"Whenever a theory appears to you as the only possible one, take this as a sign that you have neither understood the theory nor the problem which it was intended to solve". - Karl Popper
quinta-feira, novembro 30, 2006
NÃO VOTEM NO REFERENDO DO DIA 11/02/2007
terça-feira, novembro 28, 2006
UM GRANDE SENHOR
Pois é, ontem estive a ver um pouco do Programa Prós e Contras na RTP1 e não posso deixar de aqui expressar a minha solidariedade para com o Professor Adriano Moreira. A forma como o trabalho da Comissãop Nacional de Avaliação foi achincalhado pela comunicação social (que, de um modo geral, devia ser a 1ª a ser chumbada pela quantidade absurda de asneiras que consegue dizer em menos de 5 minutos), foi inqualificável.
Avaliar o que quer que seja em Portugal não é uma tarefa fácil e é sempre susceptível de causar grandes polémicas. Tal como estou farto de aqui dizer, a perspectiva da avaliação em Portugal assenta sempre numa óptica de punição e não numa óptica de progressão que permita a correcção de eventuais desvios. Por isso, é muito natural que quando se pretende implementar qualquer modelo de avaliação se encontrem inúmeros obstáculos e resistências. E isto começa logo porque o ser humano está equipado, de origem, para se defender daquilo que percepcionar como ameaça externa. O nosso caso, é o mais puro exemplo de como a figura da avaliação é entendida como uma ameaça externa.
Ninguém gosta de ser avaliado e no entanto, avaliar é uma coisa que fazemos, naturalmente, todos os dias. De uma maneira ou de outra, é algo que está presente nas mais diversas situações do quotidiano, desde uma saída à noite com os amigos até ir fazer compras ao supermercado, ou mesmo quando se vê programas de televisão. Nós estamos sempre a avaliar-nos uns aos outros porque dessa avaliação depende a nossa sobrevivência e é neste instinto que reside o nosso melhor mecanismo de defesa.
O problema só se coloca quando se institui que devem ser outros a fazê-lo por nós e aqui é que a porca torce o rabo, principalmente, porque o sentido de consciência do próprio fica muito mais aguçado além de que, a percepção das suas próprias qualidades e defeitos fica muito mais apurada. Saber lidar com isto ao nível pessoal é um caminho muito mais tortuoso e díficil do que, simplesmente, accionar os mecanismos de defesa.
Aqui há uns anos atrás tive a oportunidade de trabalhar com americanos e ingleses. Até hoje, foi a melhor experiência profissional que tive. Ensinaram-me muitas coisas, entre elas a trabalhar em equipa, a trabalhar por objectivos e a assumir os erros que se cometem, porque errar é humano e só errando é que podemos progredir. Da mesma maneira que só é possível conhecer o sucesso se tivermos passado por situações de autêntico falhanço. Não há problema nenhum em falhar desde que se reconheça que se falhou, se reflicta sobre o que conduziu a essa falha e se corrija o desvio para que não volte a acontecer (ou pelo menos, para que as probabilidades de voltar a acontecer sejam reduzidas). Isto foi o que aprendi com eles.
Agora, imaginem o meu choque quando de repente vim trabalhar para um organismo público, onde todos são os "supra-sumos da batata" e nunca erram mas, when the shit hits the fan, anda tudo à procura de um bode expiatório porque são incapazes de assumir um erro.
Ontem, o que se passou no debate foi a mesma coisa e, basicamente, a coisa acabou a partir do momento em que o Ministro foi incapaz de explicar porque razão houve necessidade de recorrer a um estudo externo que, no fundo, repete tudo o que consta do relatório interno sobre a avaliação. É claro que houve outras coisas que foi incapaz de responder, nomeadamente, qual a relação do Processo de Bolonha com a Estratégia de Lisboa (estratégia esta que era suposto produzir resultados em 2010) mas, presumo que precise de pensar mais algum tempo para poder chegar a uma conclusão. E outro assunto, para o qual presumo que precise de mais algum tempo para pensar, é a questão da investigação uma vez que este implica uma revisão do estatuto da carreira docente por forma a que, de facto, passe a existir uma carreira de investigador.
Life's a bitch, isn't it? Então a de Ministro deve ser levada a pacotinhos de Ulcermin.
quinta-feira, novembro 23, 2006
terça-feira, novembro 21, 2006
segunda-feira, novembro 20, 2006
MA CHE BELLA QUESTA CITTÁ!
Tcharaaaammm!!!Estou de volta.
É verdade, não fiquei por lá mas, gostei muito de Roma. Ah! Sim... bom e o evento (afinal não fui em lazer, mas sim em trabalho), também não foi mauzito.
De qualquer maneira, vamos começar pelo início. O vôo atrasou meia-hora, o snack da TAP melhorou consideravelmente ( agora servem sandochas quentes em vez de frias, embora isso se possa justificar por ser o menú de "inverno" mais do que outra coisa qualquer), e quando chegámos a Fiumicino já não havia combóios, por isso, toca de ir de táxi (dito assim até parece que com as ajudas de custo que nos pagam dá para "viver" à grande). Chegámos ao hotel. Era suposto haver 3 quartos mas, afinal só haviam 2 e por azar nenhum deles estava em meu nome. Por alguns momentos, pensei que ía dormir debaixo da ponte mas as minhas colegas (que são umas moças simpáticas) cederam-me um dos delas. No dia seguinte, antes de partirmos para o evento, reclamei aqui para o burgo para saber quem tinha sido a criatura que metera água (é claro que descobri que foram os Italianos do hotel mas, e daí, what else is new?).
Para chegar ao local do evento foi uma aventura. Para começar, nós estávamos numa ponta da cidade (em Cornélia) e a Conferência era só numa outra ponta que, ninguém conhecia, nem estava no mapa (não naquele que nós tínhamos). Os transportes públicos estavam em greve (parece que é um vírus que anda por aí) mas, felizmente, conseguimos apanhar um metro (afinal não estavam todos parados ao mesmo tempo).
Andar de metro até foi bom, ficámos a conhecer todas as estações das 2 linhas do metropolitano em Roma (só não conhecemos Batistini porque ficava antes de Cornélia). Foi um belo percurso de 1 hora com mais um passeio a pé, de 20 minutos (a perguntar direcções pelo caminho), até chegarmos à dita conferência que, por sua vez, era suposto começar às 10:00. Chegámos por volta das 11:15 e descobrimos que afinal a coisa ainda não tinha começado, porque o autocarro qye trazia os nossos colegas italianos da cidade de Florença (é onde é o burgo deles) avariou-se na autoestrada. Bom, do mal o menos. Agarrámos no Director do burgo Austríaco (que também lá estava) e fomos todos para o café, sentarmo-nos numa esplanada, para saber das últimas novidades.
A conferência começou ao meio-dia (mas nós é que temos o rótulo de nunca cumprir horários) e nós lá estávamos (e já comíamos qualquer coisita) e o buffet foi às 14:00 (com uma boa nota para o vinho italiano, é mesmo muito bom). Aguentámo-nos até às 15:30 mas depois tivemos de nos ir embora (visto que, ainda queríamos ver alguma coisita e teoricamente o Programa deveria acabar às 16:00. Nós não tínhamos culpa do atraso deles). Como é óbvio, marcámos logo uma jantarada, para mais mais tarde, com os colegas italianos.
Um dos grandes problemas de Roma é que uma pessoa não sabe para onde olhar. Há tanta coisa para ver que, se não se tiver a noção do que se quer ver, acabamos completamente perdidos sem saber para onde olhar primeiro. Logo o primeiro embate é: «Mas que grande confusão que para aqui vai!», aquilo são ruínas romanas misturadas com edíficios medievais e edíficios da renascença, sem organização nenhuma, é absolutamente louco e uma verdadeira balbúrdia. Mas, mesmo assim ficamos com a sensação de estar em casa (ou pelo menos eu fiquei). Não se sente o choque cultural que, eventualmente, se poderá sentir como quando se visita um país nórdico, ou mesmo que se poderá sentir quando se visita aqui o país vizinho. É possível sentirem-se mais afinidades com os italianos do que, propriamente, com os espanhóis (além de que estes últimos são altamente mal-educados) e essa foi a percepção com que fiquei.
Na estrada, os italianos são de fugir. Não há passadeiras (mesmo que estejam pintadas no chão), não há limites de velocidade (mesmo que estejam na lei) e não há sinais verdes para peões (mesmo quando o sinal está verde). Eles, simplesmente, não páram. Se a pessoa estiver a atravessar a rua (mesmo que seja na passadeira), eles desviam-se e contornam a pessoa mas, não páram. Há lambretas por todo o lado (o que é fabuloso) e pela primeira vez na vida, vi um engarrafamento de lambretas, o que achei verdadeiramente inacreditável. Estacionam e páram em todo o lado, inclusivamente no meio da rua se for preciso (daí o engarrafamento de lambretas) e não vale a pena buzinar porque eles só tiram de lá a viatura quando acabarem o serviço. Os tipos ao volante são perigosos (mas nós é que estamos no quadro negro das estatísticas), têm o pé, bestialmente, pesado e metem-se com carros grandes em sítios que não lembram ao careca. No entanto, se conseguirmos nos abstraír destas coisas, eles são simplesmente um espectáculo.
Roma é, sem dúvida, uma cidade a ser visitada. Não é barato mas, vale muito a pena. Eu quando tiver as fotografias, coloco-as aqui no blogue com os comentários porque aquilo é mesmo giro.
quinta-feira, novembro 16, 2006
quarta-feira, novembro 15, 2006
terça-feira, novembro 14, 2006
PORTUGAL X ESCANDINÁVIA
quinta-feira, novembro 09, 2006
quarta-feira, novembro 08, 2006
GREVE GERAL NA ADMNISTRAÇÃO PÚBLICA – O folheto da Frente Comum (II)
Ora bem, já tinhamos visto o 3º parágrafo por isso vamos continuar.
4º parágrafo: Nada de relevante a assinalar.
5º parágrafo: " É mentirosa a afirmação de que «os sacríficios são para todos», pois Portugal é o País da União Europeia com o maior fosso entre os 20% mais ricos e os 20% mais pobres e este fosso tem vindo a aumentar nos últimos anos. É a própria U.E a reconhecer este facto."
Bom, de facto, há que reconhecer alguma veracidade nestas coisas porque... os sacrificios não são para todos. Nomeadamente, não o são nem para os 20% mais ricos, nem para os 20% mais pobres. São para os 60% que ficam ali no meio. No entanto, o que me está aqui a falhar é o entendimento sobre «o que é o fosso?», isto porque - lá está - o que está no meio entre os mais ricos e os mais pobres é a classe média. Não é um fosso. O que me preocupa, isso sim, são as políticas que visam transformar tudo em pobres e isso começa logo por se partir do princípio que somos todos iguais. Somos todos iguais "my hass"! Somos agora todos iguais. Eu não sou igual a ninguém de certezinha absoluta, além disso não tenho nenhum gémeo siamês e não me andei a esfalfar na Universidade para ser igual a um outro "Tóni" qualquer que não tem 1/3 das minhas qualificações.
6º parágrafo: " E, em paralelo, possuímos algumas das maiores fortunas a nível europeu..."
Bem, para começar ainda não vi nenhum português naquele programa do People & Arts sobre as grandes fortunas da Europa. Depois, se há portugueses que têm grandes fortunas (e é claro que os há) é porque trabalharam para as ter, não ficaram à espera das esmolas do Estado português, caso contrário estariam bem lixados. Por isso, a única coisa que posso dizer é; a inveja é uma coisa muito feia. E ter fortuna só é mau para quem não a tem (como eu por exemplo, mas ainda não perdi a esperança).
7º parágrafo: "Os trabalhadores e a população em geral sentem na pele o continuado aumento do preço dos bens essenciais, muito superior às taxas de inflação, na água, no pão, nos combustíveis, nos transportes e na generalidade dos bens de primeira necessidade. Está agora a ser anunciado de 16 % , na electricidade."
Ok... portanto, há os trabalhadores e depois há a população em geral que não se enquadra na figura dos trabalhadores. Confesso que acho isto um pouco estranho porque, assim de repente parece que a população em geral não trabalha. Excluíndo este detalhe e o facto dos 16% terem caído para 6 vírgula qualquer coisa % (afinal tinha de haver alguma maneira do governo sair-se bem desta embrulhada), todas as pessoas normais sentirão o aumento de tudo menos dos ordenados.
GREVE GERAL NA ADMNISTRAÇÃO PÚBLICA – O folheto da Frente Comum (I)
A bem dizer, não me vieram as lágrimas aos olhos porque dava mau aspecto mas, lá que fiz figura de tontinho a rir-me sozinho lá isso fiz. A única coisa que me ocorria, enquanto lia o dito folheto, é que o texto bem merecia uma musiquinha de fundo tipo: «Avante Camarada, avante...».
Bom, dito isto é claro que estive a analisar o texto do folheto de uma ponta à outra e para começar, nada melhor do que dizer que, estamos a falar de um texto que de objectivo não tem, rigorosamente, nada. É um texto pejado de vocábulos conotados com uma ideologia, claramente, de esquerda e orientado para a vitimização self-inflicted (porque não tenho outra forma de explicar a coisa) e para a produção de reacções emotivas (se quisermos levar isto a um extremo, só lhes falta o cinto de explosivos à volta da cintura).
Vamos, então, começar pelo título.
Título do Folheto: “Trabalhadores têm razão! Governo do Capital NÃO!”
Sim, é verdade. São exclamações e gritos de desespero acompanhados por um “NÃO” a letras maiúsculas, que diz respeito ao sujeito na figura do Governo do Capital. Não me pronuncio sobre a questão do capital porque sempre achei que Socialistas Capitalistas são uma combinação bastante engraçada embora, ligeiramente, indefinida em termos conceptuais. Mas ei! Quem sou eu para dizer que um socialista não pode ser capitalista. Amiguinhos, isto é uma democracia, cada um pode ser o que quiser.
1º parágrafo: Nada de especial a apontar. Tem de se começar por algum lado.
2º parágrafo: “O Governo não pode continuar a atacar impunemente as condições de vida e de trabalho e a dignidade dos trabalhadores, para favorecer os grandes grupos económico-financeiros!”
Pois é... mas que grande déspota é o Governo que ataca impunemente as condições de vida e o trabalho da classe operária, do proletariado aqui identificado pela figura dos trabalhadores. E porque é que o Governo ataca impunemente o proletariado? Para favorecer os grandes grupos económico-financeiros, daí a designação do Capital no título. São um bárbaros, por mim mandava-os já para Bagadad. Safados.
3º parágrafo: “A degradação das condições de vida e de trabalho daqueles que produzem a riqueza deste país não pode continuar!”
Ora aqui está, mais um grito de revolta. No entanto, aqui tenho de confessar que fiquei um pouco baralhado. É que eu não estou bem a ver onde é que os funcionários públicos produzem riqueza. Os funcionários públicos, assim a bem dizer, são uma excelente ajuda para gastar a riqueza produzida mas, produzir, produzir não produzem grande coisa. Enfim, penso que não será, exactamente, possível exportar e ganhar dinheiro com qualquer coisa que resulte do trabalho de um funcionário público mas e daí, também posso estar errado por isso, se alguém souber o que é que um funcionário público produz em termos de riqueza (que não seja um papel carimbado), agora é o momento para intervir porque só posso continuar a minha dissertação mais tarde.
MAIS UM BLOG DE INTERESSE
O SUJEITO NULO EXPLETIVO - in Da Literatura
terça-feira, novembro 07, 2006
AS COISAS ENGRAÇADAS DO NOSSO MERCADO
quinta-feira, novembro 02, 2006
E AINDA... PORQUE BEBER FAZ BEM AO CORAÇÃO
Fácil, porque hoje ouvi na televisão um cardiologista dizer que, os ingleses (ou lá quem eram) tinham feito um estudo em que, se verifica que beber 1 ou 2 copos de vinho por dia faz bem à saúde e eu acho que isso é sempre uma boa mensagem para se passar às massas.






