quinta-feira, maio 28, 2009

A DESCRIÇÃO MAIS GIRA DO QUE É UM AQUÁRIO


"Aquarius(January 20 — February 19)
Fixed Air Ruled by Uranus Symbolized by The Water Bearer
Keywords: Offbeat, Original, Dynamic, Creative, Independent.

Aquarius, the 11th sign of the Zodiac, is ruled by Uranus, the planet associated with the unorthodox, the electric, the original and the unexpected. It is not surprising, then, that Aquarius invariably marches to the beat of a different drummer. Aquarius is a nonconformist who has an unbridled appetite for adventure and a fascination for all that is new and different.
Aquarius, as an Air sign, is connected with thought processes and the exchange of ideas. The typical Aquarius has awesome intellectual powers and communication skills. They are also very social and take a great interest in other people. Aquarius can often be found engaging in lively discussions about ideas. Aquarius's symbol is the water bearer and this can be seen as a metaphor for his bearing or communicating his thoughts to the world. Aquarius's thoughts are rarely those of the mainstream. They tend to be unorthodox and even ahead of their time. Because of this, Aquarius can be regarded as a bit of an eccentric by more grounded types.
At heart, Aquarius is a rebel. He refuses to blindly obey "the rules" and does so only when his questioning mind ascertains that the rules in question are sensible and just. If not, Aquarius will set out to initiate change. He is a progressive thinker, a visionary with more than a smattering of revolution in his soul. Aquarius deals in broad concepts and has a deep and abiding interest in improving the lot of humanity. To this end, Aquarius often applies his unique talents to the fields of social and political reform.
Aquarius craves freedom: Freedom of thought, freedom of expression, freedom of movement. Aquarius loves travel. Even if it's only a fun day or weekend trip, the ability to move about unfettered is as precious to him as Sun is to a flower. Without it, Aquarius's spirit would wither and die.
If Aquarius is your friend, you will never be bored. Uranus is associated with electricity and Aquarius has a quality of electric dynamism to his personality that is invariably fun and exciting to be around which is why Aquarius has the ability to attract many friends from a wide variety of backgrounds. Oftentimes, the only thing Aquarius's friends have in common is that they are a little (or maybe even alot!) on the strange and eccentric side because Aquarius is attracted to and values oddity.
Despite Aquarius's tendency to be a trifle self-absorbed, he has a sympathetic, kind and generous heart and is happy to listen to his friend's troubles and eager to offer advice. Be warned: Aquarius expects you to take the advice they offer.
The fixed mode of their sign has the rather unfortunate effect of making them fixed in their opinions and sometimes quite stubborn and dogmatic. Once Aquarius has set his mind on something, you will seldom be able to change his
opinion. One of the lessons Aquarius must learn is to - listen.
Aquarius holds great appeal for the opposite sex. It is their open, friendly, engaging manners and the dynamic energy of Uranus that surrounds them. As lovers, Aquarius also has that electric quality. He is inventive and creative with a passion for variety. Aquarius can be restless and unstable in relationships because he's always looking for something novel and exciting. In order for him to be happy in a love relationship, Aquarius must have control over it. His partner must understand his need for space. Not for Aquarius a clinging, emotionally intense or needy lover. Anybody who tries to muzzle Aquarius's independent spirit will quickly be left behind. Aquarius can leave relationships behind with ease and barely a backward glance as he moves blithely into the future, the winds of change at his back."

quarta-feira, maio 27, 2009

GRÉCIA Vs. PORTUGAL



Pergunta:

Porque é que na Grécia paguei 3,80 € por um cappucino?

Resposta:

Olhem para a fotografia e logo vêem.

Ao contrário do que acontece em Portugal - que quando uma pessoa pede um café, ou um cappuccino, ou outra coisa qualquer, é exactamente isso que lhe dão sem tirar nem pôr - na Grécia, neste caso em Salónica, quando nos sentamos num daqueles magníficos cafés e pedimos um café, um cappucinno, ou uma outra coisa qualquer (até porque as listas costumam ser extensas apresentando uma variedade enorme de tudo o que tenha a ver com café), pagamos 3,80 € mas o dito vem com toda uma parafernália atrás.

Para começar, assim que alguém se senta numa mesa (seja num café ou num restaurante) logo aparece um empregado(a) que nos põe um copo e uma garrafa ou um jarro de água fresca à frente, sem que ninguém tenha pedido e sem se pagar mais por isso. Entrega-nos a lista, seleccionamos o que queremos, pedimos e quando vem o nosso pedido, normalmente, vem sempre com mais qualquer coisita para irmos debicando. Ora são bolachinhas, ora são bolinhos, também podem ser salgadinhos se tivermos pedido outra coisa que não café, enfim pagamos mas somos bem servidos.

Pensam vocês que os cafés e as esplanadas estão às moscas?? Ah ah ah!

Tirando de manhãzinha, tipo 9-10 horas que, de facto, ainda estão no período de abertura, a partir do meio-dia em diante é sempre a crescer. Ao fim da tarde, já é dificil encontrarmos um lugar para nos sentarmos e à noite é dificil não tropeçar em ninguém. É assim todos os dias e não estamos a falar de cafés, propriamente, pequenos nem afastados uns dos outros. Estamos a falar de espaços médios e grandes, porta-sim-porta-sim. Acham que a crise ainda não chegou à Grécia? Claro que chegou! A diferença é que os gregos optam por viver a vida, por apreciar a vida, enquanto nós portugueses optamos por carregar a vida às costas.

Os empresários da restauração deviam aprender qualquer coisita com os seus congéneres gregos e estão a ver o bolito de chocolate da fotografia? Estava um espectáculo.

sexta-feira, maio 22, 2009

"COLOCAR OS JOVENS PORTUGUESES NA FRENTE DA CONSTRUÇÃO EUROPEIA"


"Os jovens são os destinatários da grande maioria das políticas europeias. O PSD é, aliás, o único Partido a ter um candidato jovem em posição elegível. Há medidas pró-juventude que podem adoptar-se de imediato. É possível e urgente democratizar o ERASMUS envolvendo mais jovens e reforçando os apoios de forma a impedir que haja discriminações em função da capacidade económica. Vamos propor a criação de um programa europeu de mobilidade para o 1º emprego: o ERASMUS-emprego. Apoiaremos o objectivo de aumentar o financiamento do Ensino Superior."

Bom, pelo menos é o que diz a propaganda do PSD. Todavia... que o público em geral não perceba muito bem estes Programas Comunitários, eu até compreendo. Calhando, muitos até nem estão conscientes do novo pacote comunitário de medidas de combate à crise que é suposto ser aprovado em breve, mas... quando se trabalha com este tipo de Programas Comunitários, quando se trabalha com a Comissão Europeia e quando se trabalha com as Autoridades Nacionais há coisas de digestão difícil.

Em primeiro lugar, o ERASMUS é um programa democrático. Se não o é mais é porque as Autoridades Nacionais não reforçam a comparticipação nacional. Isto não tem a ver com os valores atribuídos pela Comissão Europeia, tem a ver com o facto da verba nacional para apoiar o Programa ser absolutamente anedótica. Havendo lugar a reforços de verba, terá sempre de ser feito pelo lado nacional e não pelo lado europeu.

Em segundo lugar, não é preciso criarem mais um Programa - tipo Erasmus - para apoiar o 1º emprego. O Programa Leonardo da Vinci, no âmbito das mobilidades, existe para isso mesmo. Criar mais um Programa Comunitário, à laia de Erasmus, além de não depender - única e exclusivamente - da vontade do candidato português, é desperdiçar recursos que podem ser canalizados como reforço do que já existe e funciona.

Se, em termos nacionais, não é possível aprovar mais projectos (sejam de que natureza forem) é porque o Estado Português (ao contrário de outros Estados Europeus que, efectivamente, complementam estes fundos comunitários com fundos nacionais), está-se nas tintas para o cumprimento dos objectivos da Estratégia de Lisboa, está-se nas tintas para a Europa e para os Programas Comunitários (quer no âmbito da Educação, quer no âmbito do emprego e da formação profissional) e isso verifica-se nas coisas mais básicas que alguém possa imaginar, como por exemplo:

- o facto das escolas não terem um currículo europeu (ao contrário do que acontece no Reino Unido);

- o facto dos professores que coordenam projectos europeus não serem reconhecidos pelo trabalho que desenvolvem, nem sequer contar para progressão de carreira (e muito pior, em muitos casos ainda são acusados de andarem a passear);

- o facto do estatuto da carreira docente ser a coisa mais monolítica, mais arcaica, mais absurda e mais aberrante que alguém jamais de lembrou.

Amiguinhos, o discurso da Europa só faz parte da Agenda Política quando há eleições, quando Portugal tem de assumir a Presidência da União Europeia ou quando precisam de mais fundos comunitários. Porque de resto, quando é necessário adaptar o contexto político nacional para que estes Programas Comunitários sejam operacionalizados e produzam resultados, isso já é mais complicado... depois ainda vêm os Ministros e/ou os Secretários de Estado perguntar; "Então mas que resultados é que isso produz?"...

A resposta correcta seria: "Face à merda que V.exa(s). fazem reiteradamente, pois produzem muitos bons resultados. Se os números são poucos expressivos, pois talvez se deixarem de fazer tanto cócó a coisa se componha".

O maior problema de Portugal face à União Europeia é a total falta de coerência entre a medidas de política nacional que são adoptadas e implementadas e os objectivos da política europeia.

terça-feira, maio 19, 2009

ESTRANHAS COINCIDÊNCIAS

FADO DO ESTUDANTE




Que negra sina ver-me assim
Que sorte e vil degradante
Ai que saudades eu sinto em mim
Do meu viver de estudante

Nesse fugaz tempo de Amor
Que de um rapaz é o melhor
Era um audaz conquistador das raparigas
De capa ao ar cabeça ao léu
Sem me ralar vivia eu
A vadiar e tudo mais eram cantigas

Nenhuma delas me prendeu
Deixa-las eu era canja
Até ao dia que apareceu
Essa traidora de franja

Sempre a tinir sem um tostão
Batina a abrir por um rasgão
Botas a rir num bengalão e ar descarado
A malandrar com outros tais
E a dançar para os arraiais
Para namorar beber, folgar cantar o fado

Recordo agora com saudade
Os calhamaços que eu lia
Os professores da faculdade
E a mesa da anatomia

Invoco em mim recordações
Que não têm fim dessas lições
Frente ao jardim do velho campo de Santana
Aulas que eu dava se eu estudasse
Onde ainda estava nessa classe
A que eu faltava sete dias por semana

O Fado é toda a minha fé
Embala, encanta e inebria
Dá gosto à gente ouvi-lo até
Na radio - telefonia

Quando é cantado e a rigor
Bem afinado e com fulgor
É belo o Fado, ninguém há quem lhe resista
É a canção mais popular, toda a emoção faz-nos vibrar
Eis a razão de ser Doutor e ser Fadista

Nota: A letra está incorrecta em algumas partes. Tratarei de a corrigir assim que possível.

FON FON FON - Deolinda





Olha a banda filarmónica,
a tocar na minha rua.
Vai na banda o meu amor
a soprar a sua tuba.
Ele já tocou trombone,
clarinete e ferrinhos,
só lhe falta o meu nome
suspirado aos meus ouvidos.

Toda a gente - fon-fon-fon-fon -
só desdizem o que eu digo:
"...Que a tuba - fon-fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca - fon-fon-fon-fon -
e o meu coração rendido
só responde - fon-fon-fon-fon -
com ternura e carinho.

Os meus pais já me disseram:
“Ó Filha, não sejas louca!
Que as Variações de Goldberg
p'lo Glenn Gould é que são boas!”
Mas a música erudita
não faz grande efeito em mim:
do CCB, gosto da vista;
da Gulbenkian, o jardim.

Toda a gente -fon-fon-fon-fon.
só desdizem o que eu digo:
"... Que a tuba -fon-fon-fon-fon-
tem tão pouco romantismo...”
Mas ele toca - fon-fon-fon -
e cá dentro soam sinos!
No meu peito -fon-fon-fon-fon-
a tuba é que me dá ritmo.

Gozam as minhas amigas
com o meu gosto musical
que a cena é “electroacústica”
e a moda a “experimental”...
E nem me falem do rock,
dos samplers e discotecas,
não entendo o hip-hop,
e o que é top é uma seca!

Toda a gente -fon-fon-fon-fon-
só desdizem o que eu digo:
“... Que a tuba -fon-fon-fon-fon-
tem tão pouco romantismo..."
Mas ele toca -fon-fon-fon-fon-
e, às vezes, não me domino.
Mando todos -fon-fon-fon-fon-
que ele vai é ficar comigo!

Mas ele só toca a tuba
e quando a tuba não toca,
dizem que ele continua;
que em vez de beijar, ele sopra...

Toda a gente - fon-fon-fon.fon -
só desdizem o que eu digo:
“... Que a tuba - fon-fon-fon-fon -
tem tão pouco romantismo...”
Mas ele toca -fon-fon-fon-fon-
e é a fanfarra que eu sigo.
Se o amor é fon fon fon fon
que se lixe o romantismo!

INTRODUÇÃO À FILOSOFIA POLÍTICA (I)



Professor Steven Smith: Today we start with Plato, Plato's Apology of Socrates. This is the best introductory text to the study of Political Philosophy. Why? Let me give you two reasons. First, it shows Socrates, the reputed founder of our discipline, the founder of Political Science, and I will say a little bit more about that later on today, explaining himself and justifying himself, justifying his way of life before a jury of his peers. It shows Socrates speaking in a public forum, defending the utility of philosophy for political life. And, secondly, the Apology demonstrates also the vulnerability of political philosophy in its relation to the city, in its relation to political power. The Apology puts on trial not merely a particular individual, Socrates, but puts on trial the very idea of philosophy.” E assim começa a segunda aula de filosofia política na Universidade de Yale.
Hoje resolvi vir de comboio para o trabalho e ao contrário do resto das pessoas que anda na rua, com uns headphones na cabeça, a ouvir música, eu vinha, também de headphones na cabeça, a ouvir a segunda aula de filosofia política que tinha descarregado para o meu telefone.

Como já tinha referido anteriormente o tema da filosofia política não é novo para mim. Venho da área de Relações Internacionais, não só estou familiarizada com estes tópicos como também nutro uma curiosidade pessoal sobre os mesmos. Já passei pela Universidade Lusíada e pela Universidade Católica e por isso mesmo sinto-me, perfeitamente, à vontade para dizer que nunca tinha ouvido uma aula assim. Interessante, coloquial e acessível a todo o tipo de audiências. São muito raras as aulas, em Portugal, que são assim transmitidas. Na sua maioria são dadas por um mono (cuja competência técnica para o efeito é inquestionável, excepto se o for feito pelos seus pares), que se limita a estar em frente uma plateia de caneta em riste a vomitar matéria para quem a quiser apanhar.
A “Apologia de Sócrates” foi o primeiro livro de Filosofia que li, no 10º ano para a disciplina com o mesmo nome. Na altura, li, reli e li-o em voz alta a terceiros, por achar que era uma obra fruto de uma inteligência inestimável. Tinha determinadas passagens sublinhadas a lápis, que correspondiam aos argumentos de defesa de Sócrates e que eu considerava brilhantes, mas que nunca ninguém estava interessado em ouvir excepto a minha avó, que na época se encontrava doente e como tal não podia fugir.

Hoje foi a primeira vez em muitos anos que ouvi alguém a falar sobre a “Apologia de Sócrates” atribuindo-lhe o valor que penso que realmente tem. Bastante mais tarde, e depois de ler outros autores, é claro que tive de reconhecer que, definitivamente, discordo das ideias de Platão, mas isso não quer dizer que não admire a sua filosofia, ou as suas obras tais como elas são e devidamente enquadradas na sua época.
Não é de todo possível compreender os filósofos clássicos olhando apenas para as ideias que defendem. Há que olhar para o contexto sociopolítico da sua época e olhar para o percurso do homem antes do filósofo. Mas não é fazer aquilo que comummente se faz nas aulas, que é elencar as ideias principais sobre o contexto e o homem tipo currículo e siga a marinha. Não há nada menos interessante do que isso e se não tem interesse, ninguém vai querer saber.

Gostei de ouvir uma aula de Filosofia Política que, de facto, acho que foi muito bem dada. Hoje, quando chegar a casa, vou descarregar a terceira.

segunda-feira, maio 18, 2009

EDUCAÇÃO ONLINE



Hoje não vos ia falar sobre isto mas sim, sobre algo mais mundano que é a perspectiva de um estrangeiro sobre Portugal. Mas isso fica para outro dia, agora vou falar-vos sobre educação online.
Há alguns anos que me dedico a pesquisar sobre Universidades que ministrem cursos online. Cursos online no sentido de licenciaturas, pós-graduações, mestrados ou doutoramentos e pesquisar não à laia de investigação académica. Isto é, pesquisar na perspectiva de potencial utilizador desses serviços. Até agora – e note-se que já ando à procura destas coisas há algum tempo – a única Universidade portuguesa que encontrei, verdadeiramente, vocacionada e estruturada para o ensino online foi, sem qualquer margem de dúvida, a Universidade Aberta. De resto, todas as outras têm uma coisinha aqui, outra coisinha ali, muito na onda da partilha de documentos e fóruns de discussão, mas nunca nada tão estruturado como no caso da Universidade em questão e muito menos encaminhadas no sentido de conferir graus académicos (no caso da Universidade Aberta, os seus cursos de licenciatura online conferem grau académico por exemplo).
De hoje em dia é simples ter as condições técnicas que permitam ministrar cursos online. Qualquer um (pessoa individual ou colectiva) que pretenda ensinar qualquer coisa através de uma plataforma de elearning pode fazê-lo sem qualquer tipo de custos adicionais bastando-lhe recorrer, para o efeito, a instrumentos de opensource como é o caso, por exemplo, da plataforma Moodle (Nota: existem outras plataformas e.g. Atutor, Dokeos, Ilias, OpenUSS, etc).
A minha escolha recaiu sobre o Moodle, não porque as outras não tenham o seu mérito, mas porque esta é a plataforma que está mais disseminada entre nós e é utilizada pela maioria das escolas portuguesas. Não tenho grande informação sobre o sucesso da utilização da mesma ao nível escolar, mas pelos poucos websites que abri (e que realmente funcionavam), deduzo que o grau de utilização não deve ser grande coisa uma vez que nem sequer a informação que constava desses websites se encontrava estruturada e sistematizada de acordo com os ciclos escolares. Nestes casos em concreto deparei-me com um tipo de informação que estava organizada de forma intermitente, por turmas e orientada para dentro da instituição como se tratasse de um trabalho que é fruto da carolice de alguém e não uma parte da estratégia de gestão da instituição escolar.
Por contrapeso, a informação constante do website da Universidade Aberta (que também assenta numa plataforma Moodle) está, claramente, organizada de uma forma consistente, por cursos, de acordo com a sua tipologia e orientada para fora. Quem ali chega, sabe que cursos a instituição pretende ensinar, que tipo de cursos é que podem escolher, como o pretendem fazer, quando começam, quanto custa, quais são os requisitos, qual é o currículo, etc.
Claro que estou a comparar diferentes níveis de ensino e que não é, propriamente, fácil ou sequer legítimo comparar uma coisa e outra uma vez que a própria tipologia institucional é diferente. Mas ainda assim a organização da informação e a forma como toda a sequência de conteúdos está estruturada denota uma grande diferença, não só, quanto à promoção da utilização destas plataformas, mas também, quanto á forma que as instituições operam e funcionam.
Um dos aspectos com que é muito comum esbarrarmo-nos quando entramos no âmbito do ensino online é com a questão da acreditação. Bom, em primeiro lugar há que notar que a questão da acreditação não é exclusiva do ensino online e em segundo lugar a aprendizagem formal não é o único tipo de aprendizagem que existe. A acreditação é, sem dúvida, um instrumento de reconhecimento de competências importante mas não deve constituir um impedimento ao saber. Bem sei que, assim de repente, isto parece uma ideia um tanto ou quanto romântica mas na realidade o essencial na aprendizagem é, antes de tudo, o querer aprender e de seguida é saber o que é que se vai fazer com o que se pretende aprender e se é, ou não, necessário a acreditação.
Neste fim-de-semana estive entretida à procura de cursos online que fossem gratuitos (de preferência sem serem daqueles sobre Excel e Word porque já não há paciência para essas cenas e há que evoluir um pedacinho), assim no Sábado descobri uns absolutamente fantásticos, a funcionar em modelo de open courseware (que não confere nenhum tipo de habilitação académica) e são disponibilizados pela Universidade de Yale.

Estive a ouvir a aula de introdução à Filosofia política leccionada pelo Professor Steven Smith e devo dizer-vos que achei brilhante (já tenho o MP3 da segunda aula no meu Iphone, mas as mesmas também existem em formato de vídeo igualmente disponível para download). É verdade que este não é um tema novo para mim e que escolhi o tópico exactamente por isso, mas não podemos ignorar que é sempre bom refrescar conhecimentos ou ir buscar outros que, no fundo, complementem aquilo que já sabemos.
No entanto, a Universidade de Yale não é a única a disponibilizar este tipo de cursos em modelo de open courseware. Também o MIT, a Universidade de Stanford ou a Universidade de Berkeley, disponibilizam o mesmo género de conteúdos para um tipo aprendizagem de carácter mais informal (nota: tenho algumas dúvidas sobre o que se aplica aqui, se será a designação de aprendizagem informal ou não-formal, mas como isto depende muito da motivação do individuo para a auto-aprendizagem e não é atribuída nenhuma certificação, vou considerá-la como informal).
Finalmente, e até porque isto já vai mais longo do que era suposto embora ainda houvesse muita coisa para dizer, uma das grandes desvantagens destes cursos em modelo de open courseware é o facto de nem toda a gente dominar a língua inglesa o suficiente para os compreender e o facto da maioria das Universidades Portuguesas não promover o mesmo tipo de iniciativas.
Nota: Aqui não digo que a questão da acreditação (ou falta dela é uma desvantagem) porque esse é um tema que dava para escrever mais não-sei-quantos artigos.

sexta-feira, maio 15, 2009

RUPTURAS (I)

São sempre um drama.

Anda tudo à estalada, puxam-se cabelos, insultam-se as partes, atiram-se os putos de um lado para o outro à laia de bolinhas de ping pong, atiram-se os amigos, cerram-se fileiras num campo de batalha escandalosamente imbecil.
É uma guerra.
Não há espaço para civilidade, nem tempo para limpar armas e quando não as há, atiram-se pedras ao estilo de intifada privada, pessoal.
Quando se verifica uma ruptura num relacionamento pessoal é porque a mesma está associada a um sentimento de insatisfação numa das partes. Sentimento esse que cresce ao longo do tempo e que culmina numa divergência de posições quanto àquilo que outrora fora comum. Identificado a tempo poderá ocorrer algum tipo de conciliação, mas não é coisa fácil perceberem-se os sinais, até porque na maior parte das vezes esses aproximam-se, pé ante pé, de pantufas e quando se dá por eles já está o caldo entornado.
Será, então, seguro dizer-se que um sentimento de insatisfação conduz à ruptura. Se assim é para tantas outras coisas da vida de um individuo, porque deveriam ser os relacionamentos pessoais uma excepção? Não será o sentimento de insatisfação, aquele que conduz à procura de outras oportunidades em termos profissionais? Não será o sentimento de insatisfação, na sua forma massificada, aquele que conduz às mudanças de regimes políticos ou de governos? Não será o sentimento de insatisfação, aquele que conduz ao avanço científico?
No âmbito das relações sociais os indivíduos olham para as rupturas com uma certa suspeição. Olham para as rupturas como algo naturalmente mau que interrompe um determinada ordem pré-estabelecida. É normal. Um indivíduo que olhe para uma ruptura como um início e não como um fim está, sem qualquer dúvida, tolinho.
As rupturas são um fim.
Toda a gente sabe disso. Somos treinados desde pequeninos a aceitar e a respeitar essa espécie de ordem social pré-estabelecida que nos diz, que tudo aquilo que implica uma ruptura com algo que está para trás é, naturalmente, mau. Negativo. A evitar. Porém, raramente alguém pergunta se esse algo que está para trás é, naturalmente, bom.
É do conhecimento geral que o ser humano tende para procurar aquilo que lhe traz estabilidade, conforto e segurança quer a nível profissional, quer a nível pessoal. Contudo, dizem alguns especialistas internacionais, que ao longo da vida, deve o indivíduo procurar diversas experiências profissionais. Deve, portanto, mudar. Adquirir novos conhecimentos, novas aptidões, novas competências. Deve ser capaz de se adaptar a um mundo em constante mudança, em constante evolução. No entanto, a aplicação do mesmo ao nível pessoal dá origem a alguma controvérsia. Não é visto com bons olhos.
À generalidade dos olhos, as mudanças nos relacionamentos pessoais são como que uma espécie de pecado capital. Por assimilação de verdades universais, hipocrisias sociais ou a velhinha, mas sempre actual, pressão cultural – cada um desculpa-se como quer face à sua própria limitação ou incapacidade de articulação intelectual – um relacionamento pessoal é uma cruz que cada um deve carregar. E qual Cristo a caminho do Calvário! A cruzinha é que não pode faltar nas costinhas de cada um.
Quando alguém diz; «Foda-se! Carrega-a tu se quiseres que eu já ‘tou farto!», é o fim da macacada. Há chiliques, afrontamentos, taquicardias, hiper-ventilação e lágrimas com fartura. Do rol fazem também parte vingancinhas, ameaçazinhas e outras coisinhas comezinhas, cujo interesse é manifestamente nulo. A verdade, é que o herege teve a lata de mandar a cruz às urtigas e agora quem quiser que lá vá buscá-la.
Eu, herege, me confesso.
Uma ruptura é um início mais do que um fim e a vida não é um fardo, nem uma cruz que deva ser carregada a caminho de um Calvário. O livre arbítrio dota-nos da capacidade de escolher entre os diversos caminhos que se nos apresentam, cabendo-nos a liberdade de optar.
Certamente que há aqueles que amam carregar cruzes e fardos e que se lamentam alegremente por tal feito. Embrulham o seu discurso pseudo-moral num tom de papel solene, colocam uma fitinha dourada à volta e acham que estão a fazer uma grande coisa. Conheço casos assim e fico feliz por eles. Quer saibam, quer não esse encantamento que tem pelo sofrimento de carregar uma cruz torna-os felizes. Se estão felizes estão, consequentemente, satisfeitos e como tal não sentem o apelo da mudança.
(continua).

quinta-feira, maio 14, 2009

PEDRA FILOSOFAL


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.
Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.
Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.
Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida entre as mãos de uma criança.
António Gedeão, in 'Movimento Perpétuo'
Cantado por Manuel Freire


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QUANDO EU NÃO TE TINHA

Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria, Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor —
Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.

Alberto Caeiro, in "O Pastor Amoroso"
Heterónimo de Fernando Pessoa

quarta-feira, maio 13, 2009

ME LLAMAN CALLE - Manu Chao



Me llaman Calle,

pisando baldosas,

la revoltosa y tan perdida.

Me llaman Calle,

calle de noche, calle de día.

Me llaman Calle,

hoy tan cansada, hoy tan vacía,

como maquinita por la gran ciudad.

Me llaman Calle,

me subo a tu coche,

me llaman Calle de malegría.

Calle dolida, calle cansada

de tanto amar.

Voy calle abajo, voy calle arriba,

no me rebajo ni por la vida.

Me llaman Calle

y ese es mi orgullo,

yo sé que un día llegará,

yo sé que un día vendrá mi suerte,

un día me vendrá a buscar a la salida

un hombre bueno pa to la vida y sin pagar

mi corazón no es de alquilar.

Me llaman Calle,

me llaman Calle

calle sufrida, calle tristeza de tanto amar.

Me llaman Calle

calle más calle.

Me llaman Calle siempre atrevida

me llaman Calle de esquina a esquina.

Me llaman Calle bala perdida

asi me disparó la vida.

Me llaman Calle

del desengaño

calle fracaso, calle perdida.

Me llaman Calle vas sin futuro

Me llaman Calle

va sin salida

Me llaman Calle

calle más calle

la que mujeres de la vida

suben pa bajo

bajan pa arriba

como maquinita por la gran ciudad.

Me llaman Calle

me llaman Calle

calle sufrida calle tristeza de tanto amar

Me llaman Calle

calle más calle.

Me llaman siempre y a cualquier hora,

me llaman guapa siempre a deshora,

me llaman puta

también princesa

me llaman calle sin nobleza.

Me llaman Calle

calle sufrida, calle perdida de tanto amar.

Me llaman Calle

me llaman Calle

calle sufrida calle tristeza de tanto amar.

Me llaman Calle

me llaman Calle

calle sufrida calle tristeza de tanto amar.

Me llaman Calle

me llaman Calle

calle sufrida

calle tristeza de tanto amar.

Me llaman Calle

me llaman Calle

calle sufrida calle tristeza de tanto amar...

segunda-feira, maio 11, 2009

MARIA ADELAIDE COELHO DA CUNHA "DOIDA NÃO E NÃO"! - por Manuela Gonzaga

Estive a ler a entrevista de Manuela Gonzaga dada à revista Máxima deste mês e não pude deixar de ficar impressionada com a história de Maria Adelaide Coelho da Cunha - herdeira do fundador e co-proprietário do "Diário de Notícias" - que, no início do séc. XX, foi declarada louca e presa num manicómio pela ousadia, de aos 48 anos, trocar a família e toda uma vida de riqueza e bem-estar pelo motorista, de 26, para viver o verdadeiro amor.

Curiosamente, há coisas que efectivamente não mudam. Mesmo, que, graças a Maria Adelaide, a lei sobre internamentos compulsivos tenha mudado, as pessoas continuam a ser castigadas por ousarem comportamentos semelhantes, principalmente, quando há dinheiro e bens envolvidos (como aliás foi também o caso desta senhora).
Na minha opinião, Maria Adelaide Coelho da Cunha foi uma mulher da mais absoluta coragem ao desafiar todas as regras e convenções sociais que a aprisionavam. Teve a coragem de dizer "Fuck it" quando achou que era tempo de procurar a sua felicidade.
Mudar o que quer que seja é sempre uma decisão difícil. Tanto mais difícil quando se trata de uma decisão voluntária que implica o seu respeito por parte de terceiros. Infelizmente, por pressão cultural, social ou mesmo por hipocrisia adquirida, a maior parte desses terceiros só consegue respeitar as decisões que, por natureza, são involuntárias (e.g. deixar de fumar ou entrar em dietas rigorosas porque se apanha um susto com a saúde) e que na maioria das vezes têm por base o medo (i.e. medo de morrer, medo de perder isto ou aquilo). São terceiros que , por norma, são naturalmente incapazes de respeitar decisões voluntárias que envolvem mudanças radicais de hábitos, de comportamentos ou de vida, acolhendo como percurso mais fácil considerar o sujeito como "doido".
Este é, sem dúvida, um livro a adquirir. Sobre a sua autora, Manuela Gonzaga, poderão ler mais sobre ela em : "Manuela Gonzaga - Histórias do irreal quotidiano".

domingo, maio 10, 2009

OS MEUS HAMBURGUERS DE SOJA

Agora é só não me esquecer como é que fiz isto... mas para quem tem dúvidas estavam muito bons e cheiravam muito bem, o único problema é que isto foi feito mais ou menos a olho.

quarta-feira, maio 06, 2009

FINLÂNDIA vs PORTUGAL

vs



É tão agradável descobrir que o meu salário como técnica superior está ao mesmo nível do salário de um empregado de balcão na Finlândia... correcção... os empregados de balcão ganham mais 150-200 euros do que eu.. amei... a sério que amei.