente para cumprir os objectivos que lhe tinham sido traçados e serve perfeitamente para arrumar o pérfido filho do Imperador.

Ora, transportando isto para o perfil dos portugueses chegamos à conclusão que todos fazemos o mesmo quando caímos em desgraça. Todos tentamos sobreviver e quando nos podemos vingar de quem nos fez mal, apelamos muito mais a Nietzsche do que aos princípios cristãos de amor ao próximo. Ou seja, o nosso intrépido General Romano apela à dimensão humana naquilo que ela tem de mais comum aos homens e por isso torna-se mais fácil de simpatizar com a personagem.

Passemos agora ao ‘Alexandre’. Tal como, também, já mencionei atrás não é nada fácil estabelecer uma empatia com esta personagem. O Alexandre, ainda que historicamente tenha sido um grande homem na sua época, na versão cinematográfica é apresentado como um homem frágil e torturado desde a sua infância, quer pela figura da mãe que tem um peso brutal na construção da sua personalidade, quer pela figura do pai que na maior parte das vezes se pode considerar como ausente. Nele, reflecte-se a vivência conflituosa dos seus progenitores e nos seus ombros cai, posteriormente, o peso da morte do pai sob a figura da suspeição que ele tem sobre se foi a mãe que o mandou assassinar ou não. A forma como este homem adquire o poder está rodeada de um mistério que nunca vai ser resolvido até ao fim da sua vida. E assim temos uma personagem com graves problemas de identidade que não sabe, se o poder que lhe caiu nas mãos caiu porque era esse o seu desejo, ou antes pelo contrário se esse era o desejo da sua mãe.

Então agora vamos ver como é que isto se poderá encaixar no perfil dos portugueses. Bom, para começar temos um tipo sobre o qual cai, repentinamente, o poder (ring any bells??). O problema disto é que o pessoal não curte nada estas cenas, logo porque em primeiro lugar não percebe como é que, assim de um momento para o outro, uma determinada figura adquire tanto poder. Parecendo que não, isto será sempre uma espada que pende sobre a cabeça do governante independentemente das acções que este possa tomar no futuro. De seguida ainda há outro handicap. É que as pessoas têm pena de mentes torturadas e com infâncias infelizes, mas daí até quererem ser governados por elas vai uma longa distância.

O.K, mas continuando no nosso périplo cinematográfico. Então o nosso pequeno Alexandre chega ao poder e como chega, também, à conclusão de que a Macedónia constituía um Lebensraum muito restritivo (até porque estava constantemente debaixo da alçada da mãe), toca de expandir os horizontes ou seja, fronteiras. E lá vai ele com o seu séquito, fundando Alexandrias por todo o sítio que passa e cultivando uma amizade cada vez mais profunda com o seu amigo de longa data, Hefaístos (note-se que este tipo de amizade profunda e avassaladora, era algo também muito comum entre os comandantes do seu exército). A partir de uma determinada altura, aquilo que até pareciam uns objectivos relativamente racionais, transformam-se numa ambição desmedida. As comadres zangam-se e os tipos levam uma coça dos diabos ali para os lados da Índia. A partir daí o pequeno Alexandre enceta o seu percurso descendente.

Voltemos então ao perfil dos portugueses. Em primeiro lugar, o pessoal acha esta história do Lebensraum uma grandessíssima tanga. Aquilo que temos chega perfeitamente e mesmo assim já nos dá um trabalho dos diabos porque nem sabemos como o havemos de gerir. Em segundo lugar, colocar o seu nome por todo o lugar onde se passa faz lembrar a praga dos grafitis, onde houver uma parede branca haverá um atrasado mental com um spray na mão sempre pronto a lá colocar o nome. O narcisismo tem os seus limites e o pessoal não embarca muito nisto. Em terceiro lugar, cultivar amizades com aquele grau de profundidade também tem os seus limites. As pessoas são tolerantes, mas dentro dos limites da razoabilidade. E em quarto lugar, quando o exercício do poder se transforma num exercício de uma ambição desmedida, as pessoas tendem a não gostar e a insurgir-se contra, desta forma passa-se consequentemente à fase da coça.

Finalmente, dadas estas explicações, penso que já todos perceberam porque motivos não se devem escolher Bandas Sonoras para Campanhas eleitorais. A música até pode ser muito engraçada e muito épica, mas vai despoletar uma série de associações na cabeça das pessoas que, se nalguns casos podem ter efeitos positivos, noutros podem ter efeitos negativos uma vez que todas estão associadas a histórias de determinadas personagens, às quais o público reage emocionalmente. Daí que seria muito mais útil criar a sua própria banda sonora, criar a sua própria identidade, não usurpando a identidade dos outros.

terça-feira, dezembro 21, 2004

TOM SAWYER

(Eureka! Hoje é o Tom Sawyer, também tenho a música mas de momento não a posso disponibilizar).

Vês passar o barco rumando p'ró o sul
Brincando na proa gostavas de estar
Voa lá no alto, por cima de tium grande falcão, és o rei és feliz
E quando tu vês o Mississipitu saltas pela ponte e voas com a mente
Nuvens de tormenta já estão por aqui,
Cobrem todo o céu, por cima de ti

Corre agora, corre e te esconderás
entre aquelas plantas ou te molharás
E sonharás que és um pirata
tu sobre uma fragata
e sempre à frente de um bom grupo
de raparigas e rapazes

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
mil amigos deixarás, aqui, além.
Descobrir o mundo, viver aventuras

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
A aventura te dará o que quiseres:
muitas emoções, eternos amores

Arvores e flores, junto de ti
Esse é o teu mundo somente pra ti.
Podes percorre-lo sempre assim
Corre e sê livre e sonha feliz.

E quando tu vês o Mississipi
tu saltas pela ponte e voas com a mente
Nuvens de tormenta que estão por aqui,
Cobrem todo o céu, por cima de ti

Corre agora, corre e te esconderás
entre aquelas plantas ou te molharás.
E sonharás que és um pirata
Tu sobre uma fragata
Tu sempre à frente de um bom grupo
de raparigas e rapazes

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
mil amigos deixarás, aqui, além.
Descobrir o mundo, viver aventuras

Tu andas sempre descalço, Tom Sawyer
junto ao rio a passear, Tom Sawyer
A aventura te dará o que quiseres:
muitas emoções, eternos amores.

segunda-feira, dezembro 20, 2004

SOBRE A RECLAMAÇÃO

No dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, 8ª Edição revista e actualizada, Reclamação significa: s.f acto ou efeito de reclamar; reivindicação; protesto; DIREITO impugnação da decisão junto do próprio orgão que a proferiu (do lat. Reclamatione – acto de desaprovação).

No entanto, tal como o dicionário indica, estamos em Portugal. Logo, quem reivindica são os militantes ou do Partido Comunista, ou do Bloco de Esquerda, quem impugna são os advogados enquanto que quem protesta é o comum dos mortais.

Ou seja, o que pessoal gosta mesmo é de protestar. Com razão, sem razão, com legitimidade, sem legitimidade, com motivos ou sem motivos a verdade é que nada disso interessa. O que interessa é a verbalização do sentimento de desaprovação que nos vai na alma seja por que motivo for. Ora até aqui, tudo bem. Reclamar ou protestar, é chamar a atenção para a existência de um qualquer problema que necessita de uma solução. Solução essa que terá de ser eficaz para que não voltem a suceder transtornos.

No entanto, o que a maioria das pessoas parece desconhecer é que reclamar é uma arte e como acontece em qualquer tipo de arte, há uns que têm um talento natural, há outros que não tendo talento nenhum aprendem o ofício e outros há ainda que não tendo sido dotados de qualquer vocação nem submetidos a qualquer tipo de aprendizagem para, pensam que o podem fazer assim de qualquer maneira. Escusado será dizer que a esta categoria pertencem aqueles que adoram ouvir o seu próprio eco quando gritam no topo de uma montanha, até porque se não forem eles a ouvir-se a si próprios mais ninguém lhes liga. É um bocado como a história do pastor e dos lobos, que quando os lobos se transformam numa ameaça real, ninguém liga puto ao pastor tantos já tinham sido os falsos alarmes anteriores.

Recorrendo novamente às minhas memórias sobre acontecimentos recentes, ou seja, voltando à estação de correios (eu sei, é impressionante o que se pode observar em 10 minutos numa estação dos CTT), onde eu estava à espera para registar a minha carta, assisti a uma moça que farta de tanto esperar, às tantas pôs-se a reclamar em voz alta para toda a gente ouvir.

Eu não sei se estão bem a ver... Cinco e meia da tarde numa estação dos correios, em época de Natal, época em que todas as empresas entram naquela euforia de enviar cartõezinhos e prendinhas a toda a gente que conhecem e então contratam uns senhores reformados para levar uns caixotes de cheios de cartas e brindes para despachar na estação de correios mais próxima. Como consequência desta generosidade natalícia, estes prestadores de serviço temporário isentos do pagamento de impostos directos, entopem os guichés disponíveis e está tudo tramado porque já ninguém sai dali antes da meia-noite. Ou seja, a rapariga estava coberta de razão nos seus protestos, a vários níveis (embora eu tema que ela não soubesse disso).

Assim, o tempo passava e a moça reclamava. O tempo passava e lá ia ela dizendo que Portugal era um país de 3º Mundo (como sabem, isto cada um tem o direito de pensar o que quiser), e que estas coisas não aconteciam num país civilizado porque ela tinha estado a viver fora de Portugal e sabia muito bem como as coisas funcionavam lá fora. É claro que a moça certamente ignorava que, a análise desta mesma situação em vários países diferentes tem também resultados diferentes, é tudo uma questão de perspectiva e de localização geográfica, mas adelante rocinante porque a pobre coitada não deixava de ter razão por causa disso.

Acontece que quando chegou a vez da miúda, ela fez o que tinha a fazer e ala que se faz tarde. Ou seja, visto que já tinha tugido e mugido tudo antes de chegar a vez dela, quando foi atendida não piou mais. Ora face a isto, eu que até tinha simpatizado com os protestos da rapariga, passei a considerar que a moça afinal sofria de alguma patologia psiquiátrica séria e que aquilo tinha sido, apenas, mais um surto. Porquê? Perguntar-me-ão. Fácil. Todos os estabelecimentos abertos ao público têm obrigatoriamente, de ter um livro de reclamações e ao contrário do que as pessoas pensam, esse objecto não está lá a título meramente decorativo. Está lá para ser utilizado em situações como esta, ou outras que os seus clientes igualmente desaprovem. O problema é que as pessoas não estão para se dar ao trabalho, porque reclamar a sério dá trabalho e o que a moça se esqueceu de referir quando disse que tinha estado a viver uma temporada fora do país, é que se calhar nos serviços dos outros países isto não acontece, porque os seus clientes quando reclamam dão-se ao trabalho de o fazer porque querem ver um determinado tipo de situação resolvida, para que tal não volte a acontecer nem aos próprios, nem a mais ninguém.

Aqui, aquilo que as pessoas fazem é não assumirem as responsabilidades quer daquilo que dizem, quer daquilo que fazem, tenham ou não a razão do seu lado. Sendo que tendo a razão do lado deles e não fazendo nada, o caso é bem mais grave e tanto quanto o seu contrário, revela uma série de falhas a nível do próprio perfil do indivíduo (e.g revela coisas como: insegurança, egocentrismo, tendência para sacudir a água do capote, falta de respeito pelo outro, etc.).

Quem me conhece sabe que não sou pessoa de falar muito e muito menos de grandes estrilhos. No entanto não sou nenhum menino do coro e como qualquer outra pessoa tenho os meus defeitos e as minhas qualidades (embora de vez em quando tenha de me esforçar um pouco para as encontrar, porque passo demasiado tempo a tentar contrariar os meus defeitos). Contudo, também todos sabem que quando mordo ficam lá as marcas da minha dentadura bem vincadas. Por isso, quando se protesta recorrendo a juízos de valor de carácter geral, como a designação de 3º Mundo, e depois não se faz uso dos instrumentos que nos são disponibilizados, só posso concluir que não são as organizações que são terceiro mundistas (aceito opiniões divergentes), porque essas são dotadas de instrumentos que viabilizam a apresentação de uma reclamação. Quem tem uma mentalidade terceiro mundista são indivíduos que, como esta rapariguita, quando são confrontados com este tipo de situações ladram muito, mas a caravana passa.

Tal como a estupidez, reclamar é um direito que nos assiste a todos. No entanto, reclamar sem transformar esse sentimento de desaprovação num acto formal é estupidez. Em ambos os casos cabe-nos a nós a decisão de o exercer ou não.

sexta-feira, dezembro 17, 2004

DOGTANIAN AND THE 3 MUSKETHOUNDS – versão inglesa do Dartacão.

Bem… já me estão a dar cabo do alinhamento da programação, mas como estamos no Natal (e eu estou na onda do espírito natalício), deixo-vos a última loucura nas terras de Sua Majestade.

A letra não tenho, mas podem encontrar a versão da música em inglês no link: http://www.80snostalgia.com/classictv/dogtanian/sounds/theme.wav

Está fantástico.

AS MISTERIOSAS CIDADES DO OURO

Desculpem lá mas esta está em francês e se quiserem ouvir a música vão ao site http://www.eternos.org/index.php?cat=7 (neste site encontram também a música do ‘Era uma vez o espaço’ ):

Enfant du soleil
Tu parcours la terre, le ciel
Cherche ton chemin
C’est ta vie, c’est ton destin
Et le jour, la nuit
Avec tes deux meilleurs amis
A bord du Grand Condor,
Tu recherches les Cités d’Or

Ah-Ah-Ah-Ah-Ah…
Esteban, Zia, Tao, les Cités d’Or
Ah-Ah-Ah-Ah-Ah…
Esteban, Zia, Tao, les Cités d’Or

Do-Do-Do-Do Ah-Ah-Ah
Do-Do-Do-Do Ah-Ah-Ah
Les Cités d’Or

Do-Do-Do-Do Ah-Ah-Ah
Do-Do-Do-Do Ah-Ah-Ah
Les Cités d’Or

Enfant du soleil,
Ton destin est sans pareil
L’aventure t’appelle
N’attends pas et cours vers elle

Ah-Ah-Ah-Ah-Ah…
Esteban, Zia, Tao, les Cités d’Or

quinta-feira, dezembro 16, 2004

CONAN - O RAPAZ DO FUTURO

Quem é que não se lembra deste pequeno rapaz, a correr desenfreadamente, à frente de uma onda gigante?

Bom... arranjar a letra disto, até se arranja. Infelizmente está tudo em japonês e não se percebe um boi, por isso se quiserem ouvir as músicas e dar uma vista de olhos nas pautas vão ao seguinte site: http://www.ptsoft.net/tdd/conan/media.html


DARTACÃO - A MÚSICA DO DIA.

Era uma vez os três
Os famosos moscãoteiros
Do pequeno Dartacão
São bons companheiros

Os melhores amigos são
Os três moscãoteiros
Quando em aventuras vão
São sempre os primeiros

Quando eles vão combater
Já não há rival algum
O seu lema é um por todos
E todos por um

O amor da Julieta
É o Dartacão
E ela é a predilecta
Do seu Coração

Dartacão, Dartacão
Correndo grandes perigos
Dartacão, Dartacão
Persegues os bandidos
Dartacão, Dartacão
E os três moscãoteiros
Longe vão chegar...

Dartacão, Dartacão
És tu e os teus amigos
Dartacão, Dartacão
Em jogos divertidos
Dartacão, Dartacão
Vocês são moscãoteiros
A lutar...

quarta-feira, dezembro 15, 2004

TÁCTICAS DE GUERRILHA E MANOBRAS DE SUBVERSÃO

Ok uma vez ultrapassado aquele belo momento nostálgico, hoje vou falar-vos sobre tácticas de guerrilha e manobras de subversão. Porquê? Perguntam-me os menos esclarecidos. Porque ontem nas notícias estive a ver os protestos daqueles senhores de Canas de Senhorim que, há décadas pretendem ver a sua terreola elevada a Concelho e arranjam – sempre – umas formas muito bacocas de protestar. Assim aquilo que vou aqui defender é a ideia de que mesmo com poucos meios é possível protestar de uma forma inteligente, utilizando aquilo que o ser humano tem de mais precioso e que se chama cérebro... miolos... massa cinzenta.

No mês passado frequentei um curso de Técnicas de Comunicação em Público (um excelente curso, diga-se, todos deviam fazer um), e um dos tópicos abordados (e que achei fabuloso), era algo que se denomina por aceleração de tendências. A ideia subjacente a esta técnica (se a considerarmos enquanto tal), é o não-confronto e a sua aplicabilidade cobre, praticamente, qualquer situação senão vejamos; No outro dia fui aos correios enviar uma carta registada, para além da excelente organização que caracteriza qualquer serviço público, qual não é o meu espanto quando me apercebo de que a senhora que estava à minha frente e que pediu uma factura, teve de pagar um X adicional pela mesma. Fiquei para morrer!... Confesso que não achei nada normal, até porque é ilegal, mas o mais curioso é que a senhora pagou e não piou. Ora, como é que esta situação se poderia resolver sem insultar a senhora dos correios e ao mesmo tempo provocar um motim na dependência? Simples. Recorríamos à aceleração de tendências. Ou seja pagávamos o X adicional pela factura e logo a seguir pedíamos uma factura da factura. Consequentemente, teríamos de pagar mais outro X adicional pela factura da factura, logo mais uma vez pedíamos uma factura da factura da factura. Já estão a ver onde é que isto ia descambar não é verdade? Aposto que ao fim de 10 minutos, a senhora do balcão dos correios já estaria farta de passar tanta factura e as pessoas que estivessem à espera já estariam a bufar por todos os lados. Se quiséssemos levar as coisas a um extremo, só precisávamos de dois elementos essenciais. Levar a cabo a operação ao fim do dia (altura em que a maioria das pessoas já está cansada e com pressa de chegar a casa), e de um segundo indivíduo que começasse a reclamar em voz alta. Conclusão: Amotinávamos uma estação dos correios.

Mas isto tudo a propósito de Canas de Senhorim e dos seus protestos bacocos. Como sabem (e se não sabem ficam a saber), eu sou um grande defensor da lei e da ordem, mas não suporto ver GNR’s (ou qualquer outra força policial ), a bater em velhotes e afins. E quando vejo uma coisa daquelas nas notícias, não sei porquê, fico incomodado porque a imagem que transmitem é que as forças policiais estavam lá não para impedir o confronto e permitir a livre circulação dos camiões (como deveria ser o papel deles), mas sim provocar o confronto e só depois permitir a livre circulação dos veículos. Ora isto não pode ser, quanto mais não seja por uma questão de proporcionalidade de meios. Logo há que reequilibrar a coisa independente da legitimidade ou não dos protestos.

Numa óptica de confronto, as tácticas pacifistas à laia de Gandhi não funcionam se a ideia for impedir os camiões de passarem (mas funcionam lindamente se a ideia for fazer da população uns pobres coitados açoitados valentemente pela polícia). O que funciona muito bem são coisas como:

- Espigões na estrada;
- Buracos na estrada;
- Óleo na estrada;
- Etc.

Diriam os mais inocentes ‘Ah mas isso é muito perigoso’, ao qual eu responderia ‘Todas as profissões têm os seus riscos’, também ninguém diria que entre tantas profissões altamente perigosas a apanha de lagosta não-sei-aonde é a mais perigosa delas todas.

No entanto, numa óptica de não-confronto há outros tipos de protesto que não matam mas moem à brava (que requerem um pouco de investimento mas que dividido por todos sempre é melhor do que gastar dinheiro nas contas do hospital após uma carga policial), como por exemplo:

- Deixar de pagar impostos (Por esta altura já devem ter percebido que boicotar eleições não leva a lado nenhum, por isso atacar-lhes directamente o bolso é sempre uma boa opção);

- Enviar muitos faxes ao nosso alvo em folhas totalmente pretas (ou seja obrigá-los a gastar dinheiro);

- Dar-lhes cabo das comunicações (desde vandalizar fios de telefone ao envio de vírus informáticos o difícil é escolher);

- Inundar o nosso alvo com uma quantidade absurda de cartas (mas não é tipo uma de cada vez, é tipo tudo a chegar ao mesmo tempo);

- Soltar muitos animais na via (ocupa a bófia dando-lhes outra coisa para fazer e se eles tratarem mal os bichinhos ainda ficam com as Associações de protecção dos animais à perna);

- Se quiserem sentar-se no meio da via, certifiquem-se de que são simpáticos mas de que dão muito trabalho aos senhores agentes da autoridade. Os tipos do Greenpeace são especialistas nisto, têm uma espécie de cadeados, à escala, não sei se em ferro ou em aço que se ligam todos uns aos outros e que primeiro que os consigam tirar de lá aquilo dá uma trabalheira desgraçada;

- Pintar as paredes da residência oficial do nosso alvo predilecto com estrume fresquinho (os borrões secos podem ser removidos facilmente com uma pá, enquanto que os outros para além de cheirarem muito pior, dão muito mais trabalho para limpar). Também se pode despejar a substância na estrada, mas convenhamos que não tem tanta graça.

Enfim, há tanta coisa que se pode fazer com um pouco de criatividade e um pouco de organização.

ERA UMA VEZ O ESPAÇO

Quem é que não se lembra daquela série de desenhos animados, muito antes dos Dragon balls, dos pokemons, dos Digimons, dos Yu-Gi-Ohs etc, enfim quando ainda se aprendia alguma coisa com os bonecos sem ser dar pancada no próximo e que tinha uma música que era assim:

Lá em cima há planícies sem fim
Há estrelas que parecem correr
Há o Sol e o dia a nascer
E nós aqui sem parar numa Terra a girar

Lá em cima há um céu de cetim
Há cometas, há planetas sem fim
Galileu teve um sonho assim
Há uma nave no espaço a subir passo a passo

Lá em cima pode ser o futuro
Alegria, vamos saltar o Mundo
E a rir, unidos num abraço
Vamos contar uma história
Era uma vez o Espaço

lalalalalala

Lá em cima já não há sentinelas
Sinfonia toda feita em estrelas
Uma casa sem portas nem janelas
É estender um braço e tu estás no Espaço!

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Ouvi isto hoje de manhã no RCP e fiquei muito bem disposto logo de manhã. Tão giro.