sexta-feira, outubro 28, 2005

A FUGA DOS CÉREBROS (1)

Por acaso, não era sobre isto que eu ia falar. Primeiro tinha pensado em falar sobre o aeroporto da OTA e o TGV... outra vez, depois tinha pensado em falar sobre o problema do não crescimento demográfico em Portugal... que era uma novidade. Agora vi esta notícia sobre a fuga de cérebros para o estrangeiro e pensei; «É que é isto mesmo que está a acontecer ao pessoal! Os cérebros estão todos a fugir para o estrangeiro e os que não conseguiram, estão escondidos em parte incerta, ou, quiçá, de férias."

Conclusão, a verdade é que se pensarmos bem, todos os problemas do país prendem-se com este fenómeno da fuga dos cérebros em qualquer que seja a sua acepção. Bom, o relatório do banco mundial refere que 20% dos licenciados Portugueses fogem para outro sítio onde tenham melhores condições para desenvolver as suas actividades. Pessoalmente, fazem eles muito bem que isto aqui não vai a lado nenhum e se aqui continuassem, como não arranjariam emprego por falta de 5 anos de experiência, teriam de continuar a estudar. Continuando a estudar, depois não arranjariam emprego por excesso de qualificações. É claro que haveria sempre a hipótese de omitir algumas habilitações em excesso só para ver se arranjavam um empregozito, mas depois tinham outro problema. É que omitir habilitações académicas é crime e para efeitos de promoção no local de trabalho, as licenciaturas ou os Mestrados não aparecem de um dia para o outro. Ou seja, aqui está uma pescadinha de rabo na boca.

Outra coisa bestialmente interessante, aqui em Portugal, é ver pessoas licenciadas nas mais diversas áreas a desempenharem funções para as quais não adquiriram qualquer tipo de competências base. Por exemplo, colocar uma psicóloga a desempenhar funções de gestão é anedótico, só para não dizer que é totalmente idiota, imbecil e cretino. Como diria o Vírus, os porcos não dão leite, as vacas não dão ovos e as galinhas não dão presunto. Da mesma maneira que os psicólogos não são gestores, os advogados não são psicólogos e os gestores não são advogados... a não ser que tenham mais de 1 licenciatura (por acaso já pensei em fazer isso). É claro que isto já tem a ver com a fuga de outro tipo de cérebro para parte incerta.

Ora bolas, tenho de me ir embora porque tenho de ceder lugar, mas... Ainda não terminei o meu raciocinio que, ficará para mais tarde.

terça-feira, outubro 25, 2005

PORTUGAL EM 1810 - Relato do Conde de Rosnay que serviu nos exércitos Napoleónicos

Nota prévia: Vocês não fazem ideia do tempo que passei à procura disto. Mas encontrei! De qualquer forma, não vou transcrever o artigo todo, limitar-me-ei às passagens mais engraçadas. Para os curiosos, podem encontrar a versão integral deste artigo, escrito pelo Prof. António Pedro Vicente da UNL, no livro; "New lights on the Peninsular war", International congress on the Iberian Peninsula, Selected Papers 1780-1840, Ed. The British Historical Society of Portugal, 1991, pp. 81-86.

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«(...) O estudo de Dulong, embora breve, retrata com algum pormenor a sua opinião sobre os mais variados aspectos relativos ao próprio país, à Lisboa, as características da personalidade dos portugueses, à economia, ao exército, ao governo, enfim aos costumes da sociedade portuguesa. Quase sempre crítico, muitas vezes injusto, as suas observações nem por isso deixam de ter o maior interesse. Assim considera que Portugal não é um país conhecido; os espanhóis e os próprios portugueses não o conhecem do ponto de vista topográficopois não existe um bom mapa de Portugal. Os que existem estão repletos de erros. Considera dificil e perigoso percorrer a província para aí levantar os planos necessários à elaboração de uma carta exacta do reino. Portugal é, ainda, para este nobre francês um dos países mais bárbaros e ignorantes da Europa. Não deixa, no entanto, de afirmar a decisão dos portugueses na defesa da sua independência, que considera como inatacável e invencível.

Afirma que o governo onde impera a desordem e anarquia, é influenciado por uma potência estrangeira e por ela dirigido. Dulong não concebe como a Espanha reconheceu a independência a uma parte essencial da sua península. O Marquês de Pombal, homem de génio, é por ele considerado o melhor governante que jamais teve o Reino. Para este oficial os portugueses são ignorantes, fanáticos, unidos por um sentimento de exaltação extraordinário. Os habitantes do Norte e, particularmente os de Trás-os-Montes, passam por ser os mais bravos do Reino e são ao mesmo tempo os menos civilizados. Na última campanha - refere-se à 1ª invasão francesa - cortavam o pescoço, da maneira mais brutal, indistintamente, aos desgraçados soldados doentes ou feridos que encontravam. Afirma, também, que os portuguese detestam os espanhóis, mas possuidores de barreiras naturais bateram-se sempre com sucesso em relação aos seus vizinhos. Considera os lusitanos em geral mais civilizados e mais bravos que os espanhóis mas, também, mais perigosos e dissimulados. Jamais se convencem - escreve - que o vencido está à mercê do vencedor segundo as leis da guerra e, por isso, deve alimentá-lo. Dulong julga muito estranho que tanto o aldeão como o citadinoe ainda os ricos entrem em desespero e furor sendo até capazes de assassínio por se lhes exigir, sem prévio pagamento um pouco de pão, de toucinho ou de vinho. (...)

Para o Conde de Rosnay, os portugueses ajoelham-se perante o vencedor para lhes implorar a generosidade e lhes conservar a vida. Um dia passado só saúdam o salvador e, ao 3º dia, já o tratam com desprezo e ironia insultante. No entanto, se novamente é maltratado retoma a sua atitude de subserviência. Quando estão sob influência do medo oferecem tudo o que têm. Uma vez passada essa situação rejeitam um copo de água e fecham a porta, mesmo aos que os protegem ou socorrem.

Observa a propósito que não sendo os habitantes generosos não podem crer na generosidade dos outros. Apesar de capazes das mais baixas humilhações são orgulhosos e exigentes. (...) Os portugueses são ainda mais presunçosos que os espanhóis. Gabam-se de ser os mais valentes, de ter a língua mais bela e de que o seu país é o paraíso terrestre. Afirmam que a sua nação é a mais civilizada e a melhor em todas as ciências, a sua corte a mais brilhante do mundo e os seus soldados de terra e mar os primeiros. (...)

Na esteira de outros franceses, Dulong considera que os ingleses governam Portugal, persuadindo os seus habitantes de que só o comércio lhes assegura a prosperidade e mesmo a sua existência. Os mesmos ingleses, "donos de Portugal", conseguiram com a sua política, fazer com que os portugueses abandonassem a cultura dos cereais e a substituissem pela vinha, comprando os seus vinhos a alto preço. Este oficial considera que os ingleses têm por hábito em todos os seus procedimentos arrecadar para eles própriostodas as vantagens e transformaram assim, uma nação que outrora se fez admirar, em fraca e ignorante, e por essa razão, sua tributária. Acrescenta aina nos seus considerandos sobre a economia do país, que o Alentejo produzia no passado, mais cereais do que era necessário para o consumo do país, mas os governantes cedendo à Inglaterra, entravaram esse tipo de agricultura para fazer florescer o comércio que trazia mais ouro para os seus cofres. Como resultado do tráfico dos ingleses e da imperícia da administração, Portugal importava mais de metade dos cereais necessários ao consumo. (...) »

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E agora, vamos fazer um exercício de liberdade criativa e vamos pensar no que é que, efectivamente, mudou desde 1810? ... Mudou alguma coisa nestes 195 anos ou só mudaram as moscas?

Deixo-vos com vosso exercício de meditação.

PRO EVOLUTION SOCCER - não 2, não 3, mas 5

Hoje fui à FNAC do Colombo. Até aí a coisa parecia pacífica, como sempre. Nada de novo, tudo na mesma. É claro que quando isto acontece, as pessoas devem prestar atenção aos detalhes, pois conseguirão ver, sempre, algo cuja bota não bate com a perdigota.

E assim foi. Na secção dedicada aos jogos de computador e consolas deparei-me com a coisa mais fascinante do mundo. Saiu o jogo "Pro evolution Soccer 5" para a Playstation. Fantástico, pensei. A esta hora já estão os "nerds" todos, fanáticos da bola, agarradinhos à consola e com calos nos polegares de tanto terem jogado durante todo o fim-de-semana. Mas até aí, tudo bem também. Afinal cada um é como cada qual, não foi isso que me fascinou. Aquilo que realmente achei brilhante é que na caixa diz que dão um guia de instruções, de 200 páginas, totalmente grátis!

Claro que me comecei a rir, pois esta gente está mesmo muito à frente. Vejam bem, estão a oferecer as instruções - de 200 páginas, note-se - com um jogo! Isto é francamente inédito! Nunca tal ouvi falar... e com tantas páginas, aquilo não são instruções, aquilo é mas é um romance e deve vir com ilustrações a cores, mais um making of.

Estou mesmo a imaginar a conversa dos pais para os filhos " Olha joãozinho, se comprarmos este jogo os senhores oferecem um Guia de Instruções de 200 páginas.".

É fantástico digo-vos.

segunda-feira, outubro 24, 2005

8 DIAS

Faltam 8 dias para regressar ao meu posto de trabalho... regresso, exactamente, no dia 31 de Outubro, dia das Bruxas. Não sei porquê, a data parece-me bastante apropriada. Chego a ficar com calafrios quando me lembro que tenho de voltar aquele antro de entes demoníacos... é que até podiam ser uns entes demoníacos com um certo estilo, mas não. Até nisso conseguem falhar.

Isto leva-me a pensar no PM. Pergunto, para quando o "emagrecimento" do Estado? Bem sei que a ideia de pagar indemnizações não é a mais popular, mas às vezes vale bem a pena. Para além disso, o Ministério da Segurança Social foi o que recebeu mais dinheiro, por isso estão perfeitamente à vontade para pagar mais subsídios de desemprego.

quinta-feira, outubro 20, 2005

PRESIDENCIAIS - TAKE 1

Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco!
Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco!
Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco!
Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco! Cavaco!

terça-feira, outubro 18, 2005

COMO TRABALHAM AS EDITORAS EM PORTUGAL

O negócio dos livros vai mal.
...

Mas, em média, são publicados 46 novos livros por semana.
...

A feira do Livro, a grande iniciativa, a feira de todas as feiras, não vende.
...

Mas as editoras vendem directamente ao público, sem passar pelas distribuídoras e o preço é igual ao das livrarias.
...

As pessoas não lêem.
...

Mas quem andar de transportes públicos, vê as pessoas a lêr.

Então o que é que há de errado neste cenário?

Sinceramente, não sei. Mas sei que o discurso, marcadamente autista, por parte das Editoras é orientado para o culto do miserabilismo e totalmente inadequado à realidade.

Abstendo-me de entrar em detalhes, trabalhar com as Editoras portuguesas é um verdadeiro pesadêlo. Ou melhor, eu até posso generalizar um bocadinho e dizer com toda a segurança que, trabalhar com empresas portuguesas é pior que enfrentar o Freddy Kruger (Pesadelo em Helm street), o Jason Vorhees (Sexta-feira 13) e o assassino psicótico (do Texas chainsaw massacre), todos juntos. Porquê? Ora pois muito bem, porque para além de terem uma política de vendas que remonta, certamente, ao paleolítico superior, são também levadas a cabo por verdadeiros elos perdidos (a.k.a missing links... e andam os cientistas doidos à procura deles. Não andam é à procura no sítio certo, se procurarem nos departamentos comerciais das Editoras, encontram vários espécimes em diversos estágios de evolução... ou involução, consoante a perspectiva).

Isto é, as Editoras portuguesas - ao contrário das suas congéneres estrangeiras - não estão minimamente interessadas em vender. Ou melhor dizendo, não estão interessadas em vender aquilo que as pessoas querem comprar, mas estão interessadas em vender aquilo que elas acham que deve ser vendido (o que nem sempre corresponde ao que as pessoas querem comprar).

Por exemplo, as editoras estrangeiras, estão sempre interessadas em vender independentemente das quantidades e dos títulos, seja a grandes ou pequenos é tudo tratado da mesma forma. Para eles, um cliente é um cliente, independemente da sua dimensão, e vendem-lhes aquilo que eles querem comprar. São extremamente profissionais e expeditos.

Já no que respeita aos portugueses, o caso é diferente. Não só, os vendedores se comportam como se estivessem a fazer um favor ao cliente, como parece que não estão interessados em vender. Isto faz-me lembrar o episódio que presenciei ontem no IKEA.

Queríamos saber como funcionava o serviço que estes moços disponibilizam para as empresas, por isso enviaram-nos para o balcão de "Apoio ao Cliente" (aconteça o que acontecer, nunca vão a este serviço). Tirámos uma senha e ficámos muito contentes porque só haviam 3 pessoas à nossa frente (um engano, deixem-me dizer-vos). Estivemos 30 minutos à espera para ser atendidos e quando o fomos, para além da mocinha (de seu nome Natália), virar as costas enquanto falávamos com ela, conseguiu a proeza de nos dar as informações todas erradas. Moral da história, não usem o serviço de apoio ao cliente do IKEA, mas se tiver de ser, certifiquem-se que não é a Natália que vos atende. Mas a aventura não fica por aqui.

Em frente ao balcão do Apoio ao Cliente, há um pequeno balcão da Hertz (aqueles que alugam viaturas). Fomos lá perguntar como é que era para alugar uma (felizmente, não era preciso tirar uma senha). Atendeu-nos um moço, sentadito na sua cadeirinha, com o cotovelo apoiado na mesa e a cabeça apoiada na mão, com o ar mais enfadado da vida dele. Às tantas, no meio da conversa aborrecida, pergunta-lhe a minha amiga "Então e diga-me uma coisa, você não gosta de trabalhar aqui no IKEA pois não?", ao que o moço respondeu que até gostava (embora sempre na mesma posição). Ao que retorquimos em conjunto "É que não parece nada.".

E o que é que isto tem a ver com as Editoras? Tudo. O padrão de comportamento dos responsáveis pelas vendas é, exactamente, o mesmo. São eles que nos estão a fazer um favor e nunca o contrário. É a mesma coisa que entrar numa loja e ver os empregados sentados atrás do balcão, a comer ou a ler um livro. Com um ar enfandado, sem dizer nem bom dia nem boa tarde.

A desculpa do ganhar bem ou mal, não pega. Se não gostam de ali estar, então não estejam. Se precisam do dinheiro (muito ou pouco), então sejam profissionais. É claro que ganhar pouco não é, propriamente, a melhor motivação do mundo e eu quando comecei a trabalhar, também era explorado. Mas até hoje, foi - de longe - o sitio mais espectacular onde trabalhei (é claro que a maior parte das pessoas com quem trabalhava, não eram portuguesas). É claro que a esta altura já devem estar a pensar que não gosto de trabalhar com portugueses. E têm toda a razão. Detesto.

Em termos de trabalho, os portugueses vendem-se rapidamente às "paixões", são inconsistentes, incoerentes, invejosos e mesquinhos. São espertos, mas e daí também os cães. Falta-lhes a sustentabilidade. Não foi por acaso que publiquei, na entrada anterior, a notícia sobre o projecto "Interact". Este projecto é um exemplo, de algo que está a ser desenvolvido e que apesar de se estar a candidatar a fundos europeus, tem pernas para andar mesmo que não seja subvencionado pela C.E. Porquê? Porque foi construído assim. Porque não tem pés de barro e porque a pessoa que coordena o projecto, está perfeitamente consciente do trabalho desenvolve. Estas pessoas, são uma raridade e devem ser totalmente apoiadas, porque são estas que estão em risco de extinção em todos os sectores da sociedade.

No que respeita às Editoras portuguesas, a única coisa que posso dizer é: Não querem vender livros, ó amiguinhos! Não há problema. Há mais quem queira. Viva o Mercado livre! Viva a Globalização!

Tchau e um queijo!

PROJECTO INTERACT

A isto é que eu chamo iniciativa!


segunda-feira, outubro 17, 2005

MODERNIDADES LINGUÍSTICAS

Desde que os americanos se lembraram de começar a chamar "afro-americanos" aos pretos, com vista a acabar com as raças por via gramatical - isto tem sido um fartote pegado!

As criadas dos anos 70 passaram a "empregadas" e preparam-se agora para receber men
ção de "auxiliares de apoio doméstico".

De igual modo, extinguiram-se nas escolas os "cont
ínuos"; passaram todos a "auxiliares da acção educativa".

Os vendedores de medicamentos, inchados de pros
ápia, tratam-se de "delegados de informação médica".

E pelo mesmo processo transmudaram-se os caixeiros-viajantes em "t
écnicos de vendas".

Os drogados transformaram-se em "toxicodependentes" (como se os consumos de cerveja e de coca
ína se equivalessem!);

O aborto eufemizou-se em "interrup
ção voluntária da gravidez";

Os gangues são "grupos de jovens";

Os operários fizeram-se de repente "colaboradores"; e as fábricas, essas, vistas de dentro são "unidades produtivas" e vistas da estranja são "centros de decisão nacionais".

O analfabetismo desapareceu da crosta portuguesa, cedendo o passo à "iliteracia" galopante.

Desapareceram outrossim dos comboios as classes 1.
ª e 2.ª, para não ferir a susceptibilidade social das massas hierarquizadas, mas por imperscrutáveis necessidades de tesouraria continuam a cobrar-se preços distintos nas classes "Conforto" e "Turística".

A
Ágata, rainha do pimba, cantava chorosa: «Sou mãe solteira...»;
Agora, se quiser acompanhar os novos tempos, deve alterar a letra da pungente melodia:
«Tenho uma família monoparental...»

Aquietadas pela televis
ão, já se não vêem por aí aos pinotes crianças irrequietas e «terroristas»; diz-se modernamente que têm um "comportamento disfuncional hiperactivo".

Do mesmo modo, e para felicidade dos "encarregados de educa
ção", os brilhantes programas escolares
extinguiram os alunos c
ábulas; tais estudantes serão, quando muito, "crianças de desenvolvimento instável".

Ainda h
á cegos, infelizmente, como nota na sua crónica o Eurico. Mas como a palavra fosse considerada desagradável e até aviltante, quem não vê é considerado "invisual". (O termo é gramaticalmente impróprio, como impróprio seria chamar inauditivos aos surdos - mas o "politicamente correcto" marimba-se para as regras gramaticais...)

Para compor o ramalhete e se darem ares, as gentes cultas da pra
ça desbocam-se em "implementações", "posturas pró-activas", "políticas fracturantes" e outros barbarismos da linguagem.

E assim linguajamos o Português, vagueando perdidos entre a «correcção política» e o novo-riquismo linguístico.


sexta-feira, outubro 14, 2005

A GRIPE DAS AVES

Tenho para vos confessar algo um pouco mórbido... É que desde que ouvi nas notícias, dizerem que a gripe das "galinhas" já tinha chegado à Turquia, renasceu em mim uma chama de esperança que, há algum tempo se havia extinguido.

Pergunto-me se, será desta vez que levam os galináceos, lá do tasco onde trabalho, para abate? Afinal, mais vale prevenir do que remediar.

quarta-feira, outubro 12, 2005

A IDADE DA REFORMA

Ora pois então, desta vez são os enfermeiros a protestar.

Eu acho que sim. Vivemos numa democracia e todos temos o direito (e o dever), de protestar. Não obstante o facto de considerar que, até para protestar, o timing ter de ser oportuno, a verdade é que é através destas coisas que se avança para algum lado (para os adeptos da catástrofe, não importa agora para onde se avança, desde que se avance).

O aumento da idade da reforma para os 65 anos, devo dizer que não me causa qualquer choque. Principalmente se considerarmos que temos um candidato à Presidência da República, com 81 anitos. Logo, a ideia que daqui decorre é; Se não há problema em termos um senhor de 81 anitos a concorrer à Presidência, porque demónios haveria de haver problema em aumentar a idade da reforma para os 65 anos? A bem dizer, ainda poderia ser aumentada mais um bocadinho. Assim sendo, estes protestos apenas revelam uma nítida falta de vontade de trabalhar, até porque aqueles que protestam são os mesmos que, à partida, tendem a apoiar o candidato presidêncial de 81 anitos.

Aqui, devo também expressar que considero esta medida do executivo socialista bastante coerente com a atitude assumida ao apoiar a candidatura do Dr. Mário Soares.

Agora, se me perguntarem, se em termos comunicativos, acho que a medida foi anunciada da melhor forma. Aí teria de responder que, não. A melhor forma de anunciar estas coisas, é dizer que; a partir deste momento as pessoas poder-se-ão reformar quando muito bem entenderem. Sendo que, se se reformarem antes dos 65 anitos, sofrerão penalizações maiores. Se a medida tivesse sido anunciada desta forma, a esfera de decisão ter-se-ía deslocado para os indivíduos em vez de ter ficado a assombrar o governo.

Eu tenho 33 anos e estou de férias. Não sei o que estarei a fazer daqui a 32 anos, nem sequer sei se daqui a 32 anos estarei vivo. Vivo agora. Não vou ficar à espera de me reformar - daqui a 32 anos - para começar a viver, ou para começar a fazer as coisas que gosto de fazer. Para além disso, nem sequer sei se daqui a 32 anos há uma segurança social que me assegure uma reforma. Mas aquilo que eu sei, é que neste momento, eu estou a contribuir com parte do meu salário para uma coisa que não sei se vai existir. O que significa que, estou a contribuir com parte do meu salário para pagar a reforma de terceiros agora. Assim, dilema existêncial que, presentemente, me assola é o de que, se eu estivesse a contribuir para o meu futuro, tudo bem, não havia espiga. Agora, eu não gosto da ideia de estar a contribuir para o "futuro" dos outros, sem que pelo menos me perguntem se eu concordo em fazê-lo.

Portanto, quando vejo para aí o pessoal todo a chiar por causa do aumento da idade da reforma, começo, automaticamente, a pensar naqueles que estando reformados, estão a ocupar postos de trabalho e estão a ser pagos por isso. E falando nisso, os enfermeiros são um bom exemplo. Quantos enfermeiros se reformam e depois vamos encontrá-los a trabalhar em Clínicas privadas? Quantos funcionários públicos se reformam e depois vamos encontrá-los a trabalhar nos Ministérios? Então? Estão reformados, ou não estão reformados? É que não é por nada, mas nestes casos, o contribuinte está a pagar-lhes duas vezes.

terça-feira, outubro 11, 2005

PRÓS E CONTRAS DE ONTEM

Vocês devem estar a pensar: «Este gajo ainda não abriu a boca para falar das autárquicas.". Pois é, não abri, é verdade. Nem pretendia abrir, se querem saber... e se não fosse pelo programa dos "Prós e contras" de ontem à noite, certamente que não diria mesmo nada. Estou de férias. Não me apetece falar de politiquices.

No entanto, o programa de ontem deixou-me muito bem humorado e muito bem disposto. Ouvir o Prof. Luís Salgado Matos é uma daquelas coisas que me deixa sempre muito divertido. Tive o prazer de o conhecer aqui há um par de anos atrás e ainda que não seja uma pessoa de fácil trato, tem um sentido de humor refinado que é, simplesmente, fabuloso. É claro que não é acessível a todos, mas não deixa de ser brilhante. Talvez porque me identifique com o tipo de discurso, não sei...

Em contrapartida, confesso que a curiosidade que tinha em ouvir a Dra. Marina Costa Lobo passou ao fim dos primeiros 5 minutos após a senhora ter aberto a boca. Não sei se a moça terá, ou não, alguma coisa a ver com o Embaixador António Costa Lobo, mas tendo, mais vale ouvir o segundo durante 90 minutos (apesar da idade avançada), do que a primeira durante 15. Bem sei que a Dra. Marina tem uma série de trabalhos académicos publicados, ainda que não me recorde acerca do quê concretamente, agora a julgar pelo estilo comunicativo e pelas opiniões emitidas, não me parece que as suas ideias sejam muito consistentes. Para além disso, houve um pequeno episódio que não caiu bem. Quando o jornalista Luís Osório fez uma pergunta qualquer ao Dr. Miguel Beleza e aproveitou para lhe dizer que ele ainda não tinha elogiado a beleza da Dra. Marina, enfim... a moça sentiu-se ofendida e no fundo acabou por dizer qualquer coisa que deu a ideia de que se não existiam mais mulheres na política era por causa de comentários daqueles.

Cara Dra. Marina, quando se fazem elogios é de bom tom aceitá-los. É uma questão de educação e não uma manifestação de machismo. O que é assustador, é haver mulheres que não conseguem falar de igual para igual como foi o seu caso. Se não há mais mulheres na política é porque não querem e não porque têm de ouvir comentários disto ou daquilo. Noutro dia estava a ver a "Revolta dos Pasteis de Nata" na RTP2 e uma das convidadas era a Joana Amaral Dias e ela disse uma coisa que é bastante verdade; disse que não havia nada pior do que ver pessoas a defenderem o direito das mulheres a trabalhar menos horas por dia, porque estas quando chegam a casa ainda têm de ir fazer uma série de tarefas domésticas. Ora a Dra. Joana tem toda a razão. Isto é a mesma coisa que andarmos todos a promover a integração dos deficientes na sociedade, a dizer que eles são tão capazes como outra pessoa qualquer e depois:

- nos parques de estacionamento, há lugares reservados para deficientes;
- há transportes próprios para deficientes, com autocolantes de deficientes bem visiveis;
- nos hipermercados há filas específicas para deficientes que ainda por cima estão bem assinaladas.

Ou seja, nós somos uns gajos porreiros, andamos para aqui a dizer que eles são iguais a nós mas depois colocamos-lhes uns autocolantes para identificá-los como defs. Aliás, é como a promoção da integração social e afins. O nosso esforço é tão grande, mas tão grande, que ali em Chelas até lhes pintámos os prédios com cores diferentes que era para termos a certeza que os podíamos distinguir bem.

Bom, isto foi o que eu tirei do Prós e Contras de ontem. Sobre as autárquicas? Bem, é um assunto que já se esgotou. Para além disso, vêm aí as Presidênciais e o pessoal está à espera que o Prof. C.S fale.

quinta-feira, outubro 06, 2005

PARA TER UM DIA MAIS ALEGRE


Siga estes pequenos passos ...

1. Criar um ficheiro qualquer (word, excel);

2. Guardá-lo com o nome "José Sócrates";

3. Enviá-lo para a reciclagem;

4. Clicar em "Esvaziar Reciclagem"

5. Aparece uma mensagem de confirmação no ecrã, com a seguinte pergunta:
"Deseja eliminar "José Sócrates"?"

6. Responder: "SIM".

Não serve de nada, mas alegra o dia

quarta-feira, outubro 05, 2005

FÉRIAS

Estou de férias....
.... o mês inteiro!

Haverá felicidade maior?...
...
Bom...
Sempre há o euromilhões...

domingo, outubro 02, 2005

LIBERDADE E SENTIDO DE DEVER - Prof. João Carlos Espada - Expresso 1/10/2005

Como sempre, a crónica do Professor João Carlos Espada na revista do Expresso é de não perder. Por isso, não resisto a publicar, aqui, a última parte do seu texto (com o qual estou de acordo):

"Em Portugal e por essa Europa fora, houve muito boa gente que atribuiu a Napoleão e aos seus exércitos uma acção libertadora. Esse equívoco exprime o equívoco profundo que domina há muito a cultura política continental: o equívoco da eterna rivalidade entre revolução e contra-revolução.

Na tradição política de língua inglesa, essa rivalidade é vista com suprema suspeição: revolucionários e contra-revolucionários são apenas bárbaros de sinal contrário. Como explicava Edmund Burke, nenhuma sociedade será capaz de preservar se não for capaz de transformar. E nenhuma sociedade será capaz de olhar para o futuro se não for capaz de honrar o seu passado."