Como sabem, porque se trata de uma questão de princípio, não votarei no próximo referendo. E não votarei pelas três razões que se seguem:
1º Porque acho que a figura do referendo não é um instrumento que deva ser utilizado de qualquer maneira, nem por qualquer razão.
2º Porque acho que as consultas públicas não são para se ir fazendo até se ganhar.
3º Porque acho que qualquer legislação sobre esta matéria deve reflectir um posicionamento que vá de encontro às orientações gerais e aos objectivos da política de um determinado Executivo, eleito democraticamente.
Por isso, este referendo, na minha opinião, mais não é do que um autêntico desperdício de recursos.
Mas, imaginando que eu iria votar no próximo dia 11 então, nesse caso, votaria pelo SIM. Porquê?
1º Porque não sou hipócrita.
Não digo que os que votam pelo Não o sejam mas, a partir do momento que defendem que o valor da vida humana é absoluto têm sempre mais possibilidades de o serem do que eu. Para mim, a vida humana é importante mas não é nem inviolável, nem absoluta e o meu “idealismo” só vai até ao ponto em que o meu "Eu" pressentir uma ameaça. A partir daí, passa a ser uma questão de sobrevivência e quando isso acontece, normalmente, quem ganha é o "Darwin".
Muitos dirão ou pensarão que esta é uma posição "egoísta" ou "egocêntrica" e aí eu direi, «É o que vocês quiserem». É preferível ser-se "egoísta" ou "egocêntrico" a ser-se irresponsável, causa muito menos danos ao próprio, a terceiros e á sociedade em geral.
2º Porque o SIM não invalida o NÃO.
Mas o seu contrário já não é verdade. Votar pelo Sim coloca o ónus da decisão sobre o indivíduo que agirá de acordo com os seus valores, credos e convicções. Por outro lado, votar pelo Não é passar um atestado de estupidez a todo e qualquer indivíduo dizendo-lhe que é incapaz e incompetente para decidir sobre situações que podem, ou não, afectar a sua vivência diária.
Sim, já sei, mas estamos aqui a falar da "vida" de terceiros. Matar é mau. Sim, já ouvi. Pois... Tal como já disse, não sou bestialmente apegado a esse tipo de valorização absoluta e universal. Matar tanto pode ser mau, como pode ser bom, depende do objectivo. Isto faz-me lembrar, um pouco, aqueles anúncios publicitários da Rádio Renascença, que passam na televisão, e que é suposto fazerem chorar as pedras da calçada com tiradas do género "declarou-se extinta a fome no mundo" ou "já não há mais doenças no mundo", coisas assim. Digo-vos, aqueles anúncios são arrepiantes, porquê? Porque se isso assim fosse estávamos todos lixados era o que era.
3º Porque votar no NÃO, não faz aumentar a taxa de natalidade por si só.
O que faz aumentar a taxa de natalidade é criar condições para que as pessoas possam ter e educar os seus filhos.
Mas se não estiverem inteiramente convencidos disso, e até pode ser que não estejam, lembrem-se das situações ridículas e monstruosas causadas pelo decreto 770 na Roménia. De facto, eles conseguiram aumentar a taxa de natalidade mas, a que preço?
Não desfazendo na questão das taxas, e uma vez que o pessoal gosta tanto delas, porque não experimentam verificar o impacto do “NÃO” na taxa de criminalidade? São capazes de chegar a conclusões altamente interessantes, e além disso estes estudos são sempre de louvar. Temos poucos.
De qualquer forma, esta é só a minha opinião.
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